25.11.13

Desacelera


quero andar pelas ruas a pé. sem pressa. entrar por acaso em livrarias e lojinhas que aparecerem de surpresa no meu caminho.

quero pegar ônibus. andar de metrô. sem pressa. observar as pessoas que aparecem de surpresa pelo meu caminho.

quero poder me deparar com um estúdio, entrar e sair com duas tatuagens novas.

quero andar por ruas que eu não conheço. perceber lugares em que nunca reparei de dentro do carro.

quero me locomover em outro ritmo. com horários, sem pressa.

quero sair pra beber a pé.
quero ir ao cinema a pé.
quero ir ao salão a pé.
quero ir para a ioga a pé.
quero voltar da ioga a pé.
as 21h. as 22h.

despreocupadamente.

quero mudar de casa.
quero mudar de analista.
quero mudar de emprego.
quero mudar de vida.

mais devagar, por favor.

*

22.8.13

Não é Sobre o Outro


- me ajuda a organizar uma festa na minha casa nova?
- claro. para comemorar o quê?
- a minha indecisão. minha confusão. o fato de eu não conseguir me desprender do que já passou e por isso não ser capaz de saborear novas conquistas.
- tem certeza que são motivos para comemorar?
- são. porque a minha confusão, inevitavelmente, tem a ver com um sentimento muito profundo que foi frustrado. não, sentimento não. intenções frustradas. quando um homem tem suas expectativas frustradas, é como se aquele sentimento fosse sedimentado pra sempre ali.
- sei...
- e não importa o que aconteça, ele sempre vai perturbar. sempre vai aparecer. você tenta superar, tocar sua vida... e as vezes até consegue. mas não impunemente. aquele troço vai voltar. vai te cutucar. vai fazer você lembrar que ele existe. vai te lembrar de toda a parte boa que aquilo representa. a parte ruim não existe.
- claro que existe.
- não existe.
- você é que esqueceu. ou não quer lembrar. a memória é seletiva. depois de um tempo, nossa lembrança reconstrói os fatos. tudo fica bem mais lindo do que realmente foi.
- mas tudo foi lindo, mesmo.
- ainda não entendo porquê você quer comemorar. é uma festa para a vida linda que você não viveu? o que isso tem de bom?
- vamos celebrar o sofrimento. o sofrimento da frustração por não viver uma história até o fim.
- de novo?
- o sofrimento por ter aberto parêntese emocional no meio dessa história, por ter começado e adorado uma nova história com você (entre parênteses) e por não ter tido coragem de meter um ponto final nem em uma, nem em outra. vamos celebrar a covardia sentimental! um brinde aos bananas!

Porque, no fundo, é sempre sobre si mesmo. Pra que tanto esforço pra compreender o comportamento do outro, pra desvendar o sentimento alheio, se nem os seus próprios você dá conta de entender? Não é sobre o outro. É sobre si mesmo. Sempre.

*

3.6.13

Novo Eu


Meu novo eu pratica exercício físico. Se estica inteiro em aparelhos modernos que parecem querer te derrubar o tempo todo e, além de se esforçar para não cair, ainda tem de coordenar a respiração fazendo força no abdome.

Meu novo eu recarrega o telefone com as músicas preferidas e crê que são elas que movimentam suas pernas para que ele consiga completar a volta no lago do parque, a 14 graus com chuva.

Meu novo eu ouve meditativas canções enquanto lava a verdura e prepara um filé grelhado para o jantar.

Meu novo eu vai ao supermercado e compra ingredientes absolutamente estranhos, tais como “iogurte 0% de gordura”, “damascos secos”, “queijo cottage”, “adoçante com sucralose”.

Meu novo eu se alimenta com esses ingredientes estranhos a cada 3 horas.

Meu novo eu assiste à novela das nove.
Meu novo eu vai ao pneumologista pedir ajuda para deixar de ser o antigo eu.

Meu novo eu tenta obstinadamente entender o lugar que ocupa no mundo, o que quer, do que precisa e para onde está caminhando.

Meu novo eu não troca o sofá e a cobertinha roxa numa noite fria por uma pista ocupada por pessoas falsamente felizes e demasiadamente autorreferentes, mesmo que toquem as músicas preferidas dele.

Meu novo eu tá velho. E tão mais feliz.

*

12.5.13

Imensidão do Mundo


Ninguém sabe tudo.
É impossível ter todas as respostas.
O mundo é imenso.
Nós somos absolutamente insignificantes diante dele.
Ninguém vai salvá-lo. Eu muito menos.
Sigo meu caminho honestamente, sem perder isso de vista.

*

26.4.13

Laço


O tempo sempre me surpreende quando me esfrega na cara que há vínculos inquebráveis.
Incrível. 
Eu gosto!

*

15.4.13

Para Repetir como Mantra


“Você pode adquirir todo o conhecimento do mundo, mas se não se desligar do mental, vai continuar achando que falta, que falta, que falta, que falta...”

“Não temos nem nunca teremos todos os porquês a respeito do comportamento dos outros. Nem dos nossos! E tudo bem, sabe?”

*

1.4.13

Recolhimento


s.m. Ato ou efeito de recolher. 
Retiro.
Abrigo, pousada.
Retiro espiritual de certa duração.
Concentração espiritual.
Recato, modéstia.

como faz?

*

31.3.13

O Vazio Que Nos Move


Porque, na era das informações rápidas e fragmentadas, não sou capaz de elaborar nenhum raciocínio que vá além de uma dúzia de linhas:

Quando alguém diz alguma coisa sobre si mesmo que não condiz com a realidade, tenho a impressão de que fala para se ouvir. É um jeito de se convencer do que está dizendo. Como se ouvindo aquilo pudesse interiorizar o jeitão como gostaria de ser.

“Eu me arrisco muito” me soa como alguém buscando coragem para se aventurar em uma situação nova. Uma situação que lhe provoca temor.

“Eu expresso demais os meus sentimentos” me parece se tratar de alguém fazendo um esforço sobre-humano para mudar um padrão de anos. Alguém que, na verdade, morre de medo de dizer o que sente. Talvez nem saiba ao certo o que sente. Quiçá queira muito sentir o que não sente.

A paixão tem mais relação com nossas próprias carências do que sonha a nossa vã filosofia. É fácil se apaixonar pelo que nos falta, independentemente de quem ofereça. Um ser carente se apaixona pela fantasia do que deseja e não exatamente por quem oferece o que ele deseja.

Ao mesmo tempo, este ser também oferece uma fantasia: um amor que não pode dar. Que não tem pra dar.

Noves fora: não sobra quase nada, além de algumas ilusões desfeitas e dois corações quebrados. 

*

23.3.13

Missão


Quando vim a esse mundo torto, me deram uma missão.

Minha tarefa, involuntária diga-se, é fazer com que as pessoas de alma mais pura, de coração mais generoso e caráter irreparável que a vida colocou no meu caminho, se voltem as suas próprias questões.
Desembaralhem o emaranhado.
Coloquem as coisas no lugar.
Dêem nomes para elas.
Ressignifiquem.
Independente de mim.
No fim.

*

29.8.12

Universo

Ele conspira. Responde perguntas. Aniquila dúvidas. Indica direções. Parece mágica.

Se manifesta quase sempre em épocas turbulentas. Quando você tem a sensação que a estrada que pegou não é a certa. Não é a melhor. Não vai te levar para lugar algum. Quando a beleza e o prazer da caminhada ficaram pra trás. E o cansaço te impede de seguir.

Você tem dúvidas de sobra e falta uma boa alma confiante para pegar sua mão. Alguém que te diga um caminho. Que valide sua escolha.

Você não sabe se volta e pega outra rota. Ou se se arrasta até uma nova bifurcação em que vislumbre a possibilidade de mudar de direção.

É quando ele se manifesta. Faz uma mágica capaz de fazer você lembrar exatamente dos motivos de ter escolhido aquele caminho. Quando você não aguenta mais caminhar, ele te impulsiona os pés, faz tudo ficar leve e fácil. Valida todo seu esforço. Reconhece sua exaustão. Te recompensa por ele. E recarrega o compartimento vazio com prazeres e alegrias.

Não te tira as possibilidades. Faz você olhar para outros trajetos com ânimo.

Mas este caminho. Não tem. Volta.


*

28.8.12

Esponja

Todas as desgraças e injustiças do mundo cabem dentro de mim.

Vai parar tudo no estômago. Até doer demais. Até que seja preciso vomitar pra devolver tudo pro lugar de onde veio.


*

20.8.12

A Menina Grita

vossa excelência desperta o melhor e o pior de mim.

*

11.3.12

Simplesmente Complicado

eu tinha esquecido de como o tempo de cada um é diferente!

eu tinha esquecido de como algo tão simples pra mim pode ser tão complexo para o outro.

eu tinha esquecido. e não foi gostoso relembrar.


*

20.11.11

Where's My Mind?

tenho impressões que muito provavelmente não condizem com a realidade.

dizem que esta é a última sensação antes de a pessoa enlouquecer de vez.


*

1.9.11

It's the End Of the World


ele se casou
ela foi viver em outro país
e viveram felizes para sempre


*

29.6.11

Gestação

É como fazer o enxoval de uma criança que nunca nasce.


*

7.3.11

Divã

daí concluo que faria tudo tudo tudo de novo.
mas com um divã por perto.

16.1.11

Reconstrução

Aquela sensação.
De novo.
De repente, a imensidão do mundo.
Insignificância.
Vida ordinária.

Uma emoção e outra.
Emoção? Desânimo.
Onde foi parar a intensidade?
O sentido?
O tempo que se demora?

Devem estar bem ali.
Em alguma esquina.
Da imensidão do mundo.

*

8.11.10

I Gave Up

Tudo bem se eu desistir de escrever sobre a saga da dívida propria, né?

Tudo bem se eu desistir de várias coisas no meio do caminho?

Tudo bem?

*

9.9.10

Pausa Dramática

Ao contrário do que eu disse aqui, o amor não "vai e vem".

Ele fica.
Mas muda de nome.

*

9.8.10

Falta

o que se faz quando falta?

se busca? mas não é de buscar.
é de receber. assim, naturalmente.

e o que se faz, então, quando falta?


*

12.7.10

Círculos

Me comporto assim. Circularmente.

Faço isso, porque aconteceu aquilo. E fazendo isso, a reação vai ser aquela.
E porque a reação vai ser aquela, vou sentir exatamente assim. E por sentir assim, faço isso.

Saco!

*

29.6.10

Capitalismo Selvagem

Foi pra ele que eu perdi meu namorado, minha melhor amiga, meu sono e meu blog.

Só faltou levar a mania de reclamar dele.

*

22.4.10

Aviso aos Navegantes

Você que veio aqui fazer propaganda do seu blog ou do que quer que seja: vá pro inferno!

Nem eu venho aqui tanto quanto você.

Vaza!

*

8.4.10

Alone

E eu que sempre fiz tudo sozinha.

Nunca tive aliados nas mais difíceis batalhas. Nunca. Sempre descobri sozinha o quão difícil é mudar de emprego. Se despedir para sempre. Adquirir um bem. Lidar com burocracias. Assumir responsabilidades novas. Resolver problemas até então inéditos na sua existência.

Ao mesmo tempo em que me orgulho de mim, me estafo. Canso. Chego à exaustão.

No meio da realidade cada vez mais rápida, egoísta e descartável, quem se importa com os outros?

Tá bom, chavão, lugar comum. Qual a novidade?

A novidade é que eu não me acostumo. Sigo como se nem me importasse, mas não me acostumo. Sim, eu quero amparo. Preciso de suporte. Ajuda seria bem vinda.

E às vezes tenho a sensação de que vou morrer buscando um aliado.

*