Nem tudo tem de ser dito. Debatido. Explicado.
Em momentos sutis, gestos podem ser sutis. Devem ser sutis.
A atitude comentada perde o seu sentido. Perde todo seu significado. Perde a razão de existir.
É de fazer, não é de falar.
“É melhor ser feliz do que ter razão”
Ainda tropeço, mas vou aprendendo a praticar.
*
29.11.09
5.11.09
Hello, Stranger!
Subiu um degrau? Deu um passo? Conquistou uma medalha? Evoluiu? Foi elevada? Prosperou? Cresceu? Resignou-se? Amadureceu? Convenceu-se? Ou o quê?
Preferiu ignorar? Tá dopada? Anestesiada? Superou? Como indiferente? Não, indiferente, não. Limpou a casa? Tá confortável assim? Foi a virada de Saturno?
- Tá bem?
- Tô estranha, não me reconheço.
- Acho que você tá ótima.
- Por isso tô estranha.
Acredita no que você sente. Não duvida!
***
Nunca gostei tanto de trabalhar tanto. Poucas vezes senti satisfação tão grande. Conversar com gente inteligente para falar sobre o que é. O que está. O que eu sei. E só.
Não pensa! Não pensa e segue com o que você vê na frente, com a mesma alegria de agora.
Amo as cicatrizes, não as feridas – Pedro Juan Gutiérrez
E se... Mas se... Armadilha! Uma coisa nem sempre leva a outra, como a sua mente doente te faz acreditar. Mas só acredita se você vacilar. E cair na velha armadilha. Ignora.
Descobri: sou implicante. E teimosa com a implicância, que nunca é à toa. Mas é mais feliz quem desconhece o que não é essencial. Não há tempo a perder.
Parece incrível. Deve ser resultado da virada de Saturno. Sorria!
*
Preferiu ignorar? Tá dopada? Anestesiada? Superou? Como indiferente? Não, indiferente, não. Limpou a casa? Tá confortável assim? Foi a virada de Saturno?
- Tá bem?
- Tô estranha, não me reconheço.
- Acho que você tá ótima.
- Por isso tô estranha.
Acredita no que você sente. Não duvida!
***
Nunca gostei tanto de trabalhar tanto. Poucas vezes senti satisfação tão grande. Conversar com gente inteligente para falar sobre o que é. O que está. O que eu sei. E só.
Não pensa! Não pensa e segue com o que você vê na frente, com a mesma alegria de agora.
Amo as cicatrizes, não as feridas – Pedro Juan Gutiérrez
E se... Mas se... Armadilha! Uma coisa nem sempre leva a outra, como a sua mente doente te faz acreditar. Mas só acredita se você vacilar. E cair na velha armadilha. Ignora.
Descobri: sou implicante. E teimosa com a implicância, que nunca é à toa. Mas é mais feliz quem desconhece o que não é essencial. Não há tempo a perder.
Parece incrível. Deve ser resultado da virada de Saturno. Sorria!
*
29.10.09
C'est la vie
Numa entrevista, perguntei a atriz Silvia Lourenço a quê o amor não resiste. E desde então a resposta martela a minha cabeça, vai e volta na minha memória freqüentemente: "o amor não resiste ao descompasso", ela me disse.
É estranho, mas eu já sabia qual seria o fim. Como seria o fim. E o motivo pelo qual ele chegaria.
É doloroso demais desfazer os laços. Desfazer-se das lembranças, momentaneamente e para o próprio bem. Apagar da memória aquela época de que eu sempre tive muita saudade. Um tempo turbulento, mas de pureza. Bonito, verdadeiro. De descobertas, revelações e expectativas. De curiosidade. De sorriso no rosto. De felicidade. Um tempo que deveria ser eterno.
É doloroso demais lembrar das palavras duras de quem quer voar, como se estivesse em uma prisão repressora de sonhos. Quando foi que isso virou o que virou? Não era pra ser assim. Era pra sonharmos juntos. Pra voarmos juntos.
É de doer a alma. Essa dor eu já senti uma vez, não me lembrava como era. É a dor mais desgraçada que alguém pode sentir. É de uma intensidade tão brutal que te faz espremer os olhos, apertar os braços cruzados pelo ventre, se encolher em posição fetal, sem ter força nem para chorar. É a dor do perdedor, do impotente. Como se arrancassem uma parte vital de você, compulsoriamente.
A boa notícia é que a dor passa. Mas às vezes demora. E quando ela arrefece, é preciso entender que parte é essa que levaram de você. Se ela é mesmo vital, o que ela representa.
E cá estou. Num momento turbulento lá fora e estranhamente calmo aqui dentro. Não há uma clareza completa de tudo, mas tem uma serenidade imensa, que me conforta, me faz sorrir, seguir, mas também me assusta.
Já não sei mais se eu sou uma sonhadora romântica. Ou se o romantismo é só o medo do abandono. É só um disfarce para o trauma - é inacreditável que esse trauma ainda me atormente. Talvez ele é que me faça agir sistematicamente, em busca da garantia do não abandono. E é justamente a forma sistemática de agir que repele em vez de atrair. O movimento se repete. E isso, sim, me apavora.
No mais, é o descompasso. Os caminhos que deixaram de ser paralelos. É possível seguir mesmo assim? É. Conheço seres humanos que por muito amor e com muito mais paciência e compreensão continuam caminhando. Às vezes por estradas diferentes, mais longas, afastadas... mas para o mesmo destino. O descompasso pode inviabilizar uma relação entre duas pessoas que se amam? Não deveria. Desde que elas realmente se amem. E queiram a mesma coisa: chegar ao mesmo lugar.
Me lembro agora de um diálogo de um filme com Robin Wrigh Penn: "casamento só dura com muita força de vontade, porque o amor vai e vem, ao sabor da brisa".
E ela - a brisa - pode agir quando você menos espera: durante um jantar romântico, na fila do cinema ou numa esquina movimentada dos Jardins.
C'est la vie...
*
É estranho, mas eu já sabia qual seria o fim. Como seria o fim. E o motivo pelo qual ele chegaria.
É doloroso demais desfazer os laços. Desfazer-se das lembranças, momentaneamente e para o próprio bem. Apagar da memória aquela época de que eu sempre tive muita saudade. Um tempo turbulento, mas de pureza. Bonito, verdadeiro. De descobertas, revelações e expectativas. De curiosidade. De sorriso no rosto. De felicidade. Um tempo que deveria ser eterno.
É doloroso demais lembrar das palavras duras de quem quer voar, como se estivesse em uma prisão repressora de sonhos. Quando foi que isso virou o que virou? Não era pra ser assim. Era pra sonharmos juntos. Pra voarmos juntos.
É de doer a alma. Essa dor eu já senti uma vez, não me lembrava como era. É a dor mais desgraçada que alguém pode sentir. É de uma intensidade tão brutal que te faz espremer os olhos, apertar os braços cruzados pelo ventre, se encolher em posição fetal, sem ter força nem para chorar. É a dor do perdedor, do impotente. Como se arrancassem uma parte vital de você, compulsoriamente.
A boa notícia é que a dor passa. Mas às vezes demora. E quando ela arrefece, é preciso entender que parte é essa que levaram de você. Se ela é mesmo vital, o que ela representa.
E cá estou. Num momento turbulento lá fora e estranhamente calmo aqui dentro. Não há uma clareza completa de tudo, mas tem uma serenidade imensa, que me conforta, me faz sorrir, seguir, mas também me assusta.
Já não sei mais se eu sou uma sonhadora romântica. Ou se o romantismo é só o medo do abandono. É só um disfarce para o trauma - é inacreditável que esse trauma ainda me atormente. Talvez ele é que me faça agir sistematicamente, em busca da garantia do não abandono. E é justamente a forma sistemática de agir que repele em vez de atrair. O movimento se repete. E isso, sim, me apavora.
No mais, é o descompasso. Os caminhos que deixaram de ser paralelos. É possível seguir mesmo assim? É. Conheço seres humanos que por muito amor e com muito mais paciência e compreensão continuam caminhando. Às vezes por estradas diferentes, mais longas, afastadas... mas para o mesmo destino. O descompasso pode inviabilizar uma relação entre duas pessoas que se amam? Não deveria. Desde que elas realmente se amem. E queiram a mesma coisa: chegar ao mesmo lugar.
Me lembro agora de um diálogo de um filme com Robin Wrigh Penn: "casamento só dura com muita força de vontade, porque o amor vai e vem, ao sabor da brisa".
E ela - a brisa - pode agir quando você menos espera: durante um jantar romântico, na fila do cinema ou numa esquina movimentada dos Jardins.
C'est la vie...
*
18.10.09
Sinal Fechado
Paulinho da Viola é iluminado!
Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...
*
Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...
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6.8.09
Vazio
Eba! Foram todos embora. Finalmente. Agora posso resmungar, falar mal da rotina, amaldiçoar música ruim, e abrir o coração o quanto eu quiser/precisar. Porque todos foram embora. Finalmente.
Última chance: saiam de trás da cortina e apresentem-se.
*
Última chance: saiam de trás da cortina e apresentem-se.
*
28.7.09
Pelo Sabor do Gesto
Nesse fim de semana ouvia o disco novo de Zélia Duncan, Pelo Sabor do Gesto para uma entrevista. Tirei o CD do encarte e pus pra tocar sem ler nada sobre ele. Gosto desse jeito, ouvir e descobrir nuances das músicas aos poucos. Bom, encasquetei numa faixa. Que fala tanto a respeito de mim. Ou de uma fase de mim. E ouvi, ouvi, ouvi Sinto Encanto até saber cantar de cor. E quando peguei o encarte para, aí sim, saber quem escreveu o quê adivinha se a música não era do Moska? Claro que sim. Eu descobri coisas ótimas do Moska não faz muito tempo. E é incrível como me identifico com o que ele escreve/canta. Me lembro que vi um show dele há uns 3 anos, em Riviera de São Lourenço num daqueles projetos de verão. Tava trabalhando. Entrevistei o Moska e depois fui ver o show. Sozinha. E foi uma experiência muito louca. Foi transformador (haha, pareço crente falando...).
Eu já gostei bastante de ouvir Zélia Duncan, tenho uns 2 discos. Até que mergulhei no mundo do modern rock e não voltei nunca mais. Adorei ouvi-la de novo. Algumas coisas do novo disco me lembraram músicas mais antigas que eu gosto tanto. Lembrei que fui a um show dela com a loira mãe da Mila. Nos divertimos a valer e nem nos importamos que boa parte das pessoas achava que a gente era um casal.
E nesse momento nada pode cair melhor pra mim do que o título do novo disco.
*
Eu já gostei bastante de ouvir Zélia Duncan, tenho uns 2 discos. Até que mergulhei no mundo do modern rock e não voltei nunca mais. Adorei ouvi-la de novo. Algumas coisas do novo disco me lembraram músicas mais antigas que eu gosto tanto. Lembrei que fui a um show dela com a loira mãe da Mila. Nos divertimos a valer e nem nos importamos que boa parte das pessoas achava que a gente era um casal.
E nesse momento nada pode cair melhor pra mim do que o título do novo disco.
*
24.7.09
Você por aqui?!
Abandonei totalmente este lugar. Não dei conta. De novo. O tempo fica cada dia mais escasso. E eu tenho uma relação bem complicada com ele. O tempo. Malditão. É quem mais me faz sofrer atualmente. Quer dizer, tem outras coisas e gentes que de vez em quando me fazem sofrer. Eu mesma sou uma delas. Ainda mais agora, sem fumar. Exatamente, parei. Acredita? Nem eu! O tratamento ainda não acabou. Mas também porque eu não tomei os medicamentos assim super direito, sabe? Mas tô tomando e seguindo firme e forte. Quer dizer, dei pequenos traguinhos eventuais. E nem foram bons. Meu, mas é muito difícil controlar a força do hábito quando tem cerveja na parada. Diria que é a única ocasião que me desperta uma vontadinha por associação. E o Corinthians, hein? Que beleza, né? Quer dizer, agora num tá muito beleza com metade do time indo embora e o Ronaldo caindo de maduro em campo. Mas a conquista da Copa do Brasil foi demais, né? E de resto, tá tudo bem? Então, tá bom. A gente se fala. Se cuida. Um beijo-outro-tchau.
10.5.09
Pessoa Livre do Tabaco
Eu já vinha pensando em parar de fumar há algum tempo. Não que eu estivesse assim muuuuito convencida de que pararia. Porque, como a maioria dos fumantes, eu gosto de fumar. Bastante. Porém, num ímpeto de coragem e a fim de voltar a ter bom hálito, procurei um médico que preparou um tratamento de 2 meses e meio para largar o cigarro. Apesar da extensão da coisa, no 8º dia, eu teria de abandonar o “amigão” que esteve ao meu lado por mais de metade da minha existência, nos últimos 16 anos. Sem choro nem vela. Sem essa de “ir diminuindo”. Largar e acabou. Morreu. Pronto.
Evidentemente, eu tinha um medo desgraçado. De me contorcer de abstinência, de ter uma vontade incontrolável de fumar a ponto de arrancar os cabelos. Achei que ia ficar louca, me mutilar, bater em todas as pessoas na firma e agredir velhinhos na rua. Até não resistir e dar um tragão.
Comecei o tratamento, mesmo assim. E me despedi do meu amigão na última sexta-feira. Como eu teria de largar o cigarro no sábado, não queria deitar pra dormir na sexta. E fui adiando por horas e fumando o último. Depois de cinco minutos, eu prometia: “este é o último” e acendia mais um. Três “últimos” depois, às 3 da manhã, eu tava caindo de sono. Tratei de me livrar do meu último maço, que continha dois deles, um isqueiro e um cinzeiro com algumas bitucas. Dei de presente. Poderia não resistir se olhasse para tudo isso na manhã seguinte. E capotei na cama.
Acordei no dia seguinte e pensei em não levantar. Café da manhã. Tomava e pensava: “pronto, agora eu vou morrer de vontade de acender um cigarrão”. Nada.
Liguei o computador, sentei na frente dele e me lembrei do tanto que eu fumava enquanto estava conectada. Olhei para o lado, estante onde um dia repousou o maço com seus companheiros inseparáveis isqueiro e cinzeiros, pronta pra alcançá-los. Força do hábito. E tinha certeza que mudar o hábito é que seria o mais difícil.
Na hora do almoço, mais uma vez senti um medo desgraçado. Depois da comida, a vontade de fumar é quase incontroável. Nada.
Entro no carro e... acendo um cigarro? Não. Fecho os vidros e vou o caminho inteiro até a firma cantarolando, tentando pensar em outra coisa.
Encontro o primeiro fumante do dia. Inexplicavelmente, a cena não me fez nem cócegas. Durante a rotina de trabalho foi mais difícil. Vontade? Abstinência física? Não tive. Um cigarro entre uma tarefa e outra? Era o costume. Mas não. Então, o quê? Duas bananas, uma maçã e uma pêra, bem distribuídas ao longo de 7 horas. E água, muita água (e xixi, muito xixi). E chiclete sem açúcar.
No jantar, o namorado pede ao garçom uma mesa para dois. “Fumantes, por favor.” Pelo visto, não só eu vou ter de mudar os hábitos. Pergunto se ele quer me matar e ele, rapidamente, ratifica o pedido. Um cigarro entre o couvert e a chegada do prato? Não. Então, o quê? Braços cruzados. Mãos inquietas. Ou dedos sendo estalados a todo momento. Tensão. É tudo bem estranho.
Garçom nos oferece café. Namorado me olha com uma cara de “eba, eu quero” - ele quer realmente me matar. Recuso. Café já é demais pra mim. Um teste de resistência de cada vez, por favor.
E aí me atentei para algo que ainda não tinha pensado. Sem cigarro, eu vou ser outra pessoa. Vou deixar de ser eu. E eu gosto de ser eu. Aí, entendi porque a pneumologista recomendou acompanhamento psicológico durante o tratamento...
Com o cigarro também vai embora uma parte da minha personalidade, será? Eu usava o cigarro pra dizer alguma coisa? Pra me defender? Que parte de mim ele era e eu vou perder? Sei lá... tenho confusão mental quando penso nisso. E confesso que fico um bocado triste. Eu não quero deixar de ser eu, raios.
Hoje é o segundo dia desta pessoa livre do tabaco. Como diria a Kátia, “não está sendo fácil”. Mas por enquanto tem sido bem menos difícil do que eu imaginava.
E mal posso esperar por alguém me pedindo um cigarro. Ou o isqueiro. Porque vai ser bem engraçado responder: “Desculpa, eu não fumo.”
*
Evidentemente, eu tinha um medo desgraçado. De me contorcer de abstinência, de ter uma vontade incontrolável de fumar a ponto de arrancar os cabelos. Achei que ia ficar louca, me mutilar, bater em todas as pessoas na firma e agredir velhinhos na rua. Até não resistir e dar um tragão.
Comecei o tratamento, mesmo assim. E me despedi do meu amigão na última sexta-feira. Como eu teria de largar o cigarro no sábado, não queria deitar pra dormir na sexta. E fui adiando por horas e fumando o último. Depois de cinco minutos, eu prometia: “este é o último” e acendia mais um. Três “últimos” depois, às 3 da manhã, eu tava caindo de sono. Tratei de me livrar do meu último maço, que continha dois deles, um isqueiro e um cinzeiro com algumas bitucas. Dei de presente. Poderia não resistir se olhasse para tudo isso na manhã seguinte. E capotei na cama.
Acordei no dia seguinte e pensei em não levantar. Café da manhã. Tomava e pensava: “pronto, agora eu vou morrer de vontade de acender um cigarrão”. Nada.
Liguei o computador, sentei na frente dele e me lembrei do tanto que eu fumava enquanto estava conectada. Olhei para o lado, estante onde um dia repousou o maço com seus companheiros inseparáveis isqueiro e cinzeiros, pronta pra alcançá-los. Força do hábito. E tinha certeza que mudar o hábito é que seria o mais difícil.
Na hora do almoço, mais uma vez senti um medo desgraçado. Depois da comida, a vontade de fumar é quase incontroável. Nada.
Entro no carro e... acendo um cigarro? Não. Fecho os vidros e vou o caminho inteiro até a firma cantarolando, tentando pensar em outra coisa.
Encontro o primeiro fumante do dia. Inexplicavelmente, a cena não me fez nem cócegas. Durante a rotina de trabalho foi mais difícil. Vontade? Abstinência física? Não tive. Um cigarro entre uma tarefa e outra? Era o costume. Mas não. Então, o quê? Duas bananas, uma maçã e uma pêra, bem distribuídas ao longo de 7 horas. E água, muita água (e xixi, muito xixi). E chiclete sem açúcar.
No jantar, o namorado pede ao garçom uma mesa para dois. “Fumantes, por favor.” Pelo visto, não só eu vou ter de mudar os hábitos. Pergunto se ele quer me matar e ele, rapidamente, ratifica o pedido. Um cigarro entre o couvert e a chegada do prato? Não. Então, o quê? Braços cruzados. Mãos inquietas. Ou dedos sendo estalados a todo momento. Tensão. É tudo bem estranho.
Garçom nos oferece café. Namorado me olha com uma cara de “eba, eu quero” - ele quer realmente me matar. Recuso. Café já é demais pra mim. Um teste de resistência de cada vez, por favor.
E aí me atentei para algo que ainda não tinha pensado. Sem cigarro, eu vou ser outra pessoa. Vou deixar de ser eu. E eu gosto de ser eu. Aí, entendi porque a pneumologista recomendou acompanhamento psicológico durante o tratamento...
Com o cigarro também vai embora uma parte da minha personalidade, será? Eu usava o cigarro pra dizer alguma coisa? Pra me defender? Que parte de mim ele era e eu vou perder? Sei lá... tenho confusão mental quando penso nisso. E confesso que fico um bocado triste. Eu não quero deixar de ser eu, raios.
Hoje é o segundo dia desta pessoa livre do tabaco. Como diria a Kátia, “não está sendo fácil”. Mas por enquanto tem sido bem menos difícil do que eu imaginava.
E mal posso esperar por alguém me pedindo um cigarro. Ou o isqueiro. Porque vai ser bem engraçado responder: “Desculpa, eu não fumo.”
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26.4.09
Pára Tudo
Eu deixo o mundo por 23 dias, mal piso nesta cidade fedida e me deparo com uma avalanche de informações quentíssimas:
- uma gripe de porcos no México (dizem que tem relação com o Palmeiras);
- uma ministra capitalizando um câncer no seio;
- uma quarentona escocesa fazendo pessoas escrotas engolirem seus preconceitos escrotos e emocionando os de bom senso/coração;
- uma cantora pop capitalizandomais uma gravidez;
- uma farra de passagens aéreas pagas por mim e por vocês aos nobres congressistas em Brasília;
- Obama dizendo que Lula é O CARA;
- Timão na final do Paulista.
À parte o show do meu Timão, eu nunca quis tanto ser ignorante como neste momento.
E a preguiça que dá voltar pra este mundo? Ufff...
*
- uma gripe de porcos no México (dizem que tem relação com o Palmeiras);
- uma ministra capitalizando um câncer no seio;
- uma quarentona escocesa fazendo pessoas escrotas engolirem seus preconceitos escrotos e emocionando os de bom senso/coração;
- uma cantora pop capitalizando
- uma farra de passagens aéreas pagas por mim e por vocês aos nobres congressistas em Brasília;
- Obama dizendo que Lula é O CARA;
- Timão na final do Paulista.
À parte o show do meu Timão, eu nunca quis tanto ser ignorante como neste momento.
E a preguiça que dá voltar pra este mundo? Ufff...
*
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este mundo tá perdido,
férias,
o que se vê por aí
30.3.09
Dia de Merda
ou Quando o universo conspira contra você, não adianta se esforçar: vai dar tudo errado
Eu tinha um filme importante pra ver pela manhã, mas não pude comparecer porque havia reunião na firma. Acordei as 8 e meia da madrugada, tentei fazer cara de gente que já estava desperta desde as 5h30 e fuiseja o que deus quiser. Para não chegar atrasada à reunião, estacionei o carro na primeira vaga que encontrei, mais ou menos a uns 2 km da firma, e fui andando. As vagas são disputadas a tapas por ali. E eu não tinha tempo para conflitos físicos.
Ao chegar, percebo que não existe a menor pré-disposição dos envolvidos na reunião de mexer o dedo mindinho, quanto mais de levantar as bundas da cadeira e se dirigir à sala. Consulto a direção:
- Vai ter a reunião das 10 horas, né?
- 10 horas? A reunião é ao meio dia.
Que ótimo! É a resposta que todo ser humano que odeia acordar cedo passa a vida inteira querendo ouvir. Que você poderia ter dormido duas horas a mais. Tratei, então, de arrumar coisas que me ocupassem por aquelas duas horas inúteis no ambiente de trabalho, tais como:
- pagar impostos pela internet;
- marcar consulta com um pneumologista para tentar, quem sabe, parar de fumar;
- conhecer áreas pouco exploradas no conglomerado de comunicação aonde eu trabalho há 3 anos;
- filar bóia no evento realizado no saguão;
- conhecer celebridades da televisão;
- outras tarefas tão interessantes quanto estas.
Faltavam 10 minutos para o meio dia quando ouço meu santo nome ser solicitado na sala da direção da firma:
- Olha, os planos mudaram um pouco, de modo que zzzzzzzzzzzz...
Zzzzzzzzzzz...
Zzzzzzzzzzz...
...vamos cancelar a reunião que estava marcada para hoje, então.
-puta que pariu-eu tenho sono-odeio todos vocês-acham que eu não tenho mais nada pra fazer na vida? Ok, vou almoçar.
Que ótimo! É a resposta que todo ser humano que odeia acordar cedo E tinha um filme importante para assistir naquela manhã passa a vida inteira querendo ouvir. Que você poderia ter dormido 2 horas a mais e ter ido ao cinema.
O jeito foi encarar o refeitório da firma, que, justiça seja feita, não é dos piores. Dependendo do dia, é até bom. Para almoçar no refeitório, o santo funcionário precisa apresentar sua funcional. Objeto que, por uma razão ainda misteriosa, desapareceu da minha bolsa. Eu tinha dormido pouco, perdido um filme, uma reunião e não podia nem alimentar meus restos mortais. Um santo colega me salvou e pagou o almoço, prova de que, obrigada deus, ainda existem pessoas com bom coraçãoque trabalham bem ao meu lado neste planeta.
Num dia como este, eu já esperava um cardápio de sardinha refogada com jiló e pimentões ao molho de maracujá - tudo o que eu odeio junto. Mas não. Consegui ingerir alguma quantidade de penne ao sugo e me mandei para o batente. Às 4 da tarde eu já estava estafada. Porque pra quem chegou às 10 da manhã já é quase o fim do expediente. E o meu só terminava dali a 6 horas.
Por telefone, uma amiga carioca que estava em São Paulo me dizia que queria sair. Também por telefone, o namorado agilizava os convidados, marcava o lugar e me recomendava: sai daí correndo às 22h e se manda pra lá. Não havia nada que eu desejasse mais naquele momento.
Me lembrei do carro estacionado a uma distância monumental da firma. Teria de andar sozinha, à noite, por ruas escuras e mal assombradas até chegar a ele. Resolvi buscá-lo enquanto o sol ainda brilhava e me arriscar num duelo corporal por uma vaga nas cercanias. Depois de dar 4 voltas no quarteirão com alguma dificuldade de locomoção do popular 1.0, encontrei a vaga dos sonhos. E pensei: nada na vida pode ser assim tão ruim. O dia tá uma merda, mas alguma coisa tinha de dar certo. Convenhamos, eu merecia uma vaga VIP.
Mas é claro que podia. Como o carro tava mais pesado do que o normal, fui, assim como quem não quer encontrar nada, checar os pneus. E aí... Ai, meu santo crispim dos dias fodidos... Fui completamente invadida por uma indescritível vontade de:
a) sentar na calçada e chorar;
b) pegar o primeiro táxi que passasse, ir pra casa e não sair de lá nunca mais;
c) possuir uma granada capaz de fazer o mundo acabar em uma tirada de pino;
d) saber trocar um pneu furado;
e) gritar todos os palavrões que eu conheço em apenas 32 segundos.
Optei pela quinta alternativa, respirei e voltei para a firma. Nas 3 horas seguintes, estaria impossibilitada de deixar o complexo de comunicação, amarrada à minha bola de ferro. E queria morrer. Por telefone, avisei o namorado de que possivelmente me atrasaria para o encontro. Que talvez não fosse ao encontro. E, quem sabe, matasse todas as pessoas da redação. E ele foi voando me salvar, com suas asinhas de anjo, sua chave de roda e o telefone do seguro. Às 22h em ponto saí correndo do inferno e me mandei pra lá. Ninguém morreu nesta noite. Cheguei em casa com a integridade física preservada. A moral? Marromêno.
Nunca duvide de um dia de merda.
Enfim, férias...
*
Eu tinha um filme importante pra ver pela manhã, mas não pude comparecer porque havia reunião na firma. Acordei as 8 e meia da madrugada, tentei fazer cara de gente que já estava desperta desde as 5h30 e fui
Ao chegar, percebo que não existe a menor pré-disposição dos envolvidos na reunião de mexer o dedo mindinho, quanto mais de levantar as bundas da cadeira e se dirigir à sala. Consulto a direção:
- Vai ter a reunião das 10 horas, né?
- 10 horas? A reunião é ao meio dia.
Que ótimo! É a resposta que todo ser humano que odeia acordar cedo passa a vida inteira querendo ouvir. Que você poderia ter dormido duas horas a mais. Tratei, então, de arrumar coisas que me ocupassem por aquelas duas horas inúteis no ambiente de trabalho, tais como:
- pagar impostos pela internet;
- marcar consulta com um pneumologista para tentar, quem sabe, parar de fumar;
- conhecer áreas pouco exploradas no conglomerado de comunicação aonde eu trabalho há 3 anos;
- filar bóia no evento realizado no saguão;
- conhecer celebridades da televisão;
- outras tarefas tão interessantes quanto estas.
Faltavam 10 minutos para o meio dia quando ouço meu santo nome ser solicitado na sala da direção da firma:
- Olha, os planos mudaram um pouco, de modo que zzzzzzzzzzzz...
Zzzzzzzzzzz...
Zzzzzzzzzzz...
...vamos cancelar a reunião que estava marcada para hoje, então.
-
Que ótimo! É a resposta que todo ser humano que odeia acordar cedo E tinha um filme importante para assistir naquela manhã passa a vida inteira querendo ouvir. Que você poderia ter dormido 2 horas a mais e ter ido ao cinema.
O jeito foi encarar o refeitório da firma, que, justiça seja feita, não é dos piores. Dependendo do dia, é até bom. Para almoçar no refeitório, o santo funcionário precisa apresentar sua funcional. Objeto que, por uma razão ainda misteriosa, desapareceu da minha bolsa. Eu tinha dormido pouco, perdido um filme, uma reunião e não podia nem alimentar meus restos mortais. Um santo colega me salvou e pagou o almoço, prova de que, obrigada deus, ainda existem pessoas com bom coração
Num dia como este, eu já esperava um cardápio de sardinha refogada com jiló e pimentões ao molho de maracujá - tudo o que eu odeio junto. Mas não. Consegui ingerir alguma quantidade de penne ao sugo e me mandei para o batente. Às 4 da tarde eu já estava estafada. Porque pra quem chegou às 10 da manhã já é quase o fim do expediente. E o meu só terminava dali a 6 horas.
Por telefone, uma amiga carioca que estava em São Paulo me dizia que queria sair. Também por telefone, o namorado agilizava os convidados, marcava o lugar e me recomendava: sai daí correndo às 22h e se manda pra lá. Não havia nada que eu desejasse mais naquele momento.
Me lembrei do carro estacionado a uma distância monumental da firma. Teria de andar sozinha, à noite, por ruas escuras e mal assombradas até chegar a ele. Resolvi buscá-lo enquanto o sol ainda brilhava e me arriscar num duelo corporal por uma vaga nas cercanias. Depois de dar 4 voltas no quarteirão com alguma dificuldade de locomoção do popular 1.0, encontrei a vaga dos sonhos. E pensei: nada na vida pode ser assim tão ruim. O dia tá uma merda, mas alguma coisa tinha de dar certo. Convenhamos, eu merecia uma vaga VIP.
Mas é claro que podia. Como o carro tava mais pesado do que o normal, fui, assim como quem não quer encontrar nada, checar os pneus. E aí... Ai, meu santo crispim dos dias fodidos... Fui completamente invadida por uma indescritível vontade de:
a) sentar na calçada e chorar;
b) pegar o primeiro táxi que passasse, ir pra casa e não sair de lá nunca mais;
c) possuir uma granada capaz de fazer o mundo acabar em uma tirada de pino;
d) saber trocar um pneu furado;
e) gritar todos os palavrões que eu conheço em apenas 32 segundos.
Optei pela quinta alternativa, respirei e voltei para a firma. Nas 3 horas seguintes, estaria impossibilitada de deixar o complexo de comunicação, amarrada à minha bola de ferro. E queria morrer. Por telefone, avisei o namorado de que possivelmente me atrasaria para o encontro. Que talvez não fosse ao encontro. E, quem sabe, matasse todas as pessoas da redação. E ele foi voando me salvar, com suas asinhas de anjo, sua chave de roda e o telefone do seguro. Às 22h em ponto saí correndo do inferno e me mandei pra lá. Ninguém morreu nesta noite. Cheguei em casa com a integridade física preservada. A moral? Marromêno.
Nunca duvide de um dia de merda.
Enfim, férias...
*
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vida de isaura
19.3.09
Em 24 horas
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ação e divagação
cine ação e divagação
myspace
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estadão
o globo
e agora esse tal de twitter
[preciso de uma tela de computador mais larga]
moço, não gostei. tem mais de vida real?
cinema
enchentes
prefeito
secretário de segurança
casas de shows
jade barbosa
roubo de fuzis
mas, assim, além do trabalho, sabe? tem amigos?
só amanhã
depois de amanhã
semana que vem
e namorado, moço?
trabalho
futebol
sono
só amanhã de manhã
tem família por aí, senhor?
sono profundo
só amanhã à noite
livros, cds, dvds?
não trabalhamos com esse tipo de diversão
estão todos ali na estante
as férias demoram a chegar?
9 dias úteis
só mês que vem
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17.3.09
Epifania
Perdemos alguma coisa no caminho. Talvez a sutileza. Talvez a quase dúvida. Ou o gostinho de pequenas descobertas.
Um se mostra, o outro embrutece. Os pêndulos que estavam em lados opostos trocaram de lado. Continuam opostos.
A magia da descoberta, toda a pureza, o saborear do desconhecido. Falta. Haverá encontro no meio do caminho? Onde é o meio do caminho?
Ainda existe estrada? Ainda é preciso empreender esforços? E o sabor? Quase irreconhecível. Não existe mais o estado elevado da alma. Que lembrança doce!
Pensar demais sufoca o sentimento. Sentir demais confunde o pensamento.
*
Um se mostra, o outro embrutece. Os pêndulos que estavam em lados opostos trocaram de lado. Continuam opostos.
A magia da descoberta, toda a pureza, o saborear do desconhecido. Falta. Haverá encontro no meio do caminho? Onde é o meio do caminho?
Ainda existe estrada? Ainda é preciso empreender esforços? E o sabor? Quase irreconhecível. Não existe mais o estado elevado da alma. Que lembrança doce!
Pensar demais sufoca o sentimento. Sentir demais confunde o pensamento.
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9.3.09
Ronaldo é gol!
Há tempos não me emocionava de verdade vendo um jogo de futebol. O calor que fazia em Presidente Prudente ficava clara nos rios de suor que escorriam pelas têmporas dos 22 corinthianos e palmeirenses em campo. Com um olho no trabalho e outro na tevê, depois de mais uma vez me surpreender com o ótimo passe de Keirrisson na área do Timão, me irritei com a saída desastrosa de Felipe do gol. Diego Souza aproveitou e anotou o primeiro gol do clássico para o meu adversário.
A entrada de Ronaldo no segundo tempo já era dada como certa e eu e o mundo inteiro estávamos loucos pra ver como ele se sairia, depois dos vinte e poucos minutos jogados contra o Itumbiara no meio da semana. A agilidade de um paquiderme em dieta é evidente. No entanto, se ganhou quilogramas, Ronaldo mostrou que não perdeu habilidade nem precisão técnica. Driblou, correu, girou e até carimbou a trave num chute consciente, quase exato e quase certeiro, fazendo metade do estádio se arrepiar e levar as mãos à cabeça com o quase gol.
Finalmente, nos acréscimos veio o que o mundo inteiro esperava. Numa cobrança de escanteio, ele se livrou da marcação da zaga, subiu e cabeceou bem do lado direito do gol palmeirense. Desencantou. E correu como um menino. Pulou as placas de publicidade em direção à torcida que com tanto amor e esperança o recebeu. Trepou no alambrado e sacudiu, gritou, sacudiu, gritou e sacudiu como se fosse o primeiro gol da vida de um atleta juvenil. Um bando de loucos gritava em Presidente Prudente, no Tatuapé, na quadra da Gaviões, na sala da minha casa e até na redação do Morumbi. Ronaldo é gol!
Do outro lado da tela da tevê, não tive reação. Paralisada. Meus olhos marejaram de emoção. Me arrepiei de alegria, como se Ronaldo fosse meu amigo. Como se eu o conhecesse. Estava realmente feliz por ele. Ele conseguiu! O gordo fez um gol! O gordo é foda! Pode dizer o que quiser: gordo, fora de forma, baladeiro. Ele é foda! Nunca vai deixar de chutar bem, de driblar bem. Não há quilos a mais e noites mal dormidas que o façam perder a experiência que adquiriu e o cacoete de matador. Ainda que seja com a cabeça, o que nunca foi seu forte.
Me impressionou a emoção de um sujeito que tem tudo na vida, já conquistou tudo o que podia e queria na carreira, já caiu, já voltou, já caiu de novo e voltou de novo... E vibra, verdadeiramente eufórico, como se fosse o primeiro gol da carreira. E eu não tenho dúvidas de que é por isso que ele sempre volta, de que é por isso que se trata de um Fenômeno.
Não deve existir um ser humano provido de coração neste planeta que não tenha sorrido e se alegrado com a demonstração do novo retorno de highlander Ronaldo, o Fenômeno, a cara do brasileiro.
Quem duvida?
*
A entrada de Ronaldo no segundo tempo já era dada como certa e eu e o mundo inteiro estávamos loucos pra ver como ele se sairia, depois dos vinte e poucos minutos jogados contra o Itumbiara no meio da semana. A agilidade de um paquiderme em dieta é evidente. No entanto, se ganhou quilogramas, Ronaldo mostrou que não perdeu habilidade nem precisão técnica. Driblou, correu, girou e até carimbou a trave num chute consciente, quase exato e quase certeiro, fazendo metade do estádio se arrepiar e levar as mãos à cabeça com o quase gol.
Finalmente, nos acréscimos veio o que o mundo inteiro esperava. Numa cobrança de escanteio, ele se livrou da marcação da zaga, subiu e cabeceou bem do lado direito do gol palmeirense. Desencantou. E correu como um menino. Pulou as placas de publicidade em direção à torcida que com tanto amor e esperança o recebeu. Trepou no alambrado e sacudiu, gritou, sacudiu, gritou e sacudiu como se fosse o primeiro gol da vida de um atleta juvenil. Um bando de loucos gritava em Presidente Prudente, no Tatuapé, na quadra da Gaviões, na sala da minha casa e até na redação do Morumbi. Ronaldo é gol!
Do outro lado da tela da tevê, não tive reação. Paralisada. Meus olhos marejaram de emoção. Me arrepiei de alegria, como se Ronaldo fosse meu amigo. Como se eu o conhecesse. Estava realmente feliz por ele. Ele conseguiu! O gordo fez um gol! O gordo é foda! Pode dizer o que quiser: gordo, fora de forma, baladeiro. Ele é foda! Nunca vai deixar de chutar bem, de driblar bem. Não há quilos a mais e noites mal dormidas que o façam perder a experiência que adquiriu e o cacoete de matador. Ainda que seja com a cabeça, o que nunca foi seu forte.
Me impressionou a emoção de um sujeito que tem tudo na vida, já conquistou tudo o que podia e queria na carreira, já caiu, já voltou, já caiu de novo e voltou de novo... E vibra, verdadeiramente eufórico, como se fosse o primeiro gol da carreira. E eu não tenho dúvidas de que é por isso que ele sempre volta, de que é por isso que se trata de um Fenômeno.
Não deve existir um ser humano provido de coração neste planeta que não tenha sorrido e se alegrado com a demonstração do novo retorno de highlander Ronaldo, o Fenômeno, a cara do brasileiro.
Quem duvida?
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18.2.09
Linda. Absoluta. Demais
O mundo não cansa, mesmo, de me surpreender. E as pessoas estão cada dia mais sem noção.
Recebi um email na semana passada de um amigo querido. Músico, inteligente e de bom gosto. Gente fina, elegante e sincera. Ele me apresentou Stefhany. Repare na grafia. Não é Stéfany, nem Stephanie. É Stefhany, mesmo. A moça do Piauí que fez uma versão de uma música grudenta de Vanessa Carlton. Mas não só isso. Combinou a versão forró/brega com um sensacional videoclipe.
Quando abri o vídeo, achei que era gozação, que a moça tava fazendo chacota com alguém. Mas depois, lendo sobre ela, descobri que não. Ela realmente se leva muito a sério, conforme a reportagem da Dolores, que você lê aqui. É a Beyoncé do Piauí!!!
Em algum outro lugar, eu li que por causa da citação de uma marca de carro na letra, desconfiou-se que o vídeo pudesse ser um viral. O número de acessos foi tão grande e o boato foi tão forte, que a montadora do carro se viu obrigada a emitir uma nota oficial desmentindo a propaganda.
Sempre fui apreciadora da cultura do “faça você mesmo”, mas aí já é demais. Me lembrei de Rebobine Por Favor, de Michel Gondry, em que dois amigos refilmam clássicos do cinema em cenários precários, com figurinos toscos e eles mesmos são os atores. A diferença é que na cabeça do Gondry a história virou filme. E na cabeça da Stefhany ela é uma super star na vida real!
Ela pensa que é linda. Absoluta. Mas é só uma garotinha brincando de ser star!
A coreografia do trio na varanda de casa?
A pessoa se maquiando no banheiro?
O crucifixo balançando, preso no retrovisor do carro?
Alguém me traz um vidro de morfina?
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Recebi um email na semana passada de um amigo querido. Músico, inteligente e de bom gosto. Gente fina, elegante e sincera. Ele me apresentou Stefhany. Repare na grafia. Não é Stéfany, nem Stephanie. É Stefhany, mesmo. A moça do Piauí que fez uma versão de uma música grudenta de Vanessa Carlton. Mas não só isso. Combinou a versão forró/brega com um sensacional videoclipe.
Quando abri o vídeo, achei que era gozação, que a moça tava fazendo chacota com alguém. Mas depois, lendo sobre ela, descobri que não. Ela realmente se leva muito a sério, conforme a reportagem da Dolores, que você lê aqui. É a Beyoncé do Piauí!!!
Em algum outro lugar, eu li que por causa da citação de uma marca de carro na letra, desconfiou-se que o vídeo pudesse ser um viral. O número de acessos foi tão grande e o boato foi tão forte, que a montadora do carro se viu obrigada a emitir uma nota oficial desmentindo a propaganda.
Sempre fui apreciadora da cultura do “faça você mesmo”, mas aí já é demais. Me lembrei de Rebobine Por Favor, de Michel Gondry, em que dois amigos refilmam clássicos do cinema em cenários precários, com figurinos toscos e eles mesmos são os atores. A diferença é que na cabeça do Gondry a história virou filme. E na cabeça da Stefhany ela é uma super star na vida real!
Ela pensa que é linda. Absoluta. Mas é só uma garotinha brincando de ser star!
A coreografia do trio na varanda de casa?
A pessoa se maquiando no banheiro?
O crucifixo balançando, preso no retrovisor do carro?
Alguém me traz um vidro de morfina?
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11.2.09
Cicatrizes
É como se não tivesse aprendido nada. É como se as dores não tivessem servido pra nada, só pra doer. Como se as cicatrizes que estavam bem ali no seu rosto fossem invisíveis.
Era só se olhar no espelho para se lembrar delas. Uma por uma. Do motivo por que estavam ali. Como nasceram, arderam, secaram e, finalmente, se eternizaram bem ali. Na cara.
Quando se acha que elas não serviram pra nada, é hora de se olhar no espelho. Se recolher. E promover um grande resgate.
Sábio é Pedro Juan Gutiérrez, que ama as cicatrizes, não as feridas.
*
Era só se olhar no espelho para se lembrar delas. Uma por uma. Do motivo por que estavam ali. Como nasceram, arderam, secaram e, finalmente, se eternizaram bem ali. Na cara.
Quando se acha que elas não serviram pra nada, é hora de se olhar no espelho. Se recolher. E promover um grande resgate.
Sábio é Pedro Juan Gutiérrez, que ama as cicatrizes, não as feridas.
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10.2.09
15.1.09
Medo da Felicidade
Escolho o Gotan Project para celebrar a felicidade.
- Entre, sente-se e fique à vontade.
Do canto da sala, de soslaio, a observo sentada na poltrona. Me olha firme, como quem gosta de mim. Levanta, aproxima-se. Desconfio. Imagino que ela vai sacar um revólver daqui a pouco, mirar o meio da minha testa e atirar sem piedade. Dá mais um passo. Hesito. Permaneço imóvel. Me oferece um drink. Talvez esteja envenenado. Aceito, ainda assim. Saboreio. Sorrio um sorriso fino. Ela chega ainda mais perto. Estende os braços. Estremeço. Arregalo os olhos castanhos. Temo que naquela mão imediatamente apareça um punhal bem pontiagudo, que logo em seguida será fincado nas minhas costas. Mais um passo. Um abraço. Tesa, não me movo. Até perceber todo o calor daqueles braços que envolvem levemente meu corpo magro. Desconfio. Até perceber a pureza confortável daquele gesto. Relaxo. Largo o revólver. O veneno. O punhal. É só a felicidade tentando me encontrar.
*
- Entre, sente-se e fique à vontade.
Do canto da sala, de soslaio, a observo sentada na poltrona. Me olha firme, como quem gosta de mim. Levanta, aproxima-se. Desconfio. Imagino que ela vai sacar um revólver daqui a pouco, mirar o meio da minha testa e atirar sem piedade. Dá mais um passo. Hesito. Permaneço imóvel. Me oferece um drink. Talvez esteja envenenado. Aceito, ainda assim. Saboreio. Sorrio um sorriso fino. Ela chega ainda mais perto. Estende os braços. Estremeço. Arregalo os olhos castanhos. Temo que naquela mão imediatamente apareça um punhal bem pontiagudo, que logo em seguida será fincado nas minhas costas. Mais um passo. Um abraço. Tesa, não me movo. Até perceber todo o calor daqueles braços que envolvem levemente meu corpo magro. Desconfio. Até perceber a pureza confortável daquele gesto. Relaxo. Largo o revólver. O veneno. O punhal. É só a felicidade tentando me encontrar.
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12.1.09
Prole
Uma lista de convidados para a sua festa de aniversário pode denotar as suas rugas e pés de galinha. Aqueles nomes vão se empilhando uns sobre os outros e poucos são os que não tem um outro nome ao lado. “Renato e Marina”. “Andreza e Flávio” Todo mundo tem marido, mulher e/ou namorado. Quanto mais velas constam no bolo, maior é o número de nomes duplos que você acrescenta à lista. Parece um movimento natural.
Na relação, sempre consta aquele tipo de pessoa que você sabe que vai acompanhada, mas nunca sabe por quem. O Edu vai com a Roberta, com a Bia ou com aquela outra ruivinha de cabelo curto? E a Fátima? Ainda está casada com o Murilo? Como se chama a namorada daquele amigo do Fernando, mesmo?
O número de velas sobre o seu bolo também aumenta na mesma proporção do número de filhos dos amigos. E todo mundo sabe que quanto mais velha você fica, menos espaço sobra no cérebro pra guardar tanta informação. De modo que em algumbreve momento será impossível lembrar dos nomes de todos os pimpolhos de todos os seus colegas queridos. Tem o Pedro da Tânia e o Pedro da Vivi. Como é mesmo o nome do filho da Elô? E da filha? Ah, Giovana. Da Valentina, da Gabi e do Társis, é impossível esquecer. Nome forte. Da Sofia também não esqueço. A do Wellington, no entanto, eu nunca me lembro. Tem também os recém chegados Lucas, da Andréa, e Manu, da Pri. As mais velhas Amanda, da Vanessa, e a da Carol... Qual é o nome da filha da Carol, meu deus? E a da Ana? A da Ana é a Gabi. E a Mila que tá dentro da barriga da Dea e vai ser inglesinha. O Luis Fernando, do Vladi, o Julio, da Ju e do Gu, o Rafael do chefe e o Rafael do ex-chefe. A Luíza, neta do tio que me adotou depois de adulta...
É muita criança. Eu não dou conta!
E, pior, não vai sobrar nome pras minhas.
*
Aviso aos navegantes: este blog ignora olimpicamente a reforma ortográfica!
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Na relação, sempre consta aquele tipo de pessoa que você sabe que vai acompanhada, mas nunca sabe por quem. O Edu vai com a Roberta, com a Bia ou com aquela outra ruivinha de cabelo curto? E a Fátima? Ainda está casada com o Murilo? Como se chama a namorada daquele amigo do Fernando, mesmo?
O número de velas sobre o seu bolo também aumenta na mesma proporção do número de filhos dos amigos. E todo mundo sabe que quanto mais velha você fica, menos espaço sobra no cérebro pra guardar tanta informação. De modo que em algum
É muita criança. Eu não dou conta!
E, pior, não vai sobrar nome pras minhas.
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Aviso aos navegantes: este blog ignora olimpicamente a reforma ortográfica!
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5.1.09
Meme?
Apesar de manter um blog há muitos anos, eu tenho várias dificuldades e deficiências tecnológicas. Por exemplo, até pouco tempo atrás, não sabia o que era MEME. Patrícia me explicou. E dela eu adotei este aqui. Disse a ela que me lembra aqueles cadernos que as meninas de 12 ou 13 anos levavam pra escola. Cada página continha uma pergunta e todas as amigas respondiam todas. Eu me divertia...
Onde está seu celular? Em cima da cama.
Cor dos cabelos? Avermelhados. Sempre foram castanhos. Já tiveram luzes (cruzes!)
Sua mãe? Dormindo como uma criança.
Seu pai? Cantando “O Coringão voltoooooou!”, lá no céu.
Irmão? No micro, atrapalhando o sono da mãe.
Seu filho? Que filho?
O que mais gosta de fazer? Isso dá uma página: dormir, comer, ouvir música, viajar, dançar (já fui melhor), ler, ver filmes, conhecer gente, estar com pessoas queridas.
O que você sonhou na noite passada? Que estava pegando o busão 22, com uma amiga, em Londres.
Onde você está? No meu quarto, lutando contra o sono.
Onde você gostaria de estar agora? Na Europa, em uma cidade desconhecida.
Onde você gostaria de estar daqui a seis anos? Sei lá... Na Espanha. Não, na Itália. Não, não, em Budapeste. Talvez em Nova Iorque. Ou no Rio de Janeiro.
Onde você estava há seis anos? Me recuperando de um pé na bunda, me enfiando numa roubada monstra e duradoura. Aprendendo a ser produtora de rádio. Inventando um programa de rádio.
Onde você estava na noite passada? Em casa, revendo a família, depois de 1 semana.
O que você não é? Paciente.
O que você é? Inteligente (só pra rimar).
Objeto do desejo? Um apartamento no Leblon. Ou em Londres. Ou no Sumaré.
O que vai comprar hoje? Espero que nada. Talvez um lanche no final da tarde.
Qual sua última compra? 7 filmes em promoção.
A última coisa que você fez? Pus o pijama. Li sobre o verbete “meme”, na Wikipedia.
O que você está usando? Pijama azul.
Na TV? Só pra dormir. Séries da Warner, Sony e Fox.
Seu cachorro? Que cachorro?
Seu computador? Ferdinando. Nem sei que raio de marca ele tem. Ah, LG.
Seu humor? Bom quase sempre, tirando a parte velha ranzinza de 90 anos.
Com saudades de alguém? A gente sempre tem saudade de alguém...
Seu carro? Corsa.
Perfume que está usando? Humor.
Última coisa que comeu? Um cachorro quente.
Fome de quê? De viajar, de férias, de ignorar o que os jornais publicam.
Preguiça de? Rotina. E de levantar antes das 10 da manhã. Tô esgotada.
Próxima coisa que pretende comprar? Câmera fotográfica, presente de Natal pra mãe (eu sempre compro depois do Natal).
Seu verão? Mais velha, enfiada na redação, quem sabe com parcos finais de semana perto do mar. Ou pelo menos longe da redação.
Ama alguém? Claro. Amo algumas pessoas.
Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? Na sexta feira, antes de dormir. Um ataque de riso em dupla.
Quando chorou pela última vez? Não me lembro.
Fique à vontade para adotar o meme e passá-lo pra frente, como se você tivesse 12 ou 13 anos. Dá uma alegriazinha na alma logo no começo do ano!
*
Onde está seu celular? Em cima da cama.
Cor dos cabelos? Avermelhados. Sempre foram castanhos. Já tiveram luzes (cruzes!)
Sua mãe? Dormindo como uma criança.
Seu pai? Cantando “O Coringão voltoooooou!”, lá no céu.
Irmão? No micro, atrapalhando o sono da mãe.
Seu filho? Que filho?
O que mais gosta de fazer? Isso dá uma página: dormir, comer, ouvir música, viajar, dançar (já fui melhor), ler, ver filmes, conhecer gente, estar com pessoas queridas.
O que você sonhou na noite passada? Que estava pegando o busão 22, com uma amiga, em Londres.
Onde você está? No meu quarto, lutando contra o sono.
Onde você gostaria de estar agora? Na Europa, em uma cidade desconhecida.
Onde você gostaria de estar daqui a seis anos? Sei lá... Na Espanha. Não, na Itália. Não, não, em Budapeste. Talvez em Nova Iorque. Ou no Rio de Janeiro.
Onde você estava há seis anos? Me recuperando de um pé na bunda, me enfiando numa roubada monstra e duradoura. Aprendendo a ser produtora de rádio. Inventando um programa de rádio.
Onde você estava na noite passada? Em casa, revendo a família, depois de 1 semana.
O que você não é? Paciente.
O que você é? Inteligente (só pra rimar).
Objeto do desejo? Um apartamento no Leblon. Ou em Londres. Ou no Sumaré.
O que vai comprar hoje? Espero que nada. Talvez um lanche no final da tarde.
Qual sua última compra? 7 filmes em promoção.
A última coisa que você fez? Pus o pijama. Li sobre o verbete “meme”, na Wikipedia.
O que você está usando? Pijama azul.
Na TV? Só pra dormir. Séries da Warner, Sony e Fox.
Seu cachorro? Que cachorro?
Seu computador? Ferdinando. Nem sei que raio de marca ele tem. Ah, LG.
Seu humor? Bom quase sempre, tirando a parte velha ranzinza de 90 anos.
Com saudades de alguém? A gente sempre tem saudade de alguém...
Seu carro? Corsa.
Perfume que está usando? Humor.
Última coisa que comeu? Um cachorro quente.
Fome de quê? De viajar, de férias, de ignorar o que os jornais publicam.
Preguiça de? Rotina. E de levantar antes das 10 da manhã. Tô esgotada.
Próxima coisa que pretende comprar? Câmera fotográfica, presente de Natal pra mãe (eu sempre compro depois do Natal).
Seu verão? Mais velha, enfiada na redação, quem sabe com parcos finais de semana perto do mar. Ou pelo menos longe da redação.
Ama alguém? Claro. Amo algumas pessoas.
Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? Na sexta feira, antes de dormir. Um ataque de riso em dupla.
Quando chorou pela última vez? Não me lembro.
Fique à vontade para adotar o meme e passá-lo pra frente, como se você tivesse 12 ou 13 anos. Dá uma alegriazinha na alma logo no começo do ano!
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16.12.08
Trinta e uuumm? Mas nem parece...
Há exato um ano eu estava monotemática sobre meus 30 anos que se avizinhavam. Lia tudo o que já tinham escrito sobre a epopéia de se tornar balzaquiana - incluindo Lindas e Felizes Depois dos 30, pra aplacar a depressão. O tal do retorno de Saturno que, segundo dizem, te transforma por completo. A partir dos 30 você passa a ser regida pelo seu ascendente e não mais pelo seu signo. Você aprende a escolher melhor. Fica mais seletiva. Eu não sei se tudo isso aconteceu comigo, se eu me transformei em uma mulher madura pontualmente às 12 horas e 25 minutos do dia 6 de janeiro de 2008, tal qual a She-ra virava She-ra apontando a espada pro céu - tenho certeza suspeito que não. Não sei se hoje sou mais ariana do que capricorniana. Mas completar 30 anos me fez pensar e reavaliar tantas coisas sobre a própria vida e me fez descobrir metade delas - o que, convenhamos, é uma boa média para um ser humano confuso e cheio de dúvidas. Eu estava mais velha e, sim, escolhendo melhor, desfrutando do glamour que circunda o fato de se tornar uma discípula de Balzac.
Agora, um ano depois, mergulhada no inferno astral mais uma vez, caminhando a passos largos rumo aos 31, a única coisa que consigo pensar é que o creme anti-rugas para a área dos olhos está acabando, preciso renovar a tintura para cobrir os fios de cabelos brancos que se multiplicam na velocidade da luz, acumulo 12 anos de carreira e parcas 4 cervejas são sinônimo de ressaca no dia seguinte. Eu realmente estou ficando velha. Nem festinha tenho disposição pra fazer. E o glamour foi pra casa docaráleo chapéu!
*
Agora, um ano depois, mergulhada no inferno astral mais uma vez, caminhando a passos largos rumo aos 31, a única coisa que consigo pensar é que o creme anti-rugas para a área dos olhos está acabando, preciso renovar a tintura para cobrir os fios de cabelos brancos que se multiplicam na velocidade da luz, acumulo 12 anos de carreira e parcas 4 cervejas são sinônimo de ressaca no dia seguinte. Eu realmente estou ficando velha. Nem festinha tenho disposição pra fazer. E o glamour foi pra casa do
*
8.12.08
Meia Dúzia
UM
Jukebox da Cat Power é uma das coisas mais tristes-barra-lindas que eu já ouvi. Alguns podem dizer que ela é a versão feminina do som-depressivinho do Radiohead. Mas eu gosto mais dela.
DOIS
Tem me sobrado muito pouco tempo para ouvir música, o que me deixa inegavelmente mais triste. E mais chata. Eu costumava fazer isso no carro há alguns anos. Mas como agora só dá tempo de ler metade do jornal durante o café da manhã - que dura menos porque só dá tempo de dormir meia noite/manhã -, eu me obrigo a ouvir notícias enquanto estou transitando de um pelourinho para outro. Música, só na volta do pelourinho-sede pra casa. E são sempre os mesmos CDs, de quem vira e mexe eu morro de saudade. Fuçar na internet nunca mais. Hunf!
TRÊS
Guel Arraes e Jorge Furtado descobriram pelo menos 48,65% da minha vida amorosa e colocaram em Romance. Da minha e da vida de 91,28% das mulheres que eu conheço. E eu fiquei cantando por um dia inteiro Não vamos fuçar nossos defeitos/Cravar sobre o peito as unhas do rancor/Lutemos mas só pelo direito/Ao nosso estranho amor/Ah! Manhinha deixa o ciúme chegar/Deixa o ciúme passar e sigamos juntos...
QUATRO
(((rabugenta mode on))) As pessoas me perguntam se eu vou ao show do Radiohead como se eu tivesse obrigação de ir a todas as apresentações internacionais que acontecem aqui e fosse um crime não comparecer. Eu nem sou louca por Radiohead e acho que o Tom Yorke se transformou em um chato de galocha com todo aquele experimentalismo mala. Revolucionou a indústria com o quer pagar quanto?, importância e colaborações indiscutíveis para o mundo da música. E Bodysnatchers é bem boa. Maaaas... Só vou ao show se tiver de trabalhar. Madonna idem. Tá entendido? / A quem interessar possa: há 3 dias ingressei no meu inferno astral, se é que essa merda existe. (((rabugenta mode off)))
CINCO
Já ouviu Little Joy? É a banda nova de Rodrigo Amarante – ex Los Hermanos - e Fabrizio Moretti - baterista do Strokes. O grupo é formado por eles dois e Binki Shapiro, namorada do Moreti {-ué, mas ele não namora a Drew Barrymore? Namorava, não namora mais, oras!}. É bacaninha. Uma coisa assim meio The Los Strokermanos. Ouve Keep Me In Mind...
...e diz se não é.
MEIA DÚZIA
Eu já falei aqui da urgência por livros que eu nunca leio – deu pra notar nas bobagensdescritas acima que o tempo tá escasso? -. A lista aumenta como se não houvesse amanhã. Ganhei do namorado Slam, de Nick Hornby. A irmã já leu. Adorou. Eu ainda não. Recebi Conversas com Woody Allen para uma pauta e adquiri Conversas com Almodóvar. Com o Woody eu já conversei por algumas várias páginas, mas nem metade das 500 que ele tem. Dom Pedrito me aguarda na sala de espera e eu ainda não dei nem um oizinho. Quiçá fique lá até o lançamento de seu próximo filme.
*
Jukebox da Cat Power é uma das coisas mais tristes-barra-lindas que eu já ouvi. Alguns podem dizer que ela é a versão feminina do som-depressivinho do Radiohead. Mas eu gosto mais dela.
DOIS
Tem me sobrado muito pouco tempo para ouvir música, o que me deixa inegavelmente mais triste. E mais chata. Eu costumava fazer isso no carro há alguns anos. Mas como agora só dá tempo de ler metade do jornal durante o café da manhã - que dura menos porque só dá tempo de dormir meia noite/manhã -, eu me obrigo a ouvir notícias enquanto estou transitando de um pelourinho para outro. Música, só na volta do pelourinho-sede pra casa. E são sempre os mesmos CDs, de quem vira e mexe eu morro de saudade. Fuçar na internet nunca mais. Hunf!
TRÊS
Guel Arraes e Jorge Furtado descobriram pelo menos 48,65% da minha vida amorosa e colocaram em Romance. Da minha e da vida de 91,28% das mulheres que eu conheço. E eu fiquei cantando por um dia inteiro Não vamos fuçar nossos defeitos/Cravar sobre o peito as unhas do rancor/Lutemos mas só pelo direito/Ao nosso estranho amor/Ah! Manhinha deixa o ciúme chegar/Deixa o ciúme passar e sigamos juntos...
QUATRO
(((rabugenta mode on))) As pessoas me perguntam se eu vou ao show do Radiohead como se eu tivesse obrigação de ir a todas as apresentações internacionais que acontecem aqui e fosse um crime não comparecer. Eu nem sou louca por Radiohead e acho que o Tom Yorke se transformou em um chato de galocha com todo aquele experimentalismo mala. Revolucionou a indústria com o quer pagar quanto?, importância e colaborações indiscutíveis para o mundo da música. E Bodysnatchers é bem boa. Maaaas... Só vou ao show se tiver de trabalhar. Madonna idem. Tá entendido? / A quem interessar possa: há 3 dias ingressei no meu inferno astral, se é que essa merda existe. (((rabugenta mode off)))
CINCO
Já ouviu Little Joy? É a banda nova de Rodrigo Amarante – ex Los Hermanos - e Fabrizio Moretti - baterista do Strokes. O grupo é formado por eles dois e Binki Shapiro, namorada do Moreti {-ué, mas ele não namora a Drew Barrymore? Namorava, não namora mais, oras!}. É bacaninha. Uma coisa assim meio The Los Strokermanos. Ouve Keep Me In Mind...
...e diz se não é.
MEIA DÚZIA
Eu já falei aqui da urgência por livros que eu nunca leio – deu pra notar nas bobagens
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4.12.08
Repaixão
Existe?
É possível se reapaixonar?
É possível fazer alguém se reapaixonar por você?
Responda se for capaz.
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É possível se reapaixonar?
É possível fazer alguém se reapaixonar por você?
Responda se for capaz.
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30.11.08
Sintomático
Acabei de presenciar uma cena muito representativa: um rapazote aqui na firma, no bairro do Morumbi, trajado com a camisa do São Paulo perguntava para um outro sujeito como faz para chegar daqui ao Estádio do Morumbi.
São exatos 5 minutos de carro e até eu - que souCorinthiana o ser humano mais perdido do mundo - sei chegar.
Convite para reflexão: Imagina quantos sãopaulinos que não sabem aonde fica o Cícero Pompeu de Toledo estãoperdidos pelas ruas do Morumbi lotando as arquibancadas do estádio agora, gritando que amam o São Paulo Futebol Clube?
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São exatos 5 minutos de carro e até eu - que sou
Convite para reflexão: Imagina quantos sãopaulinos que não sabem aonde fica o Cícero Pompeu de Toledo estão
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24.11.08
Tanto (A)Mar
A partir de hoje começo a juntar parcos dinheiros para comprar um conjugado no Leblon a 300 mil reais.
Porque é isso que custa. Você até acha alguns por 120 mil, mas precisa de reforma.
300 mil dinheiros pra ficar perto da praia, passear na Dias Ferreira, me sentir personagem do Manoel Carlos, beber no Jobi, comer bem (em qualquer lugar)...
O Rio poderia ser mais perto daqui. Tipo Campinas.
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Porque é isso que custa. Você até acha alguns por 120 mil, mas precisa de reforma.
300 mil dinheiros pra ficar perto da praia, passear na Dias Ferreira, me sentir personagem do Manoel Carlos, beber no Jobi, comer bem (em qualquer lugar)...
O Rio poderia ser mais perto daqui. Tipo Campinas.
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18.11.08
Diálogos Madruguentos
Já é praxe: chegar em casa de madrugada e encontrar a irmã acordada é pedir pra ouvir/contar historinhas. A de hoje começou exatamente assim:
Irmã: Meu, o que eu faço com um e-mail....
Tata: Você quer DE NOVO cancelar um e-mail que mandou e não deveria?
Irmã: Não, calma... Eu mandei um e-mail prum cara... (pausa. cara de espertinha)
Irmã: Eu já fiquei com esse cara.
Tata acompanha: Hum...
Irmã, meio constrangida: Ele é filósofo. E escreve.
Tata: Meu, ele dever ser chato!!!
Irmã: Não é... (se contorcendo de rir). Ele é lindo! Tem 1,80m e olhos verdes.
Tata: Hum... Deve ser chato, Cá. Filósofos são chatos!
Irmã: Não. Ele não é. E... tem 22 anos recém completados.
Tata: Definitivamente, ele É chato!!!!!
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Irmã: Meu, o que eu faço com um e-mail....
Tata: Você quer DE NOVO cancelar um e-mail que mandou e não deveria?
Irmã: Não, calma... Eu mandei um e-mail prum cara... (pausa. cara de espertinha)
Irmã: Eu já fiquei com esse cara.
Tata acompanha: Hum...
Irmã, meio constrangida: Ele é filósofo. E escreve.
Tata: Meu, ele dever ser chato!!!
Irmã: Não é... (se contorcendo de rir). Ele é lindo! Tem 1,80m e olhos verdes.
Tata: Hum... Deve ser chato, Cá. Filósofos são chatos!
Irmã: Não. Ele não é. E... tem 22 anos recém completados.
Tata: Definitivamente, ele É chato!!!!!
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