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5.11.09

Hello, Stranger!

Subiu um degrau? Deu um passo? Conquistou uma medalha? Evoluiu? Foi elevada? Prosperou? Cresceu? Resignou-se? Amadureceu? Convenceu-se? Ou o quê?

Preferiu ignorar? Tá dopada? Anestesiada? Superou? Como indiferente? Não, indiferente, não. Limpou a casa? Tá confortável assim? Foi a virada de Saturno?

- Tá bem?
- Tô estranha, não me reconheço.
- Acho que você tá ótima.
- Por isso tô estranha.


Acredita no que você sente. Não duvida!


***

Nunca gostei tanto de trabalhar tanto. Poucas vezes senti satisfação tão grande. Conversar com gente inteligente para falar sobre o que é. O que está. O que eu sei. E só.

Não pensa! Não pensa e segue com o que você vê na frente, com a mesma alegria de agora.

Amo as cicatrizes, não as feridas – Pedro Juan Gutiérrez

E se... Mas se... Armadilha! Uma coisa nem sempre leva a outra, como a sua mente doente te faz acreditar. Mas só acredita se você vacilar. E cair na velha armadilha. Ignora.

Descobri: sou implicante. E teimosa com a implicância, que nunca é à toa. Mas é mais feliz quem desconhece o que não é essencial. Não há tempo a perder.

Parece incrível. Deve ser resultado da virada de Saturno. Sorria!


*

29.10.09

C'est la vie

Numa entrevista, perguntei a atriz Silvia Lourenço a quê o amor não resiste. E desde então a resposta martela a minha cabeça, vai e volta na minha memória freqüentemente: "o amor não resiste ao descompasso", ela me disse.

É estranho, mas eu já sabia qual seria o fim. Como seria o fim. E o motivo pelo qual ele chegaria.

É doloroso demais desfazer os laços. Desfazer-se das lembranças, momentaneamente e para o próprio bem. Apagar da memória aquela época de que eu sempre tive muita saudade. Um tempo turbulento, mas de pureza. Bonito, verdadeiro. De descobertas, revelações e expectativas. De curiosidade. De sorriso no rosto. De felicidade. Um tempo que deveria ser eterno.

É doloroso demais lembrar das palavras duras de quem quer voar, como se estivesse em uma prisão repressora de sonhos. Quando foi que isso virou o que virou? Não era pra ser assim. Era pra sonharmos juntos. Pra voarmos juntos.

É de doer a alma. Essa dor eu já senti uma vez, não me lembrava como era. É a dor mais desgraçada que alguém pode sentir. É de uma intensidade tão brutal que te faz espremer os olhos, apertar os braços cruzados pelo ventre, se encolher em posição fetal, sem ter força nem para chorar. É a dor do perdedor, do impotente. Como se arrancassem uma parte vital de você, compulsoriamente.

A boa notícia é que a dor passa. Mas às vezes demora. E quando ela arrefece, é preciso entender que parte é essa que levaram de você. Se ela é mesmo vital, o que ela representa.

E cá estou. Num momento turbulento lá fora e estranhamente calmo aqui dentro. Não há uma clareza completa de tudo, mas tem uma serenidade imensa, que me conforta, me faz sorrir, seguir, mas também me assusta.

Já não sei mais se eu sou uma sonhadora romântica. Ou se o romantismo é só o medo do abandono. É só um disfarce para o trauma - é inacreditável que esse trauma ainda me atormente. Talvez ele é que me faça agir sistematicamente, em busca da garantia do não abandono. E é justamente a forma sistemática de agir que repele em vez de atrair. O movimento se repete. E isso, sim, me apavora.

No mais, é o descompasso. Os caminhos que deixaram de ser paralelos. É possível seguir mesmo assim? É. Conheço seres humanos que por muito amor e com muito mais paciência e compreensão continuam caminhando. Às vezes por estradas diferentes, mais longas, afastadas... mas para o mesmo destino. O descompasso pode inviabilizar uma relação entre duas pessoas que se amam? Não deveria. Desde que elas realmente se amem. E queiram a mesma coisa: chegar ao mesmo lugar.

Me lembro agora de um diálogo de um filme com Robin Wrigh Penn: "casamento só dura com muita força de vontade, porque o amor vai e vem, ao sabor da brisa".

E ela - a brisa - pode agir quando você menos espera: durante um jantar romântico, na fila do cinema ou numa esquina movimentada dos Jardins.

C'est la vie...

*

17.3.09

Epifania

Perdemos alguma coisa no caminho. Talvez a sutileza. Talvez a quase dúvida. Ou o gostinho de pequenas descobertas.

Um se mostra, o outro embrutece. Os pêndulos que estavam em lados opostos trocaram de lado. Continuam opostos.

A magia da descoberta, toda a pureza, o saborear do desconhecido. Falta. Haverá encontro no meio do caminho? Onde é o meio do caminho?

Ainda existe estrada? Ainda é preciso empreender esforços? E o sabor? Quase irreconhecível. Não existe mais o estado elevado da alma. Que lembrança doce!

Pensar demais sufoca o sentimento. Sentir demais confunde o pensamento.


*

11.2.09

Cicatrizes

É como se não tivesse aprendido nada. É como se as dores não tivessem servido pra nada, só pra doer. Como se as cicatrizes que estavam bem ali no seu rosto fossem invisíveis.

Era só se olhar no espelho para se lembrar delas. Uma por uma. Do motivo por que estavam ali. Como nasceram, arderam, secaram e, finalmente, se eternizaram bem ali. Na cara.

Quando se acha que elas não serviram pra nada, é hora de se olhar no espelho. Se recolher. E promover um grande resgate.

Sábio é Pedro Juan Gutiérrez, que ama as cicatrizes, não as feridas.

*

15.1.09

Medo da Felicidade

Escolho o Gotan Project para celebrar a felicidade.

- Entre, sente-se e fique à vontade.

Do canto da sala, de soslaio, a observo sentada na poltrona. Me olha firme, como quem gosta de mim. Levanta, aproxima-se. Desconfio. Imagino que ela vai sacar um revólver daqui a pouco, mirar o meio da minha testa e atirar sem piedade. Dá mais um passo. Hesito. Permaneço imóvel. Me oferece um drink. Talvez esteja envenenado. Aceito, ainda assim. Saboreio. Sorrio um sorriso fino. Ela chega ainda mais perto. Estende os braços. Estremeço. Arregalo os olhos castanhos. Temo que naquela mão imediatamente apareça um punhal bem pontiagudo, que logo em seguida será fincado nas minhas costas. Mais um passo. Um abraço. Tesa, não me movo. Até perceber todo o calor daqueles braços que envolvem levemente meu corpo magro. Desconfio. Até perceber a pureza confortável daquele gesto. Relaxo. Largo o revólver. O veneno. O punhal. É só a felicidade tentando me encontrar.

*

16.12.08

Trinta e uuumm? Mas nem parece...

Há exato um ano eu estava monotemática sobre meus 30 anos que se avizinhavam. Lia tudo o que já tinham escrito sobre a epopéia de se tornar balzaquiana - incluindo Lindas e Felizes Depois dos 30, pra aplacar a depressão. O tal do retorno de Saturno que, segundo dizem, te transforma por completo. A partir dos 30 você passa a ser regida pelo seu ascendente e não mais pelo seu signo. Você aprende a escolher melhor. Fica mais seletiva. Eu não sei se tudo isso aconteceu comigo, se eu me transformei em uma mulher madura pontualmente às 12 horas e 25 minutos do dia 6 de janeiro de 2008, tal qual a She-ra virava She-ra apontando a espada pro céu - tenho certeza suspeito que não. Não sei se hoje sou mais ariana do que capricorniana. Mas completar 30 anos me fez pensar e reavaliar tantas coisas sobre a própria vida e me fez descobrir metade delas - o que, convenhamos, é uma boa média para um ser humano confuso e cheio de dúvidas. Eu estava mais velha e, sim, escolhendo melhor, desfrutando do glamour que circunda o fato de se tornar uma discípula de Balzac.

Agora, um ano depois, mergulhada no inferno astral mais uma vez, caminhando a passos largos rumo aos 31, a única coisa que consigo pensar é que o creme anti-rugas para a área dos olhos está acabando, preciso renovar a tintura para cobrir os fios de cabelos brancos que se multiplicam na velocidade da luz, acumulo 12 anos de carreira e parcas 4 cervejas são sinônimo de ressaca no dia seguinte. Eu realmente estou ficando velha. Nem festinha tenho disposição pra fazer. E o glamour foi pra casa do caráleo chapéu!

*

4.12.08

Repaixão

Existe?

É possível se reapaixonar?

É possível fazer alguém se reapaixonar por você?

Responda se for capaz.

*

12.11.08

Non Sense

Quando finalmente você se desprende de todos os cuidados, desliga o alerta, acredita que não seja preciso ligá-lo nunca mais e apenas é...

Ser também tem sua faceta feia e desagradável. Confusa. Chata. Sensível. Temerosa. Desconfiada. Sem sentido. Contraditória. Incômoda. E geralmente só precisa de um pouco de equilíbrio e encontrar conforto e compreensão para ficar calma.

Quem tem? Quem dá ad eternum? Jó?
Então, pra quê ser?

Parece um pesadelo como algumas dinâmicas se repetem.
A repetição me convence de que não existem acordos possíveis de serem cumpridos, quando se trata de ser... Apalavrar sem clareza não é ser. Mas por que então não aceitar, simplesmente? O que está dado, está dado. Não?

Não. E talvez as velhas dinâmicas renasçam da inconformidade.

Será que um dia se aprende?
Ou ser - e só ser - sem imposição nem reação já resolve?
Ou será que novembro é o verdadeiro mês do cachorro louco?

Eu nem sei mais o que eu tô dizendo...

30.9.08

Vida

É engraçado ver fotos atuais daquelas menininhas com quem eu estudei quando era criança. Umas mulheres lindas, outras nem tanto. Muitas estão casadas, algumas abriram mão da carreira, estão gordas e cuidam da ninhada. Algumas continuam trabalhando, se tornaram profissionais bem sucedidas e com conta corrente recheada no banco. Estão esbeltas, casaram e são mães. Me dá a impressão de que tudo o que aquela mulherada mais queria na vida, na verdade, era casar. Constituir família, independentemente de se tornarem profissionais bem sucedidas ou donas de casa, gordas ou esbeltas, conta corrente recheada ou mergulhada no cheque especial.

Tem também aquelas que foram morar em outro país, ou passaram um tempo fora e voltaram a viver aqui no Brasil. Uma ou outra ostenta o barrigão de gestante de 8 meses. Na Austrália, em Miami, em Londres ou por aqui, mesmo. É curioso bisbilhotar o rumo que cada uma tomou.

E me lembro daquela amiga há 30 anos, tão querida, que cresceu comigo. Não consegue casar porque tá trabalhando loucamente e não pára de mudar de cidade, ao bel prazer da empresa. E porque parece que agora ela cansou e mudou de emprego e resolveu priorizar outros aspectos da vida.

Eu nem sei porque raios me lembrei de tudo isso agora e juntei uma coisa com outra. Vai ver que é porque também tenho trabalhado loucamente. E troquei de carro. E ache que as coisas deveriam ser um tiquinho mais simples. E...

14.9.08

Unidunitê

Não sei onde nem com quem aprendi isso, mas sempre, em tudo o que vivo, esgoto todo meu sentimento. É assim com emprego, família, amigos e amores.

Esse jeito me causou inúmeros desconfortos durante a minha existência. Muitas vezes fui apontada na rua com o dedo indicador em riste, bem em direção ao meu nariz: você não tem vergonha na cara, não tem amor próprio. Trouxa!

Trouxa porque ganhava muito menos do que merecia e mesmo assim me contentava com um cala a boca agradinho aqui e outro ali, que ilusoriamente faziam com que me sentisse importante.

Trouxa porque quase sempre fui a que gostava e não era gostada. Do craque do time de vôlei. Do garoto que passava de moto na minha rua. Do camarada que dançava mais bonito na domingueira. Do rapazinho que tocava na banda X, do que tocava na banda Y e no que tocava na banda Z (haja banda, pelamor!!!). Do que tinha outra namorada/noiva/mulher e do que voltou a namorar a namorada anterior.

Trouxa porque sempre insisti nas amizades que me são importantes, por mais longe que elas fossem passear.

Trouxa porque nunca deixei de viver o que sentia até o fim. Só viro a página de uma vez quando não me resta mais sentimento bom. Ou quando alguma coisa aqui dentro – e não aí fora – me faz sentir que “bem, agora esgotou”.

Eu, que sou a rainha da auto-ridicularização, auto-piedade, auto-crítica, auto-a-puta-que-o-pariu-de-mais-cruel, tenho sido o papa do auto-orgulho ultimamente por ser assim. Não consigo conceber a auto-sabotagem de um ser humano que toma decisões determinantes na vida, que mudam totalmente seu próprio rumo sem estar certo do que sente de verdade. Toda escolha deste tipo tem conseqüências sérias: outra carreira, outro estilo de vida, outra mulher, outro marido, outro TUDO. E como é possível VIVER outro tudo sem SENTIR isso tudo? E aí - e só aí - quando alguma coisa não sai como o planejado, é que o sujeito se dá conta de que lá atrás deixou de ser honesto consigo, deixou de ser fiel aos próprios sentimentos.

Mas a auto-sabotagem tem um preço altíssimo. Talvez o mais caro seja o amargo e dolorido arrependimento do rumo que NÃO se deu na vida quando ela já está determinantemente posta de uma forma absolutamente diferente, anos e anos mais tarde.

Continuarei, se for o caso, sendo apontada na rua por dedos indicadores nefastos: trouxa! Não me importo. Sigo na empreitada de viver tudo até o fim. Até que meus sentimentos (de)terminem. Essa é a minha escolha.

*

8.9.08

Nhé Nhé Nhé

Odeio ter sentimentos que eu não conheço. Ou de que não me lembrava mais. Porque não sei o que fazer com eles. Confusão mental nível 90. É impossível conseguir agir de forma sensata quando eles surgem. Porque a sensatez desaparece. Eu me reviro em mil pra encontrar a melhor forma de agir. E não acho. E quase sempre magôo alguém. E quando me esforço para poupar todos os outros, no fim, quem chora sou eu. Impotência!

A confusão de sentimentos tem indícios de dependência. Não no sentido pejorativo da palavra, mas uma dependência boa. Talvez interdependência, sei lá. Algo que tem a ver com ciúme, com toda a alegria da vida, com rejeição. Que tem a ver com a possibilidade que passa pela minha mente doentia de perder alguém que eu amo. Mas eu não tenho clareza suficiente pra fazer essas relações. Eu não conheço o nome disso!

Por um momento eu chego a querer desamar. Só pra não sentir essa confusão que vem no pacote. Só pra não correr o risco de sentir aquela dor na alma quando o amor vai embora.

Ai, vou ali no divã curar meus traumas e volto já.

*

26.8.08

O Amor e o Cinema

Depois do lançamento e da entrevista coletiva de Ensaio Sobre a Cegueira:


- Quem é mais bonita: Julianne Moore ou Alice Braga?

- A Julianne é mais velha, né. É toooda sardenta, o rosto todo, uns zóião claro, ruiva, um narizico... Eu acho ela linda! A Alice Braga é bem bonita também, mas é mais moleca, saca? Enfim, a Julianne é véia que nem eu e a Alice é moleca que nem eu. Tendeu? (hahaha)

- Ou seja, eu tenho a Alice Braga e a Juliane Moore em uma namorada só!

- Basicamente isso! Aaah, se eu tivesse continuado a minha investida teatral... Aí, você ia ver!!!

- Aí você não ia estar namorando comigo...

- Como não?

- Você ia namorar o Gael!!!

*

14.7.08

Ontem, Hoje... Amanhã?

Eu não sou mais o que fui.
Eu sou porque fui?
Ou mesmo que não tivesse sido eu seria o que sou?
A quem importa o que eu fui?
A quem importa o que eu sou?

Eu não sinto mais o que sentia.
Eu sinto porque não sentia?
Ou mesmo que tivesse sentido eu sentiria o que sinto?
A quem importa o que eu senti?
A quem importa o que eu sinto?

Eu sou mais o que não fui.
Eu sinto mais o que não sentia.


*

18.6.08

Videogame do (des)Amor

Na comédia romântica Terapia do Amor, Uma Thurman faz o papel de uma mulher de uns 35 anos que conhece e começa a namorar um rapazote de 20 e poucos. O argumento do filme tem outros elementos interessantes como o fato de a terapeuta da Uma ser a mãe do moço. Mas lá pelas tantas, super apaixonada pelo menino, a Uma conta pra uma amiga que ele quer um Playstation e que ela tá pensando em comprar de presente. No que a amiga prontamente responde:

- Você gosta da sua vida sexual? Então, NÃO faça isso!

Mas ela faz. E tudo vira mais ou menos um caos.

Eu tenho lembrado dessa cena constantemente, muitas vezes nos últimos 15 dias. Mais precisamente toda vez que ouço a frase:

- Tata, eu vou comprar um Playstation.


*

26.3.08

Assim, Assado...

Dá pra medir o quanto a gente gosta de alguém, pelo tanto de falta que faz essa pessoa quando ela está longe?

Gente, que coisa doída!

*

10.2.08

Saudade

por Pedro Juan Gutiérrez, em Trilogia Suja de Havana


“Eu era então um sujeito perseguido pela saudade. Sempre fora, e não sabia como me desligar da saudade e viver tranqüilamente.
Ainda não aprendi. E desconfio que não aprenderei nunca. Pelo menos já sei algo valioso: é impossível me desligar da memória. É impossível se desligar daquilo que se amou.
Tudo isso estará sempre junto conosco. Sempre teremos tanto o desejo de refazer o bom da vida como o de esquecer e destruir a lembrança do mau. Apagar as maldades que cometemos, desfazer a recordação das pessoas que nos prejudicaram, remover as tristezas e as épocas de infelicidade.
É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas que será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar em solidão a nossa vida, encontrar alguém, nos entregar um pouco, evitar a rotina, desfrutar de nossa fatia na festa.”

*

8.2.08

Incompetência

Eu queria falar sobre o show da Ana Cañas que eu vi na semana passada. Sobre Em Paris, Desejo e Reparação (que música irritante!)e Mallu Magalhães. Queria dizer que não ouço nada de mais no Klaxons. Que o Vanguart é legal, mas não me faz pirar. Sobre Flores Partidas, do Jim Jarmusch, que revejo agora na TV e me faz refletir (de novo) sobre a solidão e a incapacidade emocional das pessoas. Adoro o Bill Murray. Poderia falar até do livro do Zuenir Ventura que me serve de base para uma série legal que eu tô montando.

Não dá. Não consigo.

Eu queria dizer que às vezes tenho uma saudade que até dói, mas não sei se é amor ou ego. E que quando isso acontece torço com força pra bolinha vermelha ficar verde. Ela nunca fica e, mesmo se ficasse, eu não saberia o que fazer com aquilo.

Poderia versar sobre a falta que eu sinto nem sei do quê. Poderia me prolongar sobre esse buraco e escrever sobre as pessoas que consideram bonito, nobre e verdadeiro abrir a guarda e escancarar suas fraquezas pra quem quiser notá-las. E que talvez ficassem orgulhosas de ler sobre isso.

Não consigo.

Talvez confessar que toda maldita vez que relembro das pessoas que acham bonito escancarar as fraquezas, choro copiosamente, sem entender nada.
Dizer que a frustração é um dos piores sentimentos do mundo.
Que minha serenidade continua oscilando e isso me enlouquece.
Que essa conversa de “carcaça” e “auto-boicote” já me encheu o saco.
E que eu desejo mais que tudo que um dia eu seja capaz de voltar a pensar com o coração, por mais brega que isso possa soar. E que eu deixe de me sentir ridícula e vulnerável por soar brega.

Que merda!

14.1.08

Já Vou Indo

Eu sempre digo que existem coisas na gente que absolutamente não mudam. Por mais que você odeie. Por mais que se empenhe para mudar. Tenha você 8, 30 ou 75 anos.

Nesse fim de semana – em mais uma reunião de familiares espalhados pelo mundo - descobri um caderno de Língua Portuguesa de quando esta pequena criatura cursava a 2ª série. Me deparei com perguntas pessoais feitas pela professora, a partir da história do livro Lúcia Já Vou Indo - a protagonista é uma lesma. E, claro, com as respostas dadas por mim, no alto de meus 8 anos de vida.

1- A moleza é um defeito?
R: A moleza é um defeito, porque se fizer as coisas muito devagar, não dá tempo para fazer o que precisa.

2- Todas as pessoas têm defeitos. Que defeitos você considera mais graves em uma pessoa?
R:
Os defeitos mais graves em uma pessoa são indelicadeza e falta de educação.

3- Que defeitos você acha que tem? Por quê?
R:
Eu acho que não tenho paciência, porque não sei esperar.


Pra que gastar dinheiro com análise, minha gente?

*

11.11.07

Norwegian Wood

Nessas horas, eu me esforçava em analisar o que estava acontecendo no meu coração, enquanto admirava as partículas de luz flutuando nesse espaço silencioso. O que afinal eu procurava? E o que afinal as pessoas procuravam em mim? Eu era incapaz de obter uma resposta conclusiva. Às vezes, estendia a mão em direção às partículas de luz flutuando no ar, mas as pontas dos meus dedos não tocavam em nada.

- Haruki Murakami

21.9.07

Pausa Necessária

Antes que este lugar vire um divã chato, espaço para as minhas divagaçõezinhas sentimentalóides de mulherzinha.

Antes que eu comece a escrever sobre essas bobagens que a gente sente.

Antes que eu volte a escrever sobre mim de uma forma meio truncada, achando, ingenuamente, que assim eu não me exponho demais.

Antes que você chegue aqui e encontre um monte de reflexões meio infantis que não fazem o menor sentido pra você.

Até que eu seja capaz de voltar a escrever com o mínimo de bom humor e sarcasmo, como eu gosto de fazer.

Eu prefiro me abster.

Espero que a lama passe logo e que eu retome a sanidade mental e emocional rapidamente.

Mas não desligue. A sua ligação é muito importante para nós. Estamos trabalhando para melhor atendê-lo.