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8.12.08

Meia Dúzia

UM
Jukebox da Cat Power é uma das coisas mais tristes-barra-lindas que eu já ouvi. Alguns podem dizer que ela é a versão feminina do som-depressivinho do Radiohead. Mas eu gosto mais dela.

DOIS
Tem me sobrado muito pouco tempo para ouvir música, o que me deixa inegavelmente mais triste. E mais chata. Eu costumava fazer isso no carro há alguns anos. Mas como agora só dá tempo de ler metade do jornal durante o café da manhã - que dura menos porque só dá tempo de dormir meia noite/manhã -, eu me obrigo a ouvir notícias enquanto estou transitando de um pelourinho para outro. Música, só na volta do pelourinho-sede pra casa. E são sempre os mesmos CDs, de quem vira e mexe eu morro de saudade. Fuçar na internet nunca mais. Hunf!

TRÊS
Guel Arraes e Jorge Furtado descobriram pelo menos 48,65% da minha vida amorosa e colocaram em Romance. Da minha e da vida de 91,28% das mulheres que eu conheço. E eu fiquei cantando por um dia inteiro Não vamos fuçar nossos defeitos/Cravar sobre o peito as unhas do rancor/Lutemos mas só pelo direito/Ao nosso estranho amor/Ah! Manhinha deixa o ciúme chegar/Deixa o ciúme passar e sigamos juntos...

QUATRO
(((rabugenta mode on))) As pessoas me perguntam se eu vou ao show do Radiohead como se eu tivesse obrigação de ir a todas as apresentações internacionais que acontecem aqui e fosse um crime não comparecer. Eu nem sou louca por Radiohead e acho que o Tom Yorke se transformou em um chato de galocha com todo aquele experimentalismo mala. Revolucionou a indústria com o quer pagar quanto?, importância e colaborações indiscutíveis para o mundo da música. E Bodysnatchers é bem boa. Maaaas... Só vou ao show se tiver de trabalhar. Madonna idem. Tá entendido? / A quem interessar possa: há 3 dias ingressei no meu inferno astral, se é que essa merda existe. (((rabugenta mode off)))

CINCO
Já ouviu Little Joy? É a banda nova de Rodrigo Amarante – ex Los Hermanos - e Fabrizio Moretti - baterista do Strokes. O grupo é formado por eles dois e Binki Shapiro, namorada do Moreti {-ué, mas ele não namora a Drew Barrymore? Namorava, não namora mais, oras!}. É bacaninha. Uma coisa assim meio The Los Strokermanos. Ouve Keep Me In Mind...



...e diz se não é.

MEIA DÚZIA
Eu já falei aqui da urgência por livros que eu nunca leio – deu pra notar nas bobagens descritas acima que o tempo tá escasso? -. A lista aumenta como se não houvesse amanhã. Ganhei do namorado Slam, de Nick Hornby. A irmã já leu. Adorou. Eu ainda não. Recebi Conversas com Woody Allen para uma pauta e adquiri Conversas com Almodóvar. Com o Woody eu já conversei por algumas várias páginas, mas nem metade das 500 que ele tem. Dom Pedrito me aguarda na sala de espera e eu ainda não dei nem um oizinho. Quiçá fique lá até o lançamento de seu próximo filme.


*

6.8.08

Improving My English With Moore

Na véspera do recomeço das aulas de inglês:

- Sabia que a Julianne Moore vem pro Brasil este mês?
- Ah, é? Por quê?
- Por causa do filme do Fernando Meirelles que vai estrear no mês que vem.
- Cê vai entrevistar ela?
- Sei lá... Acho que não. Só se tiver tradutor.
- Pra quê tradutor? Cê pode treinar seu inglês.
- Claro, amor... com a Julianne Moore!


Ironicamente, meu blogspot resolveu falar inglês comigo desde hoje.

*

26.7.08

Divã

- Fale-me mais sobre a sua relação com os livros.
- Acho que sou compulsiva.
- Compulsiva?
- Não sei bem se é uma compulsão. Comecei a ler Madame Bovary três vezes. Mrs. Dalloway peguei em duas ocasiões. Nunca consegui passar da metade de O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Mas só tentei três vezes.
- E por quê?
- Parei o primeiro porque me pareceu chato, embora eu saiba que não é. O segundo também. O terceiro... bem, o terceiro também.
- Largou os três e foi ler o quê?
- Não me lembro, mas fui ler outro livro.
- E foi até o fim?
- Sim, terminei. Mas eu não consigo passar por uma banca com mostrador L&PM sem deixar alguns reais com o dono.
- Hum...
- Levei os dois exemplares de Mate-me Por Favor e só dei cabo deles dois anos depois. Recentemente, comprei dois Bukowskis, dois Kerouacs e um Nietzsche. Ganhei a biografia do Tim Maia, do RPM, do Barão Vermelho. Minha mais nova aquisição é um Ian McEwan. Estão todos na estante, me olhando com cara de cachorro em feira de cães: “me leva?”
- E você não levou nenhum deles?
- Não. Tô acabando de ler Europa-Reportagens Apaixonadas.
- Ah, que bom.
- É... tô acabando faz 3 meses...

*

29.5.08

Possibilidades

E então eu ganhei um livro sobre viagens de um fã - eu juro que eu tenho um e isso é ao mesmo tempo incrível e constrangedor. Chama Europa, Reportagens Apaixonadas e o autor é o criador da revista Viagem e Turismo, o Ronny Hein (hein???). Não é um guia turístico, veja bem. Aliás, passa bem longe disso. É um livro sobre cidades européias, escrito tão lindamente, que eu já devorei Londres, Paris, Mallorca, Veneza e Lisboa e adjacências. Suspirei muitas vezes a cada página lida.

Voltei a fazer contas. Pensei no meu popular 1.0 2001/2001 implorando pra ser vendido e no 2008/2009 na concessionária implorando pra ser meu. Pensei em todos os apartamentos que eu visitei um ano atrás e no gerente da Caixa Econômica esperando a minha visita desde então. Pensei naquela história de levar filho em estádio e na vaga de emprego que um dia eu talvez pretenda do outro lado do oceano. E pensei que talvez eu possa ter 60 anos, ser solteira, morar com a minha mãe, ter um Celta 2009 e o lugar mais distante explorado por mim ser Parati. E me deu uma vontade de chorar...

*

26.2.08

De Vez em Quando

[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus... como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!

Caio Fernando Abreu

*

10.2.08

Saudade

por Pedro Juan Gutiérrez, em Trilogia Suja de Havana


“Eu era então um sujeito perseguido pela saudade. Sempre fora, e não sabia como me desligar da saudade e viver tranqüilamente.
Ainda não aprendi. E desconfio que não aprenderei nunca. Pelo menos já sei algo valioso: é impossível me desligar da memória. É impossível se desligar daquilo que se amou.
Tudo isso estará sempre junto conosco. Sempre teremos tanto o desejo de refazer o bom da vida como o de esquecer e destruir a lembrança do mau. Apagar as maldades que cometemos, desfazer a recordação das pessoas que nos prejudicaram, remover as tristezas e as épocas de infelicidade.
É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas que será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar em solidão a nossa vida, encontrar alguém, nos entregar um pouco, evitar a rotina, desfrutar de nossa fatia na festa.”

*

30.11.07

O Haver

Tem dias que a confusão é tanta, que as palavras somem.
Os dedos falham, as teclas desaparecem.

Nesses dias, eu recorro aos gênios das palavras.
Porque eles já disseram tudo o que eu queria.

Se fosse eu, ficaria infantil.
Mas como foram eles, é genial.

(...)
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
(...)
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.


Vinícus de Moraes
*
*

30.6.07

Novo Vício

Maldita hora que um colega da firma encontrou o joguinho e me mostrou. Minha vida nunca mais foi a mesma. Bastam 5 minutos livres para eu voltar lá e tentar me superar. É muito divertido. Você ouve um trecho de uma música e tem que adivinhar o nome do filme em que ela toca. São 64 canções.

Da primeira vez, acertei 47. Hoje, depois de um bom tempo do sábado de folga em frente ao micro e com a ajuda do Google, acertei mais 3, ou 80% do total. E ainda faltam algumas que me são muito familiares, parecem tão óbvias e eu não adivinho o filme de jeito nenhum.

Divirta-se!

19.4.07

Homens são de Marte... e é pra lá que eu vou

Só pelo título eu tive medo. Convenhamos: um título desse pressupõe uma coleção de clichês. Mas a empresa que paga meu salário é apoiadora do espetáculo e eu poderia assistir a pré-estréia de graça, no Teatro Procópio Ferreira. Resolvi ir. Até pra poder falar mal com propriedade, caso a peça fosse um lixo. Levei o rapaz que me agüenta umas 4 vezes por semana como testemunha (e termômetro).

Tudo o que eu sabia do espetáculo antes de ir para o teatro é que ele tinha feito um sucesso estrondoso no Rio de Janeiro, em quase 2 anos em cartaz. Mais de 150 mil espectadores. Peça indicada ao prêmio Shell. E só.

Mônica Martelli é Fernanda. Jornalista – oh, Gosh! -, 35 anos, tem uma empresa que organiza festas de casamentos. Ironicamente, ela é solteira. E sofre à beça com isso. Sofre, não. Ela tem desespero. Afinal, "óvulo tem prazo de validade". Se enrola com qualquer condenado que dá bola para ela, tem certeza que cada um deles é o homem da sua vida. Se envolve tanto que fica exatamente igual a eles, independente do tipo, por mais diferente que eles sejam uns dos outros.

Depois de milhares de relacionamento fracassados, aprendendo um pouquinho com cada um deles, se conhecendo um pouco melhor a cada traste que passa pela vida dela, Fernanda, finalmente, aprende a escolher.

As situações retratadas na peça são comuns, mas são contadas através de um texto extremamente inteligente. As piadas são realmente engraçadas - e olha que eu sou exigente com piadas. A atuação de Mônica Martelli é excelente. E o figurino... Ah, o figurino... Um vestido multi-uso, gente! Em apenas alguns minutos, virada de costas para a platéia e numa meia-luz, a atriz “se trocava”. Desamarrava uma ponta do vestido aqui, amarrava a outra ponta ali e virava de frente para o público com OUTRO vestido. Incrível! Com o mesmo pedaço de pano, sem tirá-lo do corpo, ela vestiu uma meia dúzia de roupas diferentes. Eu quero um daquele pra mim!

Não existe mulher neste mundo, que tenha ficado algum tempo solteira, que não se enxergue naquela personagem. Independentemente da idade. Talvez não em todas as situações. Mas eu me vi em boa parte delas. Tive vergonha alheia de algumas cenas. Até me dar conta de que já protagonizei as mesmas cenas na vida real.

Atire a primeira pedra a mulher solteira que nunca pensou uma das frases mais repetidas pela personagem: eu não vou dar pra esse cara de jeito nenhuuuuuuuum. Não posso dar pro cara assim, no primeiro encontro. Isso é coisa de vagabundaaaaa!. E instantes depois, meio constrangida: dei!

Dei. Boas gargalhadas. Desejei com toda a força que 3 criaturas do sexo feminino estivessem comigo lá, pra dividir aquilo e pra gente rir todas juntas das presepadas que a gente faz – ou fez - na vida.

Os homens também se divertiram a valer. No fim da peça, com os olhos marejados de rir, o rapaz que me agüenta umas 4 vezes por semana disse que gostou bastante. E emendou: “eu imagino que você queria muito que o quadrado estivesse aqui do seu lado pra rir disso, não eu. Mas serve eu?” Como não?

12.3.07

Criador e Criatura

Acho que este cara aqui nasceu escrevendo. Quando o médico bateu na bunda dele pra ele chorar, ele deve ter pedido um laptop.

Alguns textos estão em antologias e revistas literárias. O primeiro romance dele – que me fez ficar acordada a madrugada toda, lendo de uma sentada só, me lembro bem - foi finalista de um prêmio importante. E agora, finalmente, “Desamores” vai ser publicado.

Durante nosso café da tarde, ele me explicava os trâmites da editora, o vai-e-vem da prova do livro, o contrato, a capa, as correções ortográficas... E dizia que já tinha lido o próprio livro um milhão de vezes.

- Não agüento mais olhar pra ele. Agora, eu entendo porque os Los Hermanos não cantam mais “Ana Júlia”!

6.3.07

GGM

Gabo completa hoje 80 anos de vida. Gabriel García Marquez, de quem não li a obra prima máxima - dizem - "Cem Anos de Solidão", mas "O Amor nos Tempos do Cólera". E "Memórias de Minhas Putas Tristes". De onde saiu a frase que ilustra este blog, agora "clean" - dizem.

Graças a ela enfrentei pela primeira vez meu ser natural enquanto transcorriam meus noventa anos. Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado de alma e sim um signo do zodíaco.

E só!