Digo viver porque, ainda que eu fosse turista em Londres, experimentei de parte da rotina dos meus incríveis anfitriões, sem os quais eu teria feito uma viagem completamente diferente e, certamente, menos interessante. Não fiquei em hotel ou albergue. Fiquei hospedada na casa deles, com cópia da chave no bolso e um telefone celular na mochila para combinações de encontros e eventuais pedidos de socorro. O que, evidentemente,
Logo na chegada, do aeroporto para casa, fomos de metrô. Uma hora e vinte de trajeto, com uma baldeação, para, segundo eles, eu não querer me locomover por meio dele nunca mais. Todo mundo sabe que o transporte público funciona bem por lá (quem nunca viu aquele mapa das linhas do metrô, que se transformou em estampa de vários produtos caça-turista?). Uma coisa é saber, outra coisa é fazer uso dele. É incrível poder ir para qualquer, QUALQUER lugar da cidade de metrô.

No primeiro dia, carregando mala e cuia, quase fui atropelada por ingleses desembestados que desciam correndo muito a escada rolante interminável. Ninguém tinha me explicado uma mecânica simples: se quer ficar parado na escada rolante e deixar que ela faça o trabalho de te levar até lá em cima (ou lá embaixo), pare do lado direito. O lado esquerdo deve ficar livre para quem tem pressa. Tá entendido?
Eu andava com o Oyster, que é mais ou menos o equivalente ao bilhete único de São Paulo, recarregável. Você encosta o cartão na catraca da estação em que vai embarcar e depois faz a mesma coisa no desembarque. Dependendo do trecho que você percorreu, é cobrado um valor, que fica em torno de 1,50 libras. O Oyster também funciona nos ônibus. Com ele, em vez de você pagar 2 libras na tarifa, paga apenas 90 cents. E depois de gastar um determinado valor em transporte em um dia - se não me engano são 5 libras -, você pode fazer todos os demais percursos sem cobrança de tarifa. E pode consultar na tela do terminal os percursos que você fez.
Para mim, andar de ônibus foi um pouco mais difícil. Todo ponto tem um mapa enorme do lugar onde você está e do trajeto dos ônibus que passam ali. De modo que se você não sabe exatamente para onde vai, fica difícil. Além disso, nem sempre aquele ônibus passa onde você precisa ir. E se for necessário tomar dois deles, fica mais difícil ainda. Enfim, não preciso dizer que sempre que podia optar andava de metrô.
Dentro de todos os ônibus existe um letreiro luminoso e uma vozinha que indica que linha é aquela - pode ser útil em caso de bebedeira e avisa qual é o ponto seguinte. No metrô a mesma coisa, além do famoso Mind the gap, que há algum tempo foi adaptado e ganhou um please antes e um between the train and the plataform depois. Nas plataformas, outro letreiro informa quanto tempo falta para o próximo trem se aproximar, o nome dele e que linha ele faz - porque em algumas estações, na mesma plataforma passam dois trens diferentes. Ou seja, só se perde quem sofre de desgoverno agudo, o que
Ainda que o transporte público funcione bem, obrigada, muita, muita gente se locomove de bicicleta. Claro que ajuda muito o fato de se tratar de uma cidade plana. Ajuda mais ainda o fato de os motoristas serem civilizados e respeitarem os ciclistas. Minha anfitriã loira e linda é adepta da bicicleta - com cestinha para carregar a bolsa – para ir e voltar do trabalho. Ela diz que além de ser mais saudável, economiza uma grana e tempo. É mais rápido ir para o trabalho de bicicleta do que de ônibus - por causa do trânsito - e até do que de metrô.
Londres também tem congestionamento nos horários de pico. Para tentar amenizar o problema, em 2003 entrou em vigor a congestion charge na área central da cidade - algo como o centro expandido de São Paulo, em menores proporções. Qualquer veículo que circula por lá em determinados horários paga um pedágio de 5 libras por dia. É bem caro. E a idéia é essa, mesmo: fazer as pessoas deixarem o carro em casa. O dinheiro arrecadado é investido em melhorias no transporte.
A idéia já foi cogitada por aqui. A única
Todas as calçadas por onde passei tinham guias rebaixadas para deficientes e uma ranhura no chão para auxiliar os cegos na travessia da rua. Tudo bem que as novas calçadas da Avenida Paulista também têm. E onde mais, mesmo?
Em tempo, outra diferença gritante, engraçada e óbvia é a mão de direção das ruas e os carros. Não dá para achar normal as direções do lado direito e passar a marcha com a mão esquerda! E por várias vezes eu corri o risco de morrer atropelada, quando olhei pro lado errado ao atravessar a rua.
(continua)
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