27.8.07

Silenciosamente

Cena: casal adormece abraçadinho.
Duas horas depois, ela começa a sentir dores no corpo.
Logo em seguida, ouve barulhos internos, vindos do tórax. Os ossos da costela dela estavam se partindo. Um por um.
Ela inclina a cabeça para trás, olha para ele, de soslaio.
Corta

Cena dois: A veia da testa dele estava saltada. Ele rangia os dentes, ainda com os olhos fechados. A expressão dele era parecida com a do Chuck, o Boneco Assassino.
Ele tentava assassiná-la, tal qual uma cobra constrictora. Assim como uma Anaconda vitima suas presas, se enrolando no corpo delas até tirar-lhes todo o ar.
Corta

Cena três: Ela acorda chorando.
- Amor, você tentou me matar agora há pouco?

19.8.07

Versão

Já que os quatro leirores a imensa audiência deste blogue não se animou muito com a tese de Cuba, tentemos uma adaptação do "Poema de Sete Faces" do Drummond, que me foi muy gentilmente recitada pelo namorado:

"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida Vai, Tata! ser bagunçada na vida.

12.8.07

Hay Que Endurecer, Pero...

Fidel Castro completa 81 anos nesta segunda-feira. Afastado do poder há 1 ano, para cuidar da saúde, a condição atual do ditador cubano ainda é tema de especulações e mistério. O mesmo mistério que permeia mentes estrangeiras a respeito do modo de vida da população do país.

É incrível a curiosidade das pessoas por Cuba, um dos únicos redutos remanescentes do comunismo no mundo. Basta lembrar das perguntas dos amigos quando eu voltei de lá: Como é? As pessoas são pobres, mas felizes? Educação? Saúde? E o Buena Vista? E o Orishas?

Desde sempre tenho interesse pela ilha. Da história da revolução à biografia de Che Guevara e às histórias de Pedro Juan Gutiérrez, li bastante sobre o país. Mas só indo até lá e conversando com aquele povo tão caloroso é possível ter a noção (mais ou menos) real de como se vive em um país isolado do resto do planeta e entender que aquela realidade vai muito além do que Wim Wenders mostrou no cinema ou do sucesso do Orishas.

Estive em Cuba há dois anos. Fui ciceroneada por um publicitário cubano, de 40 e poucos anos, que trabalha numa agência que presta serviço - claro! - para o governo (vide texto abaixo, escrito um dia depois da volta). Em 8 dias, experimentei sentimentos absolutamente contraditórios e inéditos pra mim. O próprio sistema da ilha me fez sentir assim. A divisão começa no bolso. O peso cubano é a moeda corrente local. Mas qualquer estrangeiro em turismo por lá faz uso de outro peso: o conversível. Na teoria, 1 peso conversível vale 1 dólar. Mas na hora da troca, você deixa 20% de taxa para o governo. Cubanos recebem em peso, mas ganham gorjetas em pesos conversíveis. Assim, as propinas representam mais em valores do que muitos salários mensais.

Nos primeiros dias da viagem, eu me senti pobre-pobre de marre-marré. Meu espírito de turista se lembrava do quanto eu tive que trabalhar para ir até lá. O quanto me faltava de dinheiro para ir a outras províncias cubanas, além de havana, como eu gostaria de fazer. E o quanto era mais fácil para os três espanhóis que eu conheci viajar a ilha toda, já que eles ganham em euro.

Mas, inevitavelmente, me senti triste por ser tão afortunada comparada àquela gente. Ao constatar as condições absolutamente precárias de trabalho daquelas mulheres nas fábricas de charutos. Ao ser abordada na rua por pessoas que te pedem alguma coisa, “qualquer coisa”. Ao ver dezenas de pessoas morando em apenas um cômodo. Meus pensamentos ficaram ainda mais confusos ao ver que, de fato, apesar de todas as adversidades, são um povo alegre, mesmo. Um povo caloroso, musical, sensual. Me senti numa espécie de zoológico ou laboratório, observando a forma como aquelas espécies vivem. Cerceadas. Enjauladas. E como o modo de vida delas é diferente do meu.

A despeito de toda a publicidade positiva que o governo cubano não se cansa de fazer acerca do regime – e que está espalhada em outdoors por todos os cantos do país -, a realidade é bem diferente. Esta história de que em Cuba as pessoas “são pobres, porém felizes” é uma meia verdade. As opiniões se dividem dependendo da faixa etária do seu interlocutor. Os mais velhos, aqueles que viviam na ilha antes da Revolução, preferem o sistema atual, porque dizem que na época de Fulgêncio Batista a vida era muito pior. Hoje, ao menos, têm onde morar e o que comer. Os mais jovens, que nasceram sob o comando de Fidel, não toleram o comunismo e não vêem a hora de poder sair de Cuba, muito embora não bradem suas opiniões, porque, como se sabe, se forem ouvidos, são duramente repreendidos.

Este choque me atormentou durante todos os 8 dias. Eu comparava aquilo com a vida no meu país, que também é difícil. Não sei se é um raciocínio muito classe-média, mas eu penso que aqui ninguém frustra seu sonho deliberadamente. Se houver empenho (ainda que a duras penas, durante a vida inteira), talvez se consiga realizá-lo. Em Cuba, não. À exceção de atletas e artistas, é proibido sair de lá. E lá não se pode mudar de casa. Não se pode ter um carro, sem autorização do governo. Te obrigam a viver de um modo que talvez você não queira. Te obrigam a viver de uma forma que um dia alguém julgou que seria a melhor, a ideal. E não há possibilidade de mudar. Os jovens cubanos têm que tolerar milhares de gringos endinheirados desfilando câmeras fotográficas de última geração, roupas, tênis e outros produtos capitalistas que eles não podem ter. Porque alguém proibiu que eles tenham. Vão engolindo seus desejos, seus sonhos, sua prosperidade, enquanto bebem rum e batucam músicas na mureta do Malecón em noites quentes. Assim aguardam a morte de Fidel.

Feliz Cumpleaños, el comandante!

A Lo Cubano

(texto escrito em junho de 2005)

As ruas de Havana são mal iluminadas. Têm um odor forte. Muitas moscas sobrevoam a capital. As calçadas são esburacadas e um pedestre desatento corre o risco de cair e se machucar feio. O trânsito é um caos, sem sinalização nenhuma. As pessoas dirigem devagar. O pedestre que não se cuida toma uma buzinada estridente na orelha. Todas as buzinas são estridentes em Havana. É até engraçado!


Transporte
Compram-se automóveis do governo. São poucos e velhos. Nem todo mundo tem dinheiro para ter um. O cubano se locomove muito a pé e de bicicleta. Os ônibus, “camelos”, como são chamados, são grandes e têm capacidade para 200 pessoas. E vivem muito lotados. Pensávamos em nos locomover de ônibus por lá, até encontrar um passando pela rua. Nosso meio de transporte corriqueiro era o táxi, mesmo. Claro que no primeiro dia pagamos valores absurdamente altos, por falta de informação. Condição fundamental para nos ter como passageiras: ter taxímetro no automóvel. Ou negociar um bom preço, o que viesse primeiro.

Habitação
Os grandes casarões muitas vezes são divididos entre as famílias. À medida que elas vão crescendo, o espaço vai diminuindo, já que são poucos os que têm dinheiro pra ir morar em outra casa. É comum ver três gerações morando num mesmo cômodo. Na década de 60, logo após a revolução, eram comuns os sistemas de micro-brigadas. Se o sujeito queria uma casa, pedia para o governo, que o liberava de seu emprego por 3 ou 4 anos. Ele reunia cerca de 30 pessoas e o próprio grupo construía um prédio. Depois, voltavam aos seus empregos. Hoje, não funciona mais.

Saúde
A emergência nos hospitais às vezes é deficitária. Ouvi uma história horrível de um homem que deslocou o ombro e precisou fazer cirurgia. Não pôde ser atendido na hora. Depois, não havia anestesia. Colocaram o ombro do cara no lugar a sangue frio, apenas com algumas doses de rum. Apesar disso, Cuba é, sim, referência em muitas áreas da saúde, como a oncologia.
A propósito, um médico ganha, em média, 21 dólares por mês. Sim, POR MÊS.

Educação
É garantida a todos, até a universidade. Segundo nosso amigo cubano, a educação em Cuba é boa, mesmo. Nessa área, o sistema efetivamente funciona!

Emprego
O governo garante. Só não garante que haja vaga na sua área. Sempre de acordo com nosso cubanito amigo, o salário mínimo é de 225 pesos cubanos. E é proibido ter mais de um emprego no país.

Alimentação
Todo chefe de família possui uma caderneta (parecida com aquela carteira de vacinação daqui). Nela é anotada a cota de produtos subsidiados pelo governo que ele recebe por mês nas bodegas. Só recebe leite quem tem criança até 7 anos. 2 quilos de leite em pó custam 5 pesos no chamado “mercado negro”. Há escassez de produtos. Não tem carne de vaca. Na caderneta que eu vi, a família ficou 3 meses sem receber sabonete. Uma outra pessoa lembrou que a quantidade de arroz subsidiada não é suficiente. Quem quer comprar mais, vai até o mercado de camponeses. Meio quilo de carne de boi, por exemplo, sai por mais ou menos 2 dólares e meio.

Segurança
Sim, Havana é uma cidade segura. Não há crimes, violência, assaltos e roubos como estamos acostumados por aqui. Há muitos policiais nas ruas, todos desarmados. Mas é bom ficar de olho na câmera fotográfica.

Lazer
Sábado à noite o Malecón ferve. O Malecón é avenida da praia, com calçadão e tudo. A diversão das pessoas é reunir os amigos na mureta, cantar e beber muito rum. Eita povo alegre! Cubanito nos disse que os jovens de Havana bebem e fumam muito.
No Cine Yara (em La Rampa) notamos um grande número de filmes norte-americanos em cartaz. Parecia estranho, já que não existem relações comerciais entre os dois países (o tal do embargo e tal...). Cubanito tinha a resposta: os filmes vêm por satélite, são copiados. Sim, pirateados, mesmo. Há cortes nas partes que ideologicamente não são interessantes, antes de serem projetados nas salas. E todos são dublado, ninguém ouve nada em inglês.

Só algumas pessoas têm acesso à Internet. O cubanito tem, mas disse que vários sites são bloqueados. Ele também tem acesso ao MSN, mas todos os diálogos passam por dois intermediários da censura.

Patrulha ideológica
Cubanito não quis mais nos esperar no lobby do hotel a partir do terceiro dia. Estava sendo rodeado sutilmente pelos seguranças. Na praça onde passamos a nos encontrar diariamente, os policiais também ficavam de olho, que eu vi.
Conversamos sobre todos os assuntos. Mas era mais seguro interromper o diálogo quando o garçom vinha trazer nossas bebidas.

Oposição ao regime?

Existe. São os grupos de direitos humanos. Onde há membros do governo envolvidos. E como todo mundo sabe disso, quase ninguém participa. Então, não funciona.

Povo
O povo cubano é muito alegre, muito festeiro, muito solícito. Quase todo mundo fala com você com sorriso no rosto. Perguntam das novelas, sucesso absoluto em Cuba. Aliás, tive o prazer de ver um capítulo de “Esplendor”, dublada em espanhol. Ficou engraçada!


lamento a limitação desta droga de blogspot, que não me permite colocar fotos de nada. tinha umas ótimas...

10.8.07

Os Simpsons - O Filme

Antes de qualquer coisa, um esclarecimento/desabafo: meu micro não me permite mais acessar meu próprio blog. Nem o micro da firma. Nem o da minha irmã. As máquinas simplesmente se revoltaram. Quando digito este humilde endereço, elas me informam que esta página não existe. De modo que, neste momento, não sei se estou escrevendo para alguém ler ou se este texto está destinado ao buraco negro engolidor de tampas de canetas BIC.

Mas vamos ao assunto...

Está tudo lá: o difícil relacionamento entre pai e filho, a tosquice de Homer, nudez e sexo, piadas sarcásticas e inteligentes, referências políticas e musicais. Junte a todos estes elementos o fato de “Os Simpsons” ser uma das séries mais bem sucedidas da televisão, com dezoito temporadas, quatrocentos episódios e inúmeros prêmios.

“Os Simpsons – O Filme” parece um episodião de uma hora e meia. Logo no começo, Homer verbaliza o que talvez esteja na cabeça de muita gente sentada na poltrona da sala de cinema: “Eu não acredito que tô pagando para ver um treco que passa de graça na TV!”. Fora da tela, o co-produtor executivo, James L. Brooks, define: “O que distingue o filme do desenho da TV são as dimensões”. E, sim, vale pagar o ingresso.

Com cerca de 450 cópias - a maioria esmagadora dublada -, o longa chega aos cinemas na semana que vem. E promete não decepcionar os fãs da série.
Homer tem a missão de salvar Springfield de uma catástrofe ambiental, provocada por ele mesmo, quando adota um porco de estimação (destaque aqui para a cena dele fazendo o animal andar no teto, entoando uma adaptação do refrão de “Spider Man”). O desastre faz o presidente Arnold Schwarzenegger - sim, ele é o presidente dos Estados Unidos - tomar uma providência extrema, o que enfurece os moradores da cidade, que querem, literalmente, matar Homer. E ele precisa, então, desfazer a cagada confusão, conquistar o perdão de Marge e salvar a cidade do apocalipse. Em meio a tudo isso tem Al Gore, Hillary Clinton, Green Day e Ramones.

A produção do filme começou em 2003, com os primeiros esboços do roteiro. A trama do longa foi mantida em segredo absoluto, o roteiro ficou fechado o tempo todo no escritório da produção. Nenhum dos realizadores dava detalhes sobre a história. Mas, em tempos de internet, um trailer antecipado revelou um elemento novo na família: o tal do porco, que é o ponto de partida da trama. Mas não estragou a surpresa. Vários anos e pizzas pela madrugada depois, o resultado é um filme pra lá de inteligente e divertido. “Não há apenas uma história. Cada membro da família Simpson possui um perfil histórico de seu crescimento e de sua redenção, até mesmo o bebê. Queríamos que o filme segurasse emocionalmente o público até o fim, e talvez esse tenha sido o nosso maior desafio”, diz o produtor executivo Al Jean.

Se você for dos mais apressados, daqueles que deixam a sala tão logo começam a subir os créditos, pode perder alguma coisa. Segure sua vontade de fazer xixi e espere o final definitivo do filme. Ouça a última fala de Maggie. E discorde dela se for capaz.

26.7.07

V de Vingança e o Caos Aéreo


Eu vou acompanhando toda essa putaria que acontece no setor aéreo do país com uma certa objetividade jornalística. Tratando fato como notícia e ponto. Como se o Brasil ganhasse ouro no vôlei. Como se fosse a queda de 1 por cento da Bovespa.


O acidente com o avião da Gol, há 9 meses, pra mim foi meio assim. Dei a notícia. Noticiei a repercussão. E foi por causa do acidente que saí da redação quase as 3 horas da manhã daquela sexta feira. Outro avião se acidentou na semana passada. De novo, eu tive que dar a notícia. Acompanhei e noticiei a repercussão da tragédia. E saí da redação quase 1 da manhã, naquela terça feira.

Eu sempre fico um pouco passada com estas tragédias. Um pouco. Elas não me sensibilizam mais tanto. Sei lá, depois de passar um bom tempo visitando favelas incendiadas e pessoas desabrigadas, chacina na periferia, rebelião em presídio, veículos acidentados, pessoas feridas e quetais, acho que tratar fatos assim, com uma certa distância, pode ser normal (se não for, alguém me avisa, que eu corro pro psiquiatra mais próximo). Veja, não se trata de perda de capacidade de indignação. Eu me revolto freqüentemente com o que eu leio, ou ouço no rádio ou vejo na TV. Mas desta vez, além de indignada, eu realmente fiquei triste. Na semana passada, pela primeira vez na vida, eu chorei lendo jornal. Lendo os depoimentos daqueles familiares.

O governo e os empresários deste país devem dar graças a Deus todas as noites pelo fato deste povo ser tão pacífico. Mesmo com tanto desgoverno, tanta desgraça. Mesmo pagando impostos altíssimos, que fazem o Brasil figurar no topo da lista dos países com maior carga tributária do planeta. Mesmo que, ainda assim, não recebam um milésimo dos impostos pagos de volta em serviços dignos.

Acho uma bobagem culpar alguém pelo caos. O governo, as empresas, o fabricante dos aviões, quem quer que seja. O negócio ganhou uma proporção tão grande que não existe UM culpado. A putaria no setor aéreo é generalizada.

Se o Gênio da Lâmpada aparecesse aqui, agora, pra mim, eu pediria para ter o dom da persuasão e a persistência do protagonista mascarado de “V de Vingança”. Que não aceitava ser tratado como imbecil pelo governo da cidade dele. Que acreditava que aquela dinâmica tinha que ser diferente. Que as coisas não precisavam ser tão ruins e podiam melhorar. Acreditava nisso, convenceu as pessoas disso e, juntos, fizeram mudar.

Gênio da Lâmpada, apenas um dia seria suficiente. Então, eu convenceria os cerca de 180 milhões de brasileiros a deixarem de usar aviões. E ninguém, NINGUÉM mais embarcaria de lugar nenhum. Aeroportos de todo o país ficariam às moscas. Reuniões importantes de engravatados seriam canceladas. Negócios importantes seriam perdidos. Campeonatos de futebol seriam cancelados. Mercadorias deixariam de ser entregues. Hotéis ficariam vazios. Edições da Folha, Estadão e O Globo deixariam de ser entregues fora do eixo Rio-SP. Empresas iriam à falência. Com tudo isso, milhões de reais escorreriam pelo ralo. A Fiesp e a Fierj organizariam manifestações, em conjunto com Associações, Organizações Não Governamentais e parlamentares da oposição, com o apoio de todos os grupos de comunicação. Convocados por eles, milhares de brasileiros iriam às ruas de todas as capitais do país.

Apenas uma ou duas semanas seriam suficientes. Aposto como empresas aéreas, Anac, Infraero, controladores de vôo, pilotos e governo federal se entenderiam rapidamente. E a putaria no setor aéreo teria fim, sob o risco de um novo boicote geral, mobilização maciça e a quebra da economia. Sem que mais nem um cidadão tivesse que morrer para que as coisas funcionassem como deveriam.

22.7.07

Contraditório

Eu não deixo de me assustar. Cada vez menos. Mas ainda me pego pensando no contraditório. Vez ou outra. Pareço uma adolescente cheia de dúvidas.

Abre parênteses: a minha porção Peter Pan sempre justifica a dúvida desta forma. É cômodo e confortável. Fecha parênteses.

Ainda que tudo caminhe bem, apontando para a certeza da boa escolha, aparece aquele gnomo no meu ombro falando dele. Do contraditório. Ainda que eu não queira. Ainda que eu não acredite em gnomos.

Me forço a pensar nele. No contraditório. Como se precisasse provar pra mim mesma que ele todo é uma bobagem. Ter certeza de que ele não vale nada. Ou de que vale menos que a boa escolha. Bem menos.

Ainda me assusto com ele. O contraditório. Bem menos. E o susto vai se alternando com a certeza. De que a boa escolha vale. Bem mais.

18.7.07

Palhaços do Ártico

Reparem nos sapatos verdes gigantes, que luxo!!!

17.7.07

10 sinais de que ela é o homem da relação

1) Ela se oferece para te pegar em casa, abre a porta do carro e ainda dirige melhor do que você;
2) Paga o teatro, o jantar, o motel e ainda liga no dia seguinte;
3) Depois de uma semana, você a encontra, por acaso, acompanhada de um rapaz 10 anos mais novo que você.
4) Ela é que propõe sexo à três;
5) Ela troca lâmpada queimada, botijão de gás, mangueira da máquina de lavar, pneu do carro e mata barata sem SBP.
6) Ela bebe tanto quanto (ou mais que) você e não se altera. Conversa de igual pra igual com seus amigos sobre futebol, rock’n’roll, cinema, artes marciais e ficção científica;
7) Ela constata que o mecânico te passou a perna no conserto do carro;
8) Depois da segunda, ela vira pro lado, liga a TV e diz que não quer ser incomodada até o fim do capítulo da novela das 8. Ou dorme primeiro;
9) No primeiro desentendimento, ela se nega a discutir a relação;
10) Quando você fala em casamento, ela se finge de surda e te faz uma pergunta sobre o último filme do Woody Allen.

11.7.07

Quem?

Já vou começar pedindo desculpas aos 4 leitores deste blogue por mais um texto parecido com tantos outros. Mas é que este Google Analytics é muito divertido, meu tempo livre é quase nenhum e a criatividade foi comprar cigarros e nunca mais voltou.

Então, mais uma da série “o que essas pessoas vêm fazer aqui, meu deus do céu?”, versão religiosa.

Google Analytics aponta para uma horda de católicos que visitaram este blog. Claro que foi engano (obrigada, senhor!). Eles encontraram este humilde e nada religioso site procurando por outras coisas na net:

- tá, lá vou falar com o meu papa
- a igreja católica no século 21
- igreja condena camisinha + bento
- papa bento fala sobre masturbação
- masturbação bento XVI
- a igreja condena a masturbação?

Ou seja, um monte de menino com verruga na mão veio parar aqui, achando que ia encontrar resposta para sua culpa católica.

Meu brother Analytics me contou que nós, loucos mansos, temos ganhado fama internacional, recebendo visitas de Portugal, de nostros hermanos argentinos-congelados, de gente da Alemanha, dos Estados Unidos, Reino Unido e até de Angola, veja só.

Numa análise mais minusciosa, é possível identificar leitores de cidades como Lisboa e Porto, Miami, Luanda, Stevenage (seja lá onde for), Florianópolis, Recife, São Vicente e Cotia (uau!). Também trabalhamos com um visitante de Glasgow. Ele esteve aqui por vários minutos. Pode ter sido o Alex Kapranos. Ou o Nick McCarthy. Ou o autor do atentado terrorista do aeroporto. Ou apenas mais um perdido que se enganou de endereço.

9.7.07

Gente Louca

Eu tinha trabalhado muito e depois que o sofrimento acabou fui jantar com uma amiga na casa de espetos de sempre.

Optamos pela mesa externa já que estava uma noite agradável. Sentamos, pedimos bebericos e as comidas. Do lado direito uma mesa vazia. Do lado esquerdo um cara degustava alguma coisa que eu não identifiquei, solitário. Ele beirava os 40 anos. Era magro e um pouco grisalho.

Eu contava uma história. Uma história longa cheia de detalhes e reviravoltas. Quem me conhece um pouco sabe e já está acostumado: quando eu engato a segunda na história longa cheia de detalhes e reviravoltas, eu praticamente não paro de falar nunca mais (não é mesmo?). Mas a minha interlocutora estava super interessada. Me interrompia apenas para fazer algumas perguntas, com dúvidas no tempo da narrativa. E eu ia contando, animada. Lá pela metade da história, noto que o solitário também parecia interessado. Ele já era quase parte da minha mesa, e jantava com o corpo inteiro virado para nós, prestando uma atenção incômoda no meu monólogo na nossa conversa. Perdi a concentração por duas ou três vezes. O tal do grisalho começava a me irritar.

Não satisfeito em ouvir histórias alheias, foi só eu fazer uma pausa para um gole do refrigerante, ele se manifestou:
- Com licença!

Ensaiei meu melhor olhar de desprezo e me virei pra ele.
- Desculpa te interromper, mas posso fazer uma pergunta?
Evidentemente que não Acenei positivamente com a cabeça, a contra gosto.
- Eu tenho certeza que você é sagitariana.
- Errou – e me virei de volta à amiga.
- Não é? Ah, então é virginiana!
- Não, não sou – já meio brava.
- Ah, me desculpa. Então, você é louca!

Levei uns dois segundos e meio pra ter certeza do que o infeliz tinha dito, exatamente:
- O quê???
- Você não deixa ela falar! Faz 20 minutos que eu tô aqui e só você fala, olha a cara dela - minha interlocutora estava vermelha feito um caqui e se esborrachava de rir, sem emitir som algum.
- O senhor nem me conhece... Faça o favor de não atrapalhar a minha conversa e se concentre no seu jantar.
- Me fala seu signo?
- Não!
- Por favor!
- Não!!! Não me obrigue a ser deselegante e falar um palavrão. Me deixa em paz, ninguém te chamou aqui na conversa!

Ele virou de volta pra mesa dele e pronunciou algumas palavras pra ele mesmo. Riu sozinho. Parecia se divertir. Nem lembro onde eu parei...

E depois a louca sou eu!

5.7.07

Dormir pra quê?

Eu vivo reclamando dos buracos nas ruas do meu bairro (eu vivo reclamando de quase tudo, na verdade). O asfalto era um lixo completo. Além das crateras em algumas ruas - que ficam maiores em época de chuva - tem aqueles remendos que a prefeitura faz, que viram lombadas no meio do quarteirão. Só na minha rua tem duas dessas. A emenda fica pior que o soneto como diz, com sabedoria absoluta, o ditado. Já tive que gastar vários reais na troca das bandejas do meu um-ponto-zero porque passei com a delicadeza que me é peculiar por um buracão nascido e criado na Pompéia.

Eis que começaram a recapear as ruas daqui. Semana passada, cheguei em casa na madrugada de sexta para sábado e tinha um trambolho no meio da rua raspando o asfalto velho. Eram 3 horas da manhã e eu tinha que levantar as 8.

Neste exato momento existem 3 caminhões gigantescos em frente ao meu prédio. Os três juntos produzem ruídos equivalentes a uns 6 mil e 412 decibéis. Sabe lá que raio de equipamento os homens que asfaltam ruas usam que faz o meu quarto tremer. Isso: tremer! Meu dormitório sacode mais ou menos no nível 3 da escala Richter. E olha que ele fica no sexto andar. Só para lembrar: hoje é quarta-feira! Obrigada, Kassab.

3.7.07

Pequena Tirana

Às vezes eu tenho ímpetos de autoritarismo sobre a minha vida. Sim, porque em 90% do tempo, quem manda em mim é ela. Eu vou só seguindo as ordens que ela me dá: “hora de acordar”. Levanto. “Hora de trabalhar”. Lá vou eu pro Morumbi. “Hora de encontrar as pessoas”. “Hora de tomar cerveja”. E assim, vai... Eu aprendi a ser mais esperta do que ela e de vez em quando faço a vida de tonta, dou uns perdidos, durmo mais um pouco e levanto da cama a hora que EU quero, pago conta atrasada, esqueço de ligar em aniversário de amigo e quase falto em casamento de amiga de infância. Aí ela se rebela e me dá bronca. Me pega pelo colarinho e grita na minha cara: o que você tá pensando de mim? Tá achando que eu sou fácil? Num sou, não.

Boa parte das vezes que ela me desafia assim, eu me finjo de surda e começo a tentar me comunicar com ela na linguagem dos sinais. Funciona. Mas quando a bronca desperta meus instintos mais primitivos (todos os direitos reservados à Roberto Jefferson), eu me transformo nas mais malvadas das déspotas e faço coisas horríveis. Pra colocar as coisas nos seus devidos lugares e mostrar quem manda nessa porra de vida. E foi assim que no meu último momento pequena tirana marquei consulta no oftalmologista, depois de 3 anos, e decidi, finalmente, me matricular num maldito curso de inglês.

Podem aplaudir, assobiar, e não se esqueçam de jogar as minhas sardinhas!

30.6.07

Novo Vício

Maldita hora que um colega da firma encontrou o joguinho e me mostrou. Minha vida nunca mais foi a mesma. Bastam 5 minutos livres para eu voltar lá e tentar me superar. É muito divertido. Você ouve um trecho de uma música e tem que adivinhar o nome do filme em que ela toca. São 64 canções.

Da primeira vez, acertei 47. Hoje, depois de um bom tempo do sábado de folga em frente ao micro e com a ajuda do Google, acertei mais 3, ou 80% do total. E ainda faltam algumas que me são muito familiares, parecem tão óbvias e eu não adivinho o filme de jeito nenhum.

Divirta-se!

28.6.07

Ira

O jornal grita na minha cara: Cinco jovens de classe média do Rio espancam uma empregada doméstica na rua

O fato já é um absurdo sem tamanho. Mas sempre pode piorar. Primeiro, um dos moleques tenta amenizar a cagada, dizendo que achou que a mulher fosse uma prostituta. Como se toda prostituta tivesse nascido para apanhar de cinco playboys. Como se fosse óbvio que toda prostituta merece umas porradas.
Mas piorou ainda mais. Eis que um homem que se diz microempresário, chamado Ludovico Ramalho Bruno, pai de um dos marginaizinhos, dá entrevista e diz o seguinte, a respeito do filho dele e do resto do bando: “Prender, botar preso, juntar eles com outros bandidos... Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses? Existem crimes piores."

A declaração descabida explica a atitude do filho dele. O problema dessa gente é que eles realmente acreditam que quem tem dinheiro não precisa ter valores, nem respeito pelo outro, nem porra nenhuma. Pode fazer o que bem quiser. Está acima das regras e da lei, pelo simples fato de ter dinheiro. E os filhos se tornam escrotos como os pais. A declaração desse infeliz me faz lembrar do estorvo máximo da política deste país. Alguém que há tempos fez uma afirmação desastrada e se tornou célebre: Estupra, mas não mata.

Nem toda a palhaçada do mundo no Conselho de Ética do Senado com Renan Calheiros às voltas com pensão pra mãe de filho fora do casamento, bois e notas frias, nem João Hélio arrastado preso ao carro, nem nenhum fato mais revoltante de que se tem notícia me transtornou mais, me despertou mais ira do que a entrevista deste homem.

Hoje, ouvi a entrevista que Sirley Carvalho deu lá na firma. Ela conta, chorando, que o filho pequeno foi falar com ela, logo que ela chegou em casa. Quando Sirley contou a ele o que tinha acontecido, o menino disse que ia bater nos meninos que a agrediram. A mulher diz que tranqüilizou o filho, dizendo que não fizesse aquilo, que não podia bater nas pessoas, porque o que os marginaizinhos fizeram era errado e ele não deveria fazer o mesmo.

A comparação dos dois discursos, tão diametralmente opostos, tão distintos, é suficiente para concluir o óbvio: classe social não determina, nunca determinou e nunca vai determinar valores, educação e nem caráter de ninguém. É isso que falta a muita, muita gente entender e praticar, sobretudo à maioria dos abastados nojentos deste país. Que acreditam que porque têm dinheiro são melhores do que os que não pertencem a sua classe.

Eu espero, com toda a minha força, que estes cinco animais fiquem bastante tempo encarcerados, amontoados com milhares de detentos numa cela. Lá talvez eles aprendam a ter respeito pelas pessoas. Na marra. Do pior jeito possível.

Mais sobre o caso, eu encontrei aqui. É perfeito!

25.6.07

Receita

Se você, como eu e o Garfield, detesta as segundas-feiras, atenção para estas dicas. Seguindo todos os passos com rigor você terá a sensação de que está vivendo um outro dia qualquer, com paz de espírito, tranqüilidade e leveza.

- Acorde duas horas mais cedo do que costuma fazer. A princípio pode parecer penoso, idéia de jerico. Mas seu dia vai render mais e, acredite, vai passar mais rapidamente.

- Dirija-se ao local de trabalho duas horas mais cedo que o habitual. Você não vai precisar rodar 20 minutos para achar uma vaga para estacionar seu carro num lugar não tão escuro e relativamente perto da firma.

- Não esqueça sua funcional, para não ter que perder 10 minutos na recepção da firma, anotando matrícula, nome completo, dia, hora, idade e tipo de sangue na “relação dos alienados que esqueceram a funcional na hora de trocar de bolsa”.

- Antecipe-se ao porvir, como um louco manso legítimo. Quando seu chefe fizer menção de lhe perguntar sobre aquela matéria, da qual você não faz nem idéia, diga que está encaminhada e que fica pronta até o fim do dia. E se vira.

- Fabrique boletins e notas para preencher um jornal de 20 minutos. Se for em TV, fabrique VTs. Se for em jornal ou revista, fabrique matérias para encher 8 páginas. Se for em site, renove a home a cada 40 minutos com notícias inéditas. Vale nota sobre a lista de músicas mais irritantes do mundo, filmagens de Kill Bill 3 e 4 na China, homens processados na Escócia por uso de Kilt. Sacou? O critério é esse: não tem.

- Saia do trabalho duas horas mais cedo que o habitual. A sensação de que todo mundo do seu turno continua trabalhando, enquanto você pega a bolsa pra ir embora é inenarrável. Dê boa noite a todos, acompanhado de um sorriso sarcástico. Isso potencializa a sensação inenarrável.

- Siga até o automóvel estacionado num lugar não tão escuro e relativamente perto da firma, cantarolando a última música do show a que você assistiu no dia anterior. Ligue o automóvel. Ande com ele por 500 metros. Pare na fila imensa de carros que se forma no primeiro semáforo dos 20 quilômetros que você tem que percorrer até chegar ao conforto do seu lar. São 6 e meia da tarde e a CET registra 114 quilômetros de congestionamento na cidade. Neste momento, é importante não deixar de cantarolar.

- Arrisque-se por caminhos alternativos para fugir do engarrafamento e veja-se perdida na Vila Madalena, bairro que você freqüenta há pelo menos 15 anos. Continue cantarolando – desta vez, acompanhando o CD.

- Quando, depois de 45 minutos, você chegar em casa, finja que não entende porque aquelas pessoas estão com aquelas caras. Mãe = de cansada. Irmã = de triste. Vó = de piadista (sempre). Irmão = de surpresa, porque você chegou duas horas mais cedo em casa. Faça uma outra leitura daquelas expressões, dê boa noite, sorria e siga para o conforto do seu dormitório.

- Coloque Morcheeba para ouvir, acenda um insenso de flores, feche a porta, abra a janela e as portas dos armários. Desça do salto, jogue a bolsa pesada na cadeira, o corpo na cama e pense no fim de semana bom que você teve. 15 minutos são suficientes.

É tiro e queda!

20.6.07

Macacos me mordam!

Tal qual uma adolescente de 18 anos, eu brado a quem quiser ouvir:

É MUITA FELICIDADE!!!

À audiência qualificada deste humilde blog, eu explico: é quase tão bom quanto um show do Revelação ou do Sensação ou de algum outro "ão" de que eu tenha me esquecido o nome.

Falto no plantão, peço demissão, mas não deixo de ir, não!

Tô muito poeta, hoje!

18.6.07

Pressa

Domingo. Entro no fast food. Já passa da meia noite. Filas enormes. Mas não era pra ser “fast”? Todos parecem impacientes. A fila diminui no ritmo inversamente proporcional a velocidade do movimento das pessoas.

O motorista do ônibus acelera o veículo para atravessar o cruzamento, ainda com o semáforo amarelo. Na outra direção, um carro popular se antecipa ao semáforo e acelera antes que fique verde. Ônibus e carro berram suas buzinas estridentes. Os motoristas têm pressa.

O menino desce a rua pela calçada, correndo. Volta da escola, com a mochila nas costas. Ele tem pressa.

A mulher entra em casa esbaforida, pisando duro em passos rápidos. Já se foi metade do dia, tantas tarefas já foram realizadas e a lista das pendências ainda é grande. Pressa.

Os ponteiros dos segundos do meu relógio correm. Mais rapidamente do que qualquer outro. Da ponta da cama, observo a urgência de todos. Eu tenho pressa. Me esforço. Mas não acompanho a velocidade do mundo.

13.6.07

As Polainas e o Rock

Mais uma da série “como as pessoas vêm parar aqui”.

Segundo o querido Google Analytics, as polainas continuam bombando. O que tem de gente que chega aqui querendo “fotos de polainas”, “como usar polainas”, “polainas de tricô”, não é brincadeira...

Ainda na editoria “moda”, houve quem pensasse que aqui encontraria “foto de botas com saia” ou “foto de modelo usando bota de cano baixo”. Não encontraria nunca, uma vez que eu tenho apenas 1,60m e as botas de cano baixo não ficam bem em modelos baixinhas (hahaha).

A editoria musical também é um sucesso:

*muitas fotos do keane – perdão, esqueci a câmera em casa no dia do show.
*Julian Casablancas foto – vai ver a exposição “Rockers” que tem mais de uma.
* foto Alex Turner namorada – deve ser alguma adolescente ciumentinha, curiosa pra saber que cara tem a namorada do menino.
* signo do Pete Doherty – certeza que o próximo acesso desta é um site de astrologia pra ver se eles combinam... Ele é de Gêmeos, e fez aniversário dia 5 de junho. De nada!

A conclusão disso tudo é muito óbvia: eu poderia lançar uma marca de polainas superfashion e vender com uma foto de um rock star como brinde. Primeiro, venderia apenas pela internet. Mas o sucesso seria tão estrondoso que em poucos meses já teria que atender uma enorme demanda nacional. Faria polainas de tecido tecnológico, daqueles que não retém suor, para abastecer o Norte e o Nordeste do Brasil. Então, eu inovaria e as polainas passariam a ESTAMPAR as fotos dos rock stars. Modelos desfilariam a novidade nas passarelas da São Paulo Fashion Week, ao som de Bloc Party e Kaiser Chiefs. A personagem malvada de Alessandra Negrini na novela das 8 exibiria suas canelas cobertas por um pedaço de pano com a cara de Alex Kapranos ou da Beth Ditto, vocalista de 230kg do Gossip, enquanto a personagem boazinha preferiria o rostinho do Gary Lightbody, do Snow Patrol (que é uma banda mais fofa). Eu enriqueceria em poucos anos, me instalaria na Inglaterra para lançar a coleção na Europa, talvez na semana de moda de Milão.

Tchau, vou fazer as malas!

12.6.07

Rapidinha

Feliz Dia dos Namorados!!!

11.6.07

Todo Carnaval Tem seu Fim

(não, isso não é um texto sobre o show de despedida dos Los Hermanos...)


Depois de 34 dias longe da labuta e desobrigada de saber o que acontece no mundo, hoje começa tudo de novo.

Diz o ditado que o trabalho enobrece o homem. Eu sou mulher, mas vou ali ficar um pouco mais nobre. Só volto quando me desamarrarem do pé da mesa.

5.6.07

It's Only Rock'n'Roll But I Like It

Fui ver a exposição Rockers, com mais de 270 registros do fotógrafo Bob Gruen. Ele é um dos mais conceituados e respeitados profissionais do rock. Trabalhou com Led Zeppelin, The Who, David Bowie, Tina Turner, Elton John, Aerosmith, Kiss, Alice Cooper e ainda ficou amigo de John Lennon. Além de tudo isso, nos anos 70 Gruen acompanhou turnês do que seriam algumas das grandes bandas do punk: New York Dolls, Sex Pistols, Clash, Ramones, Patti Smith e Blondie. A curadoria da exposição é do ótimo Supla (sim, acho ele ótimo!).



Espalhadas pelo salão da FAAP estão fotos clássicas, como a dos Ramones na frente do CBGB e a de Sid Vicious se lambuzando com um cachorro quente, fotos de shows, bastidores e quatro imagens gigantes de 6 metros.



Depois de uma geralzona - incluindo uma belíssima foto do Kiss, com máscaras, em Kyoto -, há as subdivisões. A primeira é dedicada ao punk, com imagens das grandes bandas representativas do gênero e um breve texto sobre elas (Ramones tocavam 12 músicas em 16 minutos!!!).

Em seguida, há a subdivisão “John Lennon”, com a lendária foto dele fazendo o sinal da paz com os dedos e a Estátua da Liberdade ao fundo. Mais textinhos explicativos e várias imagens de bastidores. Dois destaques: John no estúdio com o filho, Sean. E John no estúdio, trabalhando, enquanto Yoko faz crochê, deitada num sofá, do outro lado da mesa de som.

A última parte da exposição é dedicada a fotos mais recentes de Bob Gruen. É onde aparecem, por exemplo, Julian Casablancas, do Strokes, Billy Joe, do Green Day, e até a Kate Moss - modelo, junkie e namorada de Pete Doherty, líder do Babyshambles. Além dos caras dos Sex Pistols, do New York Dolls e do Clash já tiozinhos. Tem também a Courtney Love, mas não tem nada do Kurt Cobain.

Aliás, vendo as fotos, você pode achar que Debbie Harry, do Blondie, usa apenas uma blusa branca – suja - e uma calça rosa por toda a vida. E pode, quem sabe, não reconhecer a cara de Iggy Pop nos anos 70.
Tem também um espaço que simula um quarto, com vários pôsteres e recortes de jornais e revistas colados nas paredes. Nada demais.

Três vídeos são exibidos simultaneamente em telões. Não vi nenhum dos três por inteiro, mas em um deles, Bob falava sobre as fotos. O segundo telão exibia um vídeo sobre o New York Dolls e o terceiro um do Blondie.


A Cosac Naif editou o livro homônimo com as fotos de Bob Gruen. Custa cerca de 70 pilas. A exposição é gratuita. Pra quem gosta de rock'n'roll ou de música em geral é um prato cheio. Quem não se importa muito com música mas gosta de um belo trabalho de fotografia também vai se divertir. Recomendo.

4.6.07

Perdidos na Net

Numa bela quinta ou sexta feira de ócio, em função das férias, em conversa no MSN Debrinha me falava sobre o Google Analytics e eu decidi usá-lo também neste humilde blog para monitorar as visitas que ele recebe.

Eu não entendo absolutamente nada de ferramentas para internet e quetais. Nada! Ela também não é PhD no assunto, o que nos fez perder quase a tarde toda brigando com o site para entender como aquilo funcionava, como instalava, que horas começava a contar. E íamos trocando informações a cada nova conquista página que a gente conseguia avançar. Mas, enfim, vencemos as barreiras de dificuldade impostas pelo gigante da internet à nossa ignorância digital.

O mapeamento das visitas é completinho. O site dá detalhes de quanto tempo passam na sua página, de que cidade vem o leitor do blog e faz até projeção de percentual de rejeição do site. Mas nada me diverte mais do que o tópico “palavras-chave”. As expressões através das quais os perdidos virtuais vêm parar aqui. Eis uma rápida seleção de algumas pérolas:

*como usar polainas / moda polainas / polainas, onde achar / polainas, como usar
– Se eu soubesse que este treco horroroso fazia tanto sucesso eu tinha caprichado mais no texto! Pode ser um estímulo para ir em busca das agulhas de tricô da minha mãe e ganhar algum dinheiro.

*talvez minha obsessão por cada
– Alô? Morreu? Pode completar a frase?

*como chama aquele acessório que põe no violão que faz outro som?
– Hein?

*primeiro encontro dei homens são de marte lá vou
– Este tem problemas seríssimos de articulação. Ou de alfabetização.

*fluorescent adolescent melhor que você
– Minha música favorita do álbum novo do Arctic Monkeys, sem pestanejar. E ela até pode ser melhor que eu, sim, dependendo do ponto de vista.

*roupas do alex turner
– Meu conhecimento musical só me permite identificá-lo como vocalista do Monkeys. Já as roupas que o menino usa, eu vou ficar te devendo...

*relacionamentos fracassados
– Xi, tem um monte por aí. Praticamente um em cada esquina. Aqui mesmo neste site, se observar com atenção... Tá, parei.

24.5.07

Idade Geriátrica

Diálogos:

- (...) porque, para a geração deles, separação era uma espécie de escândalo, uma coisa complicada. Se bem que a nossa geração, se é que a gente pertence à mesma...

***

- Em 2000 tava formada na faculdade.
- Hum...
- Que foi?
- Nada. Tô tentando lembrar...
- O quê?
- Eu tava no primeiro colegial!


***

- Eu tô sofrendo!
- Por quê?
- Tô vendo as fotos da Denise, de Londres. Eu quero ir pra lá hoje! Ai, ser pobre é uma merda...
- Calma. Depois que você comprar seu apartamento, você guarda $ e vai.
- Mas aí eu já vou ser meio véia.
- Tata, você já é meio véia!



Por deus!

20.5.07

Confissão

Eu roubo no Sudoku!