O tempo sempre me surpreende quando me esfrega na cara que há vínculos inquebráveis.
26.4.13
Laço
O tempo sempre me surpreende quando me esfrega na cara que há vínculos inquebráveis.
15.4.13
Para Repetir como Mantra
1.4.13
Recolhimento
s.m. Ato ou efeito de recolher.
Retiro.
Abrigo, pousada.
Retiro espiritual de certa duração.
Concentração espiritual.
Recato, modéstia.
como faz?
*
31.3.13
O Vazio Que Nos Move
23.3.13
Missão
Quando vim a esse mundo torto, me deram uma missão.
Minha tarefa, involuntária diga-se, é fazer com que as pessoas de alma mais pura, de coração mais generoso e caráter irreparável que a vida colocou no meu caminho, se voltem as suas próprias questões.
Desembaralhem o emaranhado.
Coloquem as coisas no lugar.
Dêem nomes para elas.
Ressignifiquem.
Independente de mim.
No fim.
*
29.8.12
Universo
Ele conspira. Responde perguntas. Aniquila dúvidas. Indica direções. Parece mágica.
Se manifesta quase sempre em épocas turbulentas. Quando você tem a sensação que a estrada que pegou não é a certa. Não é a melhor. Não vai te levar para lugar algum. Quando a beleza e o prazer da caminhada ficaram pra trás. E o cansaço te impede de seguir.
Você tem dúvidas de sobra e falta uma boa alma confiante para pegar sua mão. Alguém que te diga um caminho. Que valide sua escolha.
Você não sabe se volta e pega outra rota. Ou se se arrasta até uma nova bifurcação em que vislumbre a possibilidade de mudar de direção.
É quando ele se manifesta. Faz uma mágica capaz de fazer você lembrar exatamente dos motivos de ter escolhido aquele caminho. Quando você não aguenta mais caminhar, ele te impulsiona os pés, faz tudo ficar leve e fácil. Valida todo seu esforço. Reconhece sua exaustão. Te recompensa por ele. E recarrega o compartimento vazio com prazeres e alegrias.
Não te tira as possibilidades. Faz você olhar para outros trajetos com ânimo.
Mas este caminho. Não tem. Volta.
*
28.8.12
Esponja
Vai parar tudo no estômago. Até doer demais. Até que seja preciso vomitar pra devolver tudo pro lugar de onde veio.
20.8.12
11.3.12
Simplesmente Complicado
eu tinha esquecido de como algo tão simples pra mim pode ser tão complexo para o outro.
eu tinha esquecido. e não foi gostoso relembrar.
*
20.11.11
Where's My Mind?
dizem que esta é a última sensação antes de a pessoa enlouquecer de vez.
*
1.9.11
29.6.11
7.3.11
16.1.11
Reconstrução
De novo.
De repente, a imensidão do mundo.
Insignificância.
Vida ordinária.
Uma emoção e outra.
Emoção? Desânimo.
Onde foi parar a intensidade?
O sentido?
O tempo que se demora?
Devem estar bem ali.
Em alguma esquina.
Da imensidão do mundo.
*
8.11.10
I Gave Up
Tudo bem se eu desistir de várias coisas no meio do caminho?
Tudo bem?
*
9.9.10
9.8.10
Falta
se busca? mas não é de buscar.
é de receber. assim, naturalmente.
e o que se faz, então, quando falta?
*
12.7.10
Círculos
Faço isso, porque aconteceu aquilo. E fazendo isso, a reação vai ser aquela.
E porque a reação vai ser aquela, vou sentir exatamente assim. E por sentir assim, faço isso.
Saco!
*
29.6.10
Capitalismo Selvagem
Só faltou levar a mania de reclamar dele.
*
22.4.10
Aviso aos Navegantes
Nem eu venho aqui tanto quanto você.
Vaza!
*
8.4.10
Alone
Nunca tive aliados nas mais difíceis batalhas. Nunca. Sempre descobri sozinha o quão difícil é mudar de emprego. Se despedir para sempre. Adquirir um bem. Lidar com burocracias. Assumir responsabilidades novas. Resolver problemas até então inéditos na sua existência.
Ao mesmo tempo em que me orgulho de mim, me estafo. Canso. Chego à exaustão.
No meio da realidade cada vez mais rápida, egoísta e descartável, quem se importa com os outros?
Tá bom, chavão, lugar comum. Qual a novidade?
A novidade é que eu não me acostumo. Sigo como se nem me importasse, mas não me acostumo. Sim, eu quero amparo. Preciso de suporte. Ajuda seria bem vinda.
E às vezes tenho a sensação de que vou morrer buscando um aliado.
*
6.4.10
Férias
E já que eu não vou viajar, já imagino um mundo lindo em que ponho em prática todas as coisas que sempre quero fazer e não posso porque o trabalho me consome.
Eu me prometo uma sessão das quatro no cinema. Me prometo ver todos aqueles filmes daquele festival que vai começar BEM nas minhas férias.
Me prometo assistir a todos os filmes da estante de DVDs, me prometo comprar mais filmes em DVD.
Me prometo terminar aquele livro que larguei há duas era glaciais. E começar aquele outro que ganhei no ano passado. E estudar aquele outro, que já está todo grifado de lápis.
Me prometo ler as entrevistas interessantíssimas da revista que chega todo mês na minha casa, e estão separadinhas, prontas para serem consumidas vorazmente.
Me prometo ler o jornal inteiro ao acordar, degustando um delicioso café da manhã. Me prometo ovos mexidos, além do tradicional e apressado café-com-leite-pão-com-margarina. Me prometo até quem sabe uma fruta para acompanhar.
Eu me prometo tardes de fitness no parque, almoços saudáveis na Paulista, happy hours festivos com os amigos.
Me prometo escrever mais e, quem sabe, publicar algo decente neste lugar empoeirado.
Me prometo até alguns dias de ócio absoluto no litoral ou no interior.
Me prometo um mundo lindo e encantado só de coisas e atividades boas e prazerosas.
Mas me esqueço que o congestionamento de São Paulo não tira férias junto comigo.
Me esqueço que marquei todas as consultas médicas, impraticáveis nos outros onze meses do ano. E que depois delas vem os exames clínicos. E o retorno ao respectivos especialistas.
Me esqueço que tenho de passar minutos intermináveis ao telefone com a central do cartão de crédito, da cia. aérea e com todos os corretores de imóveis da cidade que querem me vender o apartamento que eu não pedi.
E que tenho de visitar um monte de imóvel caro e desinteressante para ter certeza de que eles são caros e desinteressantes.
Me esqueço que a chuva não tira férias junto comigo.
Nem a rotina paulistana.
Ela só se disfarça de férias.
29.11.09
É Melhor Ser Feliz...
Em momentos sutis, gestos podem ser sutis. Devem ser sutis.
A atitude comentada perde o seu sentido. Perde todo seu significado. Perde a razão de existir.
É de fazer, não é de falar.
“É melhor ser feliz do que ter razão”
Ainda tropeço, mas vou aprendendo a praticar.
*
5.11.09
Hello, Stranger!
Preferiu ignorar? Tá dopada? Anestesiada? Superou? Como indiferente? Não, indiferente, não. Limpou a casa? Tá confortável assim? Foi a virada de Saturno?
- Tá bem?
- Tô estranha, não me reconheço.
- Acho que você tá ótima.
- Por isso tô estranha.
Acredita no que você sente. Não duvida!
***
Nunca gostei tanto de trabalhar tanto. Poucas vezes senti satisfação tão grande. Conversar com gente inteligente para falar sobre o que é. O que está. O que eu sei. E só.
Não pensa! Não pensa e segue com o que você vê na frente, com a mesma alegria de agora.
Amo as cicatrizes, não as feridas – Pedro Juan Gutiérrez
E se... Mas se... Armadilha! Uma coisa nem sempre leva a outra, como a sua mente doente te faz acreditar. Mas só acredita se você vacilar. E cair na velha armadilha. Ignora.
Descobri: sou implicante. E teimosa com a implicância, que nunca é à toa. Mas é mais feliz quem desconhece o que não é essencial. Não há tempo a perder.
Parece incrível. Deve ser resultado da virada de Saturno. Sorria!
*
29.10.09
C'est la vie
É estranho, mas eu já sabia qual seria o fim. Como seria o fim. E o motivo pelo qual ele chegaria.
É doloroso demais desfazer os laços. Desfazer-se das lembranças, momentaneamente e para o próprio bem. Apagar da memória aquela época de que eu sempre tive muita saudade. Um tempo turbulento, mas de pureza. Bonito, verdadeiro. De descobertas, revelações e expectativas. De curiosidade. De sorriso no rosto. De felicidade. Um tempo que deveria ser eterno.
É doloroso demais lembrar das palavras duras de quem quer voar, como se estivesse em uma prisão repressora de sonhos. Quando foi que isso virou o que virou? Não era pra ser assim. Era pra sonharmos juntos. Pra voarmos juntos.
É de doer a alma. Essa dor eu já senti uma vez, não me lembrava como era. É a dor mais desgraçada que alguém pode sentir. É de uma intensidade tão brutal que te faz espremer os olhos, apertar os braços cruzados pelo ventre, se encolher em posição fetal, sem ter força nem para chorar. É a dor do perdedor, do impotente. Como se arrancassem uma parte vital de você, compulsoriamente.
A boa notícia é que a dor passa. Mas às vezes demora. E quando ela arrefece, é preciso entender que parte é essa que levaram de você. Se ela é mesmo vital, o que ela representa.
E cá estou. Num momento turbulento lá fora e estranhamente calmo aqui dentro. Não há uma clareza completa de tudo, mas tem uma serenidade imensa, que me conforta, me faz sorrir, seguir, mas também me assusta.
Já não sei mais se eu sou uma sonhadora romântica. Ou se o romantismo é só o medo do abandono. É só um disfarce para o trauma - é inacreditável que esse trauma ainda me atormente. Talvez ele é que me faça agir sistematicamente, em busca da garantia do não abandono. E é justamente a forma sistemática de agir que repele em vez de atrair. O movimento se repete. E isso, sim, me apavora.
No mais, é o descompasso. Os caminhos que deixaram de ser paralelos. É possível seguir mesmo assim? É. Conheço seres humanos que por muito amor e com muito mais paciência e compreensão continuam caminhando. Às vezes por estradas diferentes, mais longas, afastadas... mas para o mesmo destino. O descompasso pode inviabilizar uma relação entre duas pessoas que se amam? Não deveria. Desde que elas realmente se amem. E queiram a mesma coisa: chegar ao mesmo lugar.
Me lembro agora de um diálogo de um filme com Robin Wrigh Penn: "casamento só dura com muita força de vontade, porque o amor vai e vem, ao sabor da brisa".
E ela - a brisa - pode agir quando você menos espera: durante um jantar romântico, na fila do cinema ou numa esquina movimentada dos Jardins.
C'est la vie...
*