18.2.09

Linda. Absoluta. Demais

O mundo não cansa, mesmo, de me surpreender. E as pessoas estão cada dia mais sem noção.

Recebi um email na semana passada de um amigo querido. Músico, inteligente e de bom gosto. Gente fina, elegante e sincera. Ele me apresentou Stefhany. Repare na grafia. Não é Stéfany, nem Stephanie. É Stefhany, mesmo. A moça do Piauí que fez uma versão de uma música grudenta de Vanessa Carlton. Mas não só isso. Combinou a versão forró/brega com um sensacional videoclipe.

Quando abri o vídeo, achei que era gozação, que a moça tava fazendo chacota com alguém. Mas depois, lendo sobre ela, descobri que não. Ela realmente se leva muito a sério, conforme a reportagem da Dolores, que você lê aqui. É a Beyoncé do Piauí!!!

Em algum outro lugar, eu li que por causa da citação de uma marca de carro na letra, desconfiou-se que o vídeo pudesse ser um viral. O número de acessos foi tão grande e o boato foi tão forte, que a montadora do carro se viu obrigada a emitir uma nota oficial desmentindo a propaganda.

Sempre fui apreciadora da cultura do “faça você mesmo”, mas aí já é demais. Me lembrei de Rebobine Por Favor, de Michel Gondry, em que dois amigos refilmam clássicos do cinema em cenários precários, com figurinos toscos e eles mesmos são os atores. A diferença é que na cabeça do Gondry a história virou filme. E na cabeça da Stefhany ela é uma super star na vida real!

Ela pensa que é linda. Absoluta. Mas é só uma garotinha brincando de ser star!

A coreografia do trio na varanda de casa?
A pessoa se maquiando no banheiro?
O crucifixo balançando, preso no retrovisor do carro?

Alguém me traz um vidro de morfina?

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11.2.09

Cicatrizes

É como se não tivesse aprendido nada. É como se as dores não tivessem servido pra nada, só pra doer. Como se as cicatrizes que estavam bem ali no seu rosto fossem invisíveis.

Era só se olhar no espelho para se lembrar delas. Uma por uma. Do motivo por que estavam ali. Como nasceram, arderam, secaram e, finalmente, se eternizaram bem ali. Na cara.

Quando se acha que elas não serviram pra nada, é hora de se olhar no espelho. Se recolher. E promover um grande resgate.

Sábio é Pedro Juan Gutiérrez, que ama as cicatrizes, não as feridas.

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10.2.09

Quem?

Eu não quero mais ser eu.

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15.1.09

Medo da Felicidade

Escolho o Gotan Project para celebrar a felicidade.

- Entre, sente-se e fique à vontade.

Do canto da sala, de soslaio, a observo sentada na poltrona. Me olha firme, como quem gosta de mim. Levanta, aproxima-se. Desconfio. Imagino que ela vai sacar um revólver daqui a pouco, mirar o meio da minha testa e atirar sem piedade. Dá mais um passo. Hesito. Permaneço imóvel. Me oferece um drink. Talvez esteja envenenado. Aceito, ainda assim. Saboreio. Sorrio um sorriso fino. Ela chega ainda mais perto. Estende os braços. Estremeço. Arregalo os olhos castanhos. Temo que naquela mão imediatamente apareça um punhal bem pontiagudo, que logo em seguida será fincado nas minhas costas. Mais um passo. Um abraço. Tesa, não me movo. Até perceber todo o calor daqueles braços que envolvem levemente meu corpo magro. Desconfio. Até perceber a pureza confortável daquele gesto. Relaxo. Largo o revólver. O veneno. O punhal. É só a felicidade tentando me encontrar.

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12.1.09

Prole

Uma lista de convidados para a sua festa de aniversário pode denotar as suas rugas e pés de galinha. Aqueles nomes vão se empilhando uns sobre os outros e poucos são os que não tem um outro nome ao lado. “Renato e Marina”. “Andreza e Flávio” Todo mundo tem marido, mulher e/ou namorado. Quanto mais velas constam no bolo, maior é o número de nomes duplos que você acrescenta à lista. Parece um movimento natural.

Na relação, sempre consta aquele tipo de pessoa que você sabe que vai acompanhada, mas nunca sabe por quem. O Edu vai com a Roberta, com a Bia ou com aquela outra ruivinha de cabelo curto? E a Fátima? Ainda está casada com o Murilo? Como se chama a namorada daquele amigo do Fernando, mesmo?

O número de velas sobre o seu bolo também aumenta na mesma proporção do número de filhos dos amigos. E todo mundo sabe que quanto mais velha você fica, menos espaço sobra no cérebro pra guardar tanta informação. De modo que em algum breve momento será impossível lembrar dos nomes de todos os pimpolhos de todos os seus colegas queridos. Tem o Pedro da Tânia e o Pedro da Vivi. Como é mesmo o nome do filho da Elô? E da filha? Ah, Giovana. Da Valentina, da Gabi e do Társis, é impossível esquecer. Nome forte. Da Sofia também não esqueço. A do Wellington, no entanto, eu nunca me lembro. Tem também os recém chegados Lucas, da Andréa, e Manu, da Pri. As mais velhas Amanda, da Vanessa, e a da Carol... Qual é o nome da filha da Carol, meu deus? E a da Ana? A da Ana é a Gabi. E a Mila que tá dentro da barriga da Dea e vai ser inglesinha. O Luis Fernando, do Vladi, o Julio, da Ju e do Gu, o Rafael do chefe e o Rafael do ex-chefe. A Luíza, neta do tio que me adotou depois de adulta...

É muita criança. Eu não dou conta!
E, pior, não vai sobrar nome pras minhas.

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Aviso aos navegantes: este blog ignora olimpicamente a reforma ortográfica!

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5.1.09

Meme?

Apesar de manter um blog há muitos anos, eu tenho várias dificuldades e deficiências tecnológicas. Por exemplo, até pouco tempo atrás, não sabia o que era MEME. Patrícia me explicou. E dela eu adotei este aqui. Disse a ela que me lembra aqueles cadernos que as meninas de 12 ou 13 anos levavam pra escola. Cada página continha uma pergunta e todas as amigas respondiam todas. Eu me divertia...


Onde está seu celular? Em cima da cama.
Cor dos cabelos? Avermelhados. Sempre foram castanhos. Já tiveram luzes (cruzes!)
Sua mãe? Dormindo como uma criança.
Seu pai? Cantando “O Coringão voltoooooou!”, lá no céu.
Irmão? No micro, atrapalhando o sono da mãe.
Seu filho? Que filho?
O que mais gosta de fazer? Isso dá uma página: dormir, comer, ouvir música, viajar, dançar (já fui melhor), ler, ver filmes, conhecer gente, estar com pessoas queridas.
O que você sonhou na noite passada? Que estava pegando o busão 22, com uma amiga, em Londres.
Onde você está? No meu quarto, lutando contra o sono.
Onde você gostaria de estar agora? Na Europa, em uma cidade desconhecida.
Onde você gostaria de estar daqui a seis anos? Sei lá... Na Espanha. Não, na Itália. Não, não, em Budapeste. Talvez em Nova Iorque. Ou no Rio de Janeiro.
Onde você estava há seis anos? Me recuperando de um pé na bunda, me enfiando numa roubada monstra e duradoura. Aprendendo a ser produtora de rádio. Inventando um programa de rádio.
Onde você estava na noite passada? Em casa, revendo a família, depois de 1 semana.
O que você não é? Paciente.
O que você é? Inteligente (só pra rimar).
Objeto do desejo? Um apartamento no Leblon. Ou em Londres. Ou no Sumaré.
O que vai comprar hoje? Espero que nada. Talvez um lanche no final da tarde.
Qual sua última compra? 7 filmes em promoção.
A última coisa que você fez? Pus o pijama. Li sobre o verbete “meme”, na Wikipedia.
O que você está usando? Pijama azul.
Na TV? Só pra dormir. Séries da Warner, Sony e Fox.
Seu cachorro? Que cachorro?
Seu computador? Ferdinando. Nem sei que raio de marca ele tem. Ah, LG.
Seu humor? Bom quase sempre, tirando a parte velha ranzinza de 90 anos.
Com saudades de alguém? A gente sempre tem saudade de alguém...
Seu carro? Corsa.
Perfume que está usando? Humor.
Última coisa que comeu? Um cachorro quente.
Fome de quê? De viajar, de férias, de ignorar o que os jornais publicam.
Preguiça de? Rotina. E de levantar antes das 10 da manhã. Tô esgotada.
Próxima coisa que pretende comprar? Câmera fotográfica, presente de Natal pra mãe (eu sempre compro depois do Natal).
Seu verão? Mais velha, enfiada na redação, quem sabe com parcos finais de semana perto do mar. Ou pelo menos longe da redação.
Ama alguém? Claro. Amo algumas pessoas.
Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? Na sexta feira, antes de dormir. Um ataque de riso em dupla.
Quando chorou pela última vez? Não me lembro.


Fique à vontade para adotar o meme e passá-lo pra frente, como se você tivesse 12 ou 13 anos. Dá uma alegriazinha na alma logo no começo do ano!

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16.12.08

Trinta e uuumm? Mas nem parece...

Há exato um ano eu estava monotemática sobre meus 30 anos que se avizinhavam. Lia tudo o que já tinham escrito sobre a epopéia de se tornar balzaquiana - incluindo Lindas e Felizes Depois dos 30, pra aplacar a depressão. O tal do retorno de Saturno que, segundo dizem, te transforma por completo. A partir dos 30 você passa a ser regida pelo seu ascendente e não mais pelo seu signo. Você aprende a escolher melhor. Fica mais seletiva. Eu não sei se tudo isso aconteceu comigo, se eu me transformei em uma mulher madura pontualmente às 12 horas e 25 minutos do dia 6 de janeiro de 2008, tal qual a She-ra virava She-ra apontando a espada pro céu - tenho certeza suspeito que não. Não sei se hoje sou mais ariana do que capricorniana. Mas completar 30 anos me fez pensar e reavaliar tantas coisas sobre a própria vida e me fez descobrir metade delas - o que, convenhamos, é uma boa média para um ser humano confuso e cheio de dúvidas. Eu estava mais velha e, sim, escolhendo melhor, desfrutando do glamour que circunda o fato de se tornar uma discípula de Balzac.

Agora, um ano depois, mergulhada no inferno astral mais uma vez, caminhando a passos largos rumo aos 31, a única coisa que consigo pensar é que o creme anti-rugas para a área dos olhos está acabando, preciso renovar a tintura para cobrir os fios de cabelos brancos que se multiplicam na velocidade da luz, acumulo 12 anos de carreira e parcas 4 cervejas são sinônimo de ressaca no dia seguinte. Eu realmente estou ficando velha. Nem festinha tenho disposição pra fazer. E o glamour foi pra casa do caráleo chapéu!

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8.12.08

Meia Dúzia

UM
Jukebox da Cat Power é uma das coisas mais tristes-barra-lindas que eu já ouvi. Alguns podem dizer que ela é a versão feminina do som-depressivinho do Radiohead. Mas eu gosto mais dela.

DOIS
Tem me sobrado muito pouco tempo para ouvir música, o que me deixa inegavelmente mais triste. E mais chata. Eu costumava fazer isso no carro há alguns anos. Mas como agora só dá tempo de ler metade do jornal durante o café da manhã - que dura menos porque só dá tempo de dormir meia noite/manhã -, eu me obrigo a ouvir notícias enquanto estou transitando de um pelourinho para outro. Música, só na volta do pelourinho-sede pra casa. E são sempre os mesmos CDs, de quem vira e mexe eu morro de saudade. Fuçar na internet nunca mais. Hunf!

TRÊS
Guel Arraes e Jorge Furtado descobriram pelo menos 48,65% da minha vida amorosa e colocaram em Romance. Da minha e da vida de 91,28% das mulheres que eu conheço. E eu fiquei cantando por um dia inteiro Não vamos fuçar nossos defeitos/Cravar sobre o peito as unhas do rancor/Lutemos mas só pelo direito/Ao nosso estranho amor/Ah! Manhinha deixa o ciúme chegar/Deixa o ciúme passar e sigamos juntos...

QUATRO
(((rabugenta mode on))) As pessoas me perguntam se eu vou ao show do Radiohead como se eu tivesse obrigação de ir a todas as apresentações internacionais que acontecem aqui e fosse um crime não comparecer. Eu nem sou louca por Radiohead e acho que o Tom Yorke se transformou em um chato de galocha com todo aquele experimentalismo mala. Revolucionou a indústria com o quer pagar quanto?, importância e colaborações indiscutíveis para o mundo da música. E Bodysnatchers é bem boa. Maaaas... Só vou ao show se tiver de trabalhar. Madonna idem. Tá entendido? / A quem interessar possa: há 3 dias ingressei no meu inferno astral, se é que essa merda existe. (((rabugenta mode off)))

CINCO
Já ouviu Little Joy? É a banda nova de Rodrigo Amarante – ex Los Hermanos - e Fabrizio Moretti - baterista do Strokes. O grupo é formado por eles dois e Binki Shapiro, namorada do Moreti {-ué, mas ele não namora a Drew Barrymore? Namorava, não namora mais, oras!}. É bacaninha. Uma coisa assim meio The Los Strokermanos. Ouve Keep Me In Mind...



...e diz se não é.

MEIA DÚZIA
Eu já falei aqui da urgência por livros que eu nunca leio – deu pra notar nas bobagens descritas acima que o tempo tá escasso? -. A lista aumenta como se não houvesse amanhã. Ganhei do namorado Slam, de Nick Hornby. A irmã já leu. Adorou. Eu ainda não. Recebi Conversas com Woody Allen para uma pauta e adquiri Conversas com Almodóvar. Com o Woody eu já conversei por algumas várias páginas, mas nem metade das 500 que ele tem. Dom Pedrito me aguarda na sala de espera e eu ainda não dei nem um oizinho. Quiçá fique lá até o lançamento de seu próximo filme.


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4.12.08

Repaixão

Existe?

É possível se reapaixonar?

É possível fazer alguém se reapaixonar por você?

Responda se for capaz.

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30.11.08

Sintomático

Acabei de presenciar uma cena muito representativa: um rapazote aqui na firma, no bairro do Morumbi, trajado com a camisa do São Paulo perguntava para um outro sujeito como faz para chegar daqui ao Estádio do Morumbi.

São exatos 5 minutos de carro e até eu - que sou Corinthiana o ser humano mais perdido do mundo - sei chegar.

Convite para reflexão: Imagina quantos sãopaulinos que não sabem aonde fica o Cícero Pompeu de Toledo estão perdidos pelas ruas do Morumbi lotando as arquibancadas do estádio agora, gritando que amam o São Paulo Futebol Clube?

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24.11.08

Tanto (A)Mar

A partir de hoje começo a juntar parcos dinheiros para comprar um conjugado no Leblon a 300 mil reais.

Porque é isso que custa. Você até acha alguns por 120 mil, mas precisa de reforma.

300 mil dinheiros pra ficar perto da praia, passear na Dias Ferreira, me sentir personagem do Manoel Carlos, beber no Jobi, comer bem (em qualquer lugar)...

O Rio poderia ser mais perto daqui. Tipo Campinas.

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18.11.08

Diálogos Madruguentos

Já é praxe: chegar em casa de madrugada e encontrar a irmã acordada é pedir pra ouvir/contar historinhas. A de hoje começou exatamente assim:

Irmã: Meu, o que eu faço com um e-mail....
Tata: Você quer DE NOVO cancelar um e-mail que mandou e não deveria?
Irmã: Não, calma... Eu mandei um e-mail prum cara... (pausa. cara de espertinha)
Irmã: Eu já fiquei com esse cara.
Tata acompanha: Hum...
Irmã, meio constrangida: Ele é filósofo. E escreve.
Tata: Meu, ele dever ser chato!!!
Irmã: Não é... (se contorcendo de rir). Ele é lindo! Tem 1,80m e olhos verdes.
Tata: Hum... Deve ser chato, Cá. Filósofos são chatos!
Irmã: Não. Ele não é. E... tem 22 anos recém completados.
Tata: Definitivamente, ele É chato!!!!!

*

12.11.08

Non Sense

Quando finalmente você se desprende de todos os cuidados, desliga o alerta, acredita que não seja preciso ligá-lo nunca mais e apenas é...

Ser também tem sua faceta feia e desagradável. Confusa. Chata. Sensível. Temerosa. Desconfiada. Sem sentido. Contraditória. Incômoda. E geralmente só precisa de um pouco de equilíbrio e encontrar conforto e compreensão para ficar calma.

Quem tem? Quem dá ad eternum? Jó?
Então, pra quê ser?

Parece um pesadelo como algumas dinâmicas se repetem.
A repetição me convence de que não existem acordos possíveis de serem cumpridos, quando se trata de ser... Apalavrar sem clareza não é ser. Mas por que então não aceitar, simplesmente? O que está dado, está dado. Não?

Não. E talvez as velhas dinâmicas renasçam da inconformidade.

Será que um dia se aprende?
Ou ser - e só ser - sem imposição nem reação já resolve?
Ou será que novembro é o verdadeiro mês do cachorro louco?

Eu nem sei mais o que eu tô dizendo...

3.11.08

Na Vila

E então, num domingo chuvoso, decidimos ir à Vila Belmiro. Porque a gente estava em Santos. Porque eu nunca tinha ido ver jogo lá e sempre quis. E porque meu sogro é santista. Três bons motivos expostos, nem me importei que não ia ter Corinthians em campo. E o namorado nem considerou que o São Paulo jogava no Morumbi.

A Vila Belmiro poderia ser um hipermercado. Porque é pequena para os padrões de estádios de futebol e fica numa zona residencial. Tipo a Bombonera, mal comparando.

Como o Felipe Massa fez o favor de nos fazer roer as unhas dos pés emocionar até a última curva do GP do Brasil, chegamos atrasados. Não muito. Mas o suficiente para o Palmeiras já ter aberto o placar. Estádio bem cheio, encontramos um cantinho bom na área da numerada e sentamos. Primeiro, me dei conta do tempo enorme que faz que não acompanho o futebol, além do Parque São Jorge (e nem lá eu me dedico com afinco), quando notei que o único jogador que eu reconhecia em campo era o Denílson. E só no segundo tempo, porque ele é reserva. No caminho, ainda comentei com o namorado: ôba, vou ver o Marcão no gol. Mas nem isso. O pai dele morreu e ele não jogou. Tudo bem, tinha o Fábio Costa no outro gol, de quem eu tinha uma leve lembrança.

Comentei o desconhecimento futebolístico geral com o namorado:

- O Cleber jogou no seu time, Tata. Lembra dele?
- Quem?

Eu tinha que torcer pro Santos (sob pena de me indispor com o sogro, o que todos sabem, não é nada bom). Mas confesso que estava difícil. Eu nunca vi um time que, no ataque, tem só 3 jogadores na área. O resto fica no meio campo, esperando sei lá o quê. Era evidente a superioridade do Palmeiras, sobretudo no contra ataque. Rápido, de pé em pé, time bem mais entrosado e criativo.

Mas eu tinha que torcer pro Santos. E nem a torcida me empolgava. Até entoei um vamo virar, Santooooooos!, mas não fui além disso. A Jovem é legal e tal. Mas deixa a desejar na empolgação. Aquelas musiquinhas não me conquistaram, não teve jeito. Nada se compara à Fiel Torcida. Foi quando o Peixe empatou, num lance polêmico que eu, sem replay, narração e comentário, não entendi direito, não obstante a proximidade entre a arquibancada e o campo. Foi uma confusão. E depois dela, veio o melhor momento do jogo: Wanderley Luxembrugo foi expulso. E eu gritei, gritei, gritei todos os palavrões que eu conheço, com direito a mãozinha pra cima e expressões faciais de rancor.

E nem me importei que o Peixe tomou um golzinho aos 45 do segundo tempo e perdeu o jogo.

*

26.10.08

Eu voltei. Pra ficar!

É sempre do jeito mais difícil.

Tem sempre bastante sofrimento.

Às vezes é preciso ir ao fundo do poço para arrumar a casa. As coisas. A vida.

Com garra, força e suor tudo se ajeita.

No fim, é hora de comemorar.

Eu sou assim. Ele também.

Não foi por acaso que nasci Corinthiana!



*

21.10.08

Alô?

Que vida de peão é essa que não me sobra tempo nem pra ter idéias?

Ops... é melhor acostumar a escrever ideias sem acento agudo.

Pára o mundo que eu quero descer!

*

13.10.08

Debate de %# é *%&#

Debates entre políticos já não tem mais a menor graça. Aquele monte de gente fazendo perguntas que nunca são respondidas, candidatos que não tem chance nem de ser eleito para síndico do prédio.... Boring! Porém, quando a discussão se concentra em apenas dois candidatos, a coisa fica um pouco menos enfadonha.

Ontem, acompanhei de perto o primeiro debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo, promovido pela Band. Além do que se convencionou chamar de “subida de tom” por causa da troca de leves agressões, o debate teve seus momentos de descontração, em que os dois postulantes a prefeito(a) e o mediador Boris Casoy deixaram a formalidade de lado. Momentos que provocaram gargalhadas nos mais bobos - eu incluída.

Marta evocando o passado de ambos:

- Eu ando com Lula. Kassab anda com Celso Pitta, com Maluf... (pára um momento) ... E espontânea: Ué!!!! Isso tem que ser dito!

Kassab, tendo que responder a uma das perguntas feitas pela adversária, começa bem:

- Vixe Maria, candidata!!!

Boris, interrompendo Marta, que começou a falar sem ter este direito:

- Opa, opa, candidata.

E os direitos de resposta? Toda santa vez que eu ouvia o Boris dizendo “nossa comissão de juristas”, eu imaginava Ives Gandra Martins, Márcio Thomas Bastos e grande elenco reunidos no quiosque do Grupo Bandeirantes analisando os pedidos, avaliando se concederiam ou não direito de resposta aos candidatos, em meio a pedidos de pães de queijo com recheio de cheddar para o outro lado do balcão.

Pois eu tenho uma proposta inovadora para os próximos debates: serão permitidos palavrões. Mas apenas como forma de desabafo. Não poderão ser usados para agressões pessoais. De modo que a fala de Marta ficaria da seguinte forma:

- Eu ando com Lula. Kassab anda com Celso Pitta, Maluf... (pára um momento)... E espontânea: Porra!!! Isso tem que ser dito!

Kassab, tendo que responder a uma das perguntas feitas pela adversária, começa bem:

- Puta que pariu, candidata!

Boris, interrompendo Marta, que começou a falar sem ter este direito:

- Opa, opa, candidata (porque o Boris não fala palavrão)... Candidata, a senhora só tem direito a 5 palavrões por bloco. Por favor, não insista!

A comissão de juristas encarregada de avaliar pedidos de resposta em relação a palavrões seria composta por José Simão, Ricardo Boechat e por mim, que sou chamada até hoje pelo meu padrinho no jornalismo de “Tata Bom Vernáculo”. E até hoje não entendi direito o motivo.

Não sei se surtiria efeito eleitoral. Mas seria muito mais divertido.

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12.10.08

Love Me or Leave Me

Tenho ouvido um tico de Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Norah Jones e Nina Simone...

Será que quanto mais velha a gente fica, mais a gente gosta de jazz e blues?

E será que daqui a alguns anos eu vou saber a exata diferença entre uma coisa e outra?

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2.10.08

Bar Zona Sul

Chovia como se não houvesse amanhã. Sozinha, pronta para comemorar a minha mais nova conquista degustando um prato bem grande de massa, parei naquele estacionamento de sempre. Três rapazes engravatados desciam do carro ao lado e um deles me esperava fazer o mesmo, carregando um guarda chuva. Me ofereceu “carona”, sorridente. Já na calçada, um deles diz:

- Nós vamos ao bar X. Onde é?

Não me restou mais dúvida: meu bar preferido, definitivamente, não é mais o mesmo. Poucas coisas restaram do palco para comemorações, lamentos, encontros fortuitos e celebrações de pura amizade. O principal se foi quase todo: os garçons. O melhor deles, Aílton - que de tão gentil e solícito já foi até homenageado pelo maior botequeiro que eu conheço - era uma mistura de vidente com terapeuta. Bastava olhar para mim, ele adivinhava segredos que nem eu mesma conhecia. E tinha sempre uma boa palavra a dizer, para acalentar ou felicitar. Aílton se foi de lá. Também se foram momentos tão lindos. O bar era meu refúgio nos tempos de dor. E para isso a mesinha do canto e uma boa amiga eram ótimos para que eu pudesse chorar, de frente para a parede e de costas para o restante do salão. Foi pra lá que eu fui – com uma blusa decotada para dar ânimo, conforme fui aconselhada - quando o meu pai foi pro céu e eu não entendia nada do que tava acontecendo.

Era lá a concentração para o desfile de carnaval que durava poucos minutos ao redor da rotatória. Lá conheci minha alma gêmea feminina e passei a integrar um time de futebol. Naquelas mesas me enfiei em diversas roubadas amorosas, me livrei de outras tantas. Conheci pessoas interessantíssimas, pessoas lindas, pessoas loucas. Estreitei laços de várias espécies, dividi risotos, macarrões com camarão, carpaccios e porções de bolinhos de arroz. Somei milhares de chopes, perdi inúmeras horas de sono, virei incontáveis madrugadas e gastei muitos, muitos reais. Com gente fina, elegante e sincera.

Mas aos poucos o meu bar foi sendo tomado por pessoas estranhas para mim. Pessoas que falam irado e que gostam de axé music, do Luciano Huck, de ostentar músculos e que usam alisadores de cabelo. Recorro a um estereótipo para facilitar a compreensão (e justificar minha incapacidade literária): um povinho meio zona sul demais pro meu gosto.

E imediatamente, ao dizer isso, me lembro da pessoa que é paga para mandar em todas as outras lá na firma. Que anda de carro importado, acha que sabe beber e falar de vinho e vive num mundo que se limita à tríade Morumbi-Vila Olímpia-Moema. Acha que a Barra Funda é só um amontoado de galpões industriais e nunca ouviu falar em vanguarda paulistana.

Pensei que o moço do estacionamento é como ele, só que se aventurou a desbravar o submundo da Vila Madalena, porque ouviu falar de um tal bar X que é iraaado, embora ele nem saiba onde fica. Quem dera todos eles se limitassem a sua própria tríade. Eu nunca teria trocado o meu bar preferido pelo da frente. Nunca.

30.9.08

Vida

É engraçado ver fotos atuais daquelas menininhas com quem eu estudei quando era criança. Umas mulheres lindas, outras nem tanto. Muitas estão casadas, algumas abriram mão da carreira, estão gordas e cuidam da ninhada. Algumas continuam trabalhando, se tornaram profissionais bem sucedidas e com conta corrente recheada no banco. Estão esbeltas, casaram e são mães. Me dá a impressão de que tudo o que aquela mulherada mais queria na vida, na verdade, era casar. Constituir família, independentemente de se tornarem profissionais bem sucedidas ou donas de casa, gordas ou esbeltas, conta corrente recheada ou mergulhada no cheque especial.

Tem também aquelas que foram morar em outro país, ou passaram um tempo fora e voltaram a viver aqui no Brasil. Uma ou outra ostenta o barrigão de gestante de 8 meses. Na Austrália, em Miami, em Londres ou por aqui, mesmo. É curioso bisbilhotar o rumo que cada uma tomou.

E me lembro daquela amiga há 30 anos, tão querida, que cresceu comigo. Não consegue casar porque tá trabalhando loucamente e não pára de mudar de cidade, ao bel prazer da empresa. E porque parece que agora ela cansou e mudou de emprego e resolveu priorizar outros aspectos da vida.

Eu nem sei porque raios me lembrei de tudo isso agora e juntei uma coisa com outra. Vai ver que é porque também tenho trabalhado loucamente. E troquei de carro. E ache que as coisas deveriam ser um tiquinho mais simples. E...

16.9.08

Cadê?

Eu sei que ninguém sentiu falta, mas os textos sobre filmes sumiram daqui.

Não, eles não foram parar no buraco negro engolidor de tampas de canetas BIC. Ao contrário: ganharam um espaço exclusivo, chique e elegante, especialmente construído para eles, com design moderno e clean, para agradar você que não tem tempo a perder (se eu fosse publicitária, estaria fodida perdida!).

A fim de não misturar alhos com bugalhos, criei o Cine Ação e Divagação, que tem um nome ainda pior do que o deste blog (eu já disse que se eu fosse publicitária...).

Se quiser ler as minhas impressões sobre os filmes aos quais assisti, clica ali em cima, do lado direito.

A Direção.

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14.9.08

Unidunitê

Não sei onde nem com quem aprendi isso, mas sempre, em tudo o que vivo, esgoto todo meu sentimento. É assim com emprego, família, amigos e amores.

Esse jeito me causou inúmeros desconfortos durante a minha existência. Muitas vezes fui apontada na rua com o dedo indicador em riste, bem em direção ao meu nariz: você não tem vergonha na cara, não tem amor próprio. Trouxa!

Trouxa porque ganhava muito menos do que merecia e mesmo assim me contentava com um cala a boca agradinho aqui e outro ali, que ilusoriamente faziam com que me sentisse importante.

Trouxa porque quase sempre fui a que gostava e não era gostada. Do craque do time de vôlei. Do garoto que passava de moto na minha rua. Do camarada que dançava mais bonito na domingueira. Do rapazinho que tocava na banda X, do que tocava na banda Y e no que tocava na banda Z (haja banda, pelamor!!!). Do que tinha outra namorada/noiva/mulher e do que voltou a namorar a namorada anterior.

Trouxa porque sempre insisti nas amizades que me são importantes, por mais longe que elas fossem passear.

Trouxa porque nunca deixei de viver o que sentia até o fim. Só viro a página de uma vez quando não me resta mais sentimento bom. Ou quando alguma coisa aqui dentro – e não aí fora – me faz sentir que “bem, agora esgotou”.

Eu, que sou a rainha da auto-ridicularização, auto-piedade, auto-crítica, auto-a-puta-que-o-pariu-de-mais-cruel, tenho sido o papa do auto-orgulho ultimamente por ser assim. Não consigo conceber a auto-sabotagem de um ser humano que toma decisões determinantes na vida, que mudam totalmente seu próprio rumo sem estar certo do que sente de verdade. Toda escolha deste tipo tem conseqüências sérias: outra carreira, outro estilo de vida, outra mulher, outro marido, outro TUDO. E como é possível VIVER outro tudo sem SENTIR isso tudo? E aí - e só aí - quando alguma coisa não sai como o planejado, é que o sujeito se dá conta de que lá atrás deixou de ser honesto consigo, deixou de ser fiel aos próprios sentimentos.

Mas a auto-sabotagem tem um preço altíssimo. Talvez o mais caro seja o amargo e dolorido arrependimento do rumo que NÃO se deu na vida quando ela já está determinantemente posta de uma forma absolutamente diferente, anos e anos mais tarde.

Continuarei, se for o caso, sendo apontada na rua por dedos indicadores nefastos: trouxa! Não me importo. Sigo na empreitada de viver tudo até o fim. Até que meus sentimentos (de)terminem. Essa é a minha escolha.

*

8.9.08

Nhé Nhé Nhé

Odeio ter sentimentos que eu não conheço. Ou de que não me lembrava mais. Porque não sei o que fazer com eles. Confusão mental nível 90. É impossível conseguir agir de forma sensata quando eles surgem. Porque a sensatez desaparece. Eu me reviro em mil pra encontrar a melhor forma de agir. E não acho. E quase sempre magôo alguém. E quando me esforço para poupar todos os outros, no fim, quem chora sou eu. Impotência!

A confusão de sentimentos tem indícios de dependência. Não no sentido pejorativo da palavra, mas uma dependência boa. Talvez interdependência, sei lá. Algo que tem a ver com ciúme, com toda a alegria da vida, com rejeição. Que tem a ver com a possibilidade que passa pela minha mente doentia de perder alguém que eu amo. Mas eu não tenho clareza suficiente pra fazer essas relações. Eu não conheço o nome disso!

Por um momento eu chego a querer desamar. Só pra não sentir essa confusão que vem no pacote. Só pra não correr o risco de sentir aquela dor na alma quando o amor vai embora.

Ai, vou ali no divã curar meus traumas e volto já.

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26.8.08

O Amor e o Cinema

Depois do lançamento e da entrevista coletiva de Ensaio Sobre a Cegueira:


- Quem é mais bonita: Julianne Moore ou Alice Braga?

- A Julianne é mais velha, né. É toooda sardenta, o rosto todo, uns zóião claro, ruiva, um narizico... Eu acho ela linda! A Alice Braga é bem bonita também, mas é mais moleca, saca? Enfim, a Julianne é véia que nem eu e a Alice é moleca que nem eu. Tendeu? (hahaha)

- Ou seja, eu tenho a Alice Braga e a Juliane Moore em uma namorada só!

- Basicamente isso! Aaah, se eu tivesse continuado a minha investida teatral... Aí, você ia ver!!!

- Aí você não ia estar namorando comigo...

- Como não?

- Você ia namorar o Gael!!!

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17.8.08

Coisas que Só a Firma Faz por Você

Quando você trabalha muito, tipo 11 ou 12 horas por dia, a semana toda, na sexta feira começa a tomar chibatadas ao meio dia e só pára às 11 e meia da noite, até um show do Latino na festa da firrrma te deixa animado, sorridente e dançante.

Você se vê cantando versos edificantes como Quem planta sacanagem colhe solidão, imitando uma coreografia de dançarina do Faustão ao som de Tem culpa eu, tem culpa a Kátiaaaaa... e pulando alucinadamente enquanto ele berra ao microfone Hoje é feeeeesta lá no meu apê, pode aparecê, vai rolar bundalelê.

Acredite em mim!

Você também pode aumentar o seu repertório de informações inúteis e saber que Tô Nem Aí, "que fez sucesso em mais de 80 países" na voz de quem? Luka, na verdade é de autoria deste gênio da música popular brasileira.

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A quem possa interessar, eu tomei uma decisão muito importante:

Vou parar de fumar.

Mãe, namorado e preocupados insistentes de plantão, vocês venceram. :)
Agora, claro, podem jogar as minhas sardinhas!


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