26.2.08

De Vez em Quando

[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus... como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!

Caio Fernando Abreu

*

22.2.08

Nada a Declarar

Não existe nada pior do que entrevistar alguém que não está disposto a dar entrevista. Você faz a pergunta mais bem elaborada do mundo e o sujeito reponde "sim", "não", "não sei", "pergunta pra fulano". Um saco.

Mas esta entrevista de Zeca Pagodinho à Folha de S.P. ficou divertida. Atente para a resposta à primeira pergunta. A parte que eu mais gostei foi "minha vida é que atrapalha a minha cerveja". Ge-ni-al!


FOLHA - Como será seu novo disco?
ZECA PAGODINHO - Ué, de samba. (reeeeeaaaaally???)
FOLHA - Isso eu já imaginava...
PAGODINHO - É o que faço sempre, com Zé Roberto, Arlindo, Almir Guineto, Monarco...

FOLHA - Você compôs algo?
PAGODINHO - Deixo com a rapaziada, porque é uma caderneta de poupancinha pra eles. Tem um pessoal que tá lá atrás, precisando arrumar um qualquer.

FOLHA - Você fez 49 anos agora. Com se sente quase cinqüentão?
PAGODINHO - Tem muita gente que eu conheci que não conseguiu chegar nem a 30 porque ficou doente, mataram, sumiu.

FOLHA - O que acha do Zé da Feira [Eri Johnson], o sambista de "Duas Caras" inspirado em você?
PAGODINHO - As dificuldades de subir na carreira têm a ver comigo. É um cara que lutou, teve dificuldades, o vício da bebida, conheci várias pessoas assim.

FOLHA - O fato de ele ser alcoólatra não incomoda?
PAGODINHO - Mas eu não sou alcoólatra, não ando caído de bobeira na rua. Ele é inspirado, porra, não é o Zeca Pagodinho.

FOLHA - A cerveja não atrapalha a sua vida em nenhum momento?
PAGODINHO - Minha vida é que atrapalha a minha cerveja. Quando tô bebendo, tem sempre alguém pra falar comigo.

FOLHA - Você se irrita por sempre ser procurado para falar de cerveja?
PAGODINHO - Não, isso é porque tô no auge. Se tivesse lá embaixo, ninguém lembrava de mim.

FOLHA - O que pensa sobre o projeto de tornar crime dirigir após tomar mais de duas latas de cerveja?
PAGODINHO - É certo. Fizemos o bloco da Cachaça; a letra do samba dizia que "volante com cachaça não combina, sou um cachaça, mas não sou burro". Fiz um outdoor "Se beber, vá de táxi". Já tão achando que levei uma nota dos táxis, do Detran, não levei porra nenhuma, levei sim uma luta pela vida.

FOLHA - Você dirige após beber?
PAGODINHO - Não, nem antes.

FOLHA - Você não dirige?
PAGODINHO - É porque tô renovando minha carteira, nunca dá, e pra não ficar me aporrinhando vou andando a pé, tem motorista, entro em qualquer carro, "me deixa ali cumpade".

FOLHA - Continua irritado com o ministro da Saúde [que propôs que artistas não anunciassem bebida]?
PAGODINHO - Não, não é um cara de bobeira não, sabe o que faz. Mas tem que ter um projeto mais de educação do que punição. Aí vai prender, e qualquer dia essa porra vai virar só grade.

FOLHA - E a reclamação dos gays que não gostaram da tradução de "happy hour" para "hora alegre" em seu comercial da Brahma?
PAGODINHO - Falei pros caras que ia dar problema, mas eles mandam. Não tinha a intenção de ofender. Eu me dou bem com todo mundo, tem uma porrada de veado que vem aqui em casa, cada um na sua, eles pra lá, eu pra cá. Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida.


*

18.2.08

The Book is On the Table

Mais ou menos nesta mesma época do ano passado eu ganhei um simpático ultimato do sujeito que é pago para mandar em todos os outros lá na firma: No ano que vem, se você não estiver estudando inglês, você não vai fazer o Oscar.

Veja bem, não se trata de ir até o mundo glamouroso de Los Angeles, vestir meu mais lindo modelito e disputar com repórteres do mundo inteiro um espaço no cercadinho que margeia o tapete vermelho do Teatro Kodak, para tentar obter algumas palavras do George Clooney.

“Fazer o Oscar” compreende passar quase 4 horas fechada num estúdio em São Paulo, gastar saliva até secar a boca, anunciar os vencedores e destacar alguma coisa dos discursos a partir de um áudio que muitas vezes já tem tradução para o português.

Mas eu sou obediente e no semestre seguinte me matriculei num curso. Todo mundo ficou orgulhoso de mim, inclusive eu mesma. A única dificuldade era o horário das aulas: 8 horas da madrugada manhã. Não foram poucas as vezes que faltei ou acordei atrasada. De modo que a frase que disse com mais freqüência durante o semestre foi “Sorry for my delay!”, adentrando a sala ocupada por outros 3 alunos, no meio do exercício de listening.

Findo o estágio, com a devida aprovação, implorei na secretaria por um horário de gente pra minha turma no semestre seguinte. E na semana passada, liguei para saber do início das aulas. Eu poderia escolher entre 3 turmas. Das 15h às 16h, das 20h às 21h – períodos em que estou amarrada no tronco com uma chibata pronta para estalar nas minhas costas – e das 8h às 9h da manhã. Ainda insisti, com voz de choro: Não é possível que ninguém queira estudar no incrível horário das 13h às 14h!!!

Não, ninguém queria. A moça da secretaria, comovida, tentava me explicar que tem um rapaz que é publicitário e que almoça das 14h às 15h e que por isso a turma seria nesse horário. E que o pessoal que trabalha em horário comercial prefere das 20h às 21h. E que ela se empenhou em perguntar para todos eles, um por um, se não gostariam de estudar em outro horário, por minha causa... Ai, quase chorei. Sério. De novo o inferno de acordar de madrugada e tentar articular frases e conjugar verbos neste maldito idioma num horário em que eu mal falo português.

Odeio, odeio essas pessoas que trabalham e almoçam em horários estranhos!

13.2.08

Novecentos Reais

eu: é por isso que esse país não vai pra frente
Gui: pq?
eu: porque existem centenas de milhares de pessoas que comprariam ingresso com preço pornográfico pra ver o bob dylan
Gui: escrevi sobre isso no blog
eu: eu queria ser capaz de liderar uma rebelião. o via funchal ficaria às moscas.
queria ver se o valor não cairia
eu: li o texto até a metade
nem o arctic monkeys me faria pagar esse preço. é ultrajante.
é falta de vergonha na cara desses caras. tenha dó. eu moro no brasil!
eu: nada mais a declarar? rs...
Gui: bicho
não tem o que falar
é o que eu digo no 1º parágrafo
vai do ultrajante ao criminoso
mas fazer o quê?
eu: não ir!!!!!!
Gui: eu sou uma daquelas almas para quem o rock é tudo
eu: ah, meu!
Gui: não ver o bob? e me arrepender pro resto da vida?
eu e a kat tinhamos desistido de ir
até vermos num blog aí o set list
bicho, ela chorou
CHOROU
pense que você se dedica a alguém religiosamente há quase 20 anos
não tem o que fazer, cara
dividimos no cartão e dá-lhe miojo
eu: se eu fosse um comunista da década de 60, eu diria, sem pestanejar: ALIENAÇÃO!
parecido com o que ocorre com a religião. sorry!
Gui: diga o que quiser
não tô pagando 250 pra ver o killers
é o bob
eu: ok
Gui: no panteão da minha vida
eu: ok
Gui: o primeiro escalão é:
stones, beatles, bob, hendrix, stooges, velvet
eu sou capaz de matar pra ver esse povo
eu: ok. não há mais discussão.
amém, pastor!
Gui: ótimo, CAMARADA
eu: hahahahahahaha
Gui: depois eu te conto como foi
eu: combinado.
Gui: vá ver o show dos imperdíveis, vá
HAHAHAHAHAHA
eu: por imperdíveis 20 reais
enfim.... agora vou me preparar para seguir para o meu trabalho imperdível.
Gui: hahaha
vai lá, gatona
ainda assim te adoro

*

10.2.08

Saudade

por Pedro Juan Gutiérrez, em Trilogia Suja de Havana


“Eu era então um sujeito perseguido pela saudade. Sempre fora, e não sabia como me desligar da saudade e viver tranqüilamente.
Ainda não aprendi. E desconfio que não aprenderei nunca. Pelo menos já sei algo valioso: é impossível me desligar da memória. É impossível se desligar daquilo que se amou.
Tudo isso estará sempre junto conosco. Sempre teremos tanto o desejo de refazer o bom da vida como o de esquecer e destruir a lembrança do mau. Apagar as maldades que cometemos, desfazer a recordação das pessoas que nos prejudicaram, remover as tristezas e as épocas de infelicidade.
É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas que será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar em solidão a nossa vida, encontrar alguém, nos entregar um pouco, evitar a rotina, desfrutar de nossa fatia na festa.”

*

8.2.08

Incompetência

Eu queria falar sobre o show da Ana Cañas que eu vi na semana passada. Sobre Em Paris, Desejo e Reparação (que música irritante!)e Mallu Magalhães. Queria dizer que não ouço nada de mais no Klaxons. Que o Vanguart é legal, mas não me faz pirar. Sobre Flores Partidas, do Jim Jarmusch, que revejo agora na TV e me faz refletir (de novo) sobre a solidão e a incapacidade emocional das pessoas. Adoro o Bill Murray. Poderia falar até do livro do Zuenir Ventura que me serve de base para uma série legal que eu tô montando.

Não dá. Não consigo.

Eu queria dizer que às vezes tenho uma saudade que até dói, mas não sei se é amor ou ego. E que quando isso acontece torço com força pra bolinha vermelha ficar verde. Ela nunca fica e, mesmo se ficasse, eu não saberia o que fazer com aquilo.

Poderia versar sobre a falta que eu sinto nem sei do quê. Poderia me prolongar sobre esse buraco e escrever sobre as pessoas que consideram bonito, nobre e verdadeiro abrir a guarda e escancarar suas fraquezas pra quem quiser notá-las. E que talvez ficassem orgulhosas de ler sobre isso.

Não consigo.

Talvez confessar que toda maldita vez que relembro das pessoas que acham bonito escancarar as fraquezas, choro copiosamente, sem entender nada.
Dizer que a frustração é um dos piores sentimentos do mundo.
Que minha serenidade continua oscilando e isso me enlouquece.
Que essa conversa de “carcaça” e “auto-boicote” já me encheu o saco.
E que eu desejo mais que tudo que um dia eu seja capaz de voltar a pensar com o coração, por mais brega que isso possa soar. E que eu deixe de me sentir ridícula e vulnerável por soar brega.

Que merda!

2.2.08

Amor demais

Não sei se é impressão minha, mas acho essa geração de jovens melada demais.

Mesmo os meninos de 20 e poucos anos que não se deixaram engolir pela onda e repudiam a designação emo, são demasiadamente emotivos - à exceção dos que espancam empregadas domésticas no Rio. Já viu como eles se amam? Eles aaaaaaaaamam o mundo inteiro. As meninas foram apresentadas na festa de sábado passado e na semana seguinte trocam 36 recados meigos no Orkut. Pronto, já estão se amando!

São tão compreensivinhos, carinhosinhos. E de uma passividade irritante. Sinto um pouco de falta de rebeldia nessa gente. Cadê aquela sensação de que está tudo errado? Cadê aquela vontade de mudar o mundo? Os discursos inflamados nas mesas de bar? Nenhum resquício da filosofia punk do “faça você mesmo”? Nada. Eles fazem tudo igual. Não fazem nada. Mas sempre com muuuuuito amor.

Aquele ar depressivo, dark, deixou de ter charme. Saiu de moda. Ser hype agora é sorrir para os quatro ventos. É dizer que AAAMA os seus amigos – mesmo os de uma semana – AAAMA aquele filme, AAAMA aquela música, AAAMA, AAAMA...

Eu não tenho paciência. Me cansa.
Será que eles sabem o quão superficial é isso? Ou sou eu que tô ficando velha e ranzinza?

***

Er... Hoje era dia de escrever sobre Carnaval?

*

29.1.08

Resfriamento Global

É janeiro, são 11 e meia da noite.

Encapotada, ela pára na porta do quarto:

- Tata, você vai querer seu cobertor?

*

23.1.08

Vestindo a Camisa da Empresa

22h30 de quarta feira.

Pequena Tata esfomeada e sem nada de saudável para deglutir em casa, pára na primeira cabine do drive-thru do Mc Donald’s, olha para o painel gigante e faz cara de ponto de interrogação. A moça que habita a cabine aguarda o pedido.

- Puxa, eu não sei o que eu quero comer. Não é terrível isso, moça?
- Terrível? Eu não sei como vocês conseguem comer esses lanches.

*

18.1.08

Palavra de Ouro da Princesa

Confesso que fiquei com o coração dividido, ouvindo a partida entre Corinthians e Guarani hoje na volta pra casa. Não tenho nenhuma afeição pelo time de Campinas e sou corinthiana desde que me conheço por gente. Explico:

Sou corinthiana desde que nasci. E isso não é exagero. Quando vim ao mundo e Dona Mãe estava recém operada na maternidade, o que enfeitava a porta do quarto dela era um bonequinho vestindo o uniforme do Timão - que eu tenho até hoje. De modo que todos felicitavam meu pai pelo lindo filhinho e ele tinha que explicar que era uma menina. Corinthiana desde que nasceu.

Ele era torcedor doente do time do Parque São Jorge (e hoje deve infernizar todos os anjos do céu por causa do Timão). E a Dona Mãe é palmeirense roxa desde criancinha. Reza a lenda familiar que o gramado do Pacaembu guarda em suas entranhas uma aliança de noivado arremessada da arquibancada por um dos dois, depois de uma briga futebolística durante um clássico entre os dois times no início da década de 70.

Então, em janeiro de 1978, eu nasci. Com alguns meses de vida começava a balbuciar as primeiras palavras mal articuladas. A primeira, como todo bebê que se preza, foi mamã ou mamá – ou algo que os bebês proferem ao se referir à mãe. Naquele mesmo ano, o glorioso time de Campinas alcançava um feito incrível: disputar a final do Campeonato Brasileiro. E contra o Palmeiras. Tão logo foram definidos os finalistas, meu pai se empenhou em um novo desafio: fazer a filhinha dele, com menos de 1 ano, pronunciar a palavra “Guarani”. O objetivo era, claro, além de reafirmar a paixão dele da filhota pelo Corinthians, irritar a Dona Mãe.

O Guarani venceu o primeiro jogo contra o Palestra por 1 a 0, no Morumbi, com gol de Zenon aos 21 minutos do segundo tempo. No segundo jogo, em agosto de 1978, no Brinco de Ouro da Princesa, Careca marcou aos 36 do primeiro tempo e o Guarani foi campeão do Brasileiro.

Meu pai possivelmente nem se importou com a 12ª colocação do Corinthians na tabela, com pífios 36 pontos. Mas posso imaginar sua gargalhada debochada e sua expressão de alegria infinita quando me ouviu, finalmente, adicionar mais uma palavra ao meu vocabulário: ANANÍ

16.1.08

Classe Média

Videozinho bacana, feito para a música de Max Gonzaga.




Aplaude ou vaia?

*

14.1.08

Já Vou Indo

Eu sempre digo que existem coisas na gente que absolutamente não mudam. Por mais que você odeie. Por mais que se empenhe para mudar. Tenha você 8, 30 ou 75 anos.

Nesse fim de semana – em mais uma reunião de familiares espalhados pelo mundo - descobri um caderno de Língua Portuguesa de quando esta pequena criatura cursava a 2ª série. Me deparei com perguntas pessoais feitas pela professora, a partir da história do livro Lúcia Já Vou Indo - a protagonista é uma lesma. E, claro, com as respostas dadas por mim, no alto de meus 8 anos de vida.

1- A moleza é um defeito?
R: A moleza é um defeito, porque se fizer as coisas muito devagar, não dá tempo para fazer o que precisa.

2- Todas as pessoas têm defeitos. Que defeitos você considera mais graves em uma pessoa?
R:
Os defeitos mais graves em uma pessoa são indelicadeza e falta de educação.

3- Que defeitos você acha que tem? Por quê?
R:
Eu acho que não tenho paciência, porque não sei esperar.


Pra que gastar dinheiro com análise, minha gente?

*

11.1.08

6.1.08

De Repente...

31.12.07

Glamour Jornalístico

Pra quem acha que a vida de jornalista é glamourosa...

Para melhor compreensão, Demi trabalha pertinho da Avenida Paulista - aquela onde tem a São Silvestre e a festa de Réveillon e vários Mc Donalds - e vai para o trabalho a pé.

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 14:32
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

oi, cheguei.
meu, que calor infernal! imagina eu subindo tudo aquilo que a gente subiu ontem, mas neste sol de 36 graus! Aaaffff

From: Tata
Sent: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 14:33
To: Demi
Subject: RES: taí?

Jesus! Eu saio do ar condicionado pra fumar um cigarro lá fora e já suo. Tipo 5 minutos. Num dá pra ficar muito feliz trabalhando numa redação de vidro, olhando esse dia lindo, dá?

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 14:47
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

nossa, quando cheguei na escada, já tava suando. tá muito absurdo.


TRÊS HORAS DEPOIS...

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 17:47
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

gente, já to morrendo de fome. acho que vou comer um mczinho, pq até meia noite demoraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

From: Tata
Sent: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 17:48
To: Demi
Subject: RES: taí?

Eu acabei de comer um misto quente e uma coca light e um ouro branco derretido.

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 17:50
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

ai que gostoso. ouro branco derretido humi, humi.
gente, queria dar uma chegadinha ali no mc... será que tá tumulto na rua?

From: Tata
Sent: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 17:49
To: Demi
Subject: RES: taí?

Não. Deve estar suuuuuuuper tranqüilo! :P

UMA HORA DEPOIS

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 18:53
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

meu, quase morri de desespero agora pq não dá pra atravessar a ruaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. tá interditado.

tive que implorar pro tiozinho de um bar cheio me fazer um misto.

From: Tata
Sent: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 18:53
To: Demi
Subject: RES: taí?

Jesus, que medo! Mas por que ta interditado para PEDESTRE?

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 18:59
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

pq a corrida ainda tá rolando. os retardatários tão chegando agora

e mais: acabei de descobrir que a água geladinha que eu comprei é gaseificada (e eu odeio gaseificada). sabe como eu descobri? eu abri e ela explodiu na minha cara, no meu computador, na minha mesa e na minha roupaaaaaaaaaaaaaaaaaa


Enquanto isso, no msn...

Tata diz: no tronco, darling?
Renato diz: :(
Renato diz: triste, né?
Tata diz: um pouco. menos triste quando tem mais gente, além da gente! :)
Renato diz: as pessoas estão aqui procurando um lugar pra comprar comida.
Tata diz: ah, isso é foda! nunca tem nada aberto pra comer.

FELIZ ANO NOVO!!!

*

29.12.07

Reveillão

A filha da puta Eu trabalho que nem uma camela o ano todo - inclusive nesses dias em que as pessoas estão passando 5 horas na Imigrantes refrescando seus corpos gordos na água do mar do litoral paulista, em Florianópolis, na Bahia ou no raio que o parta, sábados, domingos, feriados, páscoa, carnaval e dia do índio - e não consigo encontrar um lugarzinho nessa cidade em que possa desfrutar de um reveillón digno, que não seja a Avenida Paulista (eu disse digno), sem ter que desembolsar todas as minhas economias pelo menos 200 reais. DUZENTOS dinheiros!

Afinal, que país é este, mesmo? A Suíça?

Deus, ouça o Rubem Braga:
"Desejo a todos um ano novo de muitas virtudes e alguns pecados suaves e bem aproveitados"

E que o meu pecado não seja ter que deixar as minhas reservas monetárias numa festinha logo nas primeiras horas de 2008. Porque isso pode ser bem aproveitável, mas não vai ser nada suave.
Amém!

*

22.12.07

Lugar Certo

Eu lia tudo o que ela escrevia e me identificava aqui e ali. Ela tinha sentimentos absolutamente estranhos e conseguia traduzi-los do jeito que eu gostaria de fazer, não fosse a minha incompetência literária. De um jeito às vezes doce, às vezes um tiquinho agressivo (Thom Yorke protagoniza um misto de gritos e gemidos neste momento – apropriadíssimo, diga-se).

Quando a conheci, achei que fosse mais magra. É bonita, mas tem um comportamento social um tanto estranho. Por exemplo, no meio da conversa ela puxou um papel, os fones, e começou a escrever uma música.

Assim que se livrou dos fones, me falou sobre a cria e os projetos. Falamos sobre música e, superficialmente, sobre amores. Mas aquele comportamento me incomodava. Não ele todo. Talvez o ar blasé, de quem não se importa com o que está acontecendo naquele momento. Talvez o fato de ter um modo de vida fora do comum. Alguém que, pelo que diz, parece fazer questão de mostrar que é diferente da maioria. Que tem outros pensamentos, que não aqueles que nos querem fazer acreditar que devemos ter. Talvez um pouco rebelde, ainda que tenha passado da idade (afinal, existe tempo para a rebeldia?).

Imediatamente me lembrei de um dito ao meu respeito, que ouvia há até pouco tempo: você faz questão de estar sempre do lado oposto da força.

Era isso. Ela está do lado diametralmente oposto da força. E não esconde o lado que escolheu, ao contrário. Esse comportamento me intimidou. Não me deixou à vontade. Diria até que me assustou um pouco.

E tinha algo ali com o que eu me identificava. Tinha alguma coisa nela que também era minha, além dos cabelos avermelhados. Estamos do mesmo lado e esta escolha talvez seja incompatível com alguns desejos.

E assim, a despeito do que queremos, seguimos assustando muita gente por aí.

*
*

Eu e duas amigas chegamos ao bistrô às 11 e meia da noite de uma sexta-feira-véspera-de-feriado-de-natal. Adivinha? Claro que estava lotado.
“Vocês podem esperar lá em cima. Cerca de 40 minutos.”

Ok. O estômago estava grudado nas costelas depois de uma sexta-feira-véspera-de-feriado de trabalho, mas eu adoro aquele lugar que tem salinhas lindas de espera, com sofás de veludo, poltrona com estampas de zebra e quadrinhos fofos nas paredes coloridas. Subimos.

Logo avistei dois rapazes barbudos (ah, vá?) que habitavam uma delas. Comuniquei a dupla e pra lá fomos. Não demorou até que uma delas constatasse: aqui tem dois rapazes barbudinhos. Bonitinhos. E gays.

10 minutos ali foram suficientes para a mais esperta fazer mais uma nobre constatação: este lugar é uma delícia. Mas não é o “lugar certo para prospectar”.

Entendi tudo: eu tenho freqüentado os lugares errados há mais de 5 anos!!!

17.12.07

Socorro!

Lembra daquele reality show em que as pessoas faziam sacrifícios sobrehumanos pra sobreviver, chamado No Limite?
Então...

*

13.12.07

Órfãos de Police

Eu gosto do Nokia Trends - e nem liguei pro show-do-The Police-caça-níquel no Rio. É um dos festivais mais organizados que acontecem por aqui.

No ano passado, tive o prazer de ver bem de pertinho The Bravery, Hot Hot Heat e me supreendi muito com o show das mocinhas do Ladytron – ainda que tenha acabado perto das 6 horas da manhã, as minhas lentes de contato estivessem grudadas no globo ocular como se fizessem parte do meu corpo e as costas doessem muito, depois de 8 horas dançando.

Este ano, a estrutura montada no Memorial da América Latina era linda. Um bom espaço ao ar livre e, na tenda, dois palcos montados um ao lado do outro, em forma de “éle”. Quando terminava o show de um palco, começava o do outro, de modo que não havia intervalo entre as apresentações e o público não tinha que esperar a montagem e desmontagem de equipamentos pra ver uma banda tocar (viu, Tim Festival?). Apesar disso, fazia um calor senegalês debaixo da tenda e as filas no banheiro eram enormes.

Foi a segunda vez que eu fui soziínha-da-silva a um festival sem conhecer quase nada do que ia ver. E você pode me achar louca e tal, mas eu gosto disso tudo.
Mas vamos ao que interessa.

Van She é uma banda australiana. Era tudo o que eu sabia. Gostosinha de ouvir. O baixista é loiro, magrelo, comprido, dança de um jeito engraçado e tentava animar o público ainda escasso do Memorial batendo palmas. O vocalista é cabeludo e canta fazendo vários falsetes com a voz. É praticamente uma mistura de Pet Shop Boys e Abba. Fecharam o show com Kelly. Vai dizer que não é uma versão um pouco mais moderna de Fernando, do Abba?



Underground Resistence é um grupo enorme de Detroit. Quase uma dúzia de negrões que mistura jazz, funk e eletrônica. Faz quase 20 anos que o coletivo - como gostam de dizer os entendidos - sacodem platéias pelo mundo. O grupo não veio completo aqui para São Paulo: baixo, bateria, saxofone, uma mesa e um MC que jogava CDs para o público. À exceção de alguns “solos” de sax longos demais, o UR - como dizem os entendidos - faz um som robusto e consistente, beirando a perfeição.

Os quatro franceses do Phoenix entraram no palco principal do Memorial umas duas e meia da manhã. O vocalista é marido da cineasta Sofia Coppola. A banda teve uma música incluída na trilha sonora de Encontros e Desencontros e fez uma participação em Maria Antonieta, se apresentando para a Rainha. Viu, que cult?! E é, mesmo, dado que metade do público freak que agora lotava o Memorial entoava os refrões das músicas a plenos pulmões.



Quando você ouve o CD, pensa que se trata de um grupo fofo, que faz roquezinho meigo e dançante e coisa e tal. Até eu ver o baterista em ação, ali na minha frente. O cara é um A-NI-MAL! Desce o braço sem nenhuma dó. Um amigo - porque a gente sempre encontra amigos nesses lugares - disse que quando viu ele em pé, lascando o braço nas caixas, achou que o nêgo tinha dois pedaços de fêmur nas mãos. Fiquei impressionada! O sujeito conquistou toda a minha atenção. Até que o vocalista, marido da Coppolinha, surtou e se jogou no meio do povo. Cantou uma música inteira lá no meio. Rrrrrrrrrrrrrrrrrrock!!!!

Por fim, lá pelas 4 e tanto da manhã, subiram ao palco os moços do She Wants Revenge, que beberam toda a água da fonte do pós punk. Os filhotes do Joy Division fizeram o público enlouquecer. E ao vivo a voz de Justin Warfield é ainda mais parecida com a do vocalista do Depeche Mode. Ele vestia uma jaqueta e um gorro. Eu tava derretendo com os 67ºC que faziam naquela tenda – e nem tinha canhões de luzes apontados para mim, veja bem. O calor e as minhas dores nas costas me fizeram abandonar o show na metade e ir embora, me lembrando de que, de fato, falta bem pouco pra virar balzaquiana.

11.12.07

Quem Precisa de Polícia?

Gente, fiquei muito a fim de escrever meia dúzia de bobagens sobre o Nokia Trends.

E dizer que, mesmo quase derrentendo naquele calor infernal, o evento merece vários elogios (sobretudo depois dos atrasos sem noção dos shows do Tim Festival).

O caso é que eu durmo até tarde, trabalho até tarde, espíritos ressuscitam e me solicitam e, assim, não sobra tempo para organizar as idéias.

Em breve, parcas linhas, ainda que atrasadas, sobre os shows, para nenhum dos meus 5 leitores comentar, como é de praxe (hohoho...)!

*

5.12.07

Retrô

Eu quero saber quem foi o cretino que inventou um treco chamado "retrospectiva"!
E mais: quem foi que disse que sou EU que tenho que fazer, se eu nem me lembro o que almocei ontem?

*

3.12.07

Um Pouco Mais Brasileira

*
Orgulho!
*

Três vezes???

Desculpa a ignorância, mas em que planeta um ábitro de futebol manda um jogador cobrar o pênalti TRÊS vezes, só porque o goleiro defendeu as duas primeiras cobranças??? E todo mundo acha normal? E tudo bem?

Ah, faça-me o favor!!!


Aviso: se não for para escrever palavras boas, passe longe do link comentários!
A DIREÇÃO, com muito amor, até na segundona!

*

30.11.07

O Haver

Tem dias que a confusão é tanta, que as palavras somem.
Os dedos falham, as teclas desaparecem.

Nesses dias, eu recorro aos gênios das palavras.
Porque eles já disseram tudo o que eu queria.

Se fosse eu, ficaria infantil.
Mas como foram eles, é genial.

(...)
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
(...)
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.


Vinícus de Moraes
*
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25.11.07

Strogonoficamente Sensível

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Ah, as maravilhas do rádio...





Por Deus, que esta seja uma semana alegre!

Amém!
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