20.11.11

Where's My Mind?

tenho impressões que muito provavelmente não condizem com a realidade.

dizem que esta é a última sensação antes de a pessoa enlouquecer de vez.


*

1.9.11

It's the End Of the World


ele se casou
ela foi viver em outro país
e viveram felizes para sempre


*

29.6.11

Gestação

É como fazer o enxoval de uma criança que nunca nasce.


*

7.3.11

Divã

daí concluo que faria tudo tudo tudo de novo.
mas com um divã por perto.

16.1.11

Reconstrução

Aquela sensação.
De novo.
De repente, a imensidão do mundo.
Insignificância.
Vida ordinária.

Uma emoção e outra.
Emoção? Desânimo.
Onde foi parar a intensidade?
O sentido?
O tempo que se demora?

Devem estar bem ali.
Em alguma esquina.
Da imensidão do mundo.

*

8.11.10

I Gave Up

Tudo bem se eu desistir de escrever sobre a saga da dívida propria, né?

Tudo bem se eu desistir de várias coisas no meio do caminho?

Tudo bem?

*

9.9.10

Pausa Dramática

Ao contrário do que eu disse aqui, o amor não "vai e vem".

Ele fica.
Mas muda de nome.

*

9.8.10

Falta

o que se faz quando falta?

se busca? mas não é de buscar.
é de receber. assim, naturalmente.

e o que se faz, então, quando falta?


*

12.7.10

Círculos

Me comporto assim. Circularmente.

Faço isso, porque aconteceu aquilo. E fazendo isso, a reação vai ser aquela.
E porque a reação vai ser aquela, vou sentir exatamente assim. E por sentir assim, faço isso.

Saco!

*

29.6.10

Capitalismo Selvagem

Foi pra ele que eu perdi meu namorado, minha melhor amiga, meu sono e meu blog.

Só faltou levar a mania de reclamar dele.

*

22.4.10

Aviso aos Navegantes

Você que veio aqui fazer propaganda do seu blog ou do que quer que seja: vá pro inferno!

Nem eu venho aqui tanto quanto você.

Vaza!

*

8.4.10

Alone

E eu que sempre fiz tudo sozinha.

Nunca tive aliados nas mais difíceis batalhas. Nunca. Sempre descobri sozinha o quão difícil é mudar de emprego. Se despedir para sempre. Adquirir um bem. Lidar com burocracias. Assumir responsabilidades novas. Resolver problemas até então inéditos na sua existência.

Ao mesmo tempo em que me orgulho de mim, me estafo. Canso. Chego à exaustão.

No meio da realidade cada vez mais rápida, egoísta e descartável, quem se importa com os outros?

Tá bom, chavão, lugar comum. Qual a novidade?

A novidade é que eu não me acostumo. Sigo como se nem me importasse, mas não me acostumo. Sim, eu quero amparo. Preciso de suporte. Ajuda seria bem vinda.

E às vezes tenho a sensação de que vou morrer buscando um aliado.

*

6.4.10

Férias

E aí chegam as férias, tudo o que eu mais espero nos onze meses anteriores.

E já que eu não vou viajar, já imagino um mundo lindo em que ponho em prática todas as coisas que sempre quero fazer e não posso porque o trabalho me consome.

Eu me prometo uma sessão das quatro no cinema. Me prometo ver todos aqueles filmes daquele festival que vai começar BEM nas minhas férias.

Me prometo assistir a todos os filmes da estante de DVDs, me prometo comprar mais filmes em DVD.

Me prometo terminar aquele livro que larguei há duas era glaciais. E começar aquele outro que ganhei no ano passado. E estudar aquele outro, que já está todo grifado de lápis.

Me prometo ler as entrevistas interessantíssimas da revista que chega todo mês na minha casa, e estão separadinhas, prontas para serem consumidas vorazmente.

Me prometo ler o jornal inteiro ao acordar, degustando um delicioso café da manhã. Me prometo ovos mexidos, além do tradicional e apressado café-com-leite-pão-com-margarina. Me prometo até quem sabe uma fruta para acompanhar.

Eu me prometo tardes de fitness no parque, almoços saudáveis na Paulista, happy hours festivos com os amigos.

Me prometo escrever mais e, quem sabe, publicar algo decente neste lugar empoeirado.

Me prometo até alguns dias de ócio absoluto no litoral ou no interior.

Me prometo um mundo lindo e encantado só de coisas e atividades boas e prazerosas.

Mas me esqueço que o congestionamento de São Paulo não tira férias junto comigo.

Me esqueço que marquei todas as consultas médicas, impraticáveis nos outros onze meses do ano. E que depois delas vem os exames clínicos. E o retorno ao respectivos especialistas.

Me esqueço que tenho de passar minutos intermináveis ao telefone com a central do cartão de crédito, da cia. aérea e com todos os corretores de imóveis da cidade que querem me vender o apartamento que eu não pedi.

E que tenho de visitar um monte de imóvel caro e desinteressante para ter certeza de que eles são caros e desinteressantes.

Me esqueço que a chuva não tira férias junto comigo.
Nem a rotina paulistana.
Ela só se disfarça de férias.

29.11.09

É Melhor Ser Feliz...

Nem tudo tem de ser dito. Debatido. Explicado.
Em momentos sutis, gestos podem ser sutis. Devem ser sutis.

A atitude comentada perde o seu sentido. Perde todo seu significado. Perde a razão de existir.

É de fazer, não é de falar.

“É melhor ser feliz do que ter razão”

Ainda tropeço, mas vou aprendendo a praticar.


*

5.11.09

Hello, Stranger!

Subiu um degrau? Deu um passo? Conquistou uma medalha? Evoluiu? Foi elevada? Prosperou? Cresceu? Resignou-se? Amadureceu? Convenceu-se? Ou o quê?

Preferiu ignorar? Tá dopada? Anestesiada? Superou? Como indiferente? Não, indiferente, não. Limpou a casa? Tá confortável assim? Foi a virada de Saturno?

- Tá bem?
- Tô estranha, não me reconheço.
- Acho que você tá ótima.
- Por isso tô estranha.


Acredita no que você sente. Não duvida!


***

Nunca gostei tanto de trabalhar tanto. Poucas vezes senti satisfação tão grande. Conversar com gente inteligente para falar sobre o que é. O que está. O que eu sei. E só.

Não pensa! Não pensa e segue com o que você vê na frente, com a mesma alegria de agora.

Amo as cicatrizes, não as feridas – Pedro Juan Gutiérrez

E se... Mas se... Armadilha! Uma coisa nem sempre leva a outra, como a sua mente doente te faz acreditar. Mas só acredita se você vacilar. E cair na velha armadilha. Ignora.

Descobri: sou implicante. E teimosa com a implicância, que nunca é à toa. Mas é mais feliz quem desconhece o que não é essencial. Não há tempo a perder.

Parece incrível. Deve ser resultado da virada de Saturno. Sorria!


*

29.10.09

C'est la vie

Numa entrevista, perguntei a atriz Silvia Lourenço a quê o amor não resiste. E desde então a resposta martela a minha cabeça, vai e volta na minha memória freqüentemente: "o amor não resiste ao descompasso", ela me disse.

É estranho, mas eu já sabia qual seria o fim. Como seria o fim. E o motivo pelo qual ele chegaria.

É doloroso demais desfazer os laços. Desfazer-se das lembranças, momentaneamente e para o próprio bem. Apagar da memória aquela época de que eu sempre tive muita saudade. Um tempo turbulento, mas de pureza. Bonito, verdadeiro. De descobertas, revelações e expectativas. De curiosidade. De sorriso no rosto. De felicidade. Um tempo que deveria ser eterno.

É doloroso demais lembrar das palavras duras de quem quer voar, como se estivesse em uma prisão repressora de sonhos. Quando foi que isso virou o que virou? Não era pra ser assim. Era pra sonharmos juntos. Pra voarmos juntos.

É de doer a alma. Essa dor eu já senti uma vez, não me lembrava como era. É a dor mais desgraçada que alguém pode sentir. É de uma intensidade tão brutal que te faz espremer os olhos, apertar os braços cruzados pelo ventre, se encolher em posição fetal, sem ter força nem para chorar. É a dor do perdedor, do impotente. Como se arrancassem uma parte vital de você, compulsoriamente.

A boa notícia é que a dor passa. Mas às vezes demora. E quando ela arrefece, é preciso entender que parte é essa que levaram de você. Se ela é mesmo vital, o que ela representa.

E cá estou. Num momento turbulento lá fora e estranhamente calmo aqui dentro. Não há uma clareza completa de tudo, mas tem uma serenidade imensa, que me conforta, me faz sorrir, seguir, mas também me assusta.

Já não sei mais se eu sou uma sonhadora romântica. Ou se o romantismo é só o medo do abandono. É só um disfarce para o trauma - é inacreditável que esse trauma ainda me atormente. Talvez ele é que me faça agir sistematicamente, em busca da garantia do não abandono. E é justamente a forma sistemática de agir que repele em vez de atrair. O movimento se repete. E isso, sim, me apavora.

No mais, é o descompasso. Os caminhos que deixaram de ser paralelos. É possível seguir mesmo assim? É. Conheço seres humanos que por muito amor e com muito mais paciência e compreensão continuam caminhando. Às vezes por estradas diferentes, mais longas, afastadas... mas para o mesmo destino. O descompasso pode inviabilizar uma relação entre duas pessoas que se amam? Não deveria. Desde que elas realmente se amem. E queiram a mesma coisa: chegar ao mesmo lugar.

Me lembro agora de um diálogo de um filme com Robin Wrigh Penn: "casamento só dura com muita força de vontade, porque o amor vai e vem, ao sabor da brisa".

E ela - a brisa - pode agir quando você menos espera: durante um jantar romântico, na fila do cinema ou numa esquina movimentada dos Jardins.

C'est la vie...

*

18.10.09

Sinal Fechado

Paulinho da Viola é iluminado!

Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...



*

6.8.09

Vazio

Eba! Foram todos embora. Finalmente. Agora posso resmungar, falar mal da rotina, amaldiçoar música ruim, e abrir o coração o quanto eu quiser/precisar. Porque todos foram embora. Finalmente.

Última chance: saiam de trás da cortina e apresentem-se.

*

28.7.09

Pelo Sabor do Gesto

Nesse fim de semana ouvia o disco novo de Zélia Duncan, Pelo Sabor do Gesto para uma entrevista. Tirei o CD do encarte e pus pra tocar sem ler nada sobre ele. Gosto desse jeito, ouvir e descobrir nuances das músicas aos poucos. Bom, encasquetei numa faixa. Que fala tanto a respeito de mim. Ou de uma fase de mim. E ouvi, ouvi, ouvi Sinto Encanto até saber cantar de cor. E quando peguei o encarte para, aí sim, saber quem escreveu o quê adivinha se a música não era do Moska? Claro que sim. Eu descobri coisas ótimas do Moska não faz muito tempo. E é incrível como me identifico com o que ele escreve/canta. Me lembro que vi um show dele há uns 3 anos, em Riviera de São Lourenço num daqueles projetos de verão. Tava trabalhando. Entrevistei o Moska e depois fui ver o show. Sozinha. E foi uma experiência muito louca. Foi transformador (haha, pareço crente falando...).

Eu já gostei bastante de ouvir Zélia Duncan, tenho uns 2 discos. Até que mergulhei no mundo do modern rock e não voltei nunca mais. Adorei ouvi-la de novo. Algumas coisas do novo disco me lembraram músicas mais antigas que eu gosto tanto. Lembrei que fui a um show dela com a loira mãe da Mila. Nos divertimos a valer e nem nos importamos que boa parte das pessoas achava que a gente era um casal.

E nesse momento nada pode cair melhor pra mim do que o título do novo disco.

*

24.7.09

Você por aqui?!

Abandonei totalmente este lugar. Não dei conta. De novo. O tempo fica cada dia mais escasso. E eu tenho uma relação bem complicada com ele. O tempo. Malditão. É quem mais me faz sofrer atualmente. Quer dizer, tem outras coisas e gentes que de vez em quando me fazem sofrer. Eu mesma sou uma delas. Ainda mais agora, sem fumar. Exatamente, parei. Acredita? Nem eu! O tratamento ainda não acabou. Mas também porque eu não tomei os medicamentos assim super direito, sabe? Mas tô tomando e seguindo firme e forte. Quer dizer, dei pequenos traguinhos eventuais. E nem foram bons. Meu, mas é muito difícil controlar a força do hábito quando tem cerveja na parada. Diria que é a única ocasião que me desperta uma vontadinha por associação. E o Corinthians, hein? Que beleza, né? Quer dizer, agora num tá muito beleza com metade do time indo embora e o Ronaldo caindo de maduro em campo. Mas a conquista da Copa do Brasil foi demais, né? E de resto, tá tudo bem? Então, tá bom. A gente se fala. Se cuida. Um beijo-outro-tchau.

10.5.09

Pessoa Livre do Tabaco

Eu já vinha pensando em parar de fumar há algum tempo. Não que eu estivesse assim muuuuito convencida de que pararia. Porque, como a maioria dos fumantes, eu gosto de fumar. Bastante. Porém, num ímpeto de coragem e a fim de voltar a ter bom hálito, procurei um médico que preparou um tratamento de 2 meses e meio para largar o cigarro. Apesar da extensão da coisa, no 8º dia, eu teria de abandonar o “amigão” que esteve ao meu lado por mais de metade da minha existência, nos últimos 16 anos. Sem choro nem vela. Sem essa de “ir diminuindo”. Largar e acabou. Morreu. Pronto.

Evidentemente, eu tinha um medo desgraçado. De me contorcer de abstinência, de ter uma vontade incontrolável de fumar a ponto de arrancar os cabelos. Achei que ia ficar louca, me mutilar, bater em todas as pessoas na firma e agredir velhinhos na rua. Até não resistir e dar um tragão.

Comecei o tratamento, mesmo assim. E me despedi do meu amigão na última sexta-feira. Como eu teria de largar o cigarro no sábado, não queria deitar pra dormir na sexta. E fui adiando por horas e fumando o último. Depois de cinco minutos, eu prometia: “este é o último” e acendia mais um. Três “últimos” depois, às 3 da manhã, eu tava caindo de sono. Tratei de me livrar do meu último maço, que continha dois deles, um isqueiro e um cinzeiro com algumas bitucas. Dei de presente. Poderia não resistir se olhasse para tudo isso na manhã seguinte. E capotei na cama.

Acordei no dia seguinte e pensei em não levantar. Café da manhã. Tomava e pensava: “pronto, agora eu vou morrer de vontade de acender um cigarrão”. Nada.

Liguei o computador, sentei na frente dele e me lembrei do tanto que eu fumava enquanto estava conectada. Olhei para o lado, estante onde um dia repousou o maço com seus companheiros inseparáveis isqueiro e cinzeiros, pronta pra alcançá-los. Força do hábito. E tinha certeza que mudar o hábito é que seria o mais difícil.

Na hora do almoço, mais uma vez senti um medo desgraçado. Depois da comida, a vontade de fumar é quase incontroável. Nada.

Entro no carro e... acendo um cigarro? Não. Fecho os vidros e vou o caminho inteiro até a firma cantarolando, tentando pensar em outra coisa.

Encontro o primeiro fumante do dia. Inexplicavelmente, a cena não me fez nem cócegas. Durante a rotina de trabalho foi mais difícil. Vontade? Abstinência física? Não tive. Um cigarro entre uma tarefa e outra? Era o costume. Mas não. Então, o quê? Duas bananas, uma maçã e uma pêra, bem distribuídas ao longo de 7 horas. E água, muita água (e xixi, muito xixi). E chiclete sem açúcar.

No jantar, o namorado pede ao garçom uma mesa para dois. “Fumantes, por favor.” Pelo visto, não só eu vou ter de mudar os hábitos. Pergunto se ele quer me matar e ele, rapidamente, ratifica o pedido. Um cigarro entre o couvert e a chegada do prato? Não. Então, o quê? Braços cruzados. Mãos inquietas. Ou dedos sendo estalados a todo momento. Tensão. É tudo bem estranho.
Garçom nos oferece café. Namorado me olha com uma cara de “eba, eu quero” - ele quer realmente me matar. Recuso. Café já é demais pra mim. Um teste de resistência de cada vez, por favor.

E aí me atentei para algo que ainda não tinha pensado. Sem cigarro, eu vou ser outra pessoa. Vou deixar de ser eu. E eu gosto de ser eu. Aí, entendi porque a pneumologista recomendou acompanhamento psicológico durante o tratamento...
Com o cigarro também vai embora uma parte da minha personalidade, será? Eu usava o cigarro pra dizer alguma coisa? Pra me defender? Que parte de mim ele era e eu vou perder? Sei lá... tenho confusão mental quando penso nisso. E confesso que fico um bocado triste. Eu não quero deixar de ser eu, raios.

Hoje é o segundo dia desta pessoa livre do tabaco. Como diria a Kátia, “não está sendo fácil”. Mas por enquanto tem sido bem menos difícil do que eu imaginava.

E mal posso esperar por alguém me pedindo um cigarro. Ou o isqueiro. Porque vai ser bem engraçado responder: “Desculpa, eu não fumo.”


*

26.4.09

Pára Tudo

Eu deixo o mundo por 23 dias, mal piso nesta cidade fedida e me deparo com uma avalanche de informações quentíssimas:

- uma gripe de porcos no México (dizem que tem relação com o Palmeiras);
- uma ministra capitalizando um câncer no seio;
- uma quarentona escocesa fazendo pessoas escrotas engolirem seus preconceitos escrotos e emocionando os de bom senso/coração;
- uma cantora pop capitalizando mais uma gravidez;
- uma farra de passagens aéreas pagas por mim e por vocês aos nobres congressistas em Brasília;
- Obama dizendo que Lula é O CARA;
- Timão na final do Paulista.

À parte o show do meu Timão, eu nunca quis tanto ser ignorante como neste momento.
E a preguiça que dá voltar pra este mundo? Ufff...

*

30.3.09

Dia de Merda

ou Quando o universo conspira contra você, não adianta se esforçar: vai dar tudo errado

Eu tinha um filme importante pra ver pela manhã, mas não pude comparecer porque havia reunião na firma. Acordei as 8 e meia da madrugada, tentei fazer cara de gente que já estava desperta desde as 5h30 e fui seja o que deus quiser. Para não chegar atrasada à reunião, estacionei o carro na primeira vaga que encontrei, mais ou menos a uns 2 km da firma, e fui andando. As vagas são disputadas a tapas por ali. E eu não tinha tempo para conflitos físicos.

Ao chegar, percebo que não existe a menor pré-disposição dos envolvidos na reunião de mexer o dedo mindinho, quanto mais de levantar as bundas da cadeira e se dirigir à sala. Consulto a direção:

- Vai ter a reunião das 10 horas, né?
- 10 horas? A reunião é ao meio dia.


Que ótimo! É a resposta que todo ser humano que odeia acordar cedo passa a vida inteira querendo ouvir. Que você poderia ter dormido duas horas a mais. Tratei, então, de arrumar coisas que me ocupassem por aquelas duas horas inúteis no ambiente de trabalho, tais como:

- pagar impostos pela internet;
- marcar consulta com um pneumologista para tentar, quem sabe, parar de fumar;
- conhecer áreas pouco exploradas no conglomerado de comunicação aonde eu trabalho há 3 anos;
- filar bóia no evento realizado no saguão;
- conhecer celebridades da televisão;
- outras tarefas tão interessantes quanto estas.


Faltavam 10 minutos para o meio dia quando ouço meu santo nome ser solicitado na sala da direção da firma:

- Olha, os planos mudaram um pouco, de modo que zzzzzzzzzzzz...
Zzzzzzzzzzz...
Zzzzzzzzzzz...
...vamos cancelar a reunião que estava marcada para hoje, então.
- puta que pariu-eu tenho sono-odeio todos vocês-acham que eu não tenho mais nada pra fazer na vida? Ok, vou almoçar.


Que ótimo! É a resposta que todo ser humano que odeia acordar cedo E tinha um filme importante para assistir naquela manhã passa a vida inteira querendo ouvir. Que você poderia ter dormido 2 horas a mais e ter ido ao cinema.

O jeito foi encarar o refeitório da firma, que, justiça seja feita, não é dos piores. Dependendo do dia, é até bom. Para almoçar no refeitório, o santo funcionário precisa apresentar sua funcional. Objeto que, por uma razão ainda misteriosa, desapareceu da minha bolsa. Eu tinha dormido pouco, perdido um filme, uma reunião e não podia nem alimentar meus restos mortais. Um santo colega me salvou e pagou o almoço, prova de que, obrigada deus, ainda existem pessoas com bom coração que trabalham bem ao meu lado neste planeta.

Num dia como este, eu já esperava um cardápio de sardinha refogada com jiló e pimentões ao molho de maracujá - tudo o que eu odeio junto. Mas não. Consegui ingerir alguma quantidade de penne ao sugo e me mandei para o batente. Às 4 da tarde eu já estava estafada. Porque pra quem chegou às 10 da manhã já é quase o fim do expediente. E o meu só terminava dali a 6 horas.

Por telefone, uma amiga carioca que estava em São Paulo me dizia que queria sair. Também por telefone, o namorado agilizava os convidados, marcava o lugar e me recomendava: sai daí correndo às 22h e se manda pra lá. Não havia nada que eu desejasse mais naquele momento.

Me lembrei do carro estacionado a uma distância monumental da firma. Teria de andar sozinha, à noite, por ruas escuras e mal assombradas até chegar a ele. Resolvi buscá-lo enquanto o sol ainda brilhava e me arriscar num duelo corporal por uma vaga nas cercanias. Depois de dar 4 voltas no quarteirão com alguma dificuldade de locomoção do popular 1.0, encontrei a vaga dos sonhos. E pensei: nada na vida pode ser assim tão ruim. O dia tá uma merda, mas alguma coisa tinha de dar certo. Convenhamos, eu merecia uma vaga VIP.

Mas é claro que podia. Como o carro tava mais pesado do que o normal, fui, assim como quem não quer encontrar nada, checar os pneus. E aí... Ai, meu santo crispim dos dias fodidos... Fui completamente invadida por uma indescritível vontade de:

a) sentar na calçada e chorar;
b) pegar o primeiro táxi que passasse, ir pra casa e não sair de lá nunca mais;
c) possuir uma granada capaz de fazer o mundo acabar em uma tirada de pino;
d) saber trocar um pneu furado;
e) gritar todos os palavrões que eu conheço em apenas 32 segundos.


Optei pela quinta alternativa, respirei e voltei para a firma. Nas 3 horas seguintes, estaria impossibilitada de deixar o complexo de comunicação, amarrada à minha bola de ferro. E queria morrer. Por telefone, avisei o namorado de que possivelmente me atrasaria para o encontro. Que talvez não fosse ao encontro. E, quem sabe, matasse todas as pessoas da redação. E ele foi voando me salvar, com suas asinhas de anjo, sua chave de roda e o telefone do seguro. Às 22h em ponto saí correndo do inferno e me mandei pra lá. Ninguém morreu nesta noite. Cheguei em casa com a integridade física preservada. A moral? Marromêno.

Nunca duvide de um dia de merda.

Enfim, férias...

*

19.3.09

Em 24 horas

e-mail profissional
e-mail pessoal
msn
orkut
ação e divagação
cine ação e divagação
myspace
g1
uol
estadão
o globo
e agora esse tal de twitter
[preciso de uma tela de computador mais larga]

moço, não gostei. tem mais de vida real?
cinema
enchentes
prefeito
secretário de segurança
casas de shows
jade barbosa
roubo de fuzis

mas, assim, além do trabalho, sabe? tem amigos?
só amanhã
depois de amanhã
semana que vem

e namorado, moço?
trabalho
futebol
sono
só amanhã de manhã

tem família por aí, senhor?
sono profundo
só amanhã à noite

livros, cds, dvds?
não trabalhamos com esse tipo de diversão
estão todos ali na estante

as férias demoram a chegar?
9 dias úteis
só mês que vem

*

17.3.09

Epifania

Perdemos alguma coisa no caminho. Talvez a sutileza. Talvez a quase dúvida. Ou o gostinho de pequenas descobertas.

Um se mostra, o outro embrutece. Os pêndulos que estavam em lados opostos trocaram de lado. Continuam opostos.

A magia da descoberta, toda a pureza, o saborear do desconhecido. Falta. Haverá encontro no meio do caminho? Onde é o meio do caminho?

Ainda existe estrada? Ainda é preciso empreender esforços? E o sabor? Quase irreconhecível. Não existe mais o estado elevado da alma. Que lembrança doce!

Pensar demais sufoca o sentimento. Sentir demais confunde o pensamento.


*