2.4.08

London Calling

Eu sempre adorei viajar, mas até me tornar inteiramente responsável pelos meus atos e gastos, nunca pude fazer viagens internacionais ou muito mirabolantes, porque a grana era curta. De modo que enquanto boa parte das minhas amigas da escola passava as férias de julho na Disney, eu ia encher o tênis de lama em Holambra. Enquanto elas iam aos EUA, eu sempre quis ir à Europa, desde as aulas de história e geografia da 5ª série.

Na época da faculdade, alguns amigos foram morar na Inglaterra. Alguns nunca mais voltaram. No alto dos meus 18 anos, eu quis ir também. Não tinha grana. Mais tarde, aos 24, depois de tomar um inesquecível pé na bunda, tive certeza que o melhor que eu tinha a fazer era vender meu automóvel popular e ir lavar pratos e servir gringos em pubs londrinos. Mas não tive coragem de largar emprego, carreira encaminhada, vida em geral e me mandar pra lá.

Acontece que a gente vai tomando um determinado rumo, vai fincando bases e hoje, aos 30 anos, eu continuo fascinada pela Terra da Rainha, sua música, cinema e habitantes, mas não tenho como largar o pouco que construi aqui para ir morar lá, com esse meu inglesinho de merda. Sei que existe bastante gente corajosa o suficiente para deixar bem mais do que eu conquistei e ir embora – mesmo falando um inglesinho de merda. Mas, de novo, eu não tenho essa coragem. E acho que nem quero mais fazer isso.

A solução foi fazer uma boa reserva financeira durante alguns anos para poder passar alguns dias das minhas férias na Inglaterra – tudo bem que a finalidade da reserva não era propriamente esta, mas agora é. E então, depois de 12 anos, finalmente visitarei aquela Inglaterra, como eu sempre quis.

Rezem para que o sujeito que me entrevistar na imigração não decida me mandar de volta, porque eu não sou terrorista, não pretendo me prostituir nem morar lá pra sempre. Quer dizer, acho que não.

*

31.3.08

Odeio as segundas-feiras

E então, no primeiro dia dos 35 que me cabem de descanso, acordei às 7h30 da madrugada com o despertador e o celular se revezando no alarme ensurdecedor. Isso porque eu tenho uma avó. Que é a coisa mais fofa do mundo inteiro, a pessoa mais importante do mundo inteiro e que precisa do auxílio da família para algumas coisas, do tipo “buscar medicamentos na Aclimação, dar uma passadinha no banco e no japonês” (o “japonês” é um mercadinho perto de casa; as compras merecem um capítulo à parte).

Eu não sei de onde surgiu tanta paciência e bom humor de dentro do meu ser, em meio a um congestionamento irritante na 23 de Maio às 8h30 da manhã, debaixo de sol. Mas eles estavam lá e eu prossegui sorridente até o nosso destino – meu e da vó – e voltei com eles também. Passamos no banco, no japonês e duas horas depois eu estava em casa.

Lembrei que não paguei uma conta que venceu na sexta. E não paguei porque o meu contador resolveu aumentar a mensalidade sem me avisar – era essa a conta. Além de me cobrar de 8 a 9 reais a cada boleto que me manda para pagar (o que deveria estar incluso na mensalidade, uma vez que ela é paga também pra isso). Tanto bom humor logo cedo não poderia durar muito, mesmo. Me baixou a Débora e eu resolvi brigar. Liguei no escritório e me disseram que eu tinha que marcar um horário com ele. O que já me parece um absurdo, mas ok, questão de organização. “Sim, hoje à tarde.” No que eu ouvi: “Hoje ele não tem mais horário e amanhã só está aqui pela manhã”. O sujeito extorque as minhas economias e eu não tenho nem hora para reclamar.

Pensei que depois de brigar, eu teria que pagar a conta atrasada. E notei que não me restava uma única folha de cheque. Liguei no (argh!) call center do banco, um atendente me passou para o outro, que me passou para o gerente da agência. Fui orientada pelo simpático Henrique para que fosse até um caixa eletrônico e emitisse algumas folhas avulsas, que ele, gentilmente, extornaria o valor cobrado por elas. Mais tarde, novamente na rua, parei no banco mais próximo da minha residência e nenhum, NENHUM, dos DOZE terminais emitia aquela merda. O décimo terceiro - e único que poderia me salvar - estava fora do ar. Claro que eu desisti e o contador que espere mais um dia e não se atreva a me cobrar multa.

De volta ao lar, tentei fazer um simples DOC de uma conta corrente Pessoa Jurídica de outro banco para uma Pessoa Física pela internet. Foi quando o site do outro banco me informou que para realizar a operação eu deveria pedir a liberação pra algum idiota que me atendesse no maldito... call center.

Eu tenho um pouco de pena do Bruno. Tão simpático, me perguntou “em que posso ajudar?”
PRIMEIRO, VOCÊ PODE ME AJUDAR NÃO ME DEIXANDO MAIS AQUI PLANTANDA QUE NEM UM PÉ DE ALFACE COM ESSE FONE NA ORELHA OUVINDO ESSA MUSIQUINHA IRRITANTE. DEPOIS, VOCÊ PODE ME AJUDAR SE ME DEIXAR FAZER TRANSFERÊNCIA DA MINHA CONTA PJ PARA A MINHA PF EM OUTRO BANCO. VOCÊ PODE ME AJUDAR MAIS AINDA SE ME DISSER QUE EU NUNCA MAIS VOU TER QUE AGÜENTAR TUDO ISSO DE NOVO E NEM PEDIR AUTORIZAÇÃO PRA NINGUÉM PRA MEXER NO MEU PARCO DINHEIRINHO.

O coitado do Bruno concordou, disse “entendo” várias vezes. E me autorizou.

Foi só o primeiro dia de férias. E ele nem terminou ainda.


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30.3.08

Perdidos na Net II

Cada visita à página do Google Analytics é uma gargalhada de acordar o quarteirão às duas e meia da manhã (porque eu tô de férias e nem preciso me preocupar – nos próximos 35 dias – com o horário).

Além de constatar o fracasso de audiência deste blog – o que também é motivo de risadas e, por que não?, de algum alívio – é possível perder a fé na humanidade em poucos cliques.

Como os meus 3 leitores estão carecas de saber, a minha sessão favorita é o “palavras chave” ou “como alguns pobres incautos vêm parar aqui”.

Muitas, muita gente quer saber sobre o modo de vida das pessoas em Cuba.
Lúcia Já Vou Indo também é sucesso absoluto.

Se você também quer desistir de viver neste mundo ou rir um pouco, veja com seus próprios olhos:

- ouvir pregação do tatá (que não sou eu, juro!)

- porque potencial do ação não é retrógrada (hein?)

- o que são seres euribiontes (taí uma boa pergunta!)

- músicas do seriado confição de adolescentes (seria prudente dar uma chegadinha no Aurélio antes)

- fotos de como eu deve usar bota de cano baicho (alguém vê solussão pra eça?)

- católicos e evangélicos financeiramente falando (os donos são milionários, financeiramente falando. Os fiéis, em geral, fodidos)

- carros no rua raspando (deus do céu!)

E a the best of the every world:

- porque pessoas quando vai fazer amor dói depois parece que aça

Alguém ajuda?


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29.3.08

Férias

do Lat. ferias


s. f.,
(no pl. ) dias de suspensão dos trabalhos oficiais;

(no pl. ) folga;

(no pl. ) descanso, repouso.

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26.3.08

Assim, Assado...

Dá pra medir o quanto a gente gosta de alguém, pelo tanto de falta que faz essa pessoa quando ela está longe?

Gente, que coisa doída!

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24.3.08

Contagem Regressiva

Começa hoje:

Faltam apenas 5 dias!

*

18.3.08

Maravilhas do Rádio II

Assessor de imprensa é um sujeito contratado por pessoas e empresas para intermediar o contato deles com os veículos de comunicação. O mínimo que este sujeito pode fazer pelo bem do emprego dele é conhecer bem o cliente que atende e o veículo com quem está tratando.

Isto posto, não há como respeitar um sujeito que envia um e-mail para um jornalista de rádio oferecendo fotos do cliente dele.

Ou o que pergunta: a gravação é ao vivo?

*

13.3.08

Eu Organizo o Movimento

Este blog está às moscas, porque a dona dele foi até 1968 e nunca mais voltou.

Sabe como é? Conflito armado, repressão, manifestações, Caminhando e Cantando e Seguindo a Canção, Uma Idéia na Cabeça e Uma Câmera na Mão, essas coisas...

Mas um dia ela volta, assim todos esperamos.

O problema é que aí já vai estar na hora de ir à Londres e...

whatever...

8.3.08

Freud Explica...

E eu que sempre acreditei nessa coisa de inconsciente, mas nunca levei muito a sério...
Hoje, digo com toda a propriedade: trabalho é igual namorado.

Quando você namora um de quem não gosta e é apaixonada pelo ex, inevitavelmente vai chamar um pelo nome do outro.

E, claro, é uma bosta!

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5.3.08

BOBagem

Eu não costumo desejar o mal de ninguém, mas...

Tomara que o Bob Dylan tenha um mal estar súbito durante a interpretação da primeira música no show de hoje. Nada grave. Só o suficiente para cancelar as apresentações a novecentos reais.

Amém!

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4.3.08

Perguntadeira

E então hoje eu entrevistei o Ziraldo. Não foi sobre o Menino Maluquinho. Foi sobre 1968. Ele contou que viu os homens do exército que chegaram atirando no Restaurante Calabouço, no Rio. E que depois viu a molecada correndo pela rua, carregando o corpo do estudante Édson Luís. Ele estava na janela da redação em que trabalhava. E participou de todas as manifestações populares contra a ditadura. E falou de Pasquim, de Gil, de Caetano, de Chicos - Buarque e Caruso - e de charges e músicas e peças e filmes.

Ele faz algumas pausas longas, como se tivesse perdido a linha de reciocínio. Mas retoma a história exatamente de onde parou, alguns segundos depois. Tem voz de velhinho de 80 anos - tem 75. E me chamou carinhosamente de filha durante toda a conversa por telefone. Lé pelas tantas, me pergunta:

- Filha, quem vai ter paciência de ouvir tudo isso no rádio?

Expliquei que não iria usar a entrevista completa. Depois de 20 minutos, fiz mais três perguntas e achei melhor encerrar. Finalizei, agradeci. E ganhei o dia com as considerações finais do velhinho:

- Você é boa de papo, hein?
- Ah, eu sou "perguntadeira"!? - disse, meio simpática, meio rindo, meio envergonhada.
- Deve ser bom sentar numa mesa de bar e papear com você numa daquelas noites boêmias! Sabe aqueles papos de fim de noite?

Recomendação aos jornalistas: em caso de baixa auto-estima, entreviste o Ziraldo.

*

1.3.08

Qual É a Música?

Há algum tempo, eu perdi muitas horas do meu dia com um joguinho que tocava músicas de trilhas sonoras de filmes e você tinha que adivinhar o nome do longa.

Hoje, gastei a tarde toda nisso aqui. Acertei 61 de 64.

Você, único leitor, que tem 30 ou beira a idade balzaquiana, vai se divertir, eu garanto!

Aproveita e me diga quem raios canta as músicas de número 11, 20 e 42.

Obrigada!

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26.2.08

De Vez em Quando

[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus... como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!

Caio Fernando Abreu

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22.2.08

Nada a Declarar

Não existe nada pior do que entrevistar alguém que não está disposto a dar entrevista. Você faz a pergunta mais bem elaborada do mundo e o sujeito reponde "sim", "não", "não sei", "pergunta pra fulano". Um saco.

Mas esta entrevista de Zeca Pagodinho à Folha de S.P. ficou divertida. Atente para a resposta à primeira pergunta. A parte que eu mais gostei foi "minha vida é que atrapalha a minha cerveja". Ge-ni-al!


FOLHA - Como será seu novo disco?
ZECA PAGODINHO - Ué, de samba. (reeeeeaaaaally???)
FOLHA - Isso eu já imaginava...
PAGODINHO - É o que faço sempre, com Zé Roberto, Arlindo, Almir Guineto, Monarco...

FOLHA - Você compôs algo?
PAGODINHO - Deixo com a rapaziada, porque é uma caderneta de poupancinha pra eles. Tem um pessoal que tá lá atrás, precisando arrumar um qualquer.

FOLHA - Você fez 49 anos agora. Com se sente quase cinqüentão?
PAGODINHO - Tem muita gente que eu conheci que não conseguiu chegar nem a 30 porque ficou doente, mataram, sumiu.

FOLHA - O que acha do Zé da Feira [Eri Johnson], o sambista de "Duas Caras" inspirado em você?
PAGODINHO - As dificuldades de subir na carreira têm a ver comigo. É um cara que lutou, teve dificuldades, o vício da bebida, conheci várias pessoas assim.

FOLHA - O fato de ele ser alcoólatra não incomoda?
PAGODINHO - Mas eu não sou alcoólatra, não ando caído de bobeira na rua. Ele é inspirado, porra, não é o Zeca Pagodinho.

FOLHA - A cerveja não atrapalha a sua vida em nenhum momento?
PAGODINHO - Minha vida é que atrapalha a minha cerveja. Quando tô bebendo, tem sempre alguém pra falar comigo.

FOLHA - Você se irrita por sempre ser procurado para falar de cerveja?
PAGODINHO - Não, isso é porque tô no auge. Se tivesse lá embaixo, ninguém lembrava de mim.

FOLHA - O que pensa sobre o projeto de tornar crime dirigir após tomar mais de duas latas de cerveja?
PAGODINHO - É certo. Fizemos o bloco da Cachaça; a letra do samba dizia que "volante com cachaça não combina, sou um cachaça, mas não sou burro". Fiz um outdoor "Se beber, vá de táxi". Já tão achando que levei uma nota dos táxis, do Detran, não levei porra nenhuma, levei sim uma luta pela vida.

FOLHA - Você dirige após beber?
PAGODINHO - Não, nem antes.

FOLHA - Você não dirige?
PAGODINHO - É porque tô renovando minha carteira, nunca dá, e pra não ficar me aporrinhando vou andando a pé, tem motorista, entro em qualquer carro, "me deixa ali cumpade".

FOLHA - Continua irritado com o ministro da Saúde [que propôs que artistas não anunciassem bebida]?
PAGODINHO - Não, não é um cara de bobeira não, sabe o que faz. Mas tem que ter um projeto mais de educação do que punição. Aí vai prender, e qualquer dia essa porra vai virar só grade.

FOLHA - E a reclamação dos gays que não gostaram da tradução de "happy hour" para "hora alegre" em seu comercial da Brahma?
PAGODINHO - Falei pros caras que ia dar problema, mas eles mandam. Não tinha a intenção de ofender. Eu me dou bem com todo mundo, tem uma porrada de veado que vem aqui em casa, cada um na sua, eles pra lá, eu pra cá. Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida.


*

18.2.08

The Book is On the Table

Mais ou menos nesta mesma época do ano passado eu ganhei um simpático ultimato do sujeito que é pago para mandar em todos os outros lá na firma: No ano que vem, se você não estiver estudando inglês, você não vai fazer o Oscar.

Veja bem, não se trata de ir até o mundo glamouroso de Los Angeles, vestir meu mais lindo modelito e disputar com repórteres do mundo inteiro um espaço no cercadinho que margeia o tapete vermelho do Teatro Kodak, para tentar obter algumas palavras do George Clooney.

“Fazer o Oscar” compreende passar quase 4 horas fechada num estúdio em São Paulo, gastar saliva até secar a boca, anunciar os vencedores e destacar alguma coisa dos discursos a partir de um áudio que muitas vezes já tem tradução para o português.

Mas eu sou obediente e no semestre seguinte me matriculei num curso. Todo mundo ficou orgulhoso de mim, inclusive eu mesma. A única dificuldade era o horário das aulas: 8 horas da madrugada manhã. Não foram poucas as vezes que faltei ou acordei atrasada. De modo que a frase que disse com mais freqüência durante o semestre foi “Sorry for my delay!”, adentrando a sala ocupada por outros 3 alunos, no meio do exercício de listening.

Findo o estágio, com a devida aprovação, implorei na secretaria por um horário de gente pra minha turma no semestre seguinte. E na semana passada, liguei para saber do início das aulas. Eu poderia escolher entre 3 turmas. Das 15h às 16h, das 20h às 21h – períodos em que estou amarrada no tronco com uma chibata pronta para estalar nas minhas costas – e das 8h às 9h da manhã. Ainda insisti, com voz de choro: Não é possível que ninguém queira estudar no incrível horário das 13h às 14h!!!

Não, ninguém queria. A moça da secretaria, comovida, tentava me explicar que tem um rapaz que é publicitário e que almoça das 14h às 15h e que por isso a turma seria nesse horário. E que o pessoal que trabalha em horário comercial prefere das 20h às 21h. E que ela se empenhou em perguntar para todos eles, um por um, se não gostariam de estudar em outro horário, por minha causa... Ai, quase chorei. Sério. De novo o inferno de acordar de madrugada e tentar articular frases e conjugar verbos neste maldito idioma num horário em que eu mal falo português.

Odeio, odeio essas pessoas que trabalham e almoçam em horários estranhos!

13.2.08

Novecentos Reais

eu: é por isso que esse país não vai pra frente
Gui: pq?
eu: porque existem centenas de milhares de pessoas que comprariam ingresso com preço pornográfico pra ver o bob dylan
Gui: escrevi sobre isso no blog
eu: eu queria ser capaz de liderar uma rebelião. o via funchal ficaria às moscas.
queria ver se o valor não cairia
eu: li o texto até a metade
nem o arctic monkeys me faria pagar esse preço. é ultrajante.
é falta de vergonha na cara desses caras. tenha dó. eu moro no brasil!
eu: nada mais a declarar? rs...
Gui: bicho
não tem o que falar
é o que eu digo no 1º parágrafo
vai do ultrajante ao criminoso
mas fazer o quê?
eu: não ir!!!!!!
Gui: eu sou uma daquelas almas para quem o rock é tudo
eu: ah, meu!
Gui: não ver o bob? e me arrepender pro resto da vida?
eu e a kat tinhamos desistido de ir
até vermos num blog aí o set list
bicho, ela chorou
CHOROU
pense que você se dedica a alguém religiosamente há quase 20 anos
não tem o que fazer, cara
dividimos no cartão e dá-lhe miojo
eu: se eu fosse um comunista da década de 60, eu diria, sem pestanejar: ALIENAÇÃO!
parecido com o que ocorre com a religião. sorry!
Gui: diga o que quiser
não tô pagando 250 pra ver o killers
é o bob
eu: ok
Gui: no panteão da minha vida
eu: ok
Gui: o primeiro escalão é:
stones, beatles, bob, hendrix, stooges, velvet
eu sou capaz de matar pra ver esse povo
eu: ok. não há mais discussão.
amém, pastor!
Gui: ótimo, CAMARADA
eu: hahahahahahaha
Gui: depois eu te conto como foi
eu: combinado.
Gui: vá ver o show dos imperdíveis, vá
HAHAHAHAHAHA
eu: por imperdíveis 20 reais
enfim.... agora vou me preparar para seguir para o meu trabalho imperdível.
Gui: hahaha
vai lá, gatona
ainda assim te adoro

*

10.2.08

Saudade

por Pedro Juan Gutiérrez, em Trilogia Suja de Havana


“Eu era então um sujeito perseguido pela saudade. Sempre fora, e não sabia como me desligar da saudade e viver tranqüilamente.
Ainda não aprendi. E desconfio que não aprenderei nunca. Pelo menos já sei algo valioso: é impossível me desligar da memória. É impossível se desligar daquilo que se amou.
Tudo isso estará sempre junto conosco. Sempre teremos tanto o desejo de refazer o bom da vida como o de esquecer e destruir a lembrança do mau. Apagar as maldades que cometemos, desfazer a recordação das pessoas que nos prejudicaram, remover as tristezas e as épocas de infelicidade.
É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas que será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar em solidão a nossa vida, encontrar alguém, nos entregar um pouco, evitar a rotina, desfrutar de nossa fatia na festa.”

*

8.2.08

Incompetência

Eu queria falar sobre o show da Ana Cañas que eu vi na semana passada. Sobre Em Paris, Desejo e Reparação (que música irritante!)e Mallu Magalhães. Queria dizer que não ouço nada de mais no Klaxons. Que o Vanguart é legal, mas não me faz pirar. Sobre Flores Partidas, do Jim Jarmusch, que revejo agora na TV e me faz refletir (de novo) sobre a solidão e a incapacidade emocional das pessoas. Adoro o Bill Murray. Poderia falar até do livro do Zuenir Ventura que me serve de base para uma série legal que eu tô montando.

Não dá. Não consigo.

Eu queria dizer que às vezes tenho uma saudade que até dói, mas não sei se é amor ou ego. E que quando isso acontece torço com força pra bolinha vermelha ficar verde. Ela nunca fica e, mesmo se ficasse, eu não saberia o que fazer com aquilo.

Poderia versar sobre a falta que eu sinto nem sei do quê. Poderia me prolongar sobre esse buraco e escrever sobre as pessoas que consideram bonito, nobre e verdadeiro abrir a guarda e escancarar suas fraquezas pra quem quiser notá-las. E que talvez ficassem orgulhosas de ler sobre isso.

Não consigo.

Talvez confessar que toda maldita vez que relembro das pessoas que acham bonito escancarar as fraquezas, choro copiosamente, sem entender nada.
Dizer que a frustração é um dos piores sentimentos do mundo.
Que minha serenidade continua oscilando e isso me enlouquece.
Que essa conversa de “carcaça” e “auto-boicote” já me encheu o saco.
E que eu desejo mais que tudo que um dia eu seja capaz de voltar a pensar com o coração, por mais brega que isso possa soar. E que eu deixe de me sentir ridícula e vulnerável por soar brega.

Que merda!

2.2.08

Amor demais

Não sei se é impressão minha, mas acho essa geração de jovens melada demais.

Mesmo os meninos de 20 e poucos anos que não se deixaram engolir pela onda e repudiam a designação emo, são demasiadamente emotivos - à exceção dos que espancam empregadas domésticas no Rio. Já viu como eles se amam? Eles aaaaaaaaamam o mundo inteiro. As meninas foram apresentadas na festa de sábado passado e na semana seguinte trocam 36 recados meigos no Orkut. Pronto, já estão se amando!

São tão compreensivinhos, carinhosinhos. E de uma passividade irritante. Sinto um pouco de falta de rebeldia nessa gente. Cadê aquela sensação de que está tudo errado? Cadê aquela vontade de mudar o mundo? Os discursos inflamados nas mesas de bar? Nenhum resquício da filosofia punk do “faça você mesmo”? Nada. Eles fazem tudo igual. Não fazem nada. Mas sempre com muuuuuito amor.

Aquele ar depressivo, dark, deixou de ter charme. Saiu de moda. Ser hype agora é sorrir para os quatro ventos. É dizer que AAAMA os seus amigos – mesmo os de uma semana – AAAMA aquele filme, AAAMA aquela música, AAAMA, AAAMA...

Eu não tenho paciência. Me cansa.
Será que eles sabem o quão superficial é isso? Ou sou eu que tô ficando velha e ranzinza?

***

Er... Hoje era dia de escrever sobre Carnaval?

*

29.1.08

Resfriamento Global

É janeiro, são 11 e meia da noite.

Encapotada, ela pára na porta do quarto:

- Tata, você vai querer seu cobertor?

*

23.1.08

Vestindo a Camisa da Empresa

22h30 de quarta feira.

Pequena Tata esfomeada e sem nada de saudável para deglutir em casa, pára na primeira cabine do drive-thru do Mc Donald’s, olha para o painel gigante e faz cara de ponto de interrogação. A moça que habita a cabine aguarda o pedido.

- Puxa, eu não sei o que eu quero comer. Não é terrível isso, moça?
- Terrível? Eu não sei como vocês conseguem comer esses lanches.

*

18.1.08

Palavra de Ouro da Princesa

Confesso que fiquei com o coração dividido, ouvindo a partida entre Corinthians e Guarani hoje na volta pra casa. Não tenho nenhuma afeição pelo time de Campinas e sou corinthiana desde que me conheço por gente. Explico:

Sou corinthiana desde que nasci. E isso não é exagero. Quando vim ao mundo e Dona Mãe estava recém operada na maternidade, o que enfeitava a porta do quarto dela era um bonequinho vestindo o uniforme do Timão - que eu tenho até hoje. De modo que todos felicitavam meu pai pelo lindo filhinho e ele tinha que explicar que era uma menina. Corinthiana desde que nasceu.

Ele era torcedor doente do time do Parque São Jorge (e hoje deve infernizar todos os anjos do céu por causa do Timão). E a Dona Mãe é palmeirense roxa desde criancinha. Reza a lenda familiar que o gramado do Pacaembu guarda em suas entranhas uma aliança de noivado arremessada da arquibancada por um dos dois, depois de uma briga futebolística durante um clássico entre os dois times no início da década de 70.

Então, em janeiro de 1978, eu nasci. Com alguns meses de vida começava a balbuciar as primeiras palavras mal articuladas. A primeira, como todo bebê que se preza, foi mamã ou mamá – ou algo que os bebês proferem ao se referir à mãe. Naquele mesmo ano, o glorioso time de Campinas alcançava um feito incrível: disputar a final do Campeonato Brasileiro. E contra o Palmeiras. Tão logo foram definidos os finalistas, meu pai se empenhou em um novo desafio: fazer a filhinha dele, com menos de 1 ano, pronunciar a palavra “Guarani”. O objetivo era, claro, além de reafirmar a paixão dele da filhota pelo Corinthians, irritar a Dona Mãe.

O Guarani venceu o primeiro jogo contra o Palestra por 1 a 0, no Morumbi, com gol de Zenon aos 21 minutos do segundo tempo. No segundo jogo, em agosto de 1978, no Brinco de Ouro da Princesa, Careca marcou aos 36 do primeiro tempo e o Guarani foi campeão do Brasileiro.

Meu pai possivelmente nem se importou com a 12ª colocação do Corinthians na tabela, com pífios 36 pontos. Mas posso imaginar sua gargalhada debochada e sua expressão de alegria infinita quando me ouviu, finalmente, adicionar mais uma palavra ao meu vocabulário: ANANÍ

16.1.08

Classe Média

Videozinho bacana, feito para a música de Max Gonzaga.




Aplaude ou vaia?

*

14.1.08

Já Vou Indo

Eu sempre digo que existem coisas na gente que absolutamente não mudam. Por mais que você odeie. Por mais que se empenhe para mudar. Tenha você 8, 30 ou 75 anos.

Nesse fim de semana – em mais uma reunião de familiares espalhados pelo mundo - descobri um caderno de Língua Portuguesa de quando esta pequena criatura cursava a 2ª série. Me deparei com perguntas pessoais feitas pela professora, a partir da história do livro Lúcia Já Vou Indo - a protagonista é uma lesma. E, claro, com as respostas dadas por mim, no alto de meus 8 anos de vida.

1- A moleza é um defeito?
R: A moleza é um defeito, porque se fizer as coisas muito devagar, não dá tempo para fazer o que precisa.

2- Todas as pessoas têm defeitos. Que defeitos você considera mais graves em uma pessoa?
R:
Os defeitos mais graves em uma pessoa são indelicadeza e falta de educação.

3- Que defeitos você acha que tem? Por quê?
R:
Eu acho que não tenho paciência, porque não sei esperar.


Pra que gastar dinheiro com análise, minha gente?

*

11.1.08