6.1.08

De Repente...

31.12.07

Glamour Jornalístico

Pra quem acha que a vida de jornalista é glamourosa...

Para melhor compreensão, Demi trabalha pertinho da Avenida Paulista - aquela onde tem a São Silvestre e a festa de Réveillon e vários Mc Donalds - e vai para o trabalho a pé.

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 14:32
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

oi, cheguei.
meu, que calor infernal! imagina eu subindo tudo aquilo que a gente subiu ontem, mas neste sol de 36 graus! Aaaffff

From: Tata
Sent: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 14:33
To: Demi
Subject: RES: taí?

Jesus! Eu saio do ar condicionado pra fumar um cigarro lá fora e já suo. Tipo 5 minutos. Num dá pra ficar muito feliz trabalhando numa redação de vidro, olhando esse dia lindo, dá?

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 14:47
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

nossa, quando cheguei na escada, já tava suando. tá muito absurdo.


TRÊS HORAS DEPOIS...

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 17:47
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

gente, já to morrendo de fome. acho que vou comer um mczinho, pq até meia noite demoraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

From: Tata
Sent: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 17:48
To: Demi
Subject: RES: taí?

Eu acabei de comer um misto quente e uma coca light e um ouro branco derretido.

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 17:50
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

ai que gostoso. ouro branco derretido humi, humi.
gente, queria dar uma chegadinha ali no mc... será que tá tumulto na rua?

From: Tata
Sent: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 17:49
To: Demi
Subject: RES: taí?

Não. Deve estar suuuuuuuper tranqüilo! :P

UMA HORA DEPOIS

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 18:53
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

meu, quase morri de desespero agora pq não dá pra atravessar a ruaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. tá interditado.

tive que implorar pro tiozinho de um bar cheio me fazer um misto.

From: Tata
Sent: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 18:53
To: Demi
Subject: RES: taí?

Jesus, que medo! Mas por que ta interditado para PEDESTRE?

De: Demi
Enviada em: segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 18:59
Para: Tata
Assunto: RE: taí?

pq a corrida ainda tá rolando. os retardatários tão chegando agora

e mais: acabei de descobrir que a água geladinha que eu comprei é gaseificada (e eu odeio gaseificada). sabe como eu descobri? eu abri e ela explodiu na minha cara, no meu computador, na minha mesa e na minha roupaaaaaaaaaaaaaaaaaa


Enquanto isso, no msn...

Tata diz: no tronco, darling?
Renato diz: :(
Renato diz: triste, né?
Tata diz: um pouco. menos triste quando tem mais gente, além da gente! :)
Renato diz: as pessoas estão aqui procurando um lugar pra comprar comida.
Tata diz: ah, isso é foda! nunca tem nada aberto pra comer.

FELIZ ANO NOVO!!!

*

29.12.07

Reveillão

A filha da puta Eu trabalho que nem uma camela o ano todo - inclusive nesses dias em que as pessoas estão passando 5 horas na Imigrantes refrescando seus corpos gordos na água do mar do litoral paulista, em Florianópolis, na Bahia ou no raio que o parta, sábados, domingos, feriados, páscoa, carnaval e dia do índio - e não consigo encontrar um lugarzinho nessa cidade em que possa desfrutar de um reveillón digno, que não seja a Avenida Paulista (eu disse digno), sem ter que desembolsar todas as minhas economias pelo menos 200 reais. DUZENTOS dinheiros!

Afinal, que país é este, mesmo? A Suíça?

Deus, ouça o Rubem Braga:
"Desejo a todos um ano novo de muitas virtudes e alguns pecados suaves e bem aproveitados"

E que o meu pecado não seja ter que deixar as minhas reservas monetárias numa festinha logo nas primeiras horas de 2008. Porque isso pode ser bem aproveitável, mas não vai ser nada suave.
Amém!

*

22.12.07

Lugar Certo

Eu lia tudo o que ela escrevia e me identificava aqui e ali. Ela tinha sentimentos absolutamente estranhos e conseguia traduzi-los do jeito que eu gostaria de fazer, não fosse a minha incompetência literária. De um jeito às vezes doce, às vezes um tiquinho agressivo (Thom Yorke protagoniza um misto de gritos e gemidos neste momento – apropriadíssimo, diga-se).

Quando a conheci, achei que fosse mais magra. É bonita, mas tem um comportamento social um tanto estranho. Por exemplo, no meio da conversa ela puxou um papel, os fones, e começou a escrever uma música.

Assim que se livrou dos fones, me falou sobre a cria e os projetos. Falamos sobre música e, superficialmente, sobre amores. Mas aquele comportamento me incomodava. Não ele todo. Talvez o ar blasé, de quem não se importa com o que está acontecendo naquele momento. Talvez o fato de ter um modo de vida fora do comum. Alguém que, pelo que diz, parece fazer questão de mostrar que é diferente da maioria. Que tem outros pensamentos, que não aqueles que nos querem fazer acreditar que devemos ter. Talvez um pouco rebelde, ainda que tenha passado da idade (afinal, existe tempo para a rebeldia?).

Imediatamente me lembrei de um dito ao meu respeito, que ouvia há até pouco tempo: você faz questão de estar sempre do lado oposto da força.

Era isso. Ela está do lado diametralmente oposto da força. E não esconde o lado que escolheu, ao contrário. Esse comportamento me intimidou. Não me deixou à vontade. Diria até que me assustou um pouco.

E tinha algo ali com o que eu me identificava. Tinha alguma coisa nela que também era minha, além dos cabelos avermelhados. Estamos do mesmo lado e esta escolha talvez seja incompatível com alguns desejos.

E assim, a despeito do que queremos, seguimos assustando muita gente por aí.

*
*

Eu e duas amigas chegamos ao bistrô às 11 e meia da noite de uma sexta-feira-véspera-de-feriado-de-natal. Adivinha? Claro que estava lotado.
“Vocês podem esperar lá em cima. Cerca de 40 minutos.”

Ok. O estômago estava grudado nas costelas depois de uma sexta-feira-véspera-de-feriado de trabalho, mas eu adoro aquele lugar que tem salinhas lindas de espera, com sofás de veludo, poltrona com estampas de zebra e quadrinhos fofos nas paredes coloridas. Subimos.

Logo avistei dois rapazes barbudos (ah, vá?) que habitavam uma delas. Comuniquei a dupla e pra lá fomos. Não demorou até que uma delas constatasse: aqui tem dois rapazes barbudinhos. Bonitinhos. E gays.

10 minutos ali foram suficientes para a mais esperta fazer mais uma nobre constatação: este lugar é uma delícia. Mas não é o “lugar certo para prospectar”.

Entendi tudo: eu tenho freqüentado os lugares errados há mais de 5 anos!!!

17.12.07

Socorro!

Lembra daquele reality show em que as pessoas faziam sacrifícios sobrehumanos pra sobreviver, chamado No Limite?
Então...

*

13.12.07

Órfãos de Police

Eu gosto do Nokia Trends - e nem liguei pro show-do-The Police-caça-níquel no Rio. É um dos festivais mais organizados que acontecem por aqui.

No ano passado, tive o prazer de ver bem de pertinho The Bravery, Hot Hot Heat e me supreendi muito com o show das mocinhas do Ladytron – ainda que tenha acabado perto das 6 horas da manhã, as minhas lentes de contato estivessem grudadas no globo ocular como se fizessem parte do meu corpo e as costas doessem muito, depois de 8 horas dançando.

Este ano, a estrutura montada no Memorial da América Latina era linda. Um bom espaço ao ar livre e, na tenda, dois palcos montados um ao lado do outro, em forma de “éle”. Quando terminava o show de um palco, começava o do outro, de modo que não havia intervalo entre as apresentações e o público não tinha que esperar a montagem e desmontagem de equipamentos pra ver uma banda tocar (viu, Tim Festival?). Apesar disso, fazia um calor senegalês debaixo da tenda e as filas no banheiro eram enormes.

Foi a segunda vez que eu fui soziínha-da-silva a um festival sem conhecer quase nada do que ia ver. E você pode me achar louca e tal, mas eu gosto disso tudo.
Mas vamos ao que interessa.

Van She é uma banda australiana. Era tudo o que eu sabia. Gostosinha de ouvir. O baixista é loiro, magrelo, comprido, dança de um jeito engraçado e tentava animar o público ainda escasso do Memorial batendo palmas. O vocalista é cabeludo e canta fazendo vários falsetes com a voz. É praticamente uma mistura de Pet Shop Boys e Abba. Fecharam o show com Kelly. Vai dizer que não é uma versão um pouco mais moderna de Fernando, do Abba?



Underground Resistence é um grupo enorme de Detroit. Quase uma dúzia de negrões que mistura jazz, funk e eletrônica. Faz quase 20 anos que o coletivo - como gostam de dizer os entendidos - sacodem platéias pelo mundo. O grupo não veio completo aqui para São Paulo: baixo, bateria, saxofone, uma mesa e um MC que jogava CDs para o público. À exceção de alguns “solos” de sax longos demais, o UR - como dizem os entendidos - faz um som robusto e consistente, beirando a perfeição.

Os quatro franceses do Phoenix entraram no palco principal do Memorial umas duas e meia da manhã. O vocalista é marido da cineasta Sofia Coppola. A banda teve uma música incluída na trilha sonora de Encontros e Desencontros e fez uma participação em Maria Antonieta, se apresentando para a Rainha. Viu, que cult?! E é, mesmo, dado que metade do público freak que agora lotava o Memorial entoava os refrões das músicas a plenos pulmões.



Quando você ouve o CD, pensa que se trata de um grupo fofo, que faz roquezinho meigo e dançante e coisa e tal. Até eu ver o baterista em ação, ali na minha frente. O cara é um A-NI-MAL! Desce o braço sem nenhuma dó. Um amigo - porque a gente sempre encontra amigos nesses lugares - disse que quando viu ele em pé, lascando o braço nas caixas, achou que o nêgo tinha dois pedaços de fêmur nas mãos. Fiquei impressionada! O sujeito conquistou toda a minha atenção. Até que o vocalista, marido da Coppolinha, surtou e se jogou no meio do povo. Cantou uma música inteira lá no meio. Rrrrrrrrrrrrrrrrrrock!!!!

Por fim, lá pelas 4 e tanto da manhã, subiram ao palco os moços do She Wants Revenge, que beberam toda a água da fonte do pós punk. Os filhotes do Joy Division fizeram o público enlouquecer. E ao vivo a voz de Justin Warfield é ainda mais parecida com a do vocalista do Depeche Mode. Ele vestia uma jaqueta e um gorro. Eu tava derretendo com os 67ºC que faziam naquela tenda – e nem tinha canhões de luzes apontados para mim, veja bem. O calor e as minhas dores nas costas me fizeram abandonar o show na metade e ir embora, me lembrando de que, de fato, falta bem pouco pra virar balzaquiana.

11.12.07

Quem Precisa de Polícia?

Gente, fiquei muito a fim de escrever meia dúzia de bobagens sobre o Nokia Trends.

E dizer que, mesmo quase derrentendo naquele calor infernal, o evento merece vários elogios (sobretudo depois dos atrasos sem noção dos shows do Tim Festival).

O caso é que eu durmo até tarde, trabalho até tarde, espíritos ressuscitam e me solicitam e, assim, não sobra tempo para organizar as idéias.

Em breve, parcas linhas, ainda que atrasadas, sobre os shows, para nenhum dos meus 5 leitores comentar, como é de praxe (hohoho...)!

*

5.12.07

Retrô

Eu quero saber quem foi o cretino que inventou um treco chamado "retrospectiva"!
E mais: quem foi que disse que sou EU que tenho que fazer, se eu nem me lembro o que almocei ontem?

*

3.12.07

Um Pouco Mais Brasileira

*
Orgulho!
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Três vezes???

Desculpa a ignorância, mas em que planeta um ábitro de futebol manda um jogador cobrar o pênalti TRÊS vezes, só porque o goleiro defendeu as duas primeiras cobranças??? E todo mundo acha normal? E tudo bem?

Ah, faça-me o favor!!!


Aviso: se não for para escrever palavras boas, passe longe do link comentários!
A DIREÇÃO, com muito amor, até na segundona!

*

30.11.07

O Haver

Tem dias que a confusão é tanta, que as palavras somem.
Os dedos falham, as teclas desaparecem.

Nesses dias, eu recorro aos gênios das palavras.
Porque eles já disseram tudo o que eu queria.

Se fosse eu, ficaria infantil.
Mas como foram eles, é genial.

(...)
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
(...)
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.


Vinícus de Moraes
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*

25.11.07

Strogonoficamente Sensível

*
Ah, as maravilhas do rádio...





Por Deus, que esta seja uma semana alegre!

Amém!
*
*
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22.11.07

Antes Tarde...

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Hoje é Dia do Músico!
*
*

Vai Ser Triste na Vida

Eu não nasci pra ser triste na vida. Não nasci. Não foi essa a missão que me deram. Não foi pra isso que vim ao mundo. O anjo torto disse pra eu ser bagunçada na vida. Ele é torto, mas tinha razão: eu sou bagunçada. Mas triste, não.

Então, por quê? Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, e blá blá blá... Não tinha!

Então, por quê? Por que esse mau humor, essa magreza, esse desânimo, essa tristeza. Por quê?

Eu vim ao mundo para ser inteligente. Para me tornar um ser humano melhor e não para afundar na ignorância ou planar na superfície. Nem para conviver com cara feia e energia ruim de quem eu mal conheço. Eu não!

Talvez eu não tenha nascido para ser brilhante na vida. Mas triste? Triste, não.

Veja bem. Preste atenção. Não se esqueça.
Esta é a última chance de me convencer de que a felicidade mora ali, ainda que só uma porção pequena dela esteja escondida debaixo do tapete.

Se eu não encontrar a bendita por ali, tchau e bença. Porque eu não nasci pra ser triste na vida. Eu não!

18.11.07

Dedo Podre (amostra)

ou Gosto Padrão
ou ainda Obviedades da Vida



Eu precisava ouvir música boa – a que eu acho boa, veja bem.
São Paulo guarda uma dúzia de lugares que me apetecem, mas eu escolho sempre o mesmo. A discotecagem é aprazível e as bandas que se apresentam lá também.

Encostei naquele canto de sempre, esperando uma amiga. Casa cheia, umas 750 400 pessoas se amontoavam espalhavam entre balcão, sofás, pista, mesas e cadeiras. Meus olhos míopes – porém equipados com lentes corretivas obrigatórias – varreram o salão, numa panorâmica, e pararam em um rapaz. Estava sentado em uma mesa cheia de pessoas. Com outros rapazes e algumas moças. Olhou pra cá, olhou pra lá. Voltou a olhar pra cá. Parecia interessante. Levantou, passou por mim, foi ao banheiro. Saiu do banheiro, passou por mim, voltou à mesa – deus, quem inventou a barba?

Quando eu comecei a gostar dessa dinâmica, a banda subiu ao palco e eu descobri - o óbvio?
O rapaz é músico.

11.11.07

Norwegian Wood

Nessas horas, eu me esforçava em analisar o que estava acontecendo no meu coração, enquanto admirava as partículas de luz flutuando nesse espaço silencioso. O que afinal eu procurava? E o que afinal as pessoas procuravam em mim? Eu era incapaz de obter uma resposta conclusiva. Às vezes, estendia a mão em direção às partículas de luz flutuando no ar, mas as pontas dos meus dedos não tocavam em nada.

- Haruki Murakami

6.11.07

It's Raining Man

Eu garimpava coisiquinhas fofas de menina numa dessas lojas de quinquilharia que vendem brinquedos, artigos de papelaria, bijuteria, velas aromatizadas, algumas roupas e toda a sorte de tranqueiras. A loja era bem organizada: artigos de menina do lado esquerdo, os destinados aos moleques do lado direito.

Eu investigava todas as divisórias de uma carteira da Betty Boop, quando adentra ao estabelecimento uma mulher com seu filho, de uns 7 anos de idade. A mãe chama a atenção do moleque para um batman qualquer. O menino aponta para o lado esquerdo e, sem cerimônia, anuncia:

- Mãe, eu gostei mais dos brinquedos deste lado.

E assim, diante dos meus olhos e ouvidos, mais um gay saía do armário.

5.11.07

Almoça Junto Todo Dia

Família é uma coisa engraçada. Tem sempre aquele tio piadista, a prima perua, o vô que gosta mais de um neto específico, um sobrinho preferido e alguém que fala mal de todos os anteriores.

A minha é pequena. E distante. Cada um mora em uma cidade e raramente se encontra. À exceção de eventos especiais – falecimentos e/ou casamentos. Ou seja, a minha família é igualzinha a várias que você conhece.

A última vez que a família se encontrou assim, em massa, foi num velório há quase 3 anos. Todos os primos se juntaram. Falaram um punhado de bobagens e morreram de rir a noite toda. Neste feriado, por ocasião do aniversário de uma prima que funciona como uma espécie de elo entre todos os integrantes espalhados pelo mundo, todos voltaram a se reunir.

Uma irmã. Um tio, a mulher do tio. Uma tia. Cinco primos de primeiro grau. Um marido da prima. Duas primas tortas. Cinco comadres da tia. E SEIS pestes crianças. Todas correndo pela casa - enorme e cheia de corredores -, andando de bicicleta e correndo na lama e jogando bola e jogando meus chinelos pela janela da sala. Duas delas, gêmeas. Idênticas.

Almoço nababesco. E muita cerveja. MUITA. Depois dela(s), os primos se reuniram em volta da mesa para uma partida de cartas. Cada um com uma criança no colo - filho ou não.

O primo fala com o pai, que estava deitado no sofá e relativamente embriagado, a respeito de uma das gêmeas, que não é filha dele. O diálogo a seguir é verídico e pode ser comprovado por dezenas de testemunhas oculares:

- Pai, esta é a B1.
- O quê?
- A B1, pai, lembra? Das Bananas de Pijamas?
- Ah, lembro. Mas por que B1?
- Ué, porque a B2 é aquela ali – aponta a irmã gêmea.
Pai arregala os olhões azuis:
- Ah, são duas?????

28.10.07

Ian Kurt

Seattle se aproxima de Manchester em Control , de Anton Corbijn, e Kurt Cobain - Sobre Um Filho, dirigido por AJ Schnack.
Claro, uma coisa não tem nada a ver com a outra e as cidades guardam várias léguas de distância entre si - além do Oceano Atlântico inteiro. Mas as semelhanças entre os protagonistas dos dois longas são várias. Ian Curtis e Kurt Cobain eram geniozinhos, líderes de bandas que marcaram inovações no cenário musical de seus países - e mundial -, eram atormentados e se mataram. Talvez também por razões parecidas.

O filme sobre o líder do Nirvana é chato, chato, chato. É baseado em 25 horas de entevistas dadas a um jornalista norte-americano, que depois escreveu Come As You Are: The History Of Nirvana. Imagine Kurt falando por uma hora e meia. Na tela, imagens aleatórias que combinavam com o que o músico dizia. Então, ele fala "passei minha infância em Aberdeen..." e você vê criancinhas loiras brincando no balanço de um parquinho. Ruim demais. Uma hora e meia e você não vê o rosto de Kurt Cobain. Em nenhum momento - só no final. Música? Nada de Nirvana. Só o que ele gostava de ouvir. E, de novo, Kurt diz: "nesta época eu ouvia muito uma música do Queen..." e toca Queen. Ugh!

A parte boa é que trata-se do cara contando a própria história, que é bem interessante e triste. Cobain teve transtorno bipolar, depois que os pais se separaram, ainda quando era criança. Queria ser punk. Odiava trabalhar. Morou dentro de um carro e em uma caixa de papelão. Era pouco sociável, não gostava de pessoas. Teve uma namorada dotada de instintos maternais, que cuidava bem dele. Não gostava. Preferiu Courtney Love, com quem podia trocar idéias artísticas de igual para igual. A primeira vez que a viu, achou a moça parecida com Nancy Spungen. Tinha dores de estômago enlouquecedoras e nunca ninguém descobriu o que era. Achou na heroína o alívio para a dor. No filme, Cobain conta que quando tinha crises, pensava em dar um tiro na cabeça. Se diz descontente com o Nirvana, no auge da cerreira da banda. Especula-se que o músico tenha se matado pela combinação dores+heroína+crises no casamento+sucesso do Nirvana.


Control é um belo filme. Em preto e branco, o longa se baseia no livro escrito pela mulher de Ian Curtis, Deborah Curtis - que é co-produtora do filme. Mostra Ian Curtis ouvindo Lou Reed, Iggy Pop e David Bowie em casa. Mostra desde os primórios do Joy Division, quando os demais integrantes procuravam um vocalista para a banda. Além de ter casado muito jovem, Curtis era epilético. Sofria com as duas coisas. Com 20 e poucos anos, o rapaz se viu fazendo um baita sucesso, tinha uma mulher e uma filha o esperando em casa, um caso paralelo com uma aprendiz de jornalista e frascos de remédio sendo carregados pra onde quer que ele fosse. No filme, o artista sente culpa por manter dois relacionamentos e sofre horrores com os ataques epiléticos. Também parece não administrar muito bem esta coisa de fazer sucesso. Resultado: na véspera de uma mega turnê do Joy Division pelos EUA, Curtis se mata enforcado em casa, aos 23 anos.

O longa tem, além das notáveis interpretações de Sam Riley e Samantha Morton, muita música boa, com aquele timbre característico e cavernoso de Curtis.

Gael e Dylan

Quando disse logo ali embaixo que veria o Gael, obviamente, me referia ao filme de estréia dele como diretor, Déficit. A sessão atrasou. Eu fiquei uma hora em pé na fila, depois de uma semana especialmente pesada de trabalho. Já estava bastante irritada, quando adentra à sala aqueles um-metro-e-sessenta-e-poucos, aqueles olhos e aqueles mullets mexicanos. Gael Garcia Bernal foi apresentar o longa pessoalmente, já que era a primeira exibição na Mostra. Eu continuei um pouco irritada, mas confesso que deu uma alegrada na vida. O filme? Ah, um bando de jovens ricos, que promove uma festinha na casa de veraneio do protagonista. Juventude inconseqüente que leva a diversão literalmente às últimas conseqüências. Bom entretenimento.

Depois, I'm Not There, de Todd Haynes, em que vários atores interpretam as diversas facetas de Bob Dylan. Eu, na minha ignorância sobre o artista, gostei do filme. Cate Blanchett é excelente no papel - o júri de Cannes também achou, veja só. Mas devo ter passado batido por várias partes, por pura falta de conhecimento sobre a carreira de Dylan. Os admiradores do cara certamente se divertiram bem mais do que eu.

27.10.07

Desuso

(Sexta-feira, 20h, restaurante na Avenida Paulista)

Tenho baixa tolerância à falta de educação e de bom senso. Sobretudo quando dizem respeito ao bem estar da civilização. Atitudes simples poderiam facilitar tanto a sobrevivência das pessoas neste mundo cruel e às vezes tão escroto.

(chegou a coca-light)

Explico, com um exemplo banal: elevadores. Você está dentro de um, chega no seu andar. Você e meia dúzia de pessoas tentam desembarcar. Tentam, mas não conseguem. Não conseguem, porque outra meia dúzia de imbecis plantam-se como pés de alface na frente da porta, tentando embarcar.

(nossa, o ravióli veio rápido!)

Deus do céu, me parece elementar: enquanto não sair meia dúzia do elevador, não cabe outra meia dúzia dentro dele. Questão de bom senso. “É de comer?”, perguntariam os imbecis pés de alface. Não conhecem. Bom senso e educação. Devem ser da mesma estirpe dessas pessoas que me olham neste momento, meios enviesados, pensando “o que esta mulher tanto escreve neste bloco no colo, se existe um prato de massa repousando sobre a mesa, na frente dela?”

(tem um homem grisalho na mesa ao lado. Deve ter idade para ser meu pai. Ele me encara com aquele típico olhar de flerte, deixando escapar um risinho do canto da boca). Me parece muito claro que o bom senso passou bem longe dali.

Exceto nos dias de mau humor extremo, procuro ser gentil com as pessoas. Não custa sorrir e dizer palavras gentis ao garçom solícito que me atende agora. Questão de educação. E com ela o mundo às vezes deixa de ser escroto e cruel.

Agora, com licença. Vou ao encontro do meu ravióli ao sugo. Obrigada.

18.10.07

Osso Duro de Roer

Acabei de assistir à Tropa de Elite (tô cantando a música do Tihuana até agora).
Domingo tirei o atraso, aproveitei a onda José Padilha e vi Ônibus 174.

A Mostra vai começar.
Sexta vejo o Gael.
Sábado, o Ian Curtis.
Domingo, o Dylan.

Se houver tempo entre filmes, dois aniversários, um namorado e um trabalho, eu prometo que conto tudo depois.

9.10.07

Hey, Jude!

Sábado eu vi Across The Universe, filme que foi exibido depois da coletiva da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - porque, já dizia meu pai: primeiro a obrigação, depois a diversão.
É uma produção independente que fez uma bilheteria surpreendente nos EUA na estréia, no mês passado (e a maioria do público tinha ATÉ 26 anos – eu e meu complexo de Peter Pan).

Trata-se de um musical e, embora eu normalmente não vá muito com a cara de musicais, este é batutíssimo. A historinha é bem adolescente. Um inglês, Jude (atente aos nomes), vai lá pra terra do Tio Sam em busca do pai que ele não conhece. Além do pai, ele acaba conhecendo um rapaz loiro e hospitaleiro que parece o irmão caçula do Kurt Cobain e tem uma irmã linda, chamada Lucy - que é a Evan Rachel Wood, de quem eu me lembrava de Aos Treze. Mas ela tem namorado, que logo morre, em combate no Vietnã.

Pra encurtar a história, o irmão de Lucy é convocado pra guerra, Lucy se envolve em movimentos pacifistas e Jude se apaixona por ela. O filme retrata todo o movimento de protesto contra a guerra do Vietnã, da contracultura e a psicodelia dos anos 60 nos Estados Unidos. Como eu disse, é um musical. Então, no meio disso tudo, têm os números cantados pelos atores. O mais legal: são todas canções... dos Beatles! (sacou o Jude e a Lucy e o título?) E o filme se desenrola meio que passando por todas as fases da banda. A fase do Srg. Peppers é a mais bacana de todas, muito colorida e cheia de efeitos - eu me perguntava se alguém tinha colocado algum acidozinho no meu café da manhã.

Como toda produção independente-cult que se preze, Across The Universe tem várias participações especiais: Bono Vox (envelhecido uns 127 anos para o papel), Salma Hayek (de quem só fui me dar conta depois que o filme terminou), Joe Cocker e Eddie Izzard (que eu não sabia nem quem era, quanto mais que cara tem).

Abaixo, o trailler:

2.10.07

A coisa tá feia quando...

Você está há 10 dias sem ver a sua mãe. E mora na mesma casa que ela;

Vocês se comunicam através de bilhetes deixados em cima da mesa da sala;

Ela te deixa um recado no orkut perguntando se você ainda mora no mesmo endereço ou resolveu fugir pro Nepal;

Você passa MUITO mais tempo na fiiiirma do que em casa;

Você não agüenta mais olhar pra cara do seu chefe.

E férias, só no ano que vem...

1.10.07

Segundona Braba



Eu passaria o dia todo jogando Sudoku hoje...