Se você quiser saber como vai ficar o tempo no final de semana, é só perguntar se eu vou estar de plantão.
O tronco quase sempre é garantia de lindos dias de sol.
Nhé!
*
7.6.08
2.6.08
Mulheres Lindas de Dar Ódio
É uma espécie de seqüência do Feios Mais Lindos do Mundo.
Pensei aqui em algumas moças de quem tenho raiva, de tão lindas que são. Depois, pedi ajuda para os seres humanos do sexo masculino que são escravizados na mesma senzala que eu. E por fim, a palavra do namorado, com quem eu nem concordei muito. Mas é namorado e a gente considera.
1º - Natalie Portman
Toda vez que eu olho essa moça na tela eu fico até emocionada. Eu, ao contrário de boa parte das mulheres heterossexuais, não tenho problemas em reconhecer e admirar a beleza feminina.

*
2º - Scarlett Johansson
Lugarzinho comum, eu sei. Mas todos os rapazes consultados citaram a moça como uma das mais lindas do mundo. Tá, sinto um odiozinho quando olho pra ela.
Tá aprovada.
*
3º Penélope Cruz
A espanhola-queridinha-de-Pedro Almodóvar abocanhou a terceira colocação, numa disputa acirradíssima com Johansson. Boa parte dos rapazes prefere a latinidade da moça...
nem com um chapéu de chef na cabeça ela fica feia.
*
4º - Mônica Belucci
Não sei se entraria na minha lista de “Lindas de Dar Ódio”. Nem é linda de morrer, mas tem um charme absurdo.
O que lhe garante o quarto lugar na lista.
*
5º - Angelina Jolie
100% dos homens consultados citaram essa moça. Se não de bate-pronto, depois de pensar 3 segundos. Honestamente, eu não concordo. Sra. Pitt não entra na minha lista de Mulheres Lindas de Dar Ódio.
Mas vai uma fotinho de brinde.
Certamente, eu devo ter esquecido de várias moças que despertam a ira feminina.
Manda lá!
*
Pensei aqui em algumas moças de quem tenho raiva, de tão lindas que são. Depois, pedi ajuda para os seres humanos do sexo masculino que são escravizados na mesma senzala que eu. E por fim, a palavra do namorado, com quem eu nem concordei muito. Mas é namorado e a gente considera.
1º - Natalie Portman
Toda vez que eu olho essa moça na tela eu fico até emocionada. Eu, ao contrário de boa parte das mulheres heterossexuais, não tenho problemas em reconhecer e admirar a beleza feminina.

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2º - Scarlett Johansson
Lugarzinho comum, eu sei. Mas todos os rapazes consultados citaram a moça como uma das mais lindas do mundo. Tá, sinto um odiozinho quando olho pra ela.
Tá aprovada.*
3º Penélope Cruz
A espanhola-queridinha-de-Pedro Almodóvar abocanhou a terceira colocação, numa disputa acirradíssima com Johansson. Boa parte dos rapazes prefere a latinidade da moça...
nem com um chapéu de chef na cabeça ela fica feia.*
4º - Mônica Belucci
Não sei se entraria na minha lista de “Lindas de Dar Ódio”. Nem é linda de morrer, mas tem um charme absurdo.
O que lhe garante o quarto lugar na lista.*
5º - Angelina Jolie
100% dos homens consultados citaram essa moça. Se não de bate-pronto, depois de pensar 3 segundos. Honestamente, eu não concordo. Sra. Pitt não entra na minha lista de Mulheres Lindas de Dar Ódio.
Mas vai uma fotinho de brinde.Certamente, eu devo ter esquecido de várias moças que despertam a ira feminina.
Manda lá!
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29.5.08
Possibilidades
E então eu ganhei um livro sobre viagens de um fã - eu juro que eu tenho um e isso é ao mesmo tempo incrível e constrangedor. Chama Europa, Reportagens Apaixonadas e o autor é o criador da revista Viagem e Turismo, o Ronny Hein (hein???). Não é um guia turístico, veja bem. Aliás, passa bem longe disso. É um livro sobre cidades européias, escrito tão lindamente, que eu já devorei Londres, Paris, Mallorca, Veneza e Lisboa e adjacências. Suspirei muitas vezes a cada página lida.
Voltei a fazer contas. Pensei no meu popular 1.0 2001/2001 implorando pra ser vendido e no 2008/2009 na concessionária implorando pra ser meu. Pensei em todos os apartamentos que eu visitei um ano atrás e no gerente da Caixa Econômica esperando a minha visita desde então. Pensei naquela história de levar filho em estádio e na vaga de emprego que um dia eu talvez pretenda do outro lado do oceano. E pensei que talvez eu possa ter 60 anos, ser solteira, morar com a minha mãe, ter um Celta 2009 e o lugar mais distante explorado por mim ser Parati. E me deu uma vontade de chorar...
*
Voltei a fazer contas. Pensei no meu popular 1.0 2001/2001 implorando pra ser vendido e no 2008/2009 na concessionária implorando pra ser meu. Pensei em todos os apartamentos que eu visitei um ano atrás e no gerente da Caixa Econômica esperando a minha visita desde então. Pensei naquela história de levar filho em estádio e na vaga de emprego que um dia eu talvez pretenda do outro lado do oceano. E pensei que talvez eu possa ter 60 anos, ser solteira, morar com a minha mãe, ter um Celta 2009 e o lugar mais distante explorado por mim ser Parati. E me deu uma vontade de chorar...
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27.5.08
Os Feios Mais Lindos do Mundo
Eu tenho um gosto esquisito. Não sei que critérios eu levo em conta para considerar um homem bonito. Apesar de quase sempre concordar com as unanimidades (com exceção do Raí, que, ok, é gostosão, mas nunca ninguém vai me convencer de que seja um homem bonito), eu costumo simpatizar com... hum... esquisitinhos. Homens que não têm um rosto harmonioso, tudo no lugar, boca bonita, nariz bem feitinho, sorriso lindo, olhos perfeitos e quetais. Eu gosto dos defeituosinhos.
De modo que – eu sempre falo “de modo que” - elegi os meus Feios Mais Lindos do Mundo.
1º - Adrian Brody
O ator protagonista de O Pianista ocupa o topo da minha lista, tranqüilamente. Pra mim, ele é o feio mais lindo do mundo.

Ele tem olhos verdes, o que é um belo atrativo. Mas repare no tamanho do nariz, da família do tamanduá-bandeira!
*
2º - Guga
Ele é simpático, carismático, tem jeitão de moleque, fez todo mundo chorar quando mal conseguia falar – de tanto chorar – na entrevista coletiva em que anunciou a aposentadoria precoce. Ele é tudo isso. Menos bonito, tenha dó.

Ele é magricelo, aqueles cachinhos são uó, tem um sorriso esquisito... Mas pra mim só perde pro Pianista na lista dos Feios Mais Lindos do Mundo.
*
3º - Sean Penn
Outro narigudo de olhos claros (será fixação?). Ele tem cara de cafajeste e eu costumo preferir os angelicais molecotes. E o nariz grande não combina com a boca pequena. Enfim, ele tem um rosto meio... desarmonioso.

Mas eu gosto.
*
4º - Chico Diaz
Outro de olhos reluzentes (Jesus!!!). Eu já gostava dele desde Baile Perfumado, que vi no cinema antes de completar 20 anos – apesar de ele já ter feito uns 20 filmes antes desse. E fui gostando mais, mais, mais...

...a ponto de ele vir parar aqui, no 4º lugar.
*
5º - Billy Corgan
Muito prazer, este é o vocalista do Smashing Pumpkins!
Disputou o quarto lugar com o Chico Diaz, mas caiu pra quinta colocação, porque eu me lembrei do brasileiro primeiro. Adota o visual careca e carecas não fazem meu tipo. Ele tem um rosto meio andrógino, que passa bem longe da beleza perfeitinha.

É, eu realmente prefiro os olhos claros.
Ainda passaram pela minha cabeça:
- Daniel Day-Lewis;
- Silvinho, que foi lateral do Corinthians quando eu freqüentava estádio com alguma assiduidade;
- Gamarra, que eu admirava tanto que ficou lindíssimo aos meus olhos;
- Robinho (sim, o da pedalada);
- Marcos, goleiro do Palmeiras;
- Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys, que tem cara de moleque - aliás, uma cara bem tortinha.
Faltou alguém?
*
De modo que – eu sempre falo “de modo que” - elegi os meus Feios Mais Lindos do Mundo.
1º - Adrian Brody
O ator protagonista de O Pianista ocupa o topo da minha lista, tranqüilamente. Pra mim, ele é o feio mais lindo do mundo.

Ele tem olhos verdes, o que é um belo atrativo. Mas repare no tamanho do nariz, da família do tamanduá-bandeira!
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2º - Guga
Ele é simpático, carismático, tem jeitão de moleque, fez todo mundo chorar quando mal conseguia falar – de tanto chorar – na entrevista coletiva em que anunciou a aposentadoria precoce. Ele é tudo isso. Menos bonito, tenha dó.

Ele é magricelo, aqueles cachinhos são uó, tem um sorriso esquisito... Mas pra mim só perde pro Pianista na lista dos Feios Mais Lindos do Mundo.
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3º - Sean Penn
Outro narigudo de olhos claros (será fixação?). Ele tem cara de cafajeste e eu costumo preferir os angelicais molecotes. E o nariz grande não combina com a boca pequena. Enfim, ele tem um rosto meio... desarmonioso.

Mas eu gosto.
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4º - Chico Diaz
Outro de olhos reluzentes (Jesus!!!). Eu já gostava dele desde Baile Perfumado, que vi no cinema antes de completar 20 anos – apesar de ele já ter feito uns 20 filmes antes desse. E fui gostando mais, mais, mais...

...a ponto de ele vir parar aqui, no 4º lugar.
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5º - Billy Corgan
Muito prazer, este é o vocalista do Smashing Pumpkins!
Disputou o quarto lugar com o Chico Diaz, mas caiu pra quinta colocação, porque eu me lembrei do brasileiro primeiro. Adota o visual careca e carecas não fazem meu tipo. Ele tem um rosto meio andrógino, que passa bem longe da beleza perfeitinha.

É, eu realmente prefiro os olhos claros.
Ainda passaram pela minha cabeça:
- Daniel Day-Lewis;
- Silvinho, que foi lateral do Corinthians quando eu freqüentava estádio com alguma assiduidade;
- Gamarra, que eu admirava tanto que ficou lindíssimo aos meus olhos;
- Robinho (sim, o da pedalada);
- Marcos, goleiro do Palmeiras;
- Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys, que tem cara de moleque - aliás, uma cara bem tortinha.
Faltou alguém?
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21.5.08
Baby Boom
É tanta amiga e gente ao meu redor grávida e tendo filho que eu fico até sugestionada (eu não vou ter um filho agora, que fique claro, pra quem não entender a piada).
- Amor, que ano vai ser a Copa aqui, mesmo? Em 2010?
- Não, Tata. 2014.
- Nossa, tá chegando!
- Tá nada. Faltam 6 anos ainda.
- É que quando o Brasil foi anunciado como sede, eu fiquei pensando que eu queria levar meu filho pra ver um jogo da Copa.
- Filho?
- É, ué. Mas eu pensava que ele ia ter... sei lá... uns 2 anos.
- Tata, é proibida a entrada de crianças de 2 anos no estádio. Só pode a partir de 6 anos.
- Sério?
- É.
- Nossa!!!!!!
- O quê?
- Então, ainda dá tempo, né?
*
- Amor, que ano vai ser a Copa aqui, mesmo? Em 2010?
- Não, Tata. 2014.
- Nossa, tá chegando!
- Tá nada. Faltam 6 anos ainda.
- É que quando o Brasil foi anunciado como sede, eu fiquei pensando que eu queria levar meu filho pra ver um jogo da Copa.
- Filho?
- É, ué. Mas eu pensava que ele ia ter... sei lá... uns 2 anos.
- Tata, é proibida a entrada de crianças de 2 anos no estádio. Só pode a partir de 6 anos.
- Sério?
- É.
- Nossa!!!!!!
- O quê?
- Então, ainda dá tempo, né?
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14.5.08
Barbeiro?
7.5.08
Holidays In The Sun
Tem mil coisas pra dizer sobre Londres, but the time is over. Tudo já voltou a ser como antes na segunda feira e, se eu bem conheço a minha rotina, até eu voltar aqui pra escrever sobre a viagem... De modo que este será o último relato sobre a Terra da Rainha – até porque, convenhamos, ninguém agüenta mais esse assunto...
Tower Bridge
Como Londres é nublada a maior parte do ano, o sol é um evento por lá. Um evento, mesmo! Bastou ele aparecer para as pessoas se jogarem sob ele: nos parques, nas mesas na calçada, ou na própria calçada. Grupos se aglomeram na faixa iluminada pelo astro rei para tomar cerveja, fazer um lanchinho ou jogar conversa fora. Quando tem sol, os britânicos se atrevem até a... sorrir! A fisionomia das pessoas muda. É muito louco! Meus anfitriões me fizeram prestar atenção nisso e é verdade. Todos ficam mais alegres e gentis quando o sol dá as caras.
A previsão do tempo na televisão é algo muito, muito importante, eu percebi. “Amanhã vai fazer sol entre nuvens” e todos comemoram abrindo uma garrafa de vinho!
uma tarde em Bricklane, ao sol que arde em Bricklane
Como é sabido, Londres tem uma infinidade de parques. É lindo ver como os moradores da cidade se apropriam do espaço público como se estivessem... em casa. Afinal, se o espaço é público, é mais ou menos pra isso que ele serve, para as pessoas se apropriarem dele. De modo que eu presenciei cenas belíssimas de gente almoçando na praça, nos parques, fazendo um lanchinho sentado na grama, num banco no meio da rua. Até reunião de trabalho no Green Park eu vi! Juro que essas pessoas aí embaixo faziam anotações em agendas e uma delas até portava um laptop.

Foi nesse dia que, fingindo que eu era londrina – depois de ver a troca de guarda no palácio de Buckingham, como uma turista legítima – resolvi relaxar no Green Park. Existem espreguiçadeiras espalhadas por todo o parque. Mas há quem prefira a grama, à sombra de uma árvore. Escolhi o par de cadeiras que mais me aprazia e me joguei. Mochila em uma cadeira, eu na outra. Abri meu livro e desfrutava tranquilamente de uma tarde de sol, quando um homem se aproxima de mim, com uma máquina pendurada no ombro por uma alça. O diálogo abaixo é absolutamente fiel à realidade:
- Your ticket, ladie.
Tata pêga de surpresa, só conseguiu perguntar:
- For what?
- Chair is not free.
Tata mais surpresa e estupefata ainda, não teve tempo para pensar como perguntava quanto teria que pagar por ela e respondeu:
- Reeeaaally? Sorry, I didn’t know. I’m sorry!
Homem se afasta balançando a cabeça, negativamente. Tata humildemente guarda seu livro, sua garrafa d’água, recolhe sua mochila e vai procurar um pedaço de grama, onde possa ler em paz. E de graça.
Green Park, 13h de uma quarta feira
Por fim, é muito confortável constatar que você pode voltar pra casa de metrô e andar duas quadras e meia até em casa às 11 e meia da noite, sem se preocuparmuito se a sua carteira vai continuar dentro da mochila pendurada nas costas quando você chegar. Porque ninguém vai tirar ela de lá. Tem assalto? Tem, como em qualquer lugar do mundo. Um pouco antes de eu chegar, uma amiga da minha anfitriã foi assaltada perto da casa dela. Um sujeito a abordou com uma faca, pediu a bolsa e foi embora. Mas não aproveitou a abordagem pra dar dois tiros na moça, uma facada ou uma porrada na cabeça dela. Levou o que queria e acabou. E essa diferença é importante. As pessoas não vivem tensas porque podem ser roubadas e mortas a qualquer momento na rua, no ônibus, no semáforo. Porque a freqüência dos crimes e a crueldade deles é infinitamente menor. Enfim, não sei se me fiz entender...
pôr-do-sol, visto da Waterloo Bridge, às 20h37
Me parece que Londres poderia ser uma cidade embrutecedora também, como São Paulo é para mim. Mas voltei de lá convencida de que é possível evitar esse processo terrível com atitudes simples de gentileza, de civilidade, de cidadania. A nossa cidade funcionaria muito melhor, não obstante a falta de assistência do poder público. Voltei disposta a resistir ao embrutecimento, ao estresse, à loucura que os congestionamentos provocam, ao mau humor e à falta de educação das pessoas praticando pequenos gestos. Pode parecer piegas e polyana demais, mas... você já deu um sorriso hoje? Deu passagem para o motorista que ligou a seta do carro e pretendia entrar na sua faixa? Quantas vezes você acionou a buzina? Deu bom dia para o seu vizinho no elevador? Tratou bem o garçom que te atendeu no restaurante? E a moça do caixa do supermercado?
Experimente!
*
Como Londres é nublada a maior parte do ano, o sol é um evento por lá. Um evento, mesmo! Bastou ele aparecer para as pessoas se jogarem sob ele: nos parques, nas mesas na calçada, ou na própria calçada. Grupos se aglomeram na faixa iluminada pelo astro rei para tomar cerveja, fazer um lanchinho ou jogar conversa fora. Quando tem sol, os britânicos se atrevem até a... sorrir! A fisionomia das pessoas muda. É muito louco! Meus anfitriões me fizeram prestar atenção nisso e é verdade. Todos ficam mais alegres e gentis quando o sol dá as caras.
A previsão do tempo na televisão é algo muito, muito importante, eu percebi. “Amanhã vai fazer sol entre nuvens” e todos comemoram abrindo uma garrafa de vinho!
Como é sabido, Londres tem uma infinidade de parques. É lindo ver como os moradores da cidade se apropriam do espaço público como se estivessem... em casa. Afinal, se o espaço é público, é mais ou menos pra isso que ele serve, para as pessoas se apropriarem dele. De modo que eu presenciei cenas belíssimas de gente almoçando na praça, nos parques, fazendo um lanchinho sentado na grama, num banco no meio da rua. Até reunião de trabalho no Green Park eu vi! Juro que essas pessoas aí embaixo faziam anotações em agendas e uma delas até portava um laptop.
Foi nesse dia que, fingindo que eu era londrina – depois de ver a troca de guarda no palácio de Buckingham, como uma turista legítima – resolvi relaxar no Green Park. Existem espreguiçadeiras espalhadas por todo o parque. Mas há quem prefira a grama, à sombra de uma árvore. Escolhi o par de cadeiras que mais me aprazia e me joguei. Mochila em uma cadeira, eu na outra. Abri meu livro e desfrutava tranquilamente de uma tarde de sol, quando um homem se aproxima de mim, com uma máquina pendurada no ombro por uma alça. O diálogo abaixo é absolutamente fiel à realidade:
- Your ticket, ladie.
Tata pêga de surpresa, só conseguiu perguntar:
- For what?
- Chair is not free.
Tata mais surpresa e estupefata ainda, não teve tempo para pensar como perguntava quanto teria que pagar por ela e respondeu:
- Reeeaaally? Sorry, I didn’t know. I’m sorry!
Homem se afasta balançando a cabeça, negativamente. Tata humildemente guarda seu livro, sua garrafa d’água, recolhe sua mochila e vai procurar um pedaço de grama, onde possa ler em paz. E de graça.
Por fim, é muito confortável constatar que você pode voltar pra casa de metrô e andar duas quadras e meia até em casa às 11 e meia da noite, sem se preocupar
Me parece que Londres poderia ser uma cidade embrutecedora também, como São Paulo é para mim. Mas voltei de lá convencida de que é possível evitar esse processo terrível com atitudes simples de gentileza, de civilidade, de cidadania. A nossa cidade funcionaria muito melhor, não obstante a falta de assistência do poder público. Voltei disposta a resistir ao embrutecimento, ao estresse, à loucura que os congestionamentos provocam, ao mau humor e à falta de educação das pessoas praticando pequenos gestos. Pode parecer piegas e polyana demais, mas... você já deu um sorriso hoje? Deu passagem para o motorista que ligou a seta do carro e pretendia entrar na sua faixa? Quantas vezes você acionou a buzina? Deu bom dia para o seu vizinho no elevador? Tratou bem o garçom que te atendeu no restaurante? E a moça do caixa do supermercado?
Experimente!
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5.5.08
This Is Radio Clash
Música e Londres são quase sinônimos. Ou será que foram meus olhos e ouvidos viciados que me deram essa impressão? 90% dos jovens passam a vida londrina com fones nos ouvidos, segundo pesquisa feita por mim mesma. No ônibus, no metrô, na bicicleta, nas ruas. É tanta gente com fone no ouvido que me chamou a atenção. O que eles ouvem? Não faço a menor idéia, mas a julgar pelos shows anunciados no The London Paper - o jornal que te entregam na rua - o róque domina.
Sabe aquelas bandas inglesas de quem você nunca ouviu falar, que pululam do nada na mídia daqui? Elas surgem nos palcos de pubs de Old Street, Liverpool Street, Camden Town e cercanias, com entradas que giram em torno de 5 pounds - tipo de graça. Eu gostaria muito, muito de ter presenciado o nascimento de algum fenômeno musical da última semana, mas não me foi possível. Isso porque meus anfitriões e benhê não são tão afeitos a novidades musicais e eu achei melhor poupá-los da minha sede por elas – mesmo estando em Londres.
Isso significa dizer que eu perdi um festival bem bacana. O Camden Crawl acontece uma vez por ano, na sexta e no sábado – exatamente no fim de semana em que eu habitava a cidade. Todos – ou quase todos – os Pubs de Camden participam. Várias bandas são convidadas e tocam nesses Pubs. Pagando a bagatela de 40 pounds (cerca de 130 reais) você ganha passe livre para todos os shows. Dos milhares de artistas que participaram do Camden Crawl eu conhecia apenas o cara do Babyshambles – que não é o Pete Doherty, que estava (ainda está?) enjaulado - o Boy Kill Boy e os meninos do The Fratellis, de quem importei um CD e que lamentei bastante não ver.
fila em frente a um pub em Camden, às 23h do sábado
Também cogitei ir a um show do The Kills, na minha última noite londrina, mas não rolou.
NOTA: o guitarrista do The Kills é o namorado da Kate Moss (adivinha quem tava na capa do London Paper no dia seguinte ao show?).
Bem, como não poderia deixar de ser, fomos ver um showzinho por lá: os suecos do The Hives, que tocaram no Brixton Academy no dia 18 de abril, uma sexta feira. É estranho chegar a um show de róque às 19h, com o sol brilhando. O Brixton estava lotado. E foi bão! Não dava pra ir até lá e não assistir a pelo menos um showzinho!
Amy Winehouse é rainha em Londres. Mais rainha que a Rainha! Ela está em todos os lugares: toca no Mc Donald’s, no Pub, na loja de roupas, na TV e estampa capas de jornais. Eu fui ao Pub preferido dela - dizem. O original pegou fogo no incêndio de fevereiro em Camden e hoje ostenta uma faixa de solidariedade dos freqüentadores.
"Camden Town is burning down"
Os donos “transferiram” o Hawley Arms para um outro lugar, em Angel. Dizem que é o bar favorito de artistas hypados como Ms. Winehouse e os caras do Razorlight. Perguntei pro barman se os rapazes do The Horrors costumavam tocar lá. Sem pestanejar, ele respondeu: No, they use to drink here! Nas paredes, mais de uma dúzia de fotos autografadas dos freqüentadores do estabelecimento.

Eu já disse que eu amei Camden – reeaaally? – de paixão e toda sua fauna diversificada? Lojas, camelôs, gente diferente e colorida. E eu já disse que andava por lá muito atenta, de dia ou de noite, porque eu poderia ver a Amy passando na rua a qualquer momento?
(PAUSA PARA AS GARGALHADAS)
Eu tinha raiva quando eu lia no jornal que ela tinha estado lá na mesma noite que eu e eu não a vi! Pensava: droga, perdi! Mas aí, quando eu me atentava ao horário em que ela armou algum barraco, eu entendia: enquanto Amy barbarizava em Camden, cuspindo em um rapaz e batendo em outro, eu dormia sob meu edredon, quentinha em casa, às 4 da manhã (adivinha quem estampou a capa do London Paper no dia seguinte a esse?).
A Inglaterra produz uma nova Amy Winehouse por semana. Mas, sem dúvida, a garota sensação por lá até o mês passado (é importante datar, considerando a velocidade das descobertas musicais) é Adele. Ouça com seus próprios ouvidos.
Em tempo: comprei, um dia antes do lançamento, o CD de estréia do The Last Shadow Puppets. É o novo projeto de Alex Turner, vocalista do... er... Arctic Monkeys, com o Miles Kane do The Rascals. Clica aqui , ouve The Age of The Understatement e vê o clipe dela. Recomendo!
É irritante você ler todos os dias que algum festival de verão anunciou mais uma banda. Sendo que você gosta desta banda. E gostaria muito de ir a algum desses malditos festivais pra ver setecentas bandas em 3 dias. E mora em São Paulo. E aqui faz frio em junho.
By the way, na França, durante um percurso de carro, ouvi por cerca de uma hora uma rádio chamada Le Mouv. Flagrei – e ria à toa - uma seqüência incrível de Clash, Phoenix, Keane, Arctic Monkeys, Panic At The Disco!, The Killers, Editors, Razorlight e Radio 4, mesclados com bandas que cantam em francês. Tá bom pra você?
(continua só mais uma vez)
*
Sabe aquelas bandas inglesas de quem você nunca ouviu falar, que pululam do nada na mídia daqui? Elas surgem nos palcos de pubs de Old Street, Liverpool Street, Camden Town e cercanias, com entradas que giram em torno de 5 pounds - tipo de graça. Eu gostaria muito, muito de ter presenciado o nascimento de algum fenômeno musical da última semana, mas não me foi possível. Isso porque meus anfitriões e benhê não são tão afeitos a novidades musicais e eu achei melhor poupá-los da minha sede por elas – mesmo estando em Londres.
Isso significa dizer que eu perdi um festival bem bacana. O Camden Crawl acontece uma vez por ano, na sexta e no sábado – exatamente no fim de semana em que eu habitava a cidade. Todos – ou quase todos – os Pubs de Camden participam. Várias bandas são convidadas e tocam nesses Pubs. Pagando a bagatela de 40 pounds (cerca de 130 reais) você ganha passe livre para todos os shows. Dos milhares de artistas que participaram do Camden Crawl eu conhecia apenas o cara do Babyshambles – que não é o Pete Doherty, que estava (ainda está?) enjaulado - o Boy Kill Boy e os meninos do The Fratellis, de quem importei um CD e que lamentei bastante não ver.
Também cogitei ir a um show do The Kills, na minha última noite londrina, mas não rolou.
NOTA: o guitarrista do The Kills é o namorado da Kate Moss (adivinha quem tava na capa do London Paper no dia seguinte ao show?).
Amy Winehouse é rainha em Londres. Mais rainha que a Rainha! Ela está em todos os lugares: toca no Mc Donald’s, no Pub, na loja de roupas, na TV e estampa capas de jornais. Eu fui ao Pub preferido dela - dizem. O original pegou fogo no incêndio de fevereiro em Camden e hoje ostenta uma faixa de solidariedade dos freqüentadores.
Os donos “transferiram” o Hawley Arms para um outro lugar, em Angel. Dizem que é o bar favorito de artistas hypados como Ms. Winehouse e os caras do Razorlight. Perguntei pro barman se os rapazes do The Horrors costumavam tocar lá. Sem pestanejar, ele respondeu: No, they use to drink here! Nas paredes, mais de uma dúzia de fotos autografadas dos freqüentadores do estabelecimento.
(PAUSA PARA AS GARGALHADAS)
Eu tinha raiva quando eu lia no jornal que ela tinha estado lá na mesma noite que eu e eu não a vi! Pensava: droga, perdi! Mas aí, quando eu me atentava ao horário em que ela armou algum barraco, eu entendia: enquanto Amy barbarizava em Camden, cuspindo em um rapaz e batendo em outro, eu dormia sob meu edredon, quentinha em casa, às 4 da manhã (adivinha quem estampou a capa do London Paper no dia seguinte a esse?).
A Inglaterra produz uma nova Amy Winehouse por semana. Mas, sem dúvida, a garota sensação por lá até o mês passado (é importante datar, considerando a velocidade das descobertas musicais) é Adele. Ouça com seus próprios ouvidos.
Em tempo: comprei, um dia antes do lançamento, o CD de estréia do The Last Shadow Puppets. É o novo projeto de Alex Turner, vocalista do... er... Arctic Monkeys, com o Miles Kane do The Rascals. Clica aqui , ouve The Age of The Understatement e vê o clipe dela. Recomendo!
É irritante você ler todos os dias que algum festival de verão anunciou mais uma banda. Sendo que você gosta desta banda. E gostaria muito de ir a algum desses malditos festivais pra ver setecentas bandas em 3 dias. E mora em São Paulo. E aqui faz frio em junho.
By the way, na França, durante um percurso de carro, ouvi por cerca de uma hora uma rádio chamada Le Mouv. Flagrei – e ria à toa - uma seqüência incrível de Clash, Phoenix, Keane, Arctic Monkeys, Panic At The Disco!, The Killers, Editors, Razorlight e Radio 4, mesclados com bandas que cantam em francês. Tá bom pra você?
(continua só mais uma vez)
*
2.5.08
London Fashion Week
A democracia estética em Londres é total. Embora exista, claro, “a roupa” ou “o modelo” da moda, as pessoas se vestem como bem entendem. Isso significa combinações bem esdrúxulas de cores, estampas e estilos. Os cabelos são das mais variadas cores. E o incrível é que ninguém está nem aí para o modo como as pessoas se apresentam. O que quer dizer que você pode sair na rua travestida de Cleópatra, que ninguém vai olhar para você.
escadaria do British Museum
Mas como eu disse, existe uma moda. Assim como por aqui, a onda masculina descolada é vestir calça skinny, aquele jeans justo no corpo até o tornozelo, com a qual o meu anfitrião – adepto das calças “de macho” – não se conforma. Rapazes costumam combiná-lo com tênis All Star ou botas. Na moda feminina, ninguém ganha das galochas estampadas, uma febre que também já chegou por aqui. Bastou Kate Moss ser fotografada vestindo ou calçando algo, que vira moda. Há quem diga que as galochas estampadas foram vistas primeiro nos pés dela.
Camden Town Station
O assustador é constatar que a maldita moda anos 80 não vai embora nunca mais. E nas vitrines é possível encontrar atrocidades como esta:


lembra do Reebook que você teve aos 12 anos?
As mulheres vivem maquiadas. Muito maquiadas, não importa a hora do dia. 10h da manhã e é um festival de blush e sombras coloridas. Inclusive – ou sobretudo – as muçulmanas, que andam com aqueles lenços na cabeça e só mostram o rosto. Dá um pouco de aflição de tanta meleca na cara tão cedo do dia.
Os cabelos dos rapazes são quase sempre desgrenhados, estilo rocker, descuidada ou propositalmente. Piercings também estão lá para dar e vender. Estranho é o jovem que não tenha pelo menos um no corpo. Os ingleses são lindos! Nunca vi uma concentração tão grande de olhos claros em apenas um vagão de metrô. Uma beleza! Mas como eu disse, ninguém olha pra você, nem adianta se animar.
E anote o que eu estou dizendo: no verão, a moda por aqui para proteger os olhos do sol vai ser isso aí.
e não se trata de festa de casamento
O povo de lá é meio andrógino, percepção que proporcionou pelo menos uma cena engraçadíssima e um tanto embaraçosa. Eu e minha companheira de viagem – sim, eu tinha uma, carinhosamente chamada por mim de benhê – procurávamos um banheiro em algum estabelecimento da Oxford Street. Entramos num Starbucks. Na porta do banheiro feminino, um claro símbolo de... banheiro feminino. Benhê abre a porta e se depara com um ser humano se olhando no espelho. Num ímpeto, pára, arregala os olhos, volta um passo e olha para a porta, querendo se certificar de que tinha entrado no banheiro certo. Pergunto pra ela: meninas? E a moça de cabelos curtíssimos, ajeitando as costeletas em frente ao espelho, responde sorridente e com a voz mais doce do mundo, como se tivesse entendido meu português: yes, ladies!
(ai... continua)
*
Mas como eu disse, existe uma moda. Assim como por aqui, a onda masculina descolada é vestir calça skinny, aquele jeans justo no corpo até o tornozelo, com a qual o meu anfitrião – adepto das calças “de macho” – não se conforma. Rapazes costumam combiná-lo com tênis All Star ou botas. Na moda feminina, ninguém ganha das galochas estampadas, uma febre que também já chegou por aqui. Bastou Kate Moss ser fotografada vestindo ou calçando algo, que vira moda. Há quem diga que as galochas estampadas foram vistas primeiro nos pés dela.
O assustador é constatar que a maldita moda anos 80 não vai embora nunca mais. E nas vitrines é possível encontrar atrocidades como esta:
As mulheres vivem maquiadas. Muito maquiadas, não importa a hora do dia. 10h da manhã e é um festival de blush e sombras coloridas. Inclusive – ou sobretudo – as muçulmanas, que andam com aqueles lenços na cabeça e só mostram o rosto. Dá um pouco de aflição de tanta meleca na cara tão cedo do dia.
Os cabelos dos rapazes são quase sempre desgrenhados, estilo rocker, descuidada ou propositalmente. Piercings também estão lá para dar e vender. Estranho é o jovem que não tenha pelo menos um no corpo. Os ingleses são lindos! Nunca vi uma concentração tão grande de olhos claros em apenas um vagão de metrô. Uma beleza! Mas como eu disse, ninguém olha pra você, nem adianta se animar.
E anote o que eu estou dizendo: no verão, a moda por aqui para proteger os olhos do sol vai ser isso aí.
O povo de lá é meio andrógino, percepção que proporcionou pelo menos uma cena engraçadíssima e um tanto embaraçosa. Eu e minha companheira de viagem – sim, eu tinha uma, carinhosamente chamada por mim de benhê – procurávamos um banheiro em algum estabelecimento da Oxford Street. Entramos num Starbucks. Na porta do banheiro feminino, um claro símbolo de... banheiro feminino. Benhê abre a porta e se depara com um ser humano se olhando no espelho. Num ímpeto, pára, arregala os olhos, volta um passo e olha para a porta, querendo se certificar de que tinha entrado no banheiro certo. Pergunto pra ela: meninas? E a moça de cabelos curtíssimos, ajeitando as costeletas em frente ao espelho, responde sorridente e com a voz mais doce do mundo, como se tivesse entendido meu português: yes, ladies!
(ai... continua)
*
28.4.08
Mind The Gap
Pra mim, que sempre morei em São Paulo, foi muito diferente viver, mesmo que só por 20 dias, em cidades que efetivamente funcionam harmoniosamente.
Digo viver porque, ainda que eu fosse turista em Londres, experimentei de parte da rotina dos meus incríveis anfitriões, sem os quais eu teria feito uma viagem completamente diferente e, certamente, menos interessante. Não fiquei em hotel ou albergue. Fiquei hospedada na casa deles, com cópia da chave no bolso e um telefone celular na mochila para combinações de encontros e eventuais pedidos de socorro. O que, evidentemente,me deu muito mais segurança a um ser humano perdido numa cidade daquele tamanho.
Logo na chegada, do aeroporto para casa, fomos de metrô. Uma hora e vinte de trajeto, com uma baldeação, para, segundo eles, eu não querer me locomover por meio dele nunca mais. Todo mundo sabe que o transporte público funciona bem por lá (quem nunca viu aquele mapa das linhas do metrô, que se transformou em estampa de vários produtos caça-turista?). Uma coisa é saber, outra coisa é fazer uso dele. É incrível poder ir para qualquer, QUALQUER lugar da cidade de metrô.

No primeiro dia, carregando mala e cuia, quase fui atropelada por ingleses desembestados que desciam correndo muito a escada rolante interminável. Ninguém tinha me explicado uma mecânica simples: se quer ficar parado na escada rolante e deixar que ela faça o trabalho de te levar até lá em cima (ou lá embaixo), pare do lado direito. O lado esquerdo deve ficar livre para quem tem pressa. Tá entendido?
stand on the right
Eu andava com o Oyster, que é mais ou menos o equivalente ao bilhete único de São Paulo, recarregável. Você encosta o cartão na catraca da estação em que vai embarcar e depois faz a mesma coisa no desembarque. Dependendo do trecho que você percorreu, é cobrado um valor, que fica em torno de 1,50 libras. O Oyster também funciona nos ônibus. Com ele, em vez de você pagar 2 libras na tarifa, paga apenas 90 cents. E depois de gastar um determinado valor em transporte em um dia - se não me engano são 5 libras -, você pode fazer todos os demais percursos sem cobrança de tarifa. E pode consultar na tela do terminal os percursos que você fez.
quase não fomos a Camden
Para mim, andar de ônibus foi um pouco mais difícil. Todo ponto tem um mapa enorme do lugar onde você está e do trajeto dos ônibus que passam ali. De modo que se você não sabe exatamente para onde vai, fica difícil. Além disso, nem sempre aquele ônibus passa onde você precisa ir. E se for necessário tomar dois deles, fica mais difícil ainda. Enfim, não preciso dizer que sempre que podia optar andava de metrô.
Dentro de todos os ônibus existe um letreiro luminoso e uma vozinha que indica que linha é aquela - pode ser útil em caso de bebedeira e avisa qual é o ponto seguinte. No metrô a mesma coisa, além do famoso Mind the gap, que há algum tempo foi adaptado e ganhou um please antes e um between the train and the plataform depois. Nas plataformas, outro letreiro informa quanto tempo falta para o próximo trem se aproximar, o nome dele e que linha ele faz - porque em algumas estações, na mesma plataforma passam dois trens diferentes. Ou seja, só se perde quem sofre de desgoverno agudo, o queainda não é o meu caso.
Ainda que o transporte público funcione bem, obrigada, muita, muita gente se locomove de bicicleta. Claro que ajuda muito o fato de se tratar de uma cidade plana. Ajuda mais ainda o fato de os motoristas serem civilizados e respeitarem os ciclistas. Minha anfitriã loira e linda é adepta da bicicleta - com cestinha para carregar a bolsa – para ir e voltar do trabalho. Ela diz que além de ser mais saudável, economiza uma grana e tempo. É mais rápido ir para o trabalho de bicicleta do que de ônibus - por causa do trânsito - e até do que de metrô.
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Londres também tem congestionamento nos horários de pico. Para tentar amenizar o problema, em 2003 entrou em vigor a congestion charge na área central da cidade - algo como o centro expandido de São Paulo, em menores proporções. Qualquer veículo que circula por lá em determinados horários paga um pedágio de 5 libras por dia. É bem caro. E a idéia é essa, mesmo: fazer as pessoas deixarem o carro em casa. O dinheiro arrecadado é investido em melhorias no transporte.
A idéia já foi cogitada por aqui. A únicapequena, sutil e quase desimportante diferença é que Londres tem um sistema eficiente de transporte.
Todas as calçadas por onde passei tinham guias rebaixadas para deficientes e uma ranhura no chão para auxiliar os cegos na travessia da rua. Tudo bem que as novas calçadas da Avenida Paulista também têm. E onde mais, mesmo?
Em tempo, outra diferença gritante, engraçada e óbvia é a mão de direção das ruas e os carros. Não dá para achar normal as direções do lado direito e passar a marcha com a mão esquerda! E por várias vezes eu corri o risco de morrer atropelada, quando olhei pro lado errado ao atravessar a rua.
(continua)
*
Digo viver porque, ainda que eu fosse turista em Londres, experimentei de parte da rotina dos meus incríveis anfitriões, sem os quais eu teria feito uma viagem completamente diferente e, certamente, menos interessante. Não fiquei em hotel ou albergue. Fiquei hospedada na casa deles, com cópia da chave no bolso e um telefone celular na mochila para combinações de encontros e eventuais pedidos de socorro. O que, evidentemente,
Logo na chegada, do aeroporto para casa, fomos de metrô. Uma hora e vinte de trajeto, com uma baldeação, para, segundo eles, eu não querer me locomover por meio dele nunca mais. Todo mundo sabe que o transporte público funciona bem por lá (quem nunca viu aquele mapa das linhas do metrô, que se transformou em estampa de vários produtos caça-turista?). Uma coisa é saber, outra coisa é fazer uso dele. É incrível poder ir para qualquer, QUALQUER lugar da cidade de metrô.

No primeiro dia, carregando mala e cuia, quase fui atropelada por ingleses desembestados que desciam correndo muito a escada rolante interminável. Ninguém tinha me explicado uma mecânica simples: se quer ficar parado na escada rolante e deixar que ela faça o trabalho de te levar até lá em cima (ou lá embaixo), pare do lado direito. O lado esquerdo deve ficar livre para quem tem pressa. Tá entendido?
Eu andava com o Oyster, que é mais ou menos o equivalente ao bilhete único de São Paulo, recarregável. Você encosta o cartão na catraca da estação em que vai embarcar e depois faz a mesma coisa no desembarque. Dependendo do trecho que você percorreu, é cobrado um valor, que fica em torno de 1,50 libras. O Oyster também funciona nos ônibus. Com ele, em vez de você pagar 2 libras na tarifa, paga apenas 90 cents. E depois de gastar um determinado valor em transporte em um dia - se não me engano são 5 libras -, você pode fazer todos os demais percursos sem cobrança de tarifa. E pode consultar na tela do terminal os percursos que você fez.
Para mim, andar de ônibus foi um pouco mais difícil. Todo ponto tem um mapa enorme do lugar onde você está e do trajeto dos ônibus que passam ali. De modo que se você não sabe exatamente para onde vai, fica difícil. Além disso, nem sempre aquele ônibus passa onde você precisa ir. E se for necessário tomar dois deles, fica mais difícil ainda. Enfim, não preciso dizer que sempre que podia optar andava de metrô.
Dentro de todos os ônibus existe um letreiro luminoso e uma vozinha que indica que linha é aquela - pode ser útil em caso de bebedeira e avisa qual é o ponto seguinte. No metrô a mesma coisa, além do famoso Mind the gap, que há algum tempo foi adaptado e ganhou um please antes e um between the train and the plataform depois. Nas plataformas, outro letreiro informa quanto tempo falta para o próximo trem se aproximar, o nome dele e que linha ele faz - porque em algumas estações, na mesma plataforma passam dois trens diferentes. Ou seja, só se perde quem sofre de desgoverno agudo, o que
Ainda que o transporte público funcione bem, obrigada, muita, muita gente se locomove de bicicleta. Claro que ajuda muito o fato de se tratar de uma cidade plana. Ajuda mais ainda o fato de os motoristas serem civilizados e respeitarem os ciclistas. Minha anfitriã loira e linda é adepta da bicicleta - com cestinha para carregar a bolsa – para ir e voltar do trabalho. Ela diz que além de ser mais saudável, economiza uma grana e tempo. É mais rápido ir para o trabalho de bicicleta do que de ônibus - por causa do trânsito - e até do que de metrô.
Londres também tem congestionamento nos horários de pico. Para tentar amenizar o problema, em 2003 entrou em vigor a congestion charge na área central da cidade - algo como o centro expandido de São Paulo, em menores proporções. Qualquer veículo que circula por lá em determinados horários paga um pedágio de 5 libras por dia. É bem caro. E a idéia é essa, mesmo: fazer as pessoas deixarem o carro em casa. O dinheiro arrecadado é investido em melhorias no transporte.
A idéia já foi cogitada por aqui. A única
Todas as calçadas por onde passei tinham guias rebaixadas para deficientes e uma ranhura no chão para auxiliar os cegos na travessia da rua. Tudo bem que as novas calçadas da Avenida Paulista também têm. E onde mais, mesmo?
Em tempo, outra diferença gritante, engraçada e óbvia é a mão de direção das ruas e os carros. Não dá para achar normal as direções do lado direito e passar a marcha com a mão esquerda! E por várias vezes eu corri o risco de morrer atropelada, quando olhei pro lado errado ao atravessar a rua.
(continua)
*
Londres - A Chegada
Meu maior medo nem era voar, ficar sem fumar por 12 horas e agredir a aeromoça por causa da abstinência, nem o risco de dividir a fileira com uma pessoa de mais de 120 quilos - que certamente ocuparia parte da minha poltrona. Era a imigração! Esse monstro que a mídia daqui criou na minha cabeça, com tanta notícia terrível de que os agentes malvadões mandaram pencas de brasileiros de volta de vários países.
Fui preparada. Levei um calhamaço de documentos que comprovam vínculo com o meu país, carta da empresa assinada pelo chefe, dizendo que eu sou importante para o bom andamento dos trabalhos, dinheiro vivo, passagem de volta emitida, nome completo, endereço, telefone e profissão dos meus anfitriões e toda a sorte de papéis relevantes. Na fila, ensaiava respostas mentais para as possíveis perguntas que me seriam feitas. E estava calma. Até chegar a minha vez. Tudo bem que eu tenho um histórico de desconforto em postos de imigração (a foto do passaporte é digna de uma traficante procurada pelo FBI), mas dessa vez foi demais.
Foi bem difícil convencer o senhor que me entrevistou que eu NÃO SOU TERRORISTA, NÃO IRIA ME PROSTITUIR E TINHA DATA PARA VOLTAR PARA A MINHA CASA. Mesmo mostrando para ele meu dinheiro, minha passagem, o endereço onde eu ficaria, a carta da firma, meu limite do cartão de credito e todos os 700 documentos que eu levei, ele não parava de fazer perguntas. Quando eu pensava “essa deve ser a última”, ele mandava mais uma. Fazia anotações numa fichinha. Levantava a cabeça. Olhava para mim. E perguntava, perguntava, perguntava como se não houvesse amanhã!
No começo, eu tava tranqüila e ele é que começava a se irritar com o meu inglês ruim e todos os “Sorry?” que eu dizia quando não entendia o que ele balbuciava. Mas aquele senhor conseguiu reverter a situação. Passou a nem se importar mais com o meu "hambúrguer" e nem com o que eu respondia e perguntou até onde minha mãe trabalhava, quanto eu ganhava por mês, quem pagou minha viagem, há quanto tempo eu a planejei... Pensei em dizer, por livre e espontânea vontade, que a minha calcinha era branca, antes mesmo que ele perguntasse, mas achei que não seria uma boa estratégia.
Por um momento - por mais de um, na verdade -, achei que o sujeito iria cometer a crueldade de me privar de ver o Big Ben. Mas depois de VINTE minutos, carimbou e assinou um visto de turista por 1 mês no meu passaporte. Filho da mãe!

A primeira impressão que eu tive de Londres, com a qual o senhor agente de imigração contribuiu amplamente, foi que os ingleses não falam inglês. Eles falam um outro idioma qualquer. Você pode dar o nome que quiser, mas aquilo NÃO É inglês. Aquele sotaque é infernal e eu não entendia absolutamente NADA do que aquela gente dizia. Eu gostava mais de conversar com estrangeiros (que é o que mais tem em Londres). Porque o sotaque é diferente e, dependendo da nacionalidade do cidadão, mais fácil de entender. Às vezes, o inglês deles é ruim. Who cares? O meu também é! Então, eles falavam tudo errado, eu também e, no fim das contas, a gente super se entendia. Deu até pra pechinchar preço. Uma maravilha!
Já na loja de CDs, escolhi o que eu queria e fui pra fila. Gente, o moço do caixa só precisava pegar o dinheiro e me devolver o troco. Mas ele quis conversar. Me perguntou se eu tinha encontrado o que estava procurando e aquilo que ele pronunciou não fez absolutamente nenhum sentido pra mim. Olhei, pedindo socorro, pro anfitrião que me acompanhava e fez o favor de traduzir aquele emaranhado de letrinhas que saiu da boca do caixa. Eu sorri amarelo pra ele: Yes, thank you!
(continua)
*
Fui preparada. Levei um calhamaço de documentos que comprovam vínculo com o meu país, carta da empresa assinada pelo chefe, dizendo que eu sou importante para o bom andamento dos trabalhos, dinheiro vivo, passagem de volta emitida, nome completo, endereço, telefone e profissão dos meus anfitriões e toda a sorte de papéis relevantes. Na fila, ensaiava respostas mentais para as possíveis perguntas que me seriam feitas. E estava calma. Até chegar a minha vez. Tudo bem que eu tenho um histórico de desconforto em postos de imigração (a foto do passaporte é digna de uma traficante procurada pelo FBI), mas dessa vez foi demais.
Foi bem difícil convencer o senhor que me entrevistou que eu NÃO SOU TERRORISTA, NÃO IRIA ME PROSTITUIR E TINHA DATA PARA VOLTAR PARA A MINHA CASA. Mesmo mostrando para ele meu dinheiro, minha passagem, o endereço onde eu ficaria, a carta da firma, meu limite do cartão de credito e todos os 700 documentos que eu levei, ele não parava de fazer perguntas. Quando eu pensava “essa deve ser a última”, ele mandava mais uma. Fazia anotações numa fichinha. Levantava a cabeça. Olhava para mim. E perguntava, perguntava, perguntava como se não houvesse amanhã!
No começo, eu tava tranqüila e ele é que começava a se irritar com o meu inglês ruim e todos os “Sorry?” que eu dizia quando não entendia o que ele balbuciava. Mas aquele senhor conseguiu reverter a situação. Passou a nem se importar mais com o meu "hambúrguer" e nem com o que eu respondia e perguntou até onde minha mãe trabalhava, quanto eu ganhava por mês, quem pagou minha viagem, há quanto tempo eu a planejei... Pensei em dizer, por livre e espontânea vontade, que a minha calcinha era branca, antes mesmo que ele perguntasse, mas achei que não seria uma boa estratégia.
Por um momento - por mais de um, na verdade -, achei que o sujeito iria cometer a crueldade de me privar de ver o Big Ben. Mas depois de VINTE minutos, carimbou e assinou um visto de turista por 1 mês no meu passaporte. Filho da mãe!
A primeira impressão que eu tive de Londres, com a qual o senhor agente de imigração contribuiu amplamente, foi que os ingleses não falam inglês. Eles falam um outro idioma qualquer. Você pode dar o nome que quiser, mas aquilo NÃO É inglês. Aquele sotaque é infernal e eu não entendia absolutamente NADA do que aquela gente dizia. Eu gostava mais de conversar com estrangeiros (que é o que mais tem em Londres). Porque o sotaque é diferente e, dependendo da nacionalidade do cidadão, mais fácil de entender. Às vezes, o inglês deles é ruim. Who cares? O meu também é! Então, eles falavam tudo errado, eu também e, no fim das contas, a gente super se entendia. Deu até pra pechinchar preço. Uma maravilha!
Já na loja de CDs, escolhi o que eu queria e fui pra fila. Gente, o moço do caixa só precisava pegar o dinheiro e me devolver o troco. Mas ele quis conversar. Me perguntou se eu tinha encontrado o que estava procurando e aquilo que ele pronunciou não fez absolutamente nenhum sentido pra mim. Olhei, pedindo socorro, pro anfitrião que me acompanhava e fez o favor de traduzir aquele emaranhado de letrinhas que saiu da boca do caixa. Eu sorri amarelo pra ele: Yes, thank you!
(continua)
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26.4.08
I'm Back
Depois de 18 dias explorando as maravilhas de Londres e Paris, estou de volta.
Logo mais, tento escrever algumas linhas sobre a saga.
Por enquanto, me resta dizer que a depressão-pós-europa dói um pouco. E que eu, definitivamente, me estresso com o congestionamento na Marginal do Tietê.
*
Logo mais, tento escrever algumas linhas sobre a saga.
Por enquanto, me resta dizer que a depressão-pós-europa dói um pouco. E que eu, definitivamente, me estresso com o congestionamento na Marginal do Tietê.
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6.4.08
Give Me a Break!
Este blog entra hoje em recesso por tempo indeterminado, mas pode voltar a qualquer momento em edição especial da Terra da Rainha.
See ya!
*
See ya!
*
2.4.08
London Calling
Eu sempre adorei viajar, mas até me tornar inteiramente responsável pelos meus atos e gastos, nunca pude fazer viagens internacionais ou muito mirabolantes, porque a grana era curta. De modo que enquanto boa parte das minhas amigas da escola passava as férias de julho na Disney, eu ia encher o tênis de lama em Holambra. Enquanto elas iam aos EUA, eu sempre quis ir à Europa, desde as aulas de história e geografia da 5ª série.Na época da faculdade, alguns amigos foram morar na Inglaterra. Alguns nunca mais voltaram. No alto dos meus 18 anos, eu quis ir também. Não tinha grana. Mais tarde, aos 24, depois de tomar um inesquecível pé na bunda, tive certeza que o melhor que eu tinha a fazer era vender meu automóvel popular e ir lavar pratos e servir gringos em pubs londrinos. Mas não tive coragem de largar emprego, carreira encaminhada, vida em geral e me mandar pra lá.
Acontece que a gente vai tomando um determinado rumo, vai fincando bases e hoje, aos 30 anos, eu continuo fascinada pela Terra da Rainha, sua música, cinema e habitantes, mas não tenho como largar o pouco que construi aqui para ir morar lá, com esse meu inglesinho de merda. Sei que existe
A solução foi fazer uma boa reserva financeira durante alguns anos para poder passar alguns dias das minhas férias na Inglaterra – tudo bem que a finalidade da reserva não era propriamente esta, mas agora é. E então, depois de 12 anos, finalmente visitarei aquela
Rezem para que o sujeito que me entrevistar na imigração não decida me mandar de volta, porque eu não sou terrorista, não pretendo me prostituir nem morar lá pra sempre. Quer dizer, acho que não.
*
31.3.08
Odeio as segundas-feiras
E então, no primeiro dia dos 35 que me cabem de descanso, acordei às 7h30 da madrugada com o despertador e o celular se revezando no alarme ensurdecedor. Isso porque eu tenho uma avó. Que é a coisa mais fofa do mundo inteiro, a pessoa mais importante do mundo inteiro e que precisa do auxílio da família para algumas coisas, do tipo “buscar medicamentos na Aclimação, dar uma passadinha no banco e no japonês” (o “japonês” é um mercadinho perto de casa; as compras merecem um capítulo à parte).
Eu não sei de onde surgiu tanta paciência e bom humor de dentro do meu ser, em meio a um congestionamento irritante na 23 de Maio às 8h30 da manhã, debaixo de sol. Mas eles estavam lá e eu prossegui sorridente até o nosso destino – meu e da vó – e voltei com eles também. Passamos no banco, no japonês e duas horas depois eu estava em casa.
Lembrei que não paguei uma conta que venceu na sexta. E não paguei porque o meu contador resolveu aumentar a mensalidade sem me avisar – era essa a conta. Além de me cobrar de 8 a 9 reais a cada boleto que me manda para pagar (o que deveria estar incluso na mensalidade, uma vez que ela é paga também pra isso). Tanto bom humor logo cedo não poderia durar muito, mesmo. Me baixou a Débora e eu resolvi brigar. Liguei no escritório e me disseram que eu tinha que marcar um horário com ele. O que já me parece um absurdo, mas ok, questão de organização. “Sim, hoje à tarde.” No que eu ouvi: “Hoje ele não tem mais horário e amanhã só está aqui pela manhã”. O sujeito extorque as minhas economias e eu não tenho nem hora para reclamar.
Pensei que depois de brigar, eu teria que pagar a conta atrasada. E notei que não me restava uma única folha de cheque. Liguei no (argh!) call center do banco, um atendente me passou para o outro, que me passou para o gerente da agência. Fui orientada pelo simpático Henrique para que fosse até um caixa eletrônico e emitisse algumas folhas avulsas, que ele, gentilmente, extornaria o valor cobrado por elas. Mais tarde, novamente na rua, parei no banco mais próximo da minha residência e nenhum, NENHUM, dos DOZE terminais emitia aquela merda. O décimo terceiro - e único que poderia me salvar - estava fora do ar. Claro que eu desisti e o contador que espere mais um dia e não se atreva a me cobrar multa.
De volta ao lar, tentei fazer um simples DOC de uma conta corrente Pessoa Jurídica de outro banco para uma Pessoa Física pela internet. Foi quando o site do outro banco me informou que para realizar a operação eu deveria pedir a liberação pra algum idiota que me atendesse no maldito... call center.
Eu tenho um pouco de pena do Bruno. Tão simpático, me perguntou “em que posso ajudar?”
PRIMEIRO, VOCÊ PODE ME AJUDAR NÃO ME DEIXANDO MAIS AQUI PLANTANDA QUE NEM UM PÉ DE ALFACE COM ESSE FONE NA ORELHA OUVINDO ESSA MUSIQUINHA IRRITANTE. DEPOIS, VOCÊ PODE ME AJUDAR SE ME DEIXAR FAZER TRANSFERÊNCIA DA MINHA CONTA PJ PARA A MINHA PF EM OUTRO BANCO. VOCÊ PODE ME AJUDAR MAIS AINDA SE ME DISSER QUE EU NUNCA MAIS VOU TER QUE AGÜENTAR TUDO ISSO DE NOVO E NEM PEDIR AUTORIZAÇÃO PRA NINGUÉM PRA MEXER NO MEU PARCO DINHEIRINHO.
O coitado do Bruno concordou, disse “entendo” várias vezes. E me autorizou.
Foi só o primeiro dia de férias. E ele nem terminou ainda.
*
Eu não sei de onde surgiu tanta paciência e bom humor de dentro do meu ser, em meio a um congestionamento irritante na 23 de Maio às 8h30 da manhã, debaixo de sol. Mas eles estavam lá e eu prossegui sorridente até o nosso destino – meu e da vó – e voltei com eles também. Passamos no banco, no japonês e duas horas depois eu estava em casa.
Lembrei que não paguei uma conta que venceu na sexta. E não paguei porque o meu contador resolveu aumentar a mensalidade sem me avisar – era essa a conta. Além de me cobrar de 8 a 9 reais a cada boleto que me manda para pagar (o que deveria estar incluso na mensalidade, uma vez que ela é paga também pra isso). Tanto bom humor logo cedo não poderia durar muito, mesmo. Me baixou a Débora e eu resolvi brigar. Liguei no escritório e me disseram que eu tinha que marcar um horário com ele. O que já me parece um absurdo, mas ok, questão de organização. “Sim, hoje à tarde.” No que eu ouvi: “Hoje ele não tem mais horário e amanhã só está aqui pela manhã”. O sujeito extorque as minhas economias e eu não tenho nem hora para reclamar.
Pensei que depois de brigar, eu teria que pagar a conta atrasada. E notei que não me restava uma única folha de cheque. Liguei no (argh!) call center do banco, um atendente me passou para o outro, que me passou para o gerente da agência. Fui orientada pelo simpático Henrique para que fosse até um caixa eletrônico e emitisse algumas folhas avulsas, que ele, gentilmente, extornaria o valor cobrado por elas. Mais tarde, novamente na rua, parei no banco mais próximo da minha residência e nenhum, NENHUM, dos DOZE terminais emitia aquela merda. O décimo terceiro - e único que poderia me salvar - estava fora do ar. Claro que eu desisti e o contador que espere mais um dia e não se atreva a me cobrar multa.
De volta ao lar, tentei fazer um simples DOC de uma conta corrente Pessoa Jurídica de outro banco para uma Pessoa Física pela internet. Foi quando o site do outro banco me informou que para realizar a operação eu deveria pedir a liberação pra algum idiota que me atendesse no maldito... call center.
Eu tenho um pouco de pena do Bruno. Tão simpático, me perguntou “em que posso ajudar?”
PRIMEIRO, VOCÊ PODE ME AJUDAR NÃO ME DEIXANDO MAIS AQUI PLANTANDA QUE NEM UM PÉ DE ALFACE COM ESSE FONE NA ORELHA OUVINDO ESSA MUSIQUINHA IRRITANTE. DEPOIS, VOCÊ PODE ME AJUDAR SE ME DEIXAR FAZER TRANSFERÊNCIA DA MINHA CONTA PJ PARA A MINHA PF EM OUTRO BANCO. VOCÊ PODE ME AJUDAR MAIS AINDA SE ME DISSER QUE EU NUNCA MAIS VOU TER QUE AGÜENTAR TUDO ISSO DE NOVO E NEM PEDIR AUTORIZAÇÃO PRA NINGUÉM PRA MEXER NO MEU PARCO DINHEIRINHO.
O coitado do Bruno concordou, disse “entendo” várias vezes. E me autorizou.
Foi só o primeiro dia de férias. E ele nem terminou ainda.
*
30.3.08
Perdidos na Net II
Cada visita à página do Google Analytics é uma gargalhada de acordar o quarteirão às duas e meia da manhã (porque eu tô de férias e nem preciso me preocupar – nos próximos 35 dias – com o horário).
Além de constatar o fracasso de audiência deste blog – o que também é motivo de risadas e, por que não?, de algum alívio – é possível perder a fé na humanidade em poucos cliques.
Como os meus 3 leitores estão carecas de saber, a minha sessão favorita é o “palavras chave” ou “como alguns pobres incautos vêm parar aqui”.
Muitas, muita gente quer saber sobre o modo de vida das pessoas em Cuba.
Lúcia Já Vou Indo também é sucesso absoluto.
Se você também quer desistir de viver neste mundo ou rir um pouco, veja com seus próprios olhos:
- ouvir pregação do tatá (que não sou eu, juro!)
- porque potencial do ação não é retrógrada (hein?)
- o que são seres euribiontes (taí uma boa pergunta!)
- músicas do seriado confição de adolescentes (seria prudente dar uma chegadinha no Aurélio antes)
- fotos de como eu deve usar bota de cano baicho (alguém vê solussão pra eça?)
- católicos e evangélicos financeiramente falando (os donos são milionários, financeiramente falando. Os fiéis, em geral, fodidos)
- carros no rua raspando (deus do céu!)
E a the best of the every world:
- porque pessoas quando vai fazer amor dói depois parece que aça
Alguém ajuda?
*
Além de constatar o fracasso de audiência deste blog – o que também é motivo de risadas e, por que não?, de algum alívio – é possível perder a fé na humanidade em poucos cliques.
Como os meus 3 leitores estão carecas de saber, a minha sessão favorita é o “palavras chave” ou “como alguns pobres incautos vêm parar aqui”.
Muitas, muita gente quer saber sobre o modo de vida das pessoas em Cuba.
Lúcia Já Vou Indo também é sucesso absoluto.
Se você também quer desistir de viver neste mundo ou rir um pouco, veja com seus próprios olhos:
- ouvir pregação do tatá (que não sou eu, juro!)
- porque potencial do ação não é retrógrada (hein?)
- o que são seres euribiontes (taí uma boa pergunta!)
- músicas do seriado confição de adolescentes (seria prudente dar uma chegadinha no Aurélio antes)
- fotos de como eu deve usar bota de cano baicho (alguém vê solussão pra eça?)
- católicos e evangélicos financeiramente falando (os donos são milionários, financeiramente falando. Os fiéis, em geral, fodidos)
- carros no rua raspando (deus do céu!)
E a the best of the every world:
- porque pessoas quando vai fazer amor dói depois parece que aça
Alguém ajuda?
*
29.3.08
Férias
do Lat. ferias
s. f.,
(no pl. ) dias de suspensão dos trabalhos oficiais;
(no pl. ) folga;
(no pl. ) descanso, repouso.
*
s. f.,
(no pl. ) dias de suspensão dos trabalhos oficiais;
(no pl. ) folga;
(no pl. ) descanso, repouso.
*
26.3.08
Assim, Assado...
Dá pra medir o quanto a gente gosta de alguém, pelo tanto de falta que faz essa pessoa quando ela está longe?
Gente, que coisa doída!
*
Gente, que coisa doída!
*
24.3.08
18.3.08
Maravilhas do Rádio II
Assessor de imprensa é um sujeito contratado por pessoas e empresas para intermediar o contato deles com os veículos de comunicação. O mínimo que este sujeito pode fazer pelo bem do emprego dele é conhecer bem o cliente que atende e o veículo com quem está tratando.
Isto posto, não há como respeitar um sujeito que envia um e-mail para um jornalista de rádio oferecendo fotos do cliente dele.
Ou o que pergunta: a gravação é ao vivo?
*
Isto posto, não há como respeitar um sujeito que envia um e-mail para um jornalista de rádio oferecendo fotos do cliente dele.
Ou o que pergunta: a gravação é ao vivo?
*
13.3.08
Eu Organizo o Movimento
Este blog está às moscas, porque a dona dele foi até 1968 e nunca mais voltou.
Sabe como é? Conflito armado, repressão, manifestações, Caminhando e Cantando e Seguindo a Canção, Uma Idéia na Cabeça e Uma Câmera na Mão, essas coisas...
Mas um dia ela volta, assim todos esperamos.
O problema é que aí já vai estar na hora de ir à Londres e...
whatever...
Sabe como é? Conflito armado, repressão, manifestações, Caminhando e Cantando e Seguindo a Canção, Uma Idéia na Cabeça e Uma Câmera na Mão, essas coisas...
Mas um dia ela volta, assim todos esperamos.
O problema é que aí já vai estar na hora de ir à Londres e...
whatever...
8.3.08
Freud Explica...
E eu que sempre acreditei nessa coisa de inconsciente, mas nunca levei muito a sério...
Hoje, digo com toda a propriedade: trabalho é igual namorado.
Quando você namora um de quem não gosta e é apaixonada pelo ex, inevitavelmente vai chamar um pelo nome do outro.
E, claro, é uma bosta!
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Hoje, digo com toda a propriedade: trabalho é igual namorado.
Quando você namora um de quem não gosta e é apaixonada pelo ex, inevitavelmente vai chamar um pelo nome do outro.
E, claro, é uma bosta!
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5.3.08
4.3.08
Perguntadeira
E então hoje eu entrevistei o Ziraldo. Não foi sobre o Menino Maluquinho. Foi sobre 1968. Ele contou que viu os homens do exército que chegaram atirando no Restaurante Calabouço, no Rio. E que depois viu a molecada correndo pela rua, carregando o corpo do estudante Édson Luís. Ele estava na janela da redação em que trabalhava. E participou de todas as manifestações populares contra a ditadura. E falou de Pasquim, de Gil, de Caetano, de Chicos - Buarque e Caruso - e de charges e músicas e peças e filmes.
Ele faz algumas pausas longas, como se tivesse perdido a linha de reciocínio. Mas retoma a história exatamente de onde parou, alguns segundos depois. Tem voz de velhinho de 80 anos - tem 75. E me chamou carinhosamente de filha durante toda a conversa por telefone. Lé pelas tantas, me pergunta:
- Filha, quem vai ter paciência de ouvir tudo isso no rádio?
Expliquei que não iria usar a entrevista completa. Depois de 20 minutos, fiz mais três perguntas e achei melhor encerrar. Finalizei, agradeci. E ganhei o dia com as considerações finais do velhinho:
- Você é boa de papo, hein?
- Ah, eu sou "perguntadeira"!? - disse, meio simpática, meio rindo, meio envergonhada.
- Deve ser bom sentar numa mesa de bar e papear com você numa daquelas noites boêmias! Sabe aqueles papos de fim de noite?
Recomendação aos jornalistas: em caso de baixa auto-estima, entreviste o Ziraldo.
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Ele faz algumas pausas longas, como se tivesse perdido a linha de reciocínio. Mas retoma a história exatamente de onde parou, alguns segundos depois. Tem voz de velhinho de 80 anos - tem 75. E me chamou carinhosamente de filha durante toda a conversa por telefone. Lé pelas tantas, me pergunta:
- Filha, quem vai ter paciência de ouvir tudo isso no rádio?
Expliquei que não iria usar a entrevista completa. Depois de 20 minutos, fiz mais três perguntas e achei melhor encerrar. Finalizei, agradeci. E ganhei o dia com as considerações finais do velhinho:
- Você é boa de papo, hein?
- Ah, eu sou "perguntadeira"!? - disse, meio simpática, meio rindo, meio envergonhada.
- Deve ser bom sentar numa mesa de bar e papear com você numa daquelas noites boêmias! Sabe aqueles papos de fim de noite?
Recomendação aos jornalistas: em caso de baixa auto-estima, entreviste o Ziraldo.
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1.3.08
Qual É a Música?
Há algum tempo, eu perdi muitas horas do meu dia com um joguinho que tocava músicas de trilhas sonoras de filmes e você tinha que adivinhar o nome do longa.
Hoje, gastei a tarde toda nisso aqui. Acertei 61 de 64.
Você, único leitor, que tem 30 ou beira a idade balzaquiana, vai se divertir, eu garanto!
Aproveita e me diga quem raios canta as músicas de número 11, 20 e 42.
Obrigada!
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Hoje, gastei a tarde toda nisso aqui. Acertei 61 de 64.
Você, único leitor, que tem 30 ou beira a idade balzaquiana, vai se divertir, eu garanto!
Aproveita e me diga quem raios canta as músicas de número 11, 20 e 42.
Obrigada!
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