26.8.08

O Amor e o Cinema

Depois do lançamento e da entrevista coletiva de Ensaio Sobre a Cegueira:


- Quem é mais bonita: Julianne Moore ou Alice Braga?

- A Julianne é mais velha, né. É toooda sardenta, o rosto todo, uns zóião claro, ruiva, um narizico... Eu acho ela linda! A Alice Braga é bem bonita também, mas é mais moleca, saca? Enfim, a Julianne é véia que nem eu e a Alice é moleca que nem eu. Tendeu? (hahaha)

- Ou seja, eu tenho a Alice Braga e a Juliane Moore em uma namorada só!

- Basicamente isso! Aaah, se eu tivesse continuado a minha investida teatral... Aí, você ia ver!!!

- Aí você não ia estar namorando comigo...

- Como não?

- Você ia namorar o Gael!!!

*

17.8.08

Coisas que Só a Firma Faz por Você

Quando você trabalha muito, tipo 11 ou 12 horas por dia, a semana toda, na sexta feira começa a tomar chibatadas ao meio dia e só pára às 11 e meia da noite, até um show do Latino na festa da firrrma te deixa animado, sorridente e dançante.

Você se vê cantando versos edificantes como Quem planta sacanagem colhe solidão, imitando uma coreografia de dançarina do Faustão ao som de Tem culpa eu, tem culpa a Kátiaaaaa... e pulando alucinadamente enquanto ele berra ao microfone Hoje é feeeeesta lá no meu apê, pode aparecê, vai rolar bundalelê.

Acredite em mim!

Você também pode aumentar o seu repertório de informações inúteis e saber que Tô Nem Aí, "que fez sucesso em mais de 80 países" na voz de quem? Luka, na verdade é de autoria deste gênio da música popular brasileira.

***

A quem possa interessar, eu tomei uma decisão muito importante:

Vou parar de fumar.

Mãe, namorado e preocupados insistentes de plantão, vocês venceram. :)
Agora, claro, podem jogar as minhas sardinhas!


*

14.8.08

Vou Estar te Mandando pro Inferno

Todas as centrais de telemarketing do mundo descobriram que eu, e apenas euzinha, estou em casa no final da manhã. Não em todas - e ultimamente cada vez menos - mas eles descobriram que é um bom horário para telefonar para a minha residência.

- Bom dia!!!! – assim mesmo, com voz-sorriso e muitas exclamações, como um autêntico operador de telemarketing.

No que eu rosno respondo:
- O que você quer, caralho? “Ôoooi...”- assim mesmo, com voz-mau humor.

Eles perguntam por todos os outros moradores da residência, menos por mim. Assim eu posso rosnar dizer que eles não se encontram e só podem estar sendo encontrados depois das 20h. Isso porque no meu tempo, esse tipo de operador de TLMKT só tinha turno até as 20h. Rá!

Eu já fui uma dessas pessoas que atormentam a cidade inteira por telefone, lê script, e tenta vender até a mãe para os pobres incautos que têm conta corrente no banco para o qual eu vendia minha alma trabalhava. Mas eu juro por deus que nunca usei um gerúndio mal empregado e sabia me comunicar muito bem obrigada, além do que estava escrito naquele script cretino. Era o meu primeiro emprego e graças a ele eu fiz o que todo brasileiro faz quando ganha seu primeiro dinheiro: adquiri um incrível aparelho de TV.

Mas voltando ao assunto – que não é o meu passado: parece absurdo que com a evolução do mundo, dos processos de compra e venda, das técnicas requintadas de propaganda e marketing, dos avanços na área de direitos do consumidor, que finalmente está sendo mais ouvido e defendido, esta prática irritante ainda seja usada pelas empresas.

Eu, como boa parte da população deste país, corro que nem uma louca desvairada o dia todo. O que faz essa gente pensar que eu vou ter 3 minutos para ouvir alguém me oferecer produtos absolutamente inúteis, lendo um textinho decorado? Pior: o que faz essa gente pensar que eu realmente vou comprar alguma coisa de alguém que me liga e maltrata sem piedade a língua portuguesa (e os meus pobres ouvidos)?

Alguém precisa avisar essa gente que telemarketing ativo é coisa do passado. Quando sou vítima, e isso infelizmente tem sido freqüente, ponho em prática a minha voz mais mal humorada e não perco nem 15 segundos ao telefone.

Passa amanhã!

*

6.8.08

Improving My English With Moore

Na véspera do recomeço das aulas de inglês:

- Sabia que a Julianne Moore vem pro Brasil este mês?
- Ah, é? Por quê?
- Por causa do filme do Fernando Meirelles que vai estrear no mês que vem.
- Cê vai entrevistar ela?
- Sei lá... Acho que não. Só se tiver tradutor.
- Pra quê tradutor? Cê pode treinar seu inglês.
- Claro, amor... com a Julianne Moore!


Ironicamente, meu blogspot resolveu falar inglês comigo desde hoje.

*

30.7.08

Todo Dia Era Dia de Índio

E então eu descubro aqui, aonde cheguei através desse blog aqui, que se eu fosse filha da Baby Consuelo, meu nome seria...

...Maracangalha Jovelina!

Obrigada, mãe.
Obrigada, pai.
Obrigada, Deus.

*

26.7.08

Divã

- Fale-me mais sobre a sua relação com os livros.
- Acho que sou compulsiva.
- Compulsiva?
- Não sei bem se é uma compulsão. Comecei a ler Madame Bovary três vezes. Mrs. Dalloway peguei em duas ocasiões. Nunca consegui passar da metade de O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Mas só tentei três vezes.
- E por quê?
- Parei o primeiro porque me pareceu chato, embora eu saiba que não é. O segundo também. O terceiro... bem, o terceiro também.
- Largou os três e foi ler o quê?
- Não me lembro, mas fui ler outro livro.
- E foi até o fim?
- Sim, terminei. Mas eu não consigo passar por uma banca com mostrador L&PM sem deixar alguns reais com o dono.
- Hum...
- Levei os dois exemplares de Mate-me Por Favor e só dei cabo deles dois anos depois. Recentemente, comprei dois Bukowskis, dois Kerouacs e um Nietzsche. Ganhei a biografia do Tim Maia, do RPM, do Barão Vermelho. Minha mais nova aquisição é um Ian McEwan. Estão todos na estante, me olhando com cara de cachorro em feira de cães: “me leva?”
- E você não levou nenhum deles?
- Não. Tô acabando de ler Europa-Reportagens Apaixonadas.
- Ah, que bom.
- É... tô acabando faz 3 meses...

*

14.7.08

Ontem, Hoje... Amanhã?

Eu não sou mais o que fui.
Eu sou porque fui?
Ou mesmo que não tivesse sido eu seria o que sou?
A quem importa o que eu fui?
A quem importa o que eu sou?

Eu não sinto mais o que sentia.
Eu sinto porque não sentia?
Ou mesmo que tivesse sentido eu sentiria o que sinto?
A quem importa o que eu senti?
A quem importa o que eu sinto?

Eu sou mais o que não fui.
Eu sinto mais o que não sentia.


*

6.7.08

Se Beber, Volte de Táxi

E então o governo decidiu que pra diminuir o número de acidentes de trânsito, ele tem que acabar também com o lazer de um número grande, bem grande de pessoas.

A Lei Seca não é propriamente “seca”. Porque permite que você dirija sob o incrível efeito de até 2 decigramas de álcool por litro de sangue (menos de um chope). E não proíbe ninguém de beber, só veta a direção depois de pelo menos um inocente chopinho.

Eu ainda não tenho uma opinião totalmente formada sobre essa lei. Sei que me vi obrigada a fugir de uma blitz há 15 dias, que fez parar a Avenida Paulista à uma e meia da manhã. Não por nada, nem tinha bebido, mas eu tava com sono e fugi, mesmo (do congestionamento, na verdade). Ontem, meu coração acelerou. Uma da manhã, eu estava voltando para casa do namorado, de novo morrendo de sono, quando avistei aqueles giroflexes na Avenida Ibirapuera. Falei: fodeu! No que ouvi do meu lado, o namorado: fodeu, mesmo! Eu tinha bebido uma garrafinha long neck e meia de cerveja. Isso dá bem mais que 2 dg de álcool por litro de sangue, que não me fazem nem cócegas nos dentes.

Já conversei com médicos que explicaram que apenas um chope ou uma taça de vinho é suficiente para alterar os reflexos de uma pessoa. Mas não os meus. Eles confirmam: isso varia de organismo para organismo; de acordo com o peso, altura e resistência que cada um tem ao álcool. E a minha é boa. Pois ontem me vi prestes a assoprar aquele canudinho chamado bafômetro, perder a carteira de habilitação e pagar MIL reais de multa por causa de uma long neck e meia que não me faz ser capaz de matar nem uma mosca, quanto mais alguém no trânsito. Felizmente, o PM deve ter ido com a minha cara e não me parou.

Eu sou a favor de medidas que visem a tentar diminuir o número de acidentes e de vítimas do trânsito. Mas... pêra lá! Eu, dezenas de pessoas que conheço e tantas outras milhares não são bêbadas loucas que enchem a lata e saem dirigindo por aí. Há que se punir os bêbados e não as pessoas que bebem moderadamente, com responsabilidade, inclusive na hora de dirigir.

Antes desta, existia uma outra lei, cuja tolerância era um pouco maior: 6 decigramas de álcool por litro de sangue, o equivalente a 2 chopes. Não é razoável? E por que nunca ninguém fiscalizou essa lei? Por que nunca se aplicou? Por quê? A fiscalização intensificada desta vez me faz acreditar que, a despeito de tentar diminuir a tragédia, o governo quer mesmo é arrecadar mais.

A saber: no Canadá, Estados Unidos e Inglaterra, o limite é de 8 decigramas de álcool por litro de sangue. Em Buenos Aires, são 5 decigramas. O país mais rígido da Europa é a Noruega, com tolerância igual a do Brasil.

Mas como eu disse antes, ninguém está proibido de beber, e sim de dirigir depois de beber. Então, já que o objetivo não é fazer as pessoas pararem de beber, cadê as alternativas para elas? Eu vou ao bar de táxi? Volto de táxi? Com isso, tenho que reservar pelo menos 50 pilas extras. Se eu sair para dançar, tomar duas cervejas e quiser voltar de madrugada, mando o motorista do Lula me buscar? Cadê os “night buses” de Londres? Ah, não tem. E Metro funcionando até 2 da madrugada? Ah, também não tem. Qual é o objetivo da lei, me$mo?

Há quem defenda a rigidez da medida como forma de educação à população. Conversei com um médico que teve uma irmã morta em um acidente provocado por um bêbado. Ele diz que o choque é positivo. E que depois de um tempo o governo poderia flexibilizar a tolerância mínima. Outro acha que devemos abrir mão um pouquinho da nossa liberdade individual em nome de um bem comum maior. Tudo isso parece lindo. Eu concordo 100% com as teorias. Mas quando me vejo com o coração na boca ao passar por uma blitz por causa de uma long neck e meia, depois de ter trabalhado a semana toda que nem uma camela do Saara e de ter pago todos os meus caros impostos em dia, eu nutro ódio, ódio, ódio pela Lei Seca.


A saber 2: O crítico de gastronomia da Folha de São Paulo, Josimar Melo, escreveu um ótimo artigo sobre o tema: aqui.

*

30.6.08

Criou Fama...

Diálogo bizarro com a chefia no plantão de fim de semana:

chefe: você vai sair hoje à noite?
tata: er... hum... cof, cof... acho que vou.
chefe: então, leva um gravador para fazer matéria sobre a Lei Seca.


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24.6.08

Drughouse

Eu me apaixonei pelas músicas logo que ouvi há tempos. E depois as bizarrices foram ganhando mais espaço. E mais. E mais. Até que só tinha espaço pra as peripécias nada saudáveis e não mais para as músicas.

Eu não entendo porque Amy Winehouse é tão notícia. “Amy peida na porta de boate em Camden” – capa de jornal. Sites reproduzem a notícia e ainda repercutem o pumzinho da diva com quem estava na fila: “Eu esperava para entrar na boate, quando ouvi um som parecido com uma flatulência (duvido que inglês fala “flatulência”). Olhei pro lado, e era Amy. Ela tinha soltado um pum.” – diz o vendedor Fulano de Tal, 25.

Daqui do outro lado, vou acompanhando com interesse carniceiro e com um tanto de dó as desventuras da moça. Internada de nooooovo, depois de um desmaio, o pai diz que ela tem enfisema pulmonar e se não parar de fumar crack e cigarros e se não se mantiver longe de más companhias como Pete Doherty, vai morrer. A assessoria se apressa em divulgar que Mr. Mitch se expressou mal e que ela não tem a doença. Mas pode vir a ter. Fora a novela mexicana que é o relacionamento dela com o tal do Blake.

Faz tempo que não se lê nada aproveitável sobre a coitada. Não está compondo. Não está gravando. Não está produzindo. E cada show confirmado é uma emoção: será que ela vai estar bem? Será que vai estar viva? Ou vai fazer o papelão que fez no Rock in Rio Lisboa (sem voz, desafinada, esquecendo as letras, visivelmente zoada, com direito a queda no palco).



Meu anfitrião em Londres defende a tese de que ela faz tudo isso de propósito, para vender mais discos (Back to Black bateu recorde de vendas não faz muito tempo). Ele acha que não é possível que uma celebridade não saiba que vai ser perseguida por paparazzis aonde quer que vá e que, por isso, deveria manter a compostura. Então, só pode ser proposital, para estar sempre em evidência e vender mais discos.

Eu discordo. Acho que é possível ela ser sem noção, sim. Aliás, acho que ela é tão zoada/drogada/mal amada, que nem se importa com fotógrafos e jornalistas e quetais. E vai acumulando bizarrices na vida, nem aí com a repercussão que isso tem.

Muito bem, cá estou eu praticando justamente o que critico e falando sobre os fatos importantíssimos da vida de Ms. Winehouse. Que, cá entre nós, deveria fazer numerologia e mudar o nome para Drughouse.

It’s a pity!


*

23.6.08

Pelada

Foi mais de um ano sem contato com os gramados. A chuteira 1.0 foi usada apenas algumas vezes. Semi-nova, portanto, jogada no sapateiro, coitada, morria de inveja dos outros pares que saíam e voltavam de lá constantemente. E ela, nada.

Eis que num domingo nublado ela foi delicadamente tirada do armário escuro e, empolgada, foi amarrada aos meus pés. Pés (tronco e cabeça) que não viam um gramado há mais de 1 ano.

A uma hora e pouco de pelada com as meninas devidamente vestidas foi animada - ignorando as partes de falta de ar e o desempenho pífio.

Adrenalina, endorfina... E um relaxante muscular, por favor.

As pernas doem. Os pés. O abdôme. As costas doem. Os braços. Os músculos do rosto ainda estão intactos.

E quero só ver eu ir trabalhar de cadeira de rodas amanhã.


*

18.6.08

Videogame do (des)Amor

Na comédia romântica Terapia do Amor, Uma Thurman faz o papel de uma mulher de uns 35 anos que conhece e começa a namorar um rapazote de 20 e poucos. O argumento do filme tem outros elementos interessantes como o fato de a terapeuta da Uma ser a mãe do moço. Mas lá pelas tantas, super apaixonada pelo menino, a Uma conta pra uma amiga que ele quer um Playstation e que ela tá pensando em comprar de presente. No que a amiga prontamente responde:

- Você gosta da sua vida sexual? Então, NÃO faça isso!

Mas ela faz. E tudo vira mais ou menos um caos.

Eu tenho lembrado dessa cena constantemente, muitas vezes nos últimos 15 dias. Mais precisamente toda vez que ouço a frase:

- Tata, eu vou comprar um Playstation.


*

15.6.08

Cada Um no Seu Cada Um

O mundo não cansa de me surpreender. Não sei se estou ficando velha, se sou preconceituosa ou se apenas e tão somente tenho bom gosto. O fato é que sempre perco o surgimento de sucessos fabricados. E vou descobri-los quando a minha mãe me pergunta se eu “já vi aquela pouca vergonha” ou quando a torcida do Flamengo canta o Créu no Maracanã lotado (e eu, invariavelmente, não entendo e acho que todo mundo enlouqueceu).

Eis que ontem fui apresentada à mais uma bizarra mania nacional: a Dança do Quadrado. Mas, veja, a portadora da boa notícia me apresentou esse vídeo, feito pelo Kibe Loco. Que, convenhamos, é tão surreal, que fica engraçado.



Mas como tudo sempre pode piorar, é claro que o vídeo foi baseado em uma música que existe de verdade. Sim, isso existe, para minha surpresa. Numa pesquisa rápida no Youtube, encontrei vídeos da incrível Sharon, entoando sua rima rica em Porto Seguro, lá nos idos de 2007, e no programa do Luciano Huck.

Quando alguém rima “a-ado” com “quadrado” e faz sucesso na televisão, é de se revoltar e perder a fé na humanidade. A parte boa é que essas merdas somem na mesma velociade com que surgem. Ou sou eu que tô ficando velha e preconceituosa?


*

7.6.08

Será que Vai Chover?

Se você quiser saber como vai ficar o tempo no final de semana, é só perguntar se eu vou estar de plantão.

O tronco quase sempre é garantia de lindos dias de sol.

Nhé!


*

2.6.08

Mulheres Lindas de Dar Ódio

É uma espécie de seqüência do Feios Mais Lindos do Mundo.
Pensei aqui em algumas moças de quem tenho raiva, de tão lindas que são. Depois, pedi ajuda para os seres humanos do sexo masculino que são escravizados na mesma senzala que eu. E por fim, a palavra do namorado, com quem eu nem concordei muito. Mas é namorado e a gente considera.


1º - Natalie Portman
Toda vez que eu olho essa moça na tela eu fico até emocionada. Eu, ao contrário de boa parte das mulheres heterossexuais, não tenho problemas em reconhecer e admirar a beleza feminina.



*
2º - Scarlett Johansson
Lugarzinho comum, eu sei. Mas todos os rapazes consultados citaram a moça como uma das mais lindas do mundo. Tá, sinto um odiozinho quando olho pra ela.

Tá aprovada.

*
3º Penélope Cruz
A espanhola-queridinha-de-Pedro Almodóvar abocanhou a terceira colocação, numa disputa acirradíssima com Johansson. Boa parte dos rapazes prefere a latinidade da moça...

nem com um chapéu de chef na cabeça ela fica feia.

*
4º - Mônica Belucci
Não sei se entraria na minha lista de “Lindas de Dar Ódio”. Nem é linda de morrer, mas tem um charme absurdo.

O que lhe garante o quarto lugar na lista.

*
5º - Angelina Jolie
100% dos homens consultados citaram essa moça. Se não de bate-pronto, depois de pensar 3 segundos. Honestamente, eu não concordo. Sra. Pitt não entra na minha lista de Mulheres Lindas de Dar Ódio.

Mas vai uma fotinho de brinde.



Certamente, eu devo ter esquecido de várias moças que despertam a ira feminina.
Manda lá!

*

29.5.08

Possibilidades

E então eu ganhei um livro sobre viagens de um fã - eu juro que eu tenho um e isso é ao mesmo tempo incrível e constrangedor. Chama Europa, Reportagens Apaixonadas e o autor é o criador da revista Viagem e Turismo, o Ronny Hein (hein???). Não é um guia turístico, veja bem. Aliás, passa bem longe disso. É um livro sobre cidades européias, escrito tão lindamente, que eu já devorei Londres, Paris, Mallorca, Veneza e Lisboa e adjacências. Suspirei muitas vezes a cada página lida.

Voltei a fazer contas. Pensei no meu popular 1.0 2001/2001 implorando pra ser vendido e no 2008/2009 na concessionária implorando pra ser meu. Pensei em todos os apartamentos que eu visitei um ano atrás e no gerente da Caixa Econômica esperando a minha visita desde então. Pensei naquela história de levar filho em estádio e na vaga de emprego que um dia eu talvez pretenda do outro lado do oceano. E pensei que talvez eu possa ter 60 anos, ser solteira, morar com a minha mãe, ter um Celta 2009 e o lugar mais distante explorado por mim ser Parati. E me deu uma vontade de chorar...

*

27.5.08

Os Feios Mais Lindos do Mundo

Eu tenho um gosto esquisito. Não sei que critérios eu levo em conta para considerar um homem bonito. Apesar de quase sempre concordar com as unanimidades (com exceção do Raí, que, ok, é gostosão, mas nunca ninguém vai me convencer de que seja um homem bonito), eu costumo simpatizar com... hum... esquisitinhos. Homens que não têm um rosto harmonioso, tudo no lugar, boca bonita, nariz bem feitinho, sorriso lindo, olhos perfeitos e quetais. Eu gosto dos defeituosinhos.

De modo que – eu sempre falo “de modo que” - elegi os meus Feios Mais Lindos do Mundo.

1º - Adrian Brody
O ator protagonista de O Pianista ocupa o topo da minha lista, tranqüilamente. Pra mim, ele é o feio mais lindo do mundo.


Ele tem olhos verdes, o que é um belo atrativo. Mas repare no tamanho do nariz, da família do tamanduá-bandeira!
*

2º - Guga
Ele é simpático, carismático, tem jeitão de moleque, fez todo mundo chorar quando mal conseguia falar – de tanto chorar – na entrevista coletiva em que anunciou a aposentadoria precoce. Ele é tudo isso. Menos bonito, tenha dó.


Ele é magricelo, aqueles cachinhos são uó, tem um sorriso esquisito... Mas pra mim só perde pro Pianista na lista dos Feios Mais Lindos do Mundo.
*

3º - Sean Penn
Outro narigudo de olhos claros (será fixação?). Ele tem cara de cafajeste e eu costumo preferir os angelicais molecotes. E o nariz grande não combina com a boca pequena. Enfim, ele tem um rosto meio... desarmonioso.


Mas eu gosto.
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4º - Chico Diaz
Outro de olhos reluzentes (Jesus!!!). Eu já gostava dele desde Baile Perfumado, que vi no cinema antes de completar 20 anos – apesar de ele já ter feito uns 20 filmes antes desse. E fui gostando mais, mais, mais...


...a ponto de ele vir parar aqui, no 4º lugar.
*

5º - Billy Corgan
Muito prazer, este é o vocalista do Smashing Pumpkins!
Disputou o quarto lugar com o Chico Diaz, mas caiu pra quinta colocação, porque eu me lembrei do brasileiro primeiro. Adota o visual careca e carecas não fazem meu tipo. Ele tem um rosto meio andrógino, que passa bem longe da beleza perfeitinha.


É, eu realmente prefiro os olhos claros.


Ainda passaram pela minha cabeça:
- Daniel Day-Lewis;
- Silvinho, que foi lateral do Corinthians quando eu freqüentava estádio com alguma assiduidade;
- Gamarra, que eu admirava tanto que ficou lindíssimo aos meus olhos;
- Robinho (sim, o da pedalada);
- Marcos, goleiro do Palmeiras;
- Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys, que tem cara de moleque - aliás, uma cara bem tortinha.

Faltou alguém?

*

21.5.08

Baby Boom

É tanta amiga e gente ao meu redor grávida e tendo filho que eu fico até sugestionada (eu não vou ter um filho agora, que fique claro, pra quem não entender a piada).

- Amor, que ano vai ser a Copa aqui, mesmo? Em 2010?
- Não, Tata. 2014.
- Nossa, tá chegando!
- Tá nada. Faltam 6 anos ainda.
- É que quando o Brasil foi anunciado como sede, eu fiquei pensando que eu queria levar meu filho pra ver um jogo da Copa.
- Filho?
- É, ué. Mas eu pensava que ele ia ter... sei lá... uns 2 anos.
- Tata, é proibida a entrada de crianças de 2 anos no estádio. Só pode a partir de 6 anos.
- Sério?
- É.
- Nossa!!!!!!
- O quê?
- Então, ainda dá tempo, né?


*

14.5.08

Barbeiro?

Passantes da Avenida Paulista, em São Paulo, foram surpreendidos nesta terça-feira por um motorista que confundiu a entrada da garagem com uma... escada!



Que fique claro: o motorista é homem, garantem as testemunhas!

*

7.5.08

Holidays In The Sun

Tem mil coisas pra dizer sobre Londres, but the time is over. Tudo já voltou a ser como antes na segunda feira e, se eu bem conheço a minha rotina, até eu voltar aqui pra escrever sobre a viagem... De modo que este será o último relato sobre a Terra da Rainha – até porque, convenhamos, ninguém agüenta mais esse assunto...

Tower Bridge

Como Londres é nublada a maior parte do ano, o sol é um evento por lá. Um evento, mesmo! Bastou ele aparecer para as pessoas se jogarem sob ele: nos parques, nas mesas na calçada, ou na própria calçada. Grupos se aglomeram na faixa iluminada pelo astro rei para tomar cerveja, fazer um lanchinho ou jogar conversa fora. Quando tem sol, os britânicos se atrevem até a... sorrir! A fisionomia das pessoas muda. É muito louco! Meus anfitriões me fizeram prestar atenção nisso e é verdade. Todos ficam mais alegres e gentis quando o sol dá as caras.

A previsão do tempo na televisão é algo muito, muito importante, eu percebi. “Amanhã vai fazer sol entre nuvens” e todos comemoram abrindo uma garrafa de vinho!

uma tarde em Bricklane, ao sol que arde em Bricklane

Como é sabido, Londres tem uma infinidade de parques. É lindo ver como os moradores da cidade se apropriam do espaço público como se estivessem... em casa. Afinal, se o espaço é público, é mais ou menos pra isso que ele serve, para as pessoas se apropriarem dele. De modo que eu presenciei cenas belíssimas de gente almoçando na praça, nos parques, fazendo um lanchinho sentado na grama, num banco no meio da rua. Até reunião de trabalho no Green Park eu vi! Juro que essas pessoas aí embaixo faziam anotações em agendas e uma delas até portava um laptop.



Foi nesse dia que, fingindo que eu era londrina – depois de ver a troca de guarda no palácio de Buckingham, como uma turista legítima – resolvi relaxar no Green Park. Existem espreguiçadeiras espalhadas por todo o parque. Mas há quem prefira a grama, à sombra de uma árvore. Escolhi o par de cadeiras que mais me aprazia e me joguei. Mochila em uma cadeira, eu na outra. Abri meu livro e desfrutava tranquilamente de uma tarde de sol, quando um homem se aproxima de mim, com uma máquina pendurada no ombro por uma alça. O diálogo abaixo é absolutamente fiel à realidade:

- Your ticket, ladie.
Tata pêga de surpresa, só conseguiu perguntar:
- For what?
- Chair is not free.
Tata mais surpresa e estupefata ainda, não teve tempo para pensar como perguntava quanto teria que pagar por ela e respondeu:
- Reeeaaally? Sorry, I didn’t know. I’m sorry!

Homem se afasta balançando a cabeça, negativamente. Tata humildemente guarda seu livro, sua garrafa d’água, recolhe sua mochila e vai procurar um pedaço de grama, onde possa ler em paz. E de graça.

Green Park, 13h de uma quarta feira

Por fim, é muito confortável constatar que você pode voltar pra casa de metrô e andar duas quadras e meia até em casa às 11 e meia da noite, sem se preocupar muito se a sua carteira vai continuar dentro da mochila pendurada nas costas quando você chegar. Porque ninguém vai tirar ela de lá. Tem assalto? Tem, como em qualquer lugar do mundo. Um pouco antes de eu chegar, uma amiga da minha anfitriã foi assaltada perto da casa dela. Um sujeito a abordou com uma faca, pediu a bolsa e foi embora. Mas não aproveitou a abordagem pra dar dois tiros na moça, uma facada ou uma porrada na cabeça dela. Levou o que queria e acabou. E essa diferença é importante. As pessoas não vivem tensas porque podem ser roubadas e mortas a qualquer momento na rua, no ônibus, no semáforo. Porque a freqüência dos crimes e a crueldade deles é infinitamente menor. Enfim, não sei se me fiz entender...

pôr-do-sol, visto da Waterloo Bridge, às 20h37

Me parece que Londres poderia ser uma cidade embrutecedora também, como São Paulo é para mim. Mas voltei de lá convencida de que é possível evitar esse processo terrível com atitudes simples de gentileza, de civilidade, de cidadania. A nossa cidade funcionaria muito melhor, não obstante a falta de assistência do poder público. Voltei disposta a resistir ao embrutecimento, ao estresse, à loucura que os congestionamentos provocam, ao mau humor e à falta de educação das pessoas praticando pequenos gestos. Pode parecer piegas e polyana demais, mas... você já deu um sorriso hoje? Deu passagem para o motorista que ligou a seta do carro e pretendia entrar na sua faixa? Quantas vezes você acionou a buzina? Deu bom dia para o seu vizinho no elevador? Tratou bem o garçom que te atendeu no restaurante? E a moça do caixa do supermercado?

Experimente!

*

5.5.08

This Is Radio Clash

Música e Londres são quase sinônimos. Ou será que foram meus olhos e ouvidos viciados que me deram essa impressão? 90% dos jovens passam a vida londrina com fones nos ouvidos, segundo pesquisa feita por mim mesma. No ônibus, no metrô, na bicicleta, nas ruas. É tanta gente com fone no ouvido que me chamou a atenção. O que eles ouvem? Não faço a menor idéia, mas a julgar pelos shows anunciados no The London Paper - o jornal que te entregam na rua - o róque domina.

Sabe aquelas bandas inglesas de quem você nunca ouviu falar, que pululam do nada na mídia daqui? Elas surgem nos palcos de pubs de Old Street, Liverpool Street, Camden Town e cercanias, com entradas que giram em torno de 5 pounds - tipo de graça. Eu gostaria muito, muito de ter presenciado o nascimento de algum fenômeno musical da última semana, mas não me foi possível. Isso porque meus anfitriões e benhê não são tão afeitos a novidades musicais e eu achei melhor poupá-los da minha sede por elas – mesmo estando em Londres.

Isso significa dizer que eu perdi um festival bem bacana. O Camden Crawl acontece uma vez por ano, na sexta e no sábado – exatamente no fim de semana em que eu habitava a cidade. Todos – ou quase todos – os Pubs de Camden participam. Várias bandas são convidadas e tocam nesses Pubs. Pagando a bagatela de 40 pounds (cerca de 130 reais) você ganha passe livre para todos os shows. Dos milhares de artistas que participaram do Camden Crawl eu conhecia apenas o cara do Babyshambles – que não é o Pete Doherty, que estava (ainda está?) enjaulado - o Boy Kill Boy e os meninos do The Fratellis, de quem importei um CD e que lamentei bastante não ver.

fila em frente a um pub em Camden, às 23h do sábado

Também cogitei ir a um show do The Kills, na minha última noite londrina, mas não rolou.
NOTA: o guitarrista do The Kills é o namorado da Kate Moss (adivinha quem tava na capa do London Paper no dia seguinte ao show?).

Bem, como não poderia deixar de ser, fomos ver um showzinho por lá: os suecos do The Hives, que tocaram no Brixton Academy no dia 18 de abril, uma sexta feira. É estranho chegar a um show de róque às 19h, com o sol brilhando. O Brixton estava lotado. E foi bão! Não dava pra ir até lá e não assistir a pelo menos um showzinho!


Amy Winehouse é rainha em Londres. Mais rainha que a Rainha! Ela está em todos os lugares: toca no Mc Donald’s, no Pub, na loja de roupas, na TV e estampa capas de jornais. Eu fui ao Pub preferido dela - dizem. O original pegou fogo no incêndio de fevereiro em Camden e hoje ostenta uma faixa de solidariedade dos freqüentadores.

"Camden Town is burning down"

Os donos “transferiram” o Hawley Arms para um outro lugar, em Angel. Dizem que é o bar favorito de artistas hypados como Ms. Winehouse e os caras do Razorlight. Perguntei pro barman se os rapazes do The Horrors costumavam tocar lá. Sem pestanejar, ele respondeu: No, they use to drink here! Nas paredes, mais de uma dúzia de fotos autografadas dos freqüentadores do estabelecimento.



Eu já disse que eu amei Camden – reeaaally? – de paixão e toda sua fauna diversificada? Lojas, camelôs, gente diferente e colorida. E eu já disse que andava por lá muito atenta, de dia ou de noite, porque eu poderia ver a Amy passando na rua a qualquer momento?

(PAUSA PARA AS GARGALHADAS)


Eu tinha raiva quando eu lia no jornal que ela tinha estado lá na mesma noite que eu e eu não a vi! Pensava: droga, perdi! Mas aí, quando eu me atentava ao horário em que ela armou algum barraco, eu entendia: enquanto Amy barbarizava em Camden, cuspindo em um rapaz e batendo em outro, eu dormia sob meu edredon, quentinha em casa, às 4 da manhã (adivinha quem estampou a capa do London Paper no dia seguinte a esse?).

A Inglaterra produz uma nova Amy Winehouse por semana. Mas, sem dúvida, a garota sensação por lá até o mês passado (é importante datar, considerando a velocidade das descobertas musicais) é Adele. Ouça com seus próprios ouvidos.

Em tempo: comprei, um dia antes do lançamento, o CD de estréia do The Last Shadow Puppets. É o novo projeto de Alex Turner, vocalista do... er... Arctic Monkeys, com o Miles Kane do The Rascals. Clica aqui , ouve The Age of The Understatement e vê o clipe dela. Recomendo!

É irritante você ler todos os dias que algum festival de verão anunciou mais uma banda. Sendo que você gosta desta banda. E gostaria muito de ir a algum desses malditos festivais pra ver setecentas bandas em 3 dias. E mora em São Paulo. E aqui faz frio em junho.

By the way, na França, durante um percurso de carro, ouvi por cerca de uma hora uma rádio chamada Le Mouv. Flagrei – e ria à toa - uma seqüência incrível de Clash, Phoenix, Keane, Arctic Monkeys, Panic At The Disco!, The Killers, Editors, Razorlight e Radio 4, mesclados com bandas que cantam em francês. Tá bom pra você?


(continua só mais uma vez)

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2.5.08

London Fashion Week

A democracia estética em Londres é total. Embora exista, claro, “a roupa” ou “o modelo” da moda, as pessoas se vestem como bem entendem. Isso significa combinações bem esdrúxulas de cores, estampas e estilos. Os cabelos são das mais variadas cores. E o incrível é que ninguém está nem aí para o modo como as pessoas se apresentam. O que quer dizer que você pode sair na rua travestida de Cleópatra, que ninguém vai olhar para você.

escadaria do British Museum

Mas como eu disse, existe uma moda. Assim como por aqui, a onda masculina descolada é vestir calça skinny, aquele jeans justo no corpo até o tornozelo, com a qual o meu anfitrião – adepto das calças “de macho” – não se conforma. Rapazes costumam combiná-lo com tênis All Star ou botas. Na moda feminina, ninguém ganha das galochas estampadas, uma febre que também já chegou por aqui. Bastou Kate Moss ser fotografada vestindo ou calçando algo, que vira moda. Há quem diga que as galochas estampadas foram vistas primeiro nos pés dela.
Camden Town Station

O assustador é constatar que a maldita moda anos 80 não vai embora nunca mais. E nas vitrines é possível encontrar atrocidades como esta:

lembra do Reebook que você teve aos 12 anos?

As mulheres vivem maquiadas. Muito maquiadas, não importa a hora do dia. 10h da manhã e é um festival de blush e sombras coloridas. Inclusive – ou sobretudo – as muçulmanas, que andam com aqueles lenços na cabeça e só mostram o rosto. Dá um pouco de aflição de tanta meleca na cara tão cedo do dia.
Os cabelos dos rapazes são quase sempre desgrenhados, estilo rocker, descuidada ou propositalmente. Piercings também estão lá para dar e vender. Estranho é o jovem que não tenha pelo menos um no corpo. Os ingleses são lindos! Nunca vi uma concentração tão grande de olhos claros em apenas um vagão de metrô. Uma beleza! Mas como eu disse, ninguém olha pra você, nem adianta se animar.

E anote o que eu estou dizendo: no verão, a moda por aqui para proteger os olhos do sol vai ser isso aí.

e não se trata de festa de casamento

O povo de lá é meio andrógino, percepção que proporcionou pelo menos uma cena engraçadíssima e um tanto embaraçosa. Eu e minha companheira de viagem – sim, eu tinha uma, carinhosamente chamada por mim de benhê – procurávamos um banheiro em algum estabelecimento da Oxford Street. Entramos num Starbucks. Na porta do banheiro feminino, um claro símbolo de... banheiro feminino. Benhê abre a porta e se depara com um ser humano se olhando no espelho. Num ímpeto, pára, arregala os olhos, volta um passo e olha para a porta, querendo se certificar de que tinha entrado no banheiro certo. Pergunto pra ela: meninas? E a moça de cabelos curtíssimos, ajeitando as costeletas em frente ao espelho, responde sorridente e com a voz mais doce do mundo, como se tivesse entendido meu português: yes, ladies!

(ai... continua)

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28.4.08

Mind The Gap

Pra mim, que sempre morei em São Paulo, foi muito diferente viver, mesmo que só por 20 dias, em cidades que efetivamente funcionam harmoniosamente.

Digo viver porque, ainda que eu fosse turista em Londres, experimentei de parte da rotina dos meus incríveis anfitriões, sem os quais eu teria feito uma viagem completamente diferente e, certamente, menos interessante. Não fiquei em hotel ou albergue. Fiquei hospedada na casa deles, com cópia da chave no bolso e um telefone celular na mochila para combinações de encontros e eventuais pedidos de socorro. O que, evidentemente, me deu muito mais segurança a um ser humano perdido numa cidade daquele tamanho.

Logo na chegada, do aeroporto para casa, fomos de metrô. Uma hora e vinte de trajeto, com uma baldeação, para, segundo eles, eu não querer me locomover por meio dele nunca mais. Todo mundo sabe que o transporte público funciona bem por lá (quem nunca viu aquele mapa das linhas do metrô, que se transformou em estampa de vários produtos caça-turista?). Uma coisa é saber, outra coisa é fazer uso dele. É incrível poder ir para qualquer, QUALQUER lugar da cidade de metrô.



No primeiro dia, carregando mala e cuia, quase fui atropelada por ingleses desembestados que desciam correndo muito a escada rolante interminável. Ninguém tinha me explicado uma mecânica simples: se quer ficar parado na escada rolante e deixar que ela faça o trabalho de te levar até lá em cima (ou lá embaixo), pare do lado direito. O lado esquerdo deve ficar livre para quem tem pressa. Tá entendido?

stand on the right

Eu andava com o Oyster, que é mais ou menos o equivalente ao bilhete único de São Paulo, recarregável. Você encosta o cartão na catraca da estação em que vai embarcar e depois faz a mesma coisa no desembarque. Dependendo do trecho que você percorreu, é cobrado um valor, que fica em torno de 1,50 libras. O Oyster também funciona nos ônibus. Com ele, em vez de você pagar 2 libras na tarifa, paga apenas 90 cents. E depois de gastar um determinado valor em transporte em um dia - se não me engano são 5 libras -, você pode fazer todos os demais percursos sem cobrança de tarifa. E pode consultar na tela do terminal os percursos que você fez.

quase não fomos a Camden

Para mim, andar de ônibus foi um pouco mais difícil. Todo ponto tem um mapa enorme do lugar onde você está e do trajeto dos ônibus que passam ali. De modo que se você não sabe exatamente para onde vai, fica difícil. Além disso, nem sempre aquele ônibus passa onde você precisa ir. E se for necessário tomar dois deles, fica mais difícil ainda. Enfim, não preciso dizer que sempre que podia optar andava de metrô.

Dentro de todos os ônibus existe um letreiro luminoso e uma vozinha que indica que linha é aquela - pode ser útil em caso de bebedeira e avisa qual é o ponto seguinte. No metrô a mesma coisa, além do famoso Mind the gap, que há algum tempo foi adaptado e ganhou um please antes e um between the train and the plataform depois. Nas plataformas, outro letreiro informa quanto tempo falta para o próximo trem se aproximar, o nome dele e que linha ele faz - porque em algumas estações, na mesma plataforma passam dois trens diferentes. Ou seja, só se perde quem sofre de desgoverno agudo, o que ainda não é o meu caso.

Ainda que o transporte público funcione bem, obrigada, muita, muita gente se locomove de bicicleta. Claro que ajuda muito o fato de se tratar de uma cidade plana. Ajuda mais ainda o fato de os motoristas serem civilizados e respeitarem os ciclistas. Minha anfitriã loira e linda é adepta da bicicleta - com cestinha para carregar a bolsa – para ir e voltar do trabalho. Ela diz que além de ser mais saudável, economiza uma grana e tempo. É mais rápido ir para o trabalho de bicicleta do que de ônibus - por causa do trânsito - e até do que de metrô.


Londres também tem congestionamento nos horários de pico. Para tentar amenizar o problema, em 2003 entrou em vigor a congestion charge na área central da cidade - algo como o centro expandido de São Paulo, em menores proporções. Qualquer veículo que circula por lá em determinados horários paga um pedágio de 5 libras por dia. É bem caro. E a idéia é essa, mesmo: fazer as pessoas deixarem o carro em casa. O dinheiro arrecadado é investido em melhorias no transporte.

A idéia já foi cogitada por aqui. A única pequena, sutil e quase desimportante diferença é que Londres tem um sistema eficiente de transporte.

Todas as calçadas por onde passei tinham guias rebaixadas para deficientes e uma ranhura no chão para auxiliar os cegos na travessia da rua. Tudo bem que as novas calçadas da Avenida Paulista também têm. E onde mais, mesmo?

Em tempo, outra diferença gritante, engraçada e óbvia é a mão de direção das ruas e os carros. Não dá para achar normal as direções do lado direito e passar a marcha com a mão esquerda! E por várias vezes eu corri o risco de morrer atropelada, quando olhei pro lado errado ao atravessar a rua.

(continua)

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Londres - A Chegada

Meu maior medo nem era voar, ficar sem fumar por 12 horas e agredir a aeromoça por causa da abstinência, nem o risco de dividir a fileira com uma pessoa de mais de 120 quilos - que certamente ocuparia parte da minha poltrona. Era a imigração! Esse monstro que a mídia daqui criou na minha cabeça, com tanta notícia terrível de que os agentes malvadões mandaram pencas de brasileiros de volta de vários países.

Fui preparada. Levei um calhamaço de documentos que comprovam vínculo com o meu país, carta da empresa assinada pelo chefe, dizendo que eu sou importante para o bom andamento dos trabalhos, dinheiro vivo, passagem de volta emitida, nome completo, endereço, telefone e profissão dos meus anfitriões e toda a sorte de papéis relevantes. Na fila, ensaiava respostas mentais para as possíveis perguntas que me seriam feitas. E estava calma. Até chegar a minha vez. Tudo bem que eu tenho um histórico de desconforto em postos de imigração (a foto do passaporte é digna de uma traficante procurada pelo FBI), mas dessa vez foi demais.

Foi bem difícil convencer o senhor que me entrevistou que eu NÃO SOU TERRORISTA, NÃO IRIA ME PROSTITUIR E TINHA DATA PARA VOLTAR PARA A MINHA CASA. Mesmo mostrando para ele meu dinheiro, minha passagem, o endereço onde eu ficaria, a carta da firma, meu limite do cartão de credito e todos os 700 documentos que eu levei, ele não parava de fazer perguntas. Quando eu pensava “essa deve ser a última”, ele mandava mais uma. Fazia anotações numa fichinha. Levantava a cabeça. Olhava para mim. E perguntava, perguntava, perguntava como se não houvesse amanhã!

No começo, eu tava tranqüila e ele é que começava a se irritar com o meu inglês ruim e todos os “Sorry?” que eu dizia quando não entendia o que ele balbuciava. Mas aquele senhor conseguiu reverter a situação. Passou a nem se importar mais com o meu "hambúrguer" e nem com o que eu respondia e perguntou até onde minha mãe trabalhava, quanto eu ganhava por mês, quem pagou minha viagem, há quanto tempo eu a planejei... Pensei em dizer, por livre e espontânea vontade, que a minha calcinha era branca, antes mesmo que ele perguntasse, mas achei que não seria uma boa estratégia.

Por um momento - por mais de um, na verdade -, achei que o sujeito iria cometer a crueldade de me privar de ver o Big Ben. Mas depois de VINTE minutos, carimbou e assinou um visto de turista por 1 mês no meu passaporte. Filho da mãe!


A primeira impressão que eu tive de Londres, com a qual o senhor agente de imigração contribuiu amplamente, foi que os ingleses não falam inglês. Eles falam um outro idioma qualquer. Você pode dar o nome que quiser, mas aquilo NÃO É inglês. Aquele sotaque é infernal e eu não entendia absolutamente NADA do que aquela gente dizia. Eu gostava mais de conversar com estrangeiros (que é o que mais tem em Londres). Porque o sotaque é diferente e, dependendo da nacionalidade do cidadão, mais fácil de entender. Às vezes, o inglês deles é ruim. Who cares? O meu também é! Então, eles falavam tudo errado, eu também e, no fim das contas, a gente super se entendia. Deu até pra pechinchar preço. Uma maravilha!

Já na loja de CDs, escolhi o que eu queria e fui pra fila. Gente, o moço do caixa só precisava pegar o dinheiro e me devolver o troco. Mas ele quis conversar. Me perguntou se eu tinha encontrado o que estava procurando e aquilo que ele pronunciou não fez absolutamente nenhum sentido pra mim. Olhei, pedindo socorro, pro anfitrião que me acompanhava e fez o favor de traduzir aquele emaranhado de letrinhas que saiu da boca do caixa. Eu sorri amarelo pra ele: Yes, thank you!

(continua)

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26.4.08

I'm Back

Depois de 18 dias explorando as maravilhas de Londres e Paris, estou de volta.

Logo mais, tento escrever algumas linhas sobre a saga.

Por enquanto, me resta dizer que a depressão-pós-europa dói um pouco. E que eu, definitivamente, me estresso com o congestionamento na Marginal do Tietê.

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